20 setembro 2009

...VISÕES...

(Ant. Paulo) 
            Tambores, fanfarras, guiões, bandeiras e estandartes
      Fardas em desfile
      Hinos
      Pátria amada. Filhos da Nação
      Discursos moralizantes
      Vassalos e mandatários de governantes
      Donos da guerra e da paz
      Cais de embarque
      Multidões chorantes
      Mães, filhos e esposas delirantes
      Beijos, abraços, gritos, desmaios, angústia, dor, sofrimento
      Mar calmo, mar revolto, mar imenso
      Caminho das Indias
      Viagem com esperança no regresso
      Cabo das Tormentas
      Ventos orientais africanos
      Descarga de gente requisitada e numerada
      Semblantes carregados. Incertezas
      Lione, Chala, Matipa, Vila Cabral, Luatize, Tenente Valadim
      Lugares marcantes
      Picadas, trilhos, caminhos errantes
      Caminhadas imensas, caminhadas intensas
      Selva, embondeiros, capim, feijão macaco
      Bichos selvagens, moscardos, moscas, mosquitos
      Cansaço, desânimo, sede, esgotamentos
      Doenças e acidentes. Paludismo. Desfalecimentos
      Trovoadas, chuvas torrenciais. Rios cheios, rios vazios
      Cacimbo, lama, pó
      Miséria e  fome
      Crianças inocentes, barrigas grandes, umbigos salientes
      Psico
      Cartas, aerogramas e outras missivas
      Madrinhas de guerra, abençoadas divas
       A berliet, o unimog, a cabra do mato
      Viaturas para colunas, colunas sem viaturas
      Espingardas, bazucas, morteiros, granadas, minas
      Metralha, explosões
      Nervos à flor da pele
      Gritos de dor, gritos de raiva
      Sangue
      Aviões e helicópteros
      Urnas de chumbo
      Homens de luto chorando
      Soldado que não volta à sua terra
      Vendilhões de patriotismo que espetam no peito cruzes de guerra
                               …...............
      Pela calada da noite é a fraqueza que vem
      Sinto nos meus olhos as lágrimas de minha mãe

  Ex-fur. Paulo

19 setembro 2009

O COMBOIO DO CATUR

(Por A. Paulo)
 
Já  agora deixem-me recordar a viagem do nosso comboio a que se refere o meu amigo Santa. Parece que tem muita “pintura” mas a história é verdadeira.


      O trem a vapor era do tempo do oeste americano. A linha era tão estreita que os carris mais pareciam os do eléctrico. As carruagens acompanhavam e complementavam o resto do cenário. Até parece que tinham as rodas quadradas.
      Saímos do paquete Vera Cruz, em Nacala e como era normal nestas coisas, mas para nós era a primeira experiência, muito apreensivos. No cais tínhamos a recepção há muito desejada e esperada pelos VELHINHOS. Homens queimados pelo sol africano, com os camuflados amarelados e esfarrapados pelo uso, deram-nos as boas vindas. “Ó checa sai do barco”, gritavam uns. “O barco é nosso, ó checa”, proferiam outros em explosão de alegria.
      Os “checas” éramos nós. Era o nome dado aos “maçaricos” que chegavam da Metrópole com as suas fardas verdinhas, quase engomadas e a cheirar a naftalina. Que lindo nome nos arranjaram.
      Aqui a conversa já era outra, pois os galos de crista vermelha que empoleirados no seu trono viram desfilar os franganotes em Lisboa e Lourenço Marques, já cá não estavam. “Meus filhos, tomai esta ração, crescei e façam-se frangos do campo e... o resto salve-se quem puder”.... As ordens são para cumprir e não se discutem.
      “Ó pessoal vamos lá receber as armas”, gritou alguém da nossa CCAV. E o nosso pessoal alinhado lá se foi chegando aos camaradas da companhia cessante, que com a amabilidade e tratamento personalizado q.b., fizeram a entrega da inseparável espingarda G-3. ...E agora para o comboio que se faz tarde.
      Parece-me que nos estavam destinadas três carruagens, que tivemos de dividir da melhor maneira, para homens, armas e bagagens, a contar com os dois dias de viagem que tínhamos pela frente até ao final da linha – CATUR. Que sorte a minha ter arranjado um pequeno espaço no corredor, que com os papelões das caixas das rações de combate e uns centímetros roubados à casa de banho, de porta aberta, proporcionaram a minha confortável cama.
      E lá arranca o malfadado comboio puxado por uma pequena maquineta a vapor, lento como o caracol, com destino às portas da guerra – Nova Freixo.
      Passou a noite. O dia estava a amanhecer o que me fez levantar da minha improvisada cama, torcido claro, e olhar através da janela do meu “compartimento”. Ou eu estava tonto, bêbado de sono ou então levantei-me ao contrário. O comboio estava a andar para trás, com mais força do que andava para a frente. O que se passa?!...
      Era verdade. Aquela pequena máquina a vapor não tinha canetas para subir o desnível que tinha pela frente e então estava a fazer marcha atrás para apanhar embalagem para transpor o obstáculo. Sem êxito, claro, pois cada investida ao objectivo foi sempre um fracasso. Em bom português, “borrava-se” toda espalhando vapor por todo o lado. Por fim encontrou-se uma solução, que foi partir o comboio ao meio e levar metade de cada vez  à estação de Nova Freixo. Por fim chegámos à denominada “ZONA DE GUERRA”.
      Quem diria que ali perto da estação do caminho de ferro estava um laranjal!...
      “Ó senhor dê-nos lá uma laranja”, pediram algumas gargantas secas ao dono que ali se encontrava. “Tá bem, diz o homem, colham desta e daquela”. E então em escassos segundos as laranjeiras ficaram despojadas dos seus apetitosos frutos e quase sem folhas. Por acaso eram deliciosas e souberam bem.
      Agora a próxima paragem era já o Catur. Meteram o rebenta minas à  frente da máquina, que puxava as inúmeras carruagens do nosso comboio militar, agora ajudada por outra que no fim da composição empurrava como podia para concluir a sua penosa tarefa.
      Guerra é guerra!... E lá começamos a meter os canos das espingardas pelas janelas fora, não fosse o diabo tecê-las, para uma reacção mais rápida ao ataque dos “turras” que por ali poderiam andar.
      “Ó checa, a guerra é lá em cima”, gritavam os velhinhos, que perto da linha assistiam à passagem do nosso comboio.
      E foi aqui, nesta viagem inaugural, que começou a nossa PSICO. Centenas de bolas de queijo, concretos de fruta e outros excedentes das rações de combate eram lançados às crianças, nuas ou seminuas, que junto à linha, com a suas barrigas dilatadas, nos acenavam em sinal de agradecimento.
      Enfim Catur. Zona essencialmente militar onde os comboios chegavam ao fim da linha. Vários veículos militares –Berliet Tramagal- esperavam por nós para nos darem “boleia” até Lione. Naquele tempo o nosso GPS indicou-nos que o melhor era ir por Nova Guarda, via Vila Cabral, pois lá para os lados de Massangulo, (via alternativa) mais precisamente no caracol, havia muitas curvas,  o que poderia provocar muitos “enjoos” ao pessoal.
      Já  era noite quando chegamos ao nosso destino –Lione-, onde os velhinhos nos receberam com archotes e tiros para o ar e depois...... Ponto final, parágrafo. Cada um de nós tem a sua “história” para contar. Pode ser dura, mas é a realidade.
      Já  agora duas fotografias alusivas ao nosso comboio. 







Um abraço do Paulo










16 setembro 2009

E O FILME CONTINUA ...

(Por  F. Santa)
Quem não se lembra do filme: O comboio do Catanga? Pois eu vi esse filme antes de ir para a tropa e nunca pensei reviver quase na prática o mesmo, como todos nós vivemos.

  O célebre comboio que nos transportou até “Catur”, levando no seu interior aquela massa humana apinhados uns em cima dos outros debaixo daquele calor tórrido ficou até hoje na minha memória e com certeza na vossa também. Ainda me lembro do rebenta minas que ia à frente das duas máquinas a vapor que puxavam todo aquele comboio, que mais parecia uma serpente gigante serpenteando pela selva fora. Lembro-me ainda quando aparecia uma subida, lá parava o comboio e lá ia o preto (com o devido respeito) poste acima como um macaco, levando consigo o telefone para informar a estação mais próxima que o comboio tinha que ser fraccionado. E o que acontecia? Lá ia metade do comboio e a outra metade ficava á espera.
  Chegados a “Catur”, já era noite e lá fomos para “Lione”cobertos de pó da picada qual moleiros de farinha amarela! Deixamos o cavalo de ferro a descansar da sua caminhada. Foram vinte e tal dias de barco; cerca de quarenta e oito horas de comboio, e finalmente tinha-mos chegado ao cenário de guerra. Lembro-me ainda de alguns avisos: A partir de agora não há postos; os oficiais podem dormir com soldados, e se possível todos põe bala na câmara! As divisas passarão a ser as camufladas.
  Não me lembro de mais nada neste momento, mas com certeza haverá mais episódios que alguns se hão-de lembrar, e sendo assim continuem o filme.


Que tudo quanto vimos
Que tudo quanto vivemos
Que tudo quanto agredimos
Que tudo quanto sofremos


Se grite bem alto
Aos quatro ventos
Para que o povo acorde
e todos nos libertemos!
      “Capitão Calvinho” 
                                      


      Mais uma vez: Um abraço para todos.
                                                              
                Santa
  

12 setembro 2009

AS TRANSMISSÔES


     (Por Ant. Paulo)

Hoje vamos dedicar um pequeno espaço às transmissões. Não são transmissões de propriedade, nem transmissões de pensamento. São mesmo transmissões de transmitir, ou seja, telefonar através daqueles caixotes obsoletos, alimentados por baterias que mal suportavam as cargas e orientados por cordas de estender a roupa.
      Tempos difíceis e de sacrifícios, mas o pessoal lá cumpriu a sua missão  com o melhor empenho possível. Um abraço a todo o pessoal das transmissões.
      Mando uma fotografia com o dito pessoal, com excepção de dois elementos que na altura não eram da comunicação, mas são agora.
      Agradeço que me digam o nome dos três elementos menos conhecidos por mim, para anotar na fotografia.
      Um abraço do Paulo

  

06 setembro 2009

Exposição de Fotografia



Todos nos recordamos do (ex-alf.) M. Magalhães como apaixonado pela fotografia e cinema. Creio até que era o único detentor, em toda a Companhia, de uma máquina de filmar em formato super 8 (ao tempo, o topo de gama para amadores...) , e já era leitor dos Cahiers du Cinéma

 O que nem todos saberão é que ele continuou o seu percurso, tornou-se um perito em História da Fotografia, especialmente em Portugal e na cidade do Porto, onde vive. E tem percorrido o mundo, sempre de máquina em punho.  É impressionante o número de exposições, individuais e colectivas, em que tem participado em  Portugal e no Estrangeiro.

É por isso, e a oportuna sugestão do A. Castro,  com o maior prazer que tomo a liberdade (sem o  consentimento do visado...) de aqui publicitar mais uma Exposição Fotográfica que estará patente no Porto (Galerias Serpente, na R. Miguel Bombarda,558) a partir do próximo dia 16.



E UM APELO: Que  o M. Magalhães encontre algum tempo, na sua vida atarefada, para partilhar connosco, neste BLOG que em tão boa hora iniciou, alguns instantâneos da nossa vida em África, que com certeza conservará nos seus Arquivos. Valeu?



02 setembro 2009

A GUERRA

(Por  F. Santa)

Lendo o livro de poesia do nosso camarada Capitão Calvinho, deficiente das Forças Armadas, não podia deixar de transcrever para todos um excerto do prefácio do mesmo livro da autoria da Associação dos Deficientes das Forças Armadas que diz o seguinte:

“ Os homens vitimados pelas minas e pelas granadas, nas matas e nas picadas, maltratados nos hospitais, escondidos da sociedade, abandonados e desprezados, como farrapos, por quem deles se serviu, jamais calarão a voz da razão, a voz da sua justiça.”

   Para quem não sabe, eu pertenço a esta Associação. Eu sou um daqueles que também ainda não se calou e não se irá calar jamais, tanto em defesa dos deficientes mas também em defesa daqueles que não sendo deficientes, hoje sofrem no corpo os males da guerra que transportarão até ao final das suas vidas e que os nossos governantes de outrora e de hoje sofrendo de “Amnésia” se esqueceram de todos nós.
                  
    Do nosso camarada Capitão Calvinho aqui vai um dos seus muitos poemas:




                “ INTRÓITO”  

Eu não canto o épico da guerra
Não, não canto!
Eu canto a agressão
Que fui e suportei!
--Eu fui à guerra:
MATEI!..
--Aqui estou, hoje e agora,
Amanhã e sempre,
Para gritar em verso ou em prosa
Aquilo que vi, fiz e vivi:
--Porque acordei!
E dou testemunho de tudo quanto canto
Pois tudo vivi como instrumento
E hoje sinto como canto!
--Não quero esquecer a guerra!
Ninguém a deve esquecer!..
A lembrança
há-de ser
até morrer
o permanente estigma
que todas as madrugadas
me há-de mobilizar! 

Tudo isto que nós transportamos para este nosso espaço, não é mais que um grito de revolta suave e também de resignação, mas também um sinal de que estamos vivos apesar das nossas fraquezas.

  Artur. Estás sempre atento! 

  Um abraço para todos.
  F. Santa


 

29 agosto 2009

A MASCOTE

(Por Ant. Paulo)
 
      Perdoem-me, mas esta amnésia é tolerável. Já lá vão 41 anos e isto pesa muito na minha tola.
      Como se chamava a mascote?!... Macaco ou macaca?!.... Parece-me que  era um macaco e que se chamava “CHICO”. Será?.... Vou trata-lo por tal.
      Este chico era o animal que  mais se  destacava no nosso “jardim zoológico” pessoal e particular, que sempre  acompanhava a CCAV. nas suas deslocações e que tinha um estatuto próprio de independência no aquartelamento de Lione, e não só. Era pertença do soldado Oliveira, mais conhecido por “cobra d’água”.
      Devem estar ainda lembrados, os nossos camaradas “ex-”, alferes e furriéis, o local  onde se tomava o pequeno almoço em Lione.
      Claro, numa mesa colocada no alpendre, à saída do dormitório dos furriéis, onde diariamente nos punham o pão acabado de fazer (quando se cozia), acompanhado de uma grande lata de margarina, e...mais qualquer “coisa”.
      Pois este “chico” era o primeiro a chegar à mesa. Quando nós chegávamos já o patife tinha  enfiado as mãos (patas dianteiras) na lata da margarina, chupado os dedos e trincado o pão que nos era destinado. Afinal o pequeno almoço até sabia bem, ou não?!... E as latas de fruta em calda. Ainda se lembram delas?... Parece que custavam 9$00 cada  e vinham da África do Sul. Pois este macaco também gostava muito desta fruta, tendo-se aproveitado várias vezes quando as  apanhava abertas em cima da mesa. Tinham uma calda espantosa.
      Para  ver e recordar o macaco em acção, destaco estas duas fotos onde:
      -Numa o animal, vertical, bebe como qualquer mortal (Chala), e

e na outra temos como pano de fundo o abrigo onde eram guardados os combustíveis  para as viaturas (Luatize) e que servia de dormitório ao chico.


Um abraço do Paulo 

27 agosto 2009

Era uma vez...

Pelo F. Santa


MAIS UM POUCO DE HISTÓRIA
        
  Para quem não sabe, comecei a minha guerra nos anexos da E. Prática de Cavalaria em Santarém. Foi aqui que eu levei a “ injecção de cavalo” em duas doses, o que me deu uma spidagem danada. A recruta até nem me correu nada mal, pois eu antes de assentar praça tinha andado na Milícia no Regimento 12 em Coimbra enquanto estudava. Aqui aprendi ordem unida o que me facilitou e muito a recruta. Tive um pequeno susto quando rebentou dentro do paiol uma granada defensiva o que felizmente não causou nada de grave.
Passado a recruta, deram-me a especialidade de “Atirador”e dei entrada mais ao lado na Verdadeira E. P. de Cavalaria. Aqui até os “ilhoses” das botas tinham que andar a brilhar, já para não falar na aplicação militar que era dada pelo então Tenente Pereira Coutinho. Desde a pista de obstáculos até ao famoso “osso de vaca”escondido no estrume que tinha-mos de morder, tudo era possível para nos maltratar. Foi aqui que conheci o Salgueiro Maia e o J. Manuel Casqueiro (Aspirantes) tendo feito uma prova de patrulhas com eles desde a Serra dos Candeeiros até Santarém tendo ganho a mesma, tendo ainda ganho o único louvor (por escrito) por ser o melhor a fazer a cama. Depois no final, veio a “Patrulha da Morte” onde tinha-mos de assinar um documento em que nos perguntavam entre outras perguntas, em caso de morte quem haveriam de avisar! Sem roupa interior, só com o camuflado vestido, o cinto era um cordel e nos pés sapatilhas sem meias, lá fomos de noite para uma vala onde tudo nos aconteceu.
Terminada a especialidade como atirador de Cav.,fui enviado para os Rangers  em Lamego onde estive algum tempo. De lá saí para dar recruta em Castelo Branco e onde também fiz provas de tiro tendo ficado em 2º lugar. Foi aqui que nas vésperas de Natal saiu a minha mobilização. Tendo acabado a recruta aqui, segui para Estremoz para dar nova recruta mas desta vez vejam só, dar recruta “de Panhares” eu atirador de Cav.!!  Enquanto todos iam para os “passarinhos fritos na manteiga”eu ficava na caserna a estudar a mecânica e as comunicações para dar as aulas e depois ainda ir para o meio dos chaparros fazer a guerra, tendo sido o meu comandante o famoso Tenente Tamágnine.
Terminada esta epopeia, daqui parti para Cav.7 onde vos encontrei a todos para partilhar a aventura que nos estava reservada em terras de Moçambique.

    Aproveito para perguntar: Onde está o resto da malta? Será que ninguém mais é capaz de participar? Mal ou bem participem, não se importem de escrever mal, eu também não escrevo muito bem, o que importa é escrever as coisas com palavras soltas e simples de maneira que a gente perceba. Vamos lá. 
  Paulo. Fico á  tua espera.

17 agosto 2009

DESCUBRA AS SETE DIFERENÇAS

(Enviado por Ant. Paulo)



CONCORRA AO PASSATEMPO E GANHE PRÉMIOS!!!
Os “desenhos” acima parecem iguais, mas têm sete pequenos pormenores que os que os diferenciam.
Concorra e habilite-se a ganhar uma cerveja BAZUCA geladinha, ou seja,
-UMA LAURENTINA, com um pires de moelas em caril, de Vila Cabral
ou
-UMA 2M, com um pires de camarão, de António Enes.

Envie um aerograma com uma quinhenta (valor já acrescido do Iva à taxa legal) para a sede do signatário, com os resultados encontrados e aguarde o sorteio.
Quantos mais aerogramas enviar mais possibilidades tem de ganhar.
SORTEIO AUTORIZADO POR SUA EXCELÊNCIA O GOVERNADOR CIVIL LOCAL.
Um abraço e boa sorte
Paulo
topaulo1945@gmail.com

Vá lá uma ajudinha. ......Chala e Vila Cabral..... E mais não digo.


Nota do "editor" : Em caso de ruptura de stock das bazucas, poderão ter de ser atribuídas estas latinhas (também conhecidas por "granadas de mão"):






14 agosto 2009

As aventuras (e desventuras) do meu regresso...


(Pelo F. Santa)

Olá camaradas. Aqui estou eu de volta.

Já regressei de férias. Este ano fui até aos Picos da Europa. Foi espectacular. Realmente são paisagens lindíssimas. Recomendo.

Já contei a todos o que me aconteceu e me levou ao hospital mas, agora vou contar um pouco da odisseia que passei em toda a cena, pois tudo é pertença da guerra.

Embarquei em Vila Cabral num “NORÀTLAS,” nem sei se é assim que se escreve. No seu interior iam no chão as macas com feridos graves, nos bancos de lado iam os feridos com menos gravidade. Logo aos quarenta e cinco minutos de voo a “lata” já deitava fumo e eu já pensava que não morria no mato mas ia morrer de desastre de avião. Contudo, embora um pouco de lado e com um dos motores a meio gás lá aterrámos em Nampula.

Passado alguns meses parti para Lourenço Marques sem qualquer problema. Chegado ao hospital fui muito bem recebido com uma espécie de caldo verde. Foi o meu jantar. Passado um mês serviram numa refeição uma espécie de arroz de marisco só que o Santa ia indo desta para melhor pois calhou-me um “bichinho” estragado. Só me lembro de dar saltos na cama e não sei de onde saiu tanta água do meu crpo Foram cinco dias a caldinhos mas lá me safei e, disse o médico, com um pouquinho de sorte, pois a intoxicação foi forte . Faltava um mês para embarcar para a Metrópole com destino ao H. Militar, estava eu sentado no jardim com um sargento, apareceu um cauteleiro que nos abordou para comprarmos a única cautela que ele trazia. Depois de tantas vezes teimar o sargento contra a minha vontade não quis comprar e eu só, não tinha dinheiro para a compra da mesma. Resultado. A cautela teve o primeiro prémio. E na altura se era dinheiro! Entretanto fui evacuado para Lisboa no paquete Angola. Paramos em Durban (África do Sul). Sai com uma enfermeira de Cabo Verde que nos acompanhava. A ideia era dar uma volta mas foi mentira, apareceu logo a polícia para nos prender, ia acompanhado por uma pessoa de cor o que não podia mas com alguma dificuldade, pois o homenzinho estava mesmo disposto a prender-nos, lá resolvi a situação.

No H. Militar de Lisboa (galinheiros), depois de alguns meses de lá estar, fui visto por um senhor médico que era conhecido por: Corta pernas. Queria-me operar. Depois de ver toda a papelada quando reparo, imaginem o meu espanto que a marcação era para ser operado ao braço esquerdo e não ao pé. Já agora, ele era conhecido por “corta pernas”porque cortou muitas pernas a camaradas nossos evacuados mas já devidamente tratados e com todas as possibilidades de ficarem com elas, mas ele simplesmente mandava cortar.

Como vêem, camaradas, do mato ao hospital tudo podia acontecer. Há muitas coisas que foram escondidas da opinião pública no que refere à última parte que contei. Já agora posso dizer, quem nos valia nos hospitais do ultramar eram as senhoras da Cruz Vermelha.

Pronto. Hoje foi assim para mudar um pouco de cenário. Fugir um pouco à rotina do mato.



Um abraço para todos

SANTA






12 agosto 2009

"A Guerra de 1908"

Homenageando o Raul Solnado, para quem a guerra acabou, definitivamente


07 agosto 2009

O BICICLISTA

(Por Ex-Furr. Paulo)





Fotografia sujeita aos comentários mais diversos.


Isto não é o que parece. Os putos não são os afilhados do Paulo e do Castro. Também não foram os escolhidos para uma acção psico.

Esta multidão aguardava o vencedor da volta em bicicleta (circuito
interno/externo) a Lione e aproveitou para ficar na fotografia. O
Paulo também aproveitou a boleia e não desperdiçou a presença da
comunicação social. Parabéns ao ciclista vencedor.

PS. - Tomei conhecimento mais tarde que o ciclista foi
desclassificado por não possuir carta de condução, não ter licença
válida e circular a velocidade excessiva dentro da localidade,
infringindo o “Código da Picada”.

Só não ficou preso e nem pagou multa, pois eu e o Quintino tínhamos boas relações com o chefe “Capunga “ e conseguimos a absolvição do infractor. A fotografia não engana..






Um abraço do Paulo.



26 julho 2009

Exilados em MATIPA

(Enviado pelo F. Santa)
Olá Malta !

Cá está o Santa novamente! Espero que todos estejam a ver o nosso site e que o mostrem aos filhos e aos netos para memória futura, é bom para ficarem a conhecer a nossa história e é por falar em história que eu lembro hoje aqui, e em género de homenagem a todos aqueles que pertenciam à minha secção e que ao terceiro dia de ultramar foram uns bravos.
Se bem se lembram, fomos os primeiros a entrar no cenário de guerra. Meia dúzia de gatos pingados, partimos de Chala a mando da companhia que íamos render, rumo ao desconhecido: “Matipa”. Sem conhecermos a picada e o seu respectivo trajecto que nos levava ao destino, lá partimos prontos para sermos apanhados à mão! Era para nós uma partida sem certeza de chegada. Naquela altura, com três dias de ultramar, sem conhecer nada, foi uma autêntica aventura só com uma secção, fazer um trajecto desconhecido em pleno mato com as consequências que poderiam acontecer. Aqui deixo uma palavra de admiração ao meu amigo “ PIRES “ que era o condutor do “UNIMOG”. Portou-se como um verdadeiro condutor de picada. Vejam só, levámos quase todo o tempo a cantar, parece anedota mas foi verdade. Ao fim de algumas horas lá chegámos a Matipa são e salvos parecia o fim do mundo. Tínhamos acabado de conhecer o que era uma picada e muito especialmente andar nela de noite, pois partimos de Chala com a noite já praticamente em cima de nós.
Chegámos e não víamos nada. Onde estavam as instalações? Ficámos perplexos. Além de algumas palhotas existia uma tenda de campanha ampla por dentro onde cabia mal a nossa secção. Onde dormir? Em pleno chão enfiados dentro de sacos cama de onde saía um cheiro que eu nem vos digo. A cozinha eram duas grandes panelas debaixo de um pequeno alpendre coberto com folhas com a dimensão talvez de três por dois metros. Comida ? Óptima! Arroz e Salsichas quase mês e meio, nem a água do rio prestava e na altura era pouca, nem para tomar banho dava. E assim passámos cerca de mês e meio naquela bonita aldeia que só me deixou saudades pelo cantar dos pássaros e de todos os outros animais da selva quando do nascer do sol. Foram dias de uma bela dieta. Todos ficámos mais elegantes.
Camaradas. Isto também serve para dizer que a guerra também foi passada com alguns momentos de sorte, eu diria de irresponsabilidade! Pois mandar meia dúzia de homens noite fora por uma picada foi de loucos, e foi um senhor alferes da companhia que fomos render o herói desta ordem. Mas tudo acabou bem. E se não tivesse acabado bem? Gostaria de saber a resposta.

Do Santa um abraço para todos. Agora vou de Férias!








22 julho 2009

Foi há 41 anos...

... que iniciámos o nosso cruzeiro:

23-07-68

Vera Cruz


"Já a vista pouco e pouco se desterra
Daqueles pátrios montes que ficavam;
Ficava o caro Tejo, e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E já depois que toda se escondeu,
Não vimos mais enfim que mar e céu."

Lusíadas, V - 3




Portaria n.º 23468
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Marinha, declarar que o navio Vera Cruz, da Companhia Colonial de Navegação, é afretado pelo Ministério do Exército, a partir de 18 de Julho de 1968, para transporte de tropas e material de guerra.
Enquanto o navio tiver capitão-de-bandeira só poderá ser utilizado em serviço do Estado, e não comercial. Nestas condições, tem direito ao uso de bandeira e flâmula e goza das imunidades inerentes aos navios públicos.
Ministério da Marinha, 8 de Julho de 1968. - O Ministro da Marinha, Fernando Quintanilha Mendonça Dias.



17 julho 2009

A VACINA

Por Ex-Furr. Paulo


“Quem não tem a vacina não pode embarcar”, diz o nosso doutor, em
exclusividade, camarada furriel Vale.

Esta é a história da vacina, não sei se da varíola ou outra análoga,
que nós todos tínhamos que sofrer na pele e que deveria constar do
nosso boletim de sanidade para podermos regressar à Metrópole.
O frasco ou frasquinhos da mesma, devidamente “acautelados” pelo
nosso camarada Vale, já rebolavam há bastante tempo pelo frigorífico,
que primava pelo seu mau funcionamento, existente no nosso
aquartelamento em António Enes.
Dentro do prazo ou fora dele, eis que chega o dia da célebre vacina.
Para nos injectar, foi convidado pelo camarada Vale, o nosso vizinho
Doutor-Médico, que morava ali ao lado do nosso aquartelamento. Aquele
que tinha uma mulher mais gorda que magra, mais antipática que
sociável e que deu um tiro de pistola de 9mm à nossa macaca-cão,
ex-libris da nossa Companhia, por ter saltado para o quintal da dita
cuja.
A infeliz, toda ligada, gemia como os humanos. Os macacos também choram.
Voltando à vacina.
Como não havia os tais aparos especiais ou objectos apropriados para
dar a mesma, o Sr. Doutor-Médico pediu um recipiente para despejar a
vacina e um bisturi para introduzir na pele a mistela medicinal.
Nestas coisas, o nosso camarada Vale nunca se atrapalhava. Era uma
espécie de McGiver.
Passou por água um pequeno pires que ali estava na sua secretária e
que servia de cinzeiro e foi buscar um bisturi ao seu armário de
primeiros socorros.
Depois foi um ver se te avias. Começou a molhar o bisturi no pratinho
e a cortar os nossos braços com três ou quatro incisivos golpes, em
cadeia e sem parar, e introduzir “suavemente” a famigerada vacina,
formando-se então uma mistura de sangues no pratinho da vacina onde o
Sr. Doutor-Médico “molhava” o seu improvisado utensílio. E assim
continuou até terminar o seu trabalhinho. Graças a Deus todos
embarcamos dentro das NEP’s.

A moral da história?!... Somos todos irmãos de sangue. Será que foi
aqui que a maior parte de nós foi infectada com a bactéria dos
“apanhados”?

Presto aqui a minha homenagem ao nosso camarada Vale – Uma fotografia
do meu album.



Ex-furriel Paulo







16 julho 2009

Na Ilha de Moçambique...

... já no ano do regresso (1970) !


Quatro cavaleiros da Briosa !



Paraiso Tropical

(do H. Afonso (modif.))




Quem sabe onde a foto foi tirada ?



13 julho 2009

Contrastes...

"Serviço é serviço...




... e conhaque é conhaque !!! "


(do album do H. Afonso)

10 julho 2009

"O Monte da Bazucada"


(Enviado pelo Fernando Santa)

Alô Camaradas!


É com alegria que vejo a entrada do Ex. Furriel Paulo no nosso Site. Um abraço para ti. Continua, pois precisamos de recordar coisas passadas (as boas e as más) para se puder viver bem com o nosso espírito, sabendo separar a tristeza da saudade, e misturar um pouco de alegria para não entrar em stress. Cá te espero para o ano em Coimbra para o nosso almoço e já agora aqui vai mais um episódio de guerra para descontrair um pouco: “ O Monte da Bazucada “.
Quem se lembra do “Monte da Bazucada”? Ficava sensivelmente a meio do trajecto entre Lione e Vila Cabral.

Vou relembrar uma situação que se passou com parte do meu pelotão numa certa noite em que regressava-mos de V.Cabral, depois de termos comido um belo frango de churrasco no “ Coelho “.
Já com alguns quilómetros de picada percorridos, eis que nos aproximámos do Monte da Bazucada. Lá longe, no alto do monte duas luzes cintilavam, eram “Turras” à nossa espera, foi a nossa primeira suspeita. O Alferes Alcino deu ordens para apagar as luzes das viaturas e avançar lentamente. Descemos das viaturas, formámos duas colunas, uma pela direita e outra pela esquerda ladeando as viaturas e em andamento lento. A certa altura o Alf. Alcino manda disparar para as luzes, como elas não se apagaram aí vai uma “ bazucada” mas tudo ficou na mesma. Que raio se passa? Continuámos a avançar e o mistério foi desvendado: Eram troncos de árvore arder, resto de uma queimada feita pelos “Milicias”. Não brincávamos em serviço! Julgo que alguém se há-de lembrar deste episódio.

Já disse várias vezes que recordar é viver, tanto o pior como o melhor. Não podemos ficar agarrados aos traumas de guerra, só nos faz mal. Eu próprio lido com falta de memória desde que saí do hospital derivado ao que me aconteceu e que eu aqui já contei. Todos os dias tenho que tomar as drogas necessárias para quando me levanto o meu “ Computador “ funcione como deve ser, e isto é a vida e ela tem que continuar pois só assim camaradas, podemos estar aqui a falar uns com os outros e todos os anos estarmos juntos para beber uns copos. As nossas mágoas, as tristezas as angústias e o que passámos de mau por lá, devem ser guardadas num baú e colocá-lo no sótão do nosso pensamento e então de vez em quando vamos lá com o sentido de relembrar, só isto. A vida tem de continuar.

Deixo aqui um apelo: Escrevam. Bem ou mal, não interessa. Há muitas histórias para contar. Deixo aqui um exemplo: Quem sabe da História dos dentes de Elefante? Do gato em Chala e de tantas outras?

Um abraço para todos do
Ex Fur. Santa


09 julho 2009

Alô... Alô ... (2)



Directamente do Centro de Transmissões do Lione

(do album do H. Afonso)


"Informe se a Charlie Kilo Juliete que juncou desta já lembrou essa "
(... se a coluna que daqui partiu já aí chegou)



07 julho 2009

Lendo (e ouvindo ... ) António Gedeão


Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In Movimento Perpétuo, 1956




Alguns visitantes do Blog se perguntarão que terá a ver esta música com a "nossa guerra"... Para mim, é talvez a composição que mais me aprazia ouvir em Moçambique, tão bem interpretada pelo Manuel Freire ! Acreditem que me continua ainda a emocionar...

06 julho 2009

Benvindo, A. M. Paulo !!!

OLÁ CAMARADAS

Sou o ex-furriel Paulo. Aquele de armas pesadas a quem foi distribuída uma G-3.

Tenho entrado com alguma frequência no blog da CCAV 2415, elogiando o trabalho desenvolvido pelos camaradas colaboradores.
Se por um lado os momentos descritos e fotografados nos recordam o auge da nossa saudosa juventude, ou seja a parte boa da questão, por outro lado é muito difícil para mim reviver tempos e situações que a todos nós nos afectaram.

É um querer e não querer. Mas enfim, é a vida.

Aproveito para enviar algumas fotografias da nossa “estância de
férias” em Luatize, onde é nítida a presença de várias viaturas
minadas.
As ervilhas com chouriço acompanhadas de vinho verde gatão e
ingeridas em cima das caixas do bacalhau, que serviam de mesa de
jantar naquela fatídica noite de S. João, ainda hoje se encontram
atravessadas na minha garganta.

Espero colaborar com outros textos e fotografias.

Do camarada Paulo






05 julho 2009

Os "toques" da tropa...

No Blog da ONZIMA (CCaç 3411) encontrei esta curiosidade, que é nada menos que uma colecção dos toques de clarim que regiam a vida nos quarteis. Ficam aqui como passatempo (não sei se funciona em todos os computadores...) A propósito, julgo que o instrumento musical em que eram executados era, na Infantaria, a corneta, mas a Cavalaria tinha de ser diferente, usava o clarim ...

03 julho 2009

"Numa Boa " ... em Lione !



(do album do F. Santa)


Heli no Lione...

(do album do F. Santa)



Refere o Fernando Santa que se trata da primeira evacuação aérea do Lione, motivada por um acidente com G3 durante a limpeza da mesma.
Ora aqui está uma boa história para alguém contar ...




02 julho 2009

Madrinhas de guerra

(Enviado pelo Fernando Santa)


Camaradas:



A nossa vida militar, além de nos trazer alguns dissabores também nos deu algo de bom
.
Hoje vou falar das madrinhas de guerra e contar-vos uma história mas daquelas histórias verdadeiras que foi mais o menos assim: Estava eu em Castelo Branco, quando através da revista Plateia arranjei a minha madrinha de guerra. A partir daqui começou a troca de correspondência até sair a minha mobilização para o Ultramar, depois parto para Estremoz e daqui para Cav.7 onde vos encontrei a todos. Foi aqui que pus o meu plano em prática, ir a Faro (pois ela era de lá) conhecê-la pessoalmente. Foi num fim de semana em que não estive de serviço. A minha intenção era somente ela ser a minha madrinha de guerra pois na altura já estava noivo da minha mulher que é hoje. Entretanto partimos para o ultramar e continuou a nossa troca de correspondência até ao ponto de ela me tratar por irmão.

Quando regressei, disse-lhe que ia casar, convidei-a para ser madrinha do casamento o que ela viu com agrado mas na altura não lhe era possível estar presente nessa altura. Não desligámos um do outro antes pelo contrário, passámos a ser tratados por ela, como os manos de Coimbra. Entretanto conheceu a minha mulher o tempo foi passando até que conhecemos o resto da família, tanto de um lado como do outro. Depois nasceu a minha filha convidei-a para ser madrinha o que ela aceitou vindo a Coimbra pela primeira vez. Entretanto a minha filha cresceu casou e ela foi madrinha de casamento, daqui tornámo-nos numa família até hoje. Agora neste momento recordo-a com saudade pois ela ( Maria das Dores ) faleceu em Fevereiro deste ano, foi como se tivesse perdido uma irmã de sangue, aqui lhe deixo uma homenagem por aquilo que ela foi para mim quando estive no Ultramar e principalmente aquando da minha estadia no hospital.

Vejam como por vezes também no seio da guerra nos acontecem coisas boas, arranjei mais uma família para juntar a outra família que sois todos vós camaradas.

Não podemos só relembrar o que foi mau, relembremos também o que foi bom, para a angústia não ser maior.

Um abraço para todos do Santa.