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domingo, 2 de agosto de 2020

CÁ CONTINUAMOS A ESTAR...

Faz hoje cinquenta e dois anos que navegá-mos nas águas do Oceano Atlântico rumo a terras de Moçambique. Nesta altura já cheirava a Luanda, nossa primeira escala, onde iríamos chegar (julgo eu) à noite. Isto dia 2. Amanhã dia 3, atracava-mos em Luanda. Era a primeira etapa de uma longa viagem depois de alguns tantos terem enjoado e poderem restabelecer a vida normal. Era a curiosidade. Era o primeiro contacto com África e as suas gentes. Foi interessante para alguns para outros nem tanto.
Mudando agora de cenário, vou transcrever um poema de um colega meu de guerra sobre o Coronavírus que é no fundo o tema da actualidade vamos ver por quanto tempo. Este poema foi recentemente publicado no nosso Jornal o "ELO":

  

                                                       Autor -  António J. Baltazar "Alhinho"

Espero que tenham gostado, e por hoje me despeço desejando a todos uma óptima semana.

SANTA


domingo, 26 de julho de 2020

GUERRA...

É verdade.Infelizmente existem muitas guerras e os incêndios fazem parte das mesmas.  Todos os anos temos este flagelo que são os incêndios. Porquê? Pode perguntar-se. É difícil dar uma resposta com certezas. Ė tudo muito complexo neste país. Tivemos uma guerra em terras de África  que ainda não se esqueceu (embora se tente para o contrário) e agora enfrentamos em nossa casa a maldita guerra dos incêndios. Fomos soldados do Exército, sofremos na pele as agruras da Guerra, agora são os Soldados da Paz os bombeiros que sofrem na pele o terror de outra guerra  a guerra das chamas que os atacam. Dando a vida em defesa das populações e seus bens, muitas vezes são esquecidos pelo Estado Português. E como muitos de nós morreram na guerra em África, agora são eles que vão morrendo e ficando feridos nesta guerra que são os incêndios. A todos aqueles que no terreno combatem as chamas, um bem haja para todos pelo seu sacrifício e abnegação em defesa dos outros.
O nosso blog não podia ficar indiferente a esta situação pois ela toca a todos nós. Já era tempo que o Estado olhasse de outra maneira para os nossos bombeiros e não tanto para aqueles que tão bem tem sabido fazer desaparecer o nosso dinheiro. Cala-te boca...
Daqui, o nosso mais sentido pesar com as respectivas condolências ás famílias dos bombeiros falecidos e também ás corporações a que pertenciam.

                              Da 2415 um grande abraço para todos.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

O papel fundamental das nossas MULHERES durante a Guerra Colonial




Desde há muito entendo que este tema deveria fazer parte do nosso blog, acho que todos, indevidamente, o temos esquecido. Foram raras as mulheres, a começar nas nossas mães, que não viveram e sofreram o drama, directa ou indirectamente, daquela maldita guerra. Daí o respeito e admiração eternos que este mundo lhes deve. Assim, desta forma, sentida e simples, este blog da CCav.2415, em nome de todos nós, presta-lhes esta singela homenagem.
O tema foi extraído duma entrevista feita pela Agência Lusa à investigadora Margarida Calafate Ribeiro, que começa por dizer: "Da tradicional retaguarda à participação activa num conflito em que, como enfermeiras paraquedistas, assistiram feridos, distribuiram armamento e muito mais mas, principalmente, ganhou-se uma nova consciência politica.......". 








segunda-feira, 20 de julho de 2020

INDIGNAÇÃO...

Indignação é o que sinto neste momento depois de ver as imagens na televisão sobre o que se passou num canil em Santo Tirso. Já dizia alguém que quanto mais conheço os homens mais gosto dos animais! O que se passou no referido canil devido a um incêndio é inadmissível nos dias de hoje. Continuo a dizer, que existem pessoas sem qualquer tipo de inteligência. O cérebro delas infelizmente é só areia. O ser humano, está a perder qualidades como tal. Já me custa acreditar nas pessoas que estão à frente em diversas áreas quanto ás competências e responsabilidades. Afinal, se o canil era ilegal como é que continuava aberto? Onde estão as leis deste país? Segundo ouvi, já tinha havido diversas queixas e foram arquivadas. Se eu maltratar um animal a lei pune-me (e bem) então, sendo assim ,esta situação em que estão dezenas de animais mal tratados e em condições deploráveis nada acontece ? Onde estamos? Sempre quero ver o que vai acontecer. Mas a nossa justiça já nos habituou a muita coisa...

  Que todos nós não esqueçamos que somos humanos! Por hoje não escrevo mais nada.   

Um grande abraço para todos e uma óptima semana

SANTA

sábado, 18 de julho de 2020

Que calor (2ª parte)


Está bem fresquinha, Santa !! Esta sabe a Moçambique!

Que calor...

Pois é meus amigos! Que calor! Dizem os entendidos, que estas temperaturas estão acima da média para esta alturas. Está tudo a cima da média! Só as pessoas na sua mentalidade é que estão a baixar da média. Vejamos o que se passa com a pandemia. Parece que já foi à tempo atrás. Sendo assim, siga a música e vamos em frente. As consequências? Aqui e ali já se vão vendo algumas. Preocupação? Na boca de muitos, nada disso. Está tudo bem. Será que o tempo que vem aí lhes dará razão? Eu gostava que sim, mas tenho dúvidas! Agora mudando de cenário. O Futebol. O que tem sido estas semanas. Programas sobre programas nas televisões com diversos painéis e grandes oradores que muitos não fazem outra coisa que não seja incendiar mais o Futebol. Todos dizem que o Futebol precisa de paz. Assim meus senhores? Já não basta os presidentes de alguns clubes não deixarem apagar a fogueira? O que seria deste país se não houvesse Benfica  Porto e o Sporting? E já agora: Jorge Jesus...Pois parece que não existe mais nada para discutir. Tudo está bem neste País. E as outras divisões?Já dizia a minha avó: Coitado de quem é pequeno! A partir daqui, quem é que se preocupa com o desemprego, empresas a fechar, pessoas a passar fome a polícia a levar porrada os transportes que são uma miséria, os salários os Bombeiros etc, etc, etc... Não! Está tudo bem. Que a festa continue. Viva o Futebol! Vamos ver qual vai ser o rescaldo disto tudo...
  Neste momento, dezasseis e quinze horas, hora a que estou a escrever este texto, está uma temperatura do caraças! Trinta e nove graus! Nesta altura à uns anos atrás, estava eu ainda no Hospital de Nampula. Também havia calor. Quando andava-mos no mato o calor também nos perseguia mas (na minha opinião) parece que se aguentava melhor que este calor por cá. Enfim, foi um tempo que já passou e não volta mais a passar por nós. Esperamos que o tempo que agora vem aí e vai passar por nós, nos traga boas notícias. Que haja paz e que sejamos solidários uns com os outros e que saibamos aceitar as ordens que nos são dadas. Na vida vida militar, dizia-se muitas vezes: Se soubesses o que custa mandar, obedecerias sempre.

 Fico por aqui, desejando a todos um óptimo fim de semana, e como se costuma dizer: "Bebam umas fresquinhas"!

                                                                                   Um abraço

                                                                                     SANTA

quarta-feira, 8 de julho de 2020

NAMPULA...


Nampula. Já lá vão cinquenta e um anos! O Hospital nesta altura era a minha nova residência. Não foram fáceis os primeiros dias. Não conhecia ninguém e tinha sido colocado nos primeiros dias numa enfermaria misturado com feridos graves. Depois de algum tempo é que fui transferido para um quarto com outro colega que até era porreiro e passava o tempo a cantar fados. Era capaz de cantar o fado do Embuçado eu sei lá quantas vezes ao dia!Tratavam-no por Grave! Era um camarada de armas típico. Para quem não sabe, o Embuçado, é de autoria de Gabriel de Oliveira e foi uma homenagem ao Rei D. Carlos. Continuando: depois também, eram as saudades da malta da 2415. Tinha sido muito tempo de convívio com eles para depois estar numa situação sem saber nada deles. Depois para piorar as coisas, apareceu o problema na minha cabeça. Não vou contar pois estaria a ser repetitivo. No meio disto tudo, faz anos que fui ver a um pavilhão de desportos a D. Amália. Fomos levados pela direcção do Hospital. Sempre foi uma lufada de ar fresco no meio da solidão. A partir daqui, conheci novos camaradas e a coisa foi correndo melhor. Enfim: recordações!

 Um abraço para todos. Continuação de uma boa semana.

                                              SANTA

domingo, 28 de junho de 2020

A MEMÓRIA...

Passados cinquenta e um anos, as memórias da comissão da 2415 na guerra colonial em Moçambique, continuam bem presentes. Sempre que se lembre de uma efeméride, todas as lembranças vêm à nossa mente. O nosso cérebro, em todo o tempo que lá passámos portou-se como uma autentica máquina de filmar. Filmou tudo ao pormenor e pôs no seu arquivo onde muitas vezes vai buscar as coisas  e reproduzir como bem entende. Ainda agora, cinquenta e um anos depois, ele lá foi buscar e recordar a tragédia de Mopeia (no rio Zambeze) onde morreram cem companheiros nossos entre eles, dois da 2415. Estava eu na altura em Vila Cabral (agora Lichinga) quando recebemos a notícia do trágico acontecimento. Foi tremendo o impacto da mesma em todos nós bem como em toda a família militar na altura em V. Cabral. Foi um sentimento de revolta. Já não bastava  as mortes e os feridos em combate e morria-se assim num acidente estúpido que não podia  nem devia ter acontecido que acabou por ser o maior desastre da guerra colonial. Ainda me recordo, no dia seguinte, assistir à missa na Igreja de V.Cabral por alma de todos eles. Foi um momento de dor e ao mesmo tempo de sofrimento interior a quando da homilia feita pelo celebrante.Muitas lágrimas caíram naquele momento. Acho que nesta altura, a minha companhia já se estava a preparar para deixar Lione e ir mais para o norte para uma zona de intervenção onde a guerra era ainda mais intensa e onde teve mais mortos e feridos.
Eu fiquei sozinho algum tempo em V. Cabral à espera de ser evacuado para o Hospital de Nampula. A partir daqui, nunca mais tive contacto com a minha companhia.
Foi como tivesse deixado uma família. Mas a vida é mesmo assim. Deixei uma família mas ganhei outros amigos na caminhada que fiz pelos hospitais. Amigos e amigas. Diga-se!
E é assim. O tempo vai passando, e é o passar do tempo que faz a história das coisas. É o desfolhar as folhas da história por onde adamos, que faz com que estejam presentes no nosso dia a dia os episódios nela contidos.
Dentro da rotina do nosso dia a dia, há sempre um flash ó mais de uma destas páginas, pois mais que queira-mos elas são desfolhadas. Vejam: eu lembrei-me sem querer, que neste mês de Junho quando estava por lá, tinha acontecido qualquer coisa que não tinha sido nada bom. Mas, no Domingo passado, de repente (lá está) um flash! Tinha feito cinquenta anos no Sábado (até baralhei um pouco a data) do então desastre de Mopeia. Assim como esta situação, vêm sempre outros acontecimentos. Todas estas coisas funcionam como um despertador. Todas estas memórias só serão apagadas do nosso cérebro quando ele avariar de vez! Muitas destas memórias têm afectado pela negativa a vida de muitos camaradas nossos, pois têm passado a vida em hospitais para ver se a sua vida se torna melhor mas as vidas de alguns...
Já agora, por falar em hospitais. É lamentável o que se está a passar no Hospital Militar de Coimbra. Estão a acabar com todas as consultas. Mais uma machadada em todos aqueles que dele precisam. Par onde vão agora? Claro, para os privados. E os que têm prótese? Ó vão a Lisboa ou ao Porto. Mas claro, para a elite tudo continua. Pois: não há dinheiro! Faz falta para o Novo Banco e não só...

             É melhor ficar hoje por aqui, e desejar a todos uma óptima semana com muita saúde. Protejam-se! 

                                                                      SANTA

segunda-feira, 22 de junho de 2020

FAZ HOJE ...

Faz hoje cinquenta e um anos. O nosso blog não podia esquecer está triste efeméride. Era Sábado. Na travessia do Rio Zambeze, (Moçambique) entre Chupanga e Mopeia, eram quase dezassete horas, quando o Batelão S.Martinho, transportando camaradas da Guerra se afundou causando 100 mortos alguns feridos e fora aqueles ainda que ficaram traumatizados para toda vida.
Foi uma das grandes tragédias (se não a maior) da nossa guerra colonial. Lembramos aqui este dia com angústia o acontecimento. Se a memória não me falha, morreram dois companheiros da 2415. Para todos os que pareceram neste acidente, PAZ ÀS SUAS  ALMAS.

           SANTA

sexta-feira, 19 de junho de 2020

ABRIRAM AS GAIOLAS!...

Pois é. Abriram as portas das gaiolas e aí está o resultado. A passarada em plena liberdade e as consequências estão a ficar à vista. Claro, não me estou a referir aos pássaros pois estes parecem ser mais inteligentes que alguns seres humanos mas sim, a gente sem respeito e educação, que faz tudo para para não cumprir a lei é pôr em perigo o resto da população. No meio disto tudo, faço uma pergunta.: Onde está a lei? Sim, porque à uma lei que pune quem não cumpre as regras de confinamento. Será que vai ser aplicada a esta situação de Lagos? E a outras que possam eventualmente virem a seguir? Ou serão só para ficar no papel como tantas outras! Esta gente só lá vai com medidas pesadas . Os que cumprem, merecem respeito e não podem estar à mercê destas situações. Querem voltar para trás? É esta estupidez que está na mente destas pessoas? Pois no meio disto tudo, quem sofre na pele com estas atitudes é quem trabalha e que têm o seu ganha pão em risco.
Não me vou alongar mais. Só espero, é que daqui algum tempo não se leve as mãos à cabeça e não estejamos outra vez todos tramados!
Vá lá. Haja respeito. Haja cumprimento das leis. O fim do vírus está nas mãos de cada um de nós!

Um abraço
                   
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   SANTA

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Eleições..... (De Copacabana-RJ/Brasil ao Bairro do Inguri-Angoche/Moçambique)


Atravessou-se na minha memória, repentinamente, numa manhã de Outubro do ano passado. Foi, assim, enquanto tomava o pequeno almoço a televisão de Moçambique, que por vezes sintonizo, ia debitando noticias sobre a campanha eleitoral para presidente da republica, deputados e autarquias, assim a modos como 3 em 1 (bem que deviamos aprender alguma coisa em economia). Diziam eles que a campanha até nem estava a correr mal de todo, tirando alguns confrontos que resultaram em 49 mortos, coisa de somenos, digo eu, pois o êxito, tudo indiciava, iria ser grande. E foi, a adesão às urnas foi a maior de sempre e, ainda por cima, ganhou a FRELIMO (nossos adversários à 50 anos. Lembram-se?), salvo erro, em todas as frentes. 
Bem, a dado momento ouço o "pivot" das noticias a falar duma confusão em Angoche (ex-A.Enes), mais precisamente na mesa de voto do Bairro do Inguri. Acreditem, pasmei a ouvir o nome, creio que todos ainda nos lembramos que durante os meses que lá permanecemos a vida até nos correu de feição, era lá que aos fins de semana, e não só, a malta se "desbragava" em grandes "marrabentadas e batucadas" mais as galinhas "á cafreal" (o camarão já era demais!!) empurradas pelas 2M e Laurentinas. Ah! e já agora, também se devem lembrar que, por não se cumprir o horário do recolher, havia sempre esteiras ou enxergas onde pernoitar.
E foi precisamente neste local que o maior especialista em "desenfianços", falo do enfermeiro, o Zé Miro (do Porto), um dos tipos mais espertos e malandrecos que a companhia teve, apareceu a tempo inteiro. E fê-lo porque encontrou o que gostava de fazer: cantar. Descobriu uns civis que se distraiam tocando umas guitarras eléctricas debitando horrores de decibéis, enquanto o nosso Zé Miro tentava imitar os "Morandis" da época com "non son degno de te" e outras que tais, fazendo as nossas delicias naquele bar/restaurante.
Segundo a televisão a dita confusão havida na mesa de voto diz ter sido protagonizada por uma mulher que demorou demasiado tempo na cabine de voto e de seguida queria enfiar na urna uma mão cheia de boletins préviamente preenchidos que levou para o interior por debaixo da "capulana". Óbviamente, tamanha ilegalidade não lhe foi permitida pelo presidente da mesa e, por isso, a votante foi ao exterior do local de voto chamar dois filhos que, surpreendentemente, tentaram dar uma sova no infeliz que abandonou a mesa a toda a pressa. A policia foi chamada ao local  e a mãe e filhos foram "dentro".
Este episódio burlesco faz-me lembrar, por analogia, mas ao contrário, o acontecido com meu pai e que, resumidamente, é assim: Foi nas eleições de 1958 (julgo que únicas até ao 25 de Abril) para Presidente da Republica, com 2 candidatos, o Gen. Humberto Delgado e o Alm. Américo Tomás. No dia da votação nos Paços do Concelho o meu pai queria depositar o voto na urna, só que a pessoa do outro lado tirou-lho da mão informando que depois lá o colocaria. O meu pai não se conteve e agarrou-o pela gola enquanto logo 2 GNRs aos empurrões o obrigaram a sair da sala.
Passados poucos dias surgiram, repentinamente, à nossa porta 2 figurantes da PIDE, só que o meu pai, de sobreaviso por forças solidárias na época, não ficou à espera das habituais visitas de cortesia e pôs-se ao fresco para o Brasil. Com ajuda de familiares lá instalados pirou-se com a minha mãe para aquelas paragens. 
Passados alguns anos fui ter com eles à cidade maravilhosa (era) onde passei a adolescência a estudar e a frequentar a praia de Copacabana, cheia de encantos!
Dali, e num espaço de mais alguns anos, a gentalha que governava mal Portugal, lembrou-se de meter o Bairro do Inguri na rota da minha vida.
   

domingo, 7 de junho de 2020

MAS QUE GRALHA!...

Com certeza já deram por ela! Pois é. O Cérebro já está a ficar cansado. É que no próximo dia 9 já  passam a contar 75 anos! Sendo assim, ontem fez 50 anos e não 49 que foi a véspera do meu casamento. Julgo que já se divertiram com a gralha mas tudo faz parte da vida e o humor também.

Um bom domingo para todos.

                                                          SANTA

sábado, 6 de junho de 2020

RECORDAR...

Hoje Sábado. Um sábado cinzento por vezes ameaçando chuva. Sentado ma marquise do meu jardim, fitando as árvores beijadas por uma brisa que as fazia baloiçar, as recordações de certas coisas desfilavam no meu cérebro . E sem saber bem porquê, veio-me a lembrança do meu amigo e companheiro da 2415: Carlos Silva que já nos deixou à muito tempo. E como é bom recordar, eu fui encontrar uns versos que ele fez a um grande amigo seu chamado: Alberto.
É nestes pequenos detalhes que por vezes se nota nas pessoas o que a alma delas têm de bom. E por vezes não à nada melhor que a poesia para expressar tal sentimento. Sendo assim, do nosso saudoso camarada Carlos Silva, aqui vai um poema com o titulo:

             " FIQUEI INCONSOLÁVEL POR NÃO TER
                            CHEGADO A TEMPO"


     Já te vi empalidecido
    Sobre a pedra deitado
   Parecias adormecido
  E antes tivesses acordado

  Fixei-te no meu olhar
    O cabelo te afaguei
  Só faltava falar
 Perplexo me emocionei

  Porque olhas para mim
 Se me não podes rersponder
  Não faças comigo assim
 Que estou triste de morrer

  Tinhas a vida por um fio
  E eu que não acreditei
 Depois senti um calafrio 
Quando sem ela cntigo dei

 Já não respondeste à chamada
 Quando a aurora por ti bradou
  Nem ao toque da alvorada
Que o galo de manhã cantou

  Quando a morte te arrebatou
  O que mais me custou, Alberto
 Foi quando a gente te depositou
Naquele canteiro de terra coberto

 Deixaste-me sem te despedir
  Não merecia tal desfeita
 Parece que estou a sentir
Aquele aperto de mão direita

Ó morte que o ceifaste
 Sem dó nem compaixão
Ceifa a angústia que deixaste
  De cortar o meu coração.

                                                  CARLOS SILVA

 E é assim. Já como dizia o poeta: Recordar é viver, aqui recordei o nosso companheiro através mais um poema de sua autoria.
E já agora, e mais uma vez recordar é viver, faz hoje 49 anos que estava a fazer os preparativos para o meu casamento, e sendo assim, pela lógica, faço amanhã 50 anos de casado. E esta? Hoje posso dizer que é uma boa recordação. A vida tem altos e baixos mas ao longo destes anos todos eles foram moldados para que o casamento durasse até hoje e vá durar até ao fim das nossas vidas. Amor e compreensão mútua tudo aliado ao respeito entre os dois, é uma das receitas para que o casamento dure.

                        Pronto. Por hoje é tudo. Espero que estejam todos bem e uma boa semana que se aproxima especialmente com muita saúde.

     Um abraço para todos
                                 
                                                         SANTA



sábado, 30 de maio de 2020

Um apelo do Vivaldo ...



                     






sexta-feira, 22 de maio de 2020

Fomos "carne pra canhão"

Mais uma vez fiquei chocado ao deparar, numa das minha ultimas leituras (Moçambique, Aquartelamento AK-47, autor Carlos M. Duarte) que recomendo, sobre o universo inesgotável da guerra colonial que tivemos de penar, numa análise antecipadamente feita pelo IN (Frelimo), mais própriamente pelo seu fundador e líder incontestado, Dr. Eduardo Mondlane que, figuras da política internacional da altura, diziam vir a ser figura proeminente daquela zona de África.
Ao lerem a dita análise logo irão perceber o motivo do meu incómodo, ou seja, aquela gentalha (politicos e militares) que geriam a seu bel prazer as nossas vidas (cerca de 1 milhão de jovens), das duas uma, ou seriam totalmente ignorantes (literacia) ao não saberem interpretar a análise que o IN lhes apresentava em bandeja, e que ninguém acredita, ou então a outra, essa sim, a que fere, a que choca, a de nos mandarem para uma guerra (8831 mortos + 100 mil deficientes) com aquele poder ditatorial: "quero, posso e mando",  mesmo sabendo, de antemão, que era uma guerra perdida no tempo.  
Considerando-me afortunado por ter regressado com vida, jamais me conformarei por tal gente nunca ter sido julgada e penalizada pelo enorme crime cometido contra o próprio povo.
Por analogia, há que lembrar que,  na mesma época, os jovens dos EUA sofreram, e de que maneira, com o mesmo tipo de guerra "subversiva", no Vietname e, exatamente, pelos mesmos motivos, à partida estava perdida, o que veio a acontecer com a retirada envergonhada dos americanos com enormes perdas de vidas e deficientes, de que ainda hoje padecem.

Este é o interessante texto extraído da obra "Lutar por Moçambique" da autoria de Eduardo Mondlane (1920-1969) fundador e Presidente da Frelimo sobre as condições vividas  nos distritos do Niassa e Cabo Delgado.
                                                                       

domingo, 17 de maio de 2020

SEMPRE EU...

É verdade. Sempre eu! Parece que os camaradas da 2415 estão em greve ou então não sei porque não escrevem no blog...
Depois de alguns dias com chuva, eis que chega o sol com força e com ele as temperaturas altas. De facto, já não era sem tempo, pois as baixas temperaturas que têm estado não trouxeram  nada de bom principalmente para a fruta. A fruta não desenvolveu o suficiente e a maior parte caiu. Mas enfim, é o tempo! Quanto ao resto,  isto é o vírus, tudo parece estar a voltar à normalidade o que eu aqui ainda ponho as minhas reservas, pois tudo depende do comportamento das pessoas e eu vejo muitas coisas que me deixam certas dúvidas .Acho que estes próximos dois meses já nos vão dizer alguma coisa!

Já que estamos a falar no "vírus", vou transcrever (com o devido respeito) para o nosso blog, um poema de um camarada meu da A.D.F.A., Daniel D. Cunha (de Leça da Palmeira) com o título:

   " MALDITO CORONAVÍRUS QUEM TE CHAMOU PARA AQUI?"


                                         Daniel Cunha


E pronto. Por hoje é tudo uma óptima semana para todos.

SANTA









domingo, 10 de maio de 2020

VAMOS LÁ...

Vamos lá malta! Será que mais ninguém é capaz de mandar qualquer coisa para o nosso blog? Amigo Amândio Baptista, prometeste algum tempo contribuíres para o nosso blog com algumas fotos, mas até hoje nada. É preguiça? E já agora, peço ao resto da malta para que colabore também senão tudo se perde no tempo onde o esquecimento impera.
Mais um Domingo chocho cinzento e frio. Um dia fazendo jus ao confinamento e ajudar para que o maldito Covid19 se vá embora. Agora, que estamos lentamente a voltar à vida normal tudo depende de cada um de noz. Faço votos para que a consciência de cada um se dê ao respeito pelo próximo e não se armem em Bolsonaros e Tramps. Nem tudo o que luz é ouro e a vida humana não tem preço. Salvar a economia sim mas não à custa de mortes. Prudência é o que se pede para que possa salvar a economia e ao mesmo tempo, também a vida de cada um seja salva.

Hoje, vou publicar a última poesia do meu amigo Fernando Alhau com o título:

                             "AVÓ"

O quarto antigo como tu.
O lavatório e o jarro de esmalte,
A toalha macia, o cheiro a lavado.
E, cada uma e todas as manhãs,
O veludo de água fresca das tuas mãos no meu acordar.

O desvelo e a tolerância,
A entrega zelosa de quem ama.
A tranquila confiança do teu olhar.
A ternura que tudo compreende e desculpa.
A suave doçura da pele que me enxugava as lágrimas.

A companhia infinitamente paciente na janela ao fim da 
tarde.
As bicicletas pesadas e gastas no regresso a casa
Na rua cansada dos homens de todos os dias.
E o pai que por fim chega,
E talvez... um rebuçado de mentol.

A seda das tuas mãos macias perdurará indelével no rosto
do meu coração.

                                                         F. Alhau

Pronto amigos. Por hoje é tudo. Que todos tenham uma óptima semana com muita saúde.


                                                 Um abraço.
                                            
                                                    SANTA

terça-feira, 5 de maio de 2020

EFEMÉRIDE TRISTE...

A Guerra Colonial, deixou na memória de cada um que a viveu, acontecimentos uns mais relevantes que outros. Entre muitos acontecimentos, aqueles que mais marcaram, foi aqueles que causaram mortes e feridos especialmente em emboscadas e minas não descuidando aqueles que tinham origem em acidentes. Claro, cada um dos que viveu a guerra e estiveram presentes na hora dos acontecimentos, ainda hoje os têm gravado na sua memória e muitos deles com traumas para toda a vida. Pois haviam cenários horríveis.
Na minha memória, ficou gravado (entre outros) para sempre a emboscada que a C. Cav 2415 sofreu entre Kitamba e o Caracol. Esta emboscada , entre feridos (alguns com gravidade), faleceram o Sargento Carvalhito e o Furriel Santos. Foi o  primeiro dia triste da 2415. Este acontecimento toca-me muito, pois eu era para ir no lugar do F. Santos e por ter um problema num dedo ele teimou em ir no meu lugar. Não vou repetir o que se passou porque já foi mais que uma vez contada no nosso blog.
Hoje, 5 de Maio de 2020, faz hoje cinquenta e um anos que relembro este acontecimento, e ao relembra-lo é com muita tristeza que o nosso blog o faz em homenagem a estes dois camaradas e a todos os que ficaram feridos e àqueles que nada lhes aconteceu pelo risco que também correram,
pois podiam ter perdido a vida.
Não queria deixar passar, o desempenho dos nossos camaradas da C. Caçadores 2418 que estavam em Massangulo que ao sentirem o estrondo e sabendo que tinha-mos passado por lá à pouco tempo, foram ao encontro da nossa coluna e os ajudaram. Foram preciosos na sua ajuda.
 Da minha parte e da minha companhia, aqui deixo esta lembrança que não é mais que uma homenagem ao Carvalhito e ao Santos, não esquecendo todos os outros nossos camaradas que noutras situações também perderam a vida.

                                 Que as suas almas repousem em paz





                                                                  SANTA

domingo, 3 de maio de 2020

DIA DA MÃE...

HOJE DIA DA MÃE. NESTE TEMPO CONTURBADO EM QUE O MUNDO PARECE ESTAR A FICAR MORIBUNDO O NOSSO BLOG NÃO PODIA ESQUECER ESTE DIA SEM DESEJAR UM BEM HAJA A TODAS AS MÃES. AS QUE JÁ NÃO ESTÃO CONNOSCO SERÃO SEMPRE LEMBRADAS COM SAUDADE. FORAM AS MELHORES MÃES DO MUNDO. AS QUE ESTÃO AINDA CÁ, IRÃO SER TAMBÉM AS MELHORES MÃES DO MUNDO. ELAS SÃO COMO AS FLORES DE UM JARDIM, DÃO-NOS ALEGRIA, E COMO SE COSTUMA DIZER: NÃO HÁ NADA COMO O AMOR DE MÃE. QUE CADA UM DE NÓS QUE AINDA TEM MÃE,  QUE A SAIBA ESTIMAR PORQUE MÃE SÓ  HÁ UMA.


                         

                           
                                PARA TODAS AS MÃES DO MUNDO UM BEM HAJA

                                                                SANTA

            

sábado, 2 de maio de 2020

TRISTEZA ...

Pois é. Por causa do maldito "coronavirus", hoje dia 2 de Maio, não se realizou o convívio da Companhia de Cavalaria 2415. Da minha parte, é com bastante tristeza que não estivesse-mos mais uma vez todos juntos, para com a costumada alegria relembrar as peripécias da guerra. Esperamos que para 2021 tudo já tenha passado e o convívio se realize. Mas não nos vamos esquecer um dos outros, pois a amizade que existe entre nós é para durar.
Sendo assim, que a malta continue a ter saúde e em Maio de 2021 estaremos mais uma vez juntos.   
         Um abraço para toda a malta da 2415!

                                    SANTA

sexta-feira, 1 de maio de 2020

DIZER O QUÊ?

Sim. Dizer o quê sobre esta notícia do jornal "O Mirante" sobre Salgueiro Maia? Só conheço uma palavra que se enquadra bem : VERGONHA. Esta é a minha opinião. Já não basta a vergonha o estado em que está a Escola Prática de Cavalaria, que não deixa também de ser um símbolo do 25 de Abril e faltava agora ainda este desprezo por um homem que também deu tudo pela nossa liberdade. Fala-se de tudo e de todos sobre o 25 de Abril e de Salgueiro Maia? Querem fazer com que se esqueça a sua coragem e valentia como têm querido esquecer todos aqueles que foram como carne para canhão para a Guerra Colonial? E de todos aqueles que ainda hoje sofrem na pele por nela terem participado? E ainda de todos os que estão sepultados no mato e desprezados ?
Bem hajam aqueles que eu vejo na foto: O presidente da Câmara de Santarém, o Presidente da Assembleia Municipal e ao Presidente da Comissão 25 de Abril pela singela mas significativa homenagem que fizeram. Quanto ao filho, eu no lugar dele estava triste e envergonhado pelo esquecimento vergonhoso que tiveram pelo pai. Sabe Deus o que lhe ia na alma naquele momento. Não podia haver uma cerimónia simples (era ao ar livre) como houve na Assembleia da República?... Será que o "CORONAVIRUS" é o culpado de tudo? Por aquilo que tenho visto nos diversos canais de televisão, não me parece... uns são obrigados a tudo e outros não são obrigados a nada. 

Já dizia WINSTON CHURCHILL :

«O CARÁCTER DE UMA NAÇÃO, VÊ-SE PELA FORMA 
COMO TRATA OS SEUS VETERANOS»


            Por hoje é tudo. Um abraço e continuação de um bom fim de semana. Já agora, viva o 1º DE MAIO.

                                                                     SANTA
                                                           


                                                 
 

SALGUEIRO MAIA homenageado

Felizmente um dos heróis do 25 de Abril não foi esquecido em Santarém, onde em 1974 estava sediada a Escola Práctica de Cavalaria, da qual em boa hora ele saiu com a sua coluna em direcção a Lisboa.
Foi assim que o Mirante reportou a homenagem:

("clique" para ver melhor...)

sexta-feira, 24 de abril de 2020

MAIS UM 25 DE ABRIL...

O nosso blog não podia ficar alheio a esta efeméride. Esta data diz-nos muito. Ora aí está, mais um 25 de Abril! Dia em que a liberdade nasceu para todos nós graças a punhado de "Capitães" que neste dia, acabou com o martírio que foi para a nossa juventude de então, a"GUERRA COLONIAL" e despedaçar as correntes que nos acorrentavam e a mordaça que calava os Portugueses. Acabaram os lenços brancos os gritos e as lágrimas na "Rocha de Conde de Óbidos", bem como a saída dos porões dos barcos pela calada da noite daqueles que nela perderam a vida. Ficava para recordar os mortos os deficientes e outros estragos que ela causou. Acabaram também com a opressão em que se vivia com a celebre polícia do "terror" chamada de PIDE. Eles, (Capitães) e também com a força e coragem de muitos outros militares, levaram a cabo uma "revolução" praticamente sem sangue. Muitas coisas mudaram no nosso país, umas para melhor e outras para pior. Uma coisa é certa, ficámos todos com mais voz activa pelos nossos direitos. Mas nestas coisas tudo parece ser um mar de rosas, mas... à sempre algumas com alguns espinhos.
Nesta data, nunca esqueço um homem (que parece esquecido) que teve um papel inesquecível nos acontecimentos finais: Salgueiro Maia. Homem que conheci pessoalmente. Aqui deixo a minha homenagem a todos e muito pessoalmente a ele. No geral, bem hajam todos aqueles que restituíram a todos nós a LIBERDADE. Que a nossa juventude, tente perceber o que era Portugal antes do 25 de Abril de 1974 e o que é hoje. Que não deixem o futuro matar o que se conquistou nesta data.

 Já agora, gostava de citar mais uma vez Salgueiro Maia:

                 "Não se preocupem
                   com o local onde
                   sepultar o meu corpo.
                   Preocupem-se é
                   com aqueles que querem
                   sepultar o que ajudei
                   a construir.

                                                     SALGUEIRO MAIA
                                                   CAPITÃO DE ABRIL





                   



VIVA O 25 DE ABRIL.

UM ABRAÇO PARA TODOS

SANTA

quarta-feira, 22 de abril de 2020

ESTATISTICAS + REFLEXÃO + 25 DE ABRIL

Infelizmente vivemos, agora, minuto a minuto, devido a esta "guerra" do Covid-19, as estatisticas relativas ao nº de vitimas, infectados, recuperados, etc. que, julgo, deixar a grande maioria bastante amedrontada. 
Por analogia, continuo a não esquecer que a nossa geração, também, foi obrigada a passar e viver uma guerra (esta sem aspas) e que até se chamava, pomposamente, "guerra colonial" que, também, fez demasiadas vitimas.
Já passou, desde então, meio século mas, para que a realidade das estatisticas perdure,  aqui  deixo os números frios daquela tragédia que durou 13 anos.

(Segundo dados do EMGFA o nº de militares portugueses mortos nas três frentes de combate, na Guerra Colonial, foi de 8831.

        - Exército .......................    8290
      - Força Aérea ..................      346
      - Marinha ........................      195

Foram feridos, ainda, cerca de 100 000, dos quais 20 000 ficaram  deficientes permanentes e, destes, 5120 com grau de incapacidade superior a 60%.
Calcula-se em cerca de 100 mil os que ficaram a sofrer de perturbações de stresse pós-traumático.

Terão sido mobilizados aproximadamente 1 milhão de homens.

Fontes seguras estimam que também foram mortos mais de 1000 civis portugueses, principalmente, em Angola no inicio do conflito em 1961). 

REFLEXÃO dum texto extraído do livro "Declarações Guerra", autor Vasco  Luis Curado (dado a conhecer em 04Fev.20 neste Blog). 

"Os capitães que organizaram o golpe do 25 de Abril eram, não surpreendentemente, veteranos das guerras de África.
O país, que durante a guerra não assumia a própria existência de uma guerra e, assim que os desmobilizava, mandava-os para casa como se nada fosse, a seguir ao 25 de Abril cometeu erros de igual monta: como se os quinhentos e sessenta anos anteriores fossem uma nota de rodapé de um manual escolar ou um Padrão dos Descobrimentos para turistas fotografarem, declarou a guerra como criminosa, fascista e imperialista e os combatentes como criminosos fascistas, deixando-os novamente sózinhos, com responsabilidades que tinham sido nacionais.
Depois de nos termos declarado cabeça de um império tropical espalhado por cinco continentes, fechámos esse ciclo repentinamente e aderimos com entusiasmo à integração europeia. O país, empenhado em contar os quilómetros de boa estrada asfaltada até Bruxelas e Estrasburgo, quis esquecer aqueles que andaram à procura de minas nas picadas em Nambuangongo, em Buba ou em Mueda. Os próprios também quizeram esquecer, porque as guerras impõem aos combatentes uma necessidade impossivel de satisfazer: esquecer o inesquecivel, reprimir o irreprimivel.
O país - isto é, todos nós - não quiz saber do combatente regressado a casa aceitando as marcas físicas e mentais como parte indelével de si mesmo.
Entretanto, o país amadureceu tentando recuperar o seu passado e aqueles que enviou para a guerra. Foram necessários muitos anos para se caminhar em direcção a algum equilibrio na forma de interpretar a guerra e fazer face aos homens que ela mobilizou. Há que continuar a ajudá-los num outro combate contra dois tipos de esquecimento: o que eles individualmente gostariam de fa
zer mas não podem, e o que o país lhes quer impôr mas não devia."  

Reflitamos, então. Eu há muito que já o fiz.

A propósito dos capitães de Abril. O dia 25 de Abril é deles, para sempre, bem hajam.




        

sábado, 18 de abril de 2020

HOJE É SÁBADO...

Sim. Hoje é Sábado! Por aqui, está um dia cinzento ameaçando chuva. O vento também se faz sentir e não vem sozinho, traz por companhia o frio.Que tempo é este? As árvores querem criar os seus frutos e perdem-nos porque não à sol e o vento tira-lhos, só o vírus é que tenta fixar-se entre nós, vai teimando vai teimando ficar até quando? Julgo que a permanência dele entre nós depende muito de cada cidadão do nosso país. Não podemos de um dia para o outro abrandar e deitar tudo fora o que foi conquistado até agora. Mas o que me é dado ver, é que muita gente continua a fazer asneira. Vamos ver o que isto ainda vai dar...
Mais uma vez, e para desanuviar um pouco este cenário que nos tem atormentado, vou ousar colocar mais uma vez,  a veia poética do meu amigo Fernando Alhau no nosso blog com o poema:

       "ENCONTRO"...

Cruzámos as nossas vidas
E as linhas das nossas mãos.
Numa rua onde encontrámos.
O sim nos olhos que olhámos.
E um indomável desejo,
Pulsão e encantamento,
Plenitude num momento,
De unir os lábios num beijo.

Na rua que nos fugia
Arfava intenso o teu peito
Contra o meu quase em sufoco.
Tão fugaz foi muito e pouco,
Mas não podias ficar.
E aos meus, teus olhos molhados
Prometeram flamejados
Que havias de voltar.

Deixaste em mim teu perfume.
Em ti guardei meu sabor.
Sobrou um mar entre os dois
E a certeza que depois
Nada mais seria igual.
A metade que faltava
E que há tanto procurava
Existia, era real.

Com as gaivotas no rio
Aprendemos a voar.
A rua ficou pequena
E o mar que nos separava
Foi ilha, cama e oásis,
Corpos de sal ao luar.

Volto sempre àquela noite
E a todas que essa nos deu.
Quando, por fim, em segredo
Ousaste despir o medo
Que vestias ao chegar.
Não fosse alguém perceber,
Ou mesmo o vento saber
Que vinhas para ficar.

                                      Fernando Alhau

                               =========================

" VOCÊ NÃO PODE EVITAR QUE
A DIFICULDADE BATA HÁ  SUA 
PORTA, MAS NÃO HÁ NECESSIDADE
DE OFERECER-LHE UMA CADEIRA"


                                                            JOSEPH JOUBERT

  E é assim camaradas da 2415 e amigos do nosso blog. Vamos continuar o dia a dia na esperança de alcançar o mais breve possível a nossa liberdade social. Para todos a continuação de um óptimo fim de semana.

                                                UM ABRAÇO

                                                     SANTA










domingo, 12 de abril de 2020

Olá camaradas da 2415 e amigos que visitam o nosso blog. A estudantina dos estudantes e ex-estudantes da Universidade de Coimbra, organizou aquela que pode ser a maior serenata de sempre.
Cento e quarenta estudantes e ex-estudantes espalhados por 24 países, juntaram-se através do mundo digital numa mensagem de esperança aos portugueses e  a todos os profissionais de saúde, para que possam ultrapassar estes tempos difíceis da pandemia de covid-19.


  Para quem ainda não viu e ouviu, espero que gostem.

    Com a continuação para todos de uma feliz Páscoa
                                       
                                                                 SANTA

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Estamos na Páscoa. Hoje, Sexta-feira Santa, tempo chuvoso e cinzento a condizer  com o dia que é celebrado. Páscoa 2020, uma Páscoa diferente, uma Páscoa mais triste (toda ela é triste) só havendo mais alegria no Domingo com a Ressurreição de Cristo, isto para os crentes que têm a Páscoa em seu coração e que estão por força das circunstâncias arredados dos ofícios religiosos nestes dias, para outros a tristeza será diferente. Eu faço muitas vezes esta pergunta: O que é a Páscoa? O que se celebra? Julgo que não será preciso responder. Não tenho vergonha de dizer que sou Católico, assim como respeito quem não é. Neste caso, só existem dias de descanso nesta altura porque é PÁSCOA, não se esqueçam!
Mudando de cenário, vejamos. Se não fosse estas medidas de contenção impostas pelo Governo (e bem) para este quatro dias, eu queria ver a demandada de muitos para tudo quanto é lado não respeitando mais uma vez os que estão em casa e principalmente aqueles que estão nos hospitais e outros lados, a cuidar daqueles que sofrem com o vírus. Eles são o nosso Anjo da Guarda. Muitos deles isolados das famílias, cansados, dando tudo de si com o maior esforço caindo por vezes de exaustão. Um bem haja para todos eles. É melhor passar por estas privações e chegar-mos ao dia de voltar à liberdade com alegria e voltar-mos a ser felizes. Aqui à dias, ouvi uma frase de um locutor de televisão, que dizia mais ou menos isto: "ouve um tempo que a juventude foi chamada para a guerra, hoje é chamada para ficar em casa sentada num sofá", POR FAVOR FIQUEM EM CASA.
Tudo isto e muito mais, infelizmente faz parte de um tempo e um século, em que tudo já vem empacotado em embrulhos com prazo de validade indicado. Também entre amigos, cuja amizade se julgava bem alicerçada vêm-se surgir rupturas intempestivas. Quantas vezes elas se transformam em ódios, invejas e rivalidades que é difícil de perceber. Ao celebrar-mos a Páscoa, se num destes dias que a compõem  conseguir-mos arranjar algum tempo para ficar-mos em silêncio, talvez possamos compreender melhor o que queremos das nossas vidas.
É verdade. Acordamos todos os dias, é levantar, e vestir, e sair-mos de casa para cumprir uma agenda cheia de compromissos, tantas vezes sem sentido, vivendo num labirinto social confuso e sem rosto. Tudo isto sem preocupação pelo maior bem que é a nossa saúde e vida nesta Terra. Vivemos cada um de nós uma vida que não é nossa. É só ver o que se está a passar neste mundo. Temos que ter consciência , que o mundo que habitamos, está longe de ser o ideal  para que possamos viver de uma forma tranquila. Vamos ter esperança numa vida nova depois destes dias presentes cheios de tristeza e lamentações, e ter fé para que os próximos tempos sejam melhores porque depois da tempestade vem a BONANÇA.

SENDO ASSIM,O BLOG DA 2415, DESEJA A TODOS OS COMPANHEIROS E SUAS FAMÍLIAS UMA SANTA PÁSCOA COM MUITA SAÚDE E MUITA PAZ, ESTENDENDO-SE TAMBÉM A TODOS AQUELES QUE NOS VISITAM. OS MESMOS VOTOS TAMBÉM PARA TODOS OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE  E TODOS AQUELES QUE FAZEM PARTE DESTA LUTA.

      COM UM GRANDE ABRAÇO 

                                                                 SANTA

quinta-feira, 9 de abril de 2020

ACTO DE CONTRIÇÃO (Covid-19)



Após receber e abrir fiquei sem reação, tocou fundo, magoou-me, incómodamente as lágrimas, a custo, até espreitaram.
Sou 1 dos 7 biliões, 1 grão de areia, envergonhado, proporcionalmente, por esta verdade nua e crua. Por ser única, obrigo-me a divulgá-la, pensando que, assim, me redimo e, querendo acreditar, até, que os restantes biliões, também irão entendê-la.   
Todos, sem excepção, precisamos dum acto de contrição para a humanidade acordar de vez.

domingo, 5 de abril de 2020

HOJE É DOMINGO...

Pois é. Hoje, podia ser um outro dia qualquer, mas não é: é Domingo. Acordei de manhã com a chuva a bater nas janelas. Logo pensei: que bom! Porquê? Porque resfria a vontade dos idiotas que teimam em sair à rua porque hoje é Domingo! À pessoas que se sentem infelizes por serem obrigadas a estar em casa na Páscoa. Mas é Pela Páscoa e por aquilo que realmente ela representa ou é por não terem praia e outras coisas mais. De certeza que a maior parte quando fala assim, não é por não ir ás cerimónias Pascais, outros sim é por esse motivo. Adiante...
Como disse, chovia quando me levantei. O que vou fazer depois de almoço? Pensei, pensei, já sei. Vou sentar-me na sala e vou tirar alguns discos já antigos e vou relembrar algumas canções. E assim foi. Quando ia no terceiro disco tive uma companhia inesperada, o meu neto que esteve comigo algum tempo com atenção em ouvir e ver o "Vinil" andar à roda!
Passo a título de curiosidade alguns discos: ZAGER E EVANS - Inthe year-2525, GREEN WINDOW- Twenty Years, versão Portuguesa, ALAN AND HIS-Orquestra concerto para um verão, MARY HOPKIN-Those Werethe Days, RYCHARD CLAYDERMAN-Balada Pour Adeline, Os "TÁRTAROS"-Valsa da Meia Noite, DUO OURO NEGRO- Valsa do Vaqueiro e ainda outros como: DURAN DURAN, JOSÉ AFONSO, ANTOINE, FASTO PAPETTI PINK FLOYD e tantos outros alguns com mais de trinta e quarenta e até cinquenta anos! Acabou por ser uma tarde bem passada. Logo de seguida veio o jantar mesmo a calhar. Não foi mau, a minha mulher presenteou-me com umas alheiras de caça que nem queiram saber. Foi comer chorar por mais!!! Gora o meu serão, vai ser passado a ver o Circo do Mónaco que não tive a oportunidade de o ver no Natal.

 Pronto. E por ser Domingo, desejo que todos tenham uma boa semana com muita saúde e muita paz. e continuem a ficar em casa. Eu sei quanto é difícil mas é bom para todos nós.

     Um abraço para todos
                                         
                                                                       SANTA

quinta-feira, 2 de abril de 2020

SERÁ DESTA?

Será mesmo desta que o nosso povo vai obedecer às ordens impostas para mais quinze dias de quarentena a sério?. Espero bem que sim. Vale mais fazer um sacrifício mais e ficar-mos mais aliviados ou então não fazer mais este sacrifício e a coisa dar para pior. Vamos lá todos respeitar mais esta situação, situação que é para nosso bem e para desafogar o nosso pessoal que dá a vida nos hospitais para salvar os que lá se encontram afectados. As pessoas já pensaram o que passa aquela gente? Então, para aqueles que teimam em não ficar em casa, tenham vergonha! Na minha opinião, deviam ser multados e as respectivas multas serem canalizadas para comprar o que falta nos hospitais. Talvez pensassem melhor!

Para suavizar esta situação, vou transcrever para o nosso blog, mais uma poesia do meu amigo Fernando Alhau com o título : PRESENTE.


Vou escrever-te um poema,
Uma história de encantar.
Que te ofereço um beijo
Embrulhado num desejo
Enorme mas muito leve, leve e grande como o ar.
E um lindo laço encarnado em papel de rebuçado
Muito fino e transparente.
Para te ver do outro lado,
Que preciso de te olhar.

Esse poema, essa história
Também pode ser canção,
Um sorriso desenhado,
Um faz de conta, um bailado.
Sem asas subir bem alto, imenso azul num balão,
Num avião de papel, num tapete voador.
Ter o sol noivo da nuvem,
Pluma ao veto, beija-flor,
Lua e bola de sabão.

E no jardim das estrelas, quando o sol adormecer
Escolhe uma, sê quem és, dá-lhe a mão e o coração
E jamais te irás perder.

                                               Fernando Alhau

Espero que gostem. A vida tem que continuar, todos juntos iremos vencer esta guerra que nos foi imposta por um inimigo invisível. Fazemos votos para que toda alegria deste País volte e que possamos sair todos das gaiolas a que ele nos obrigou a estar, e sair livres como os pássaros e continuar a caminhar por este Portugal que tantos encantos tem. Vamos cumprir, e venceremos.

    Para todos um grande abraço e muita saúde um bem haja para aqueles que cuidam de todo nós. Para eles também muita saúde, pois só assim eles podem fazer o que melhor sabem que é salvar vidas.

                                                               SANTA