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23 junho 2012

"In memoriam" 24-06-1969



Lembramos o companheiro

 JOAQUIM MARCELINO

 que tombou no ataque ao Luatize,
 na noite de S. João de há 43 anos

(Esta foto
 - na ponte sobre o Luatize -
foi feita no próprio dia
do ataque que o vitimou.)
  
Sobre a nossa aventura no Luatize relembre algo do que já se escreveu
 clicando aqui,    aqui  e  aqui

16 março 2012

"Aerograma enviado por um militar à sua namorada"

                                            Por: Paulo Antunes
Revelação da vida de um soldado no mato                            
"Adorada"
Estou a escrever hoje para tu  ficares a saber o que significa o mato.  É simplesmente o drama o que eu passo,  mato, lama, sempre lama ou chuva ou pó e ainda tiros e sangue e mortos, é isto o mato. É isto a guerra e é preciso prosseguir, chegar até ao  fim, esgotar o cálice do fel e as tormentas.  É medo, o medo que nos assalta no negrume da mata tão cerrada que nada se divisa  a mais de 2 metros de distância.   Para quê dizer que o não temos se é mentira?   Eu tenho, sou um homem  e tenho medo, no entanto sigo até ao fim não porque me sinta herói mas porque sei que tenho de ir.   Afinal que ficava cá a fazer?
Vamos, há fome, é fácil de resolver o problema, tira-se uma bolacha de reserva da ração e come-se, mas não se consegue engolir! É natural, a garganta  aperta-se à medida que o tempo passa, e quando há dois dias apenas se comem bolachas é possível que elas não se apresentem como um manjar apetitoso.  Água, boa! Talvez no próximo charco se consiga encontrar alguma, suja, nojenta, mesmo assim refresca.  O cantil já está seco há muito. Paciência!
Ninguém fala, apenas se ouve o ritmo compassado das botas percorrendo o trilho sinuoso através da selva.   Andar sempre em frente, sempre em frente. Alguns perdem-se em sonhos de futuro, quando voltar à terra hei-de fazer isto e aquilo.  Ilusões! A maioria porém não pensa em nada, naquela situação também nem interessa, tudo pode perder qualquer significado.  Só importa continuar até ao fim.
Há uns que se apoiam nas espingardas como se fossem bordões, sempre ajuda um pouco.  Apetece deitar fora toda a tralha que se leva às costas e que constitui um peso infernal para as poucas forças que restam.
No mato quando cai a noite a manta faz sempre jeito e sabe bem o aconchego. Tantas vezes que a nossa cama, civil, nos é lembrada, mas o que nos espera é um pouco de capim!
Barbas crescidas, caras sujas, olhos encovados pelo cansaço.  Quando é que esta porcaria terminará?
A marcha prossegue, inexorável.  Talvez o trilho não seja este e nunca mais lá chegamos.  Não pode ser, é por ele de certeza, mas que certeza se pode ter neste inferno onde tudo é igual e se repete centenas e milhares de vezes!
Vamos, um cigarrito de vez em quando faz bem.   Mesmo os que não fumam acabam por pedi-lo ao companheiro mais próximo.   E é aproveitar enquanto é dia porque à noite acabam-se as fumadelas para não atrair a nossa presença.
Amanhece, a coluna segue, segue sempre em frente a caminho da desilusão, da morte ou da glória.   É isto a guerra, é isto o mato.... lama..... sempre lama.... ou chuva..... ou pó..... ou tiros ..... ou sangue.    É isto o mato, especialmente mortos ou feridos.  Nossos corações nestas circunstâncias são do tamanho de ovos de pombinha, mas é a pombinha da nossa esperança, da nossa fé, do nosso futuro, ou por vezes, da nossa eternidade.
Lama, sempre lama, ou chuva, ou pó, ou tiros, ou sangue e talvez mortos!..
Despeço-me com votos de felicidades.  Adeus,   Paulo Antunes.
Destacamento de Luatize-Moçambique - 1969
Paulo A. Antunes
1º Cabo TRMS nº 110648/67- CCav.2415
S.P.M. 4594
(NB - Este texto foi cedido pelo Paulo Antunes, o "sanfoneiro da caserna", tirado do seu "diário",   para ser divulgado no blog.    Deixou a  promessa de mais "memórias" para breve.      
Aqui lhe prestamos a nossa homenagem e  agradecimento.)
                                           

08 dezembro 2011

Mais "memórias" do Choné

Há dias atrás o Choné convidou-me para um copo num bar proximo de sua casa. E foi com a maior satisfação que lá nos encontramos.  Após alguns desabafos relativamente à sua situação de pequeno empresário, pois o trabalho escasseia, fez-se agulha para as nossas aventuras africanas. E a memória dele é um espanto, viva, agitada, parecendo que foi ontem e não há 41 anos o que  transmite com tanta segurança.  Realmente são 2 ou 3 horas bem passadas.
Entregou-me estas fotos para colocar no "site" (como ele diz), ao mesmo tempo que  ia contando as "memórias" de cada uma delas.  Pede desculpas mas, actualmente, por causa da crise, a cabeça não anda a funcionar direito e daí não ter produzido mais  "memórias". Mas fica a promessa o que já é bom!
Começo por esta foto que me deixou, nem sei bem explicar, talvez perplexo pelo que representa.

"Estes mancebos vieram a falecer ao serviço da Pátria".  Frase feita e inventada para manter  o espirito patriótico bem elevado  dos corajosos militares do império!    São o Joaquim Rodrigues da Silva, conhecido por "Peniche" e o Joaquim Marcelino na ponte de Luatize a posar (este pela ultima vez)  para a foto logo após a chegada a esta localidade na tarde de 23 Junho1969,  vindo a falecer nessa noite após o ataque que sofremos  ao aquartelamento, como é do conhecimento de todos. É, concerteza, um  testemunho a lembrar os seus ultimos momentos de vida. 
Ao olhar a foto a minha preplexidade obriga-me a fazer a eterna pergunta: Que mal fez este jovem para ser condenado a morrer  tão estupidamente?
Infelizmente, as guerras não têm explicação. E, talvez, por isso, a pergunta jamais terá resposta.
O Peniche, infelizmente, só teve direito a viver pouco tempo mais. Faleceu a 30 Outubro, assim como o Avelino Corado, vitimas de mina activada pela viatura em que seguiam na picada de T.Valadim para Luatize.

E agora gozemos um intervalo de guerra.

Esta é a excelente equipa de futebol do 1º pelotão, julgo que a melhor da Briosa, apesar da falta de conhecimentos técnico/tácticos do seu treinador Meira.
Os craques em pé da esq. para a dir. são: Cobra d'Agua (g.r.) (gosto do nome tem estilo), Sintra (falta de comparência no ultimo encontro), Garcia, Silva, David "checa" e Marcos "checa".  Em baixo: O malogrado Peniche, Mariano "Jerumelo", Choné, Calvino "1001" (para mim o maior) e Agostinho "bazucadas".
Conta o Choné que o "bazucadas",  no regresso a Lisboa e quando o navio atracou em Luanda, esqueceu-se da hora e não voltou a embarcar.  Como estava à "coca",  assim que deu pela falta dele, muito aflito, foi ter com o Capitão: "Meu Capitão o "bazucadas" perdeu o navio".
Imaginou-se logo que tal situação tinha a ver com mais um desenfianço entre tantos que aconteciam. Mas não, simplesmente  esqueceu-se da hora do embarque e, normalmente, os navios não esperam pelos atrazados.
E, qual o espanto da malta, quando finalmente o "Pátria" acostou ao cais em Lisboa, ao verem o desenfiado Agostinho "bazucadas"  a acenar-lhes e a dar-lhes as boas vindas!
É que este, após grandes gozos africanos, acabou por chegar primeiro pois veio de avião!   É caso para dizer: "ganda xico esperto"!!
E mais outro "saboroso" intervalo de guerra é este.

A meio da conversa quando lembrávamos as mariscadas, e não só, de António Enes o Choné vai ao bolso e saca desta foto. Simplesmente impressionante, fiquei sem palavras ao rever, passado tanto tempo, tamanho banquete. Foi no dia seguinte de manhã, após a chegada à capital do camarão, que os glutões à mesa (Paulo Antunes, Choné, Olhanense e este oriundo do Biafra)  atacaram cerca de 8 kg daqueles bichinhos confecionados pelo Choné, matando a fome acumulada de tantos meses, não esquecendo as bazucas bem à mão e prontas para "disparar" incessantemente!  
Mas, como todos se lembram, foi sol de pouca dura pois, passada uma semana,  já ninguém ligava "peva" ao camarão. Só mesmo os cozinheiros, e vá-se lá saber porquê, continuavam a servir às refeições o banalissimo crustáceo com arroz ou esparguete! 
Obrigado  Avelino Torcato Pereira, continua a contar-nos "memórias".







23 junho 2011

Vespera de S. João

Faz exactamente hoje 42 anos (23 de Junho de 1969)  que sofremos o grande ataque ao Destacamento do Luatize onde tinhamos chegado nesse mesmo dia e ainda com as caixas de bacalhau e outros víveres, ainda desarrumadas, que então estavam a servir para a nossa "mesa de jantar". Foi então que logo no início da nosso jantar, com um "petromax" aceso que nos iluminava o jantar, começamos a ouvir os primeiros tiros, que eram de "balas tracejantes" seguidos de morteiros com granadas iluminantes, etc., ..............Que grande coincidencia com o "fogo" de S. João !

21 janeiro 2011

Luatize - com helicóptero ... e uma história com capitão!

A nossa estada em Luatize está muito bem retratada nesta reportagem do M. Magalhães. Estas excelentes imagens (de 1969) reavivam-nos a memória e não nos deixam indiferentes (falo por mim...)


Não tenho lembrança desta visita do "heli". Trata-se de uma evacuação de doente ou ferido. Se alguém se lembrar, agradecemos que acrescente aqui o seu comentário (é tão fácil!).
E, agora, a edificante

História de um Capitão exemplar 

   Se bem se lembram, por vicissitudes várias (nomeadamente o acidente do nosso Comandante em Vila Cabral e a hepatite do Alf. Meira, que o devia substituir), este vosso cronista teve de arcar com as "atribulações" do comando da Briosa durante vários meses. Era essa a situação no Luatize. Acontece que as "cabecinhas pensantes" (de Valadim? de V.Cabral?) devem ter chegado à conclusão que fazia falta um Chefe à altura. E lá apareceu um capitão do quadro, de cujo nome não me recordo. E, obviamente, assumiu funções, muito dignamente, como verão a seguir.
   Aconteceu que o meu pelotão foi escalado para uma operação (talvez aquela que me proporcionou, pouco depois, as "magníficas férias" no Cabo Delgado [Sagal], enquanto vós aguentáveis os sacrifícios de António Enes). Pois estava eu organizando a saída para o dia seguinte, dentro da tenda de lona onde dormiam os graduados, em "burros do mato" (espécie de padiolas em lona), e onde ratos "era mato", quando um dos  furriéis, devidamente bebido, me diz, de um canto: "Meu alferes, eu amanhã NÃO VOU! "  . E logo do outro canto, com uma autêntica voz de bagaço, entre dois beijos na garrafa, o  tal capitão, que tão dignamente nos comandava: " NÃO SEI DO QUE SE TRATA NEM QUERO SABER, MAS EU TAMBÉM NÃO VOU " !
    "Ditosa Pátria que tais filhos tem".


10 dezembro 2010

LUATIZE ....... RECORDAR UM POUCO MAIS

Por: A.Paulo

   Por mais que se fale sobre os locais por onde passou a nossa CCAV, existem sempre factos que se omitem quando se escreve um pedaço da verdadeira história vivida no dia a dia dum “AGRUPAMENTO MILITAR”.
   Como diz o velho ditado “a conversa é como as cerejas”, e sendo assim é pena que o diálogo entre nós e sobre este tema se resuma a três ou quatro elementos, que acabam por comer as “cerejas” todas, não comungando neste “manjar” de recordações inúmeros camaradas nossos, também marcados por vários episódios que todos nós gostaríamos de relembrar.
   Quando pego no meu álbum de fotografias acabo por seleccionar aquelas que praticamente são únicas e ainda não dadas a conhecer aos nossos visitantes do blog. Hoje escolhi uma onde se pode contemplar uma panorâmica do nosso destacamento em Luatize.


   As barracas em primeiro plano eram os aposentos (quarto duplo) dos furriéis, estando equipadas com dois “burros” (camas de lona de abertura em X).
   Ao fundo, penso eu, estamos em presença duma arejada e modernizada cozinha que era “chefiada” por dois exímios cozinheiros.
   Já agora, que tal uma verdadeira sopa devidamente preparada com todos os requintes dum “maître d’hôtel”?...
   --“Ó sr. Sousa então você despeja directamente o feijão da saca na panela?”... pergunto eu ao cozinheiro de serviço. “Então você não lava o feijão antes de o meter na panela?”...
   Afirmativo, mas... negativo. Será escusado salientar que o feijão furado pelo bicho e cheio de pó logo deixou uma ecológica nata de gorgulho à tona d’água.
   --“Não se preocupe meu furriel que quando a água ferver eles já morrem”, retorquiu o camarada Sousa. Nada de invejas que a sopa dá para todos.  OK......


   --“Como dormiam vocês?... As vossas camas eram boas?”, perguntam os curiosos.
   Desde a chegada a Luatize (23/06/1969) e após o ataque ao aquartelamento, toda a gente dormia vestida. As nossas barracas de lona, encostadas a uma velha barreira de protecção ( faixa de troncos de árvores com terra no meio), eram invadidas à noite por centenas de ratazanas (pareciam coelhos) que saíam da barreira e nos atacavam à dentada, deixando como prenda uma grande infestação de parasitas.
   Para contrariar estes “incidentes” espalhamos nas mantas e no chão enormes quantidades do poderoso insecticida DDT e fizemos lamparinas de petróleo (garrafas de cerveja com a tampa furada e com um pedaço de trapo a servir de mecha) que mantínhamos toda a noite acesas com a finalidade de afugentar os intrusos.
   Com o nascer do dia e o sol a raiar, todo o pessoal se libertava do seu obrigatório “pijama” e de calções e chinelos fazíamos romaria ao rio que nas proximidades ali passava, para tomarmos o nosso banho diário.


   Hoje fico por aqui. Continua no próximo capítulo.


   Um abraço do Paulo. 

.

05 dezembro 2010

CONTINUANDO A LEMBRAR

Por: F. Santa




Aqui vão mais três fotos. Nas duas primeiras estão o Pires e os seus “cadilacs“ algures em Moçambique. Quanto à terceira foto o João Rodrigues diz ser em Luatize. Gostava que alguém de boa memória conseguisse lembrar-se de algo sobre elas e contar as respectivas histórias. Já agora, gostava (e mais uma vez repetindo) que da parte dos nossos camaradas da 2415 houvesse um pouco de boa vontade em colaborarem no nosso site para não serem sempre os mesmos, pois as promessas feitas no nosso último almoço por alguns, esvaziaram-se no tempo. Não passaram de promessas. Eu sei que sou um chato, mas pode ser que algum dia eu seja surpreendido por alguém!
       Dois mil e dez está quase a chegar ao fim, muitas coisas já passaram pelo nosso cantinho de memórias, muitas mais poderiam ter passado se todos colaborassem. 

Um grande abraço para todos do Santa


16 junho 2010

Luatize no passado dia 14 de Junho de 2010

Estas fotografias foram enviadas de Moçambique e foram tiradas durante uma passagem por Luatize, no passado dia 14 de Junho.



14 outubro 2009

HOMENAGEM AO MEU TIO

O título deste texto pode parecer-vos algo estranho. Porquê andar aqui a prestar homenagem a um elemento da minha familia? É simples, é que o meu tio foi nosso companheiro das mesmas "guerras" e "aventuras" durante a nossa permanência em Luatize. Era furriel e pertencia ao pelotão que o Batalhão de Tenente Valadim, tinha destacado para aquela zona, e que nos receberam quando lá chegámos.
Talvez haja ainda alguém que se lembre. Por isso, e pela obrigatória e sentida homenagem que aqui lhe quero prestar, indico os nomes, a saber: Fur.Azevedo (c/seta); Alf.Seabra (ao centro em baixo); Fur.Coimbra (ao centro em cima) e o "infiltrado" Castro (lado dir.). Falta ainda o Fur.Damas (julgo que era de Mira). Foram excepcionais comigo, sempre disponiveis para ajudar. Lembro-me até que me arranjaram umas instalações bastante impróprias, mas era o que havia (anos antes tinha sido o local onde guardavam sacos de farinha) para poder desempenhar a contento a arte da criptografia! Mas com umas boas lavagens e afastamento de milhões de roedores, aquelas ruínas transformaram-se quase num palácio!
Tudo gente boa e ainda me recordo da forma como foram inexcediveis no apoio que, dentro do possivel, tentaram prestar, noite adentro, ao infortunado Marcelino naquele fatídico 23Junho69.
Voltando ao meu tio Azevedo, é uma história igual a tantas outras, só achando graça, talvez por ser única, em todos os teatros de guerra do nosso império!!
Conhecio-o por mera casualidade, conforme podia não o ter conhecido! Acho que foi logo após a chegada a Luatize. Segundo os meus apontamentos foi no dia 22 de Junho 69. O nosso radiotelegrafista milagreiro Moreira, depois de lhe terem dado um casinhoto escuro e sujo, conseguiu instalar e sintonizar a muito custo aquela geringonça do radio, pois era hora da final da taça de Portugal em futebol entre Académica-Benfica (1-2). No meio do barulho ensurdecedor e de todas aquelas interferencias (assim a modos fundo dum poço) lá iamos conseguindo ouvir qualquer coisita, por vezes audível). Nessa altura aproximou-se de nós um furriel do pelotão "dos outros" e pediu licença para tb. ficar a ouvir o relato. Foi aí que o Moreira se me dirigiu, dizendo: "Oh Castro...........". E, fosse lá o "feeling" que fosse, logo de imediato o tal furriel se me dirigiu e indagou: "Eh, pá desculpa lá, mas tu chamas-te Castro? E de onde és tu, pá? Curiosamente, logo lhe respondi: "Sim, meu nome é Castro e sou da Parede, perto de Lisboa". Mais perguntas menos perguntas que agora pouco interessa, aconteceu qualquer coisa deste género: "Oh, meu querido sobrinho vem aos meus braços! Eu sou teu tio!!"
Por indicação dos meus pais, realmente eu sabia, assim como ele, que havia um sobrinho e um tio destacados em Moçambique, ao mesmo tempo. A curiosidade é que não nos conheciamos, nunca nos tinhamos visto. Ele morava em Albergaria-a-Velha e eu na Parede. Talvez a distancia e a independencia da vida de cada um de nós contribuissem para esse resultado.
Foi realmente algo "sui-generis" e muito agradável. A partir daqui estivemos 24h/24h em contacto directo, vivendo ambos os graves problemas que nos aconteceram e que são do conhecimento de todos. Lembro até que após a refrega do ataque a Luatize ainda lhe dei uma ajuda chegando-lhe granadas para o morteiro que ele, na zona da cantina, segurava nos joelhos
disparando na direcção que ele entendia que os "fugitivos" percorriam.
Após a nossa chegada à Metrópole, continuámos a nossa grande amizade, nascida em Luatize, e tinhamos contactos assiduos, apesar de morarmos em locais diferentes. Nos ultimos anos, desde 2002, passamos até a viver na cidade de Lagos. E foi aqui que passamos horas e horas a fio, descontraídamente, em franco convívio, falando sobre as "aventuras" passadas no Indico.
Infelizmente, mais precisamente em Julho deste ano, faleceu, precocemente, com 64 anos, de doença prolongada. Perdi um ex-companheiro, um grande amigo que foi sempre um grande Homem. Ainda acho isto muito estranho e sinto-me mais triste.
PAZ ETERNA A UM BOM HOMEM QUE FOI O MEU TIO AZEVEDO.

29 agosto 2009

A MASCOTE

(Por Ant. Paulo)
 
      Perdoem-me, mas esta amnésia é tolerável. Já lá vão 41 anos e isto pesa muito na minha tola.
      Como se chamava a mascote?!... Macaco ou macaca?!.... Parece-me que  era um macaco e que se chamava “CHICO”. Será?.... Vou trata-lo por tal.
      Este chico era o animal que  mais se  destacava no nosso “jardim zoológico” pessoal e particular, que sempre  acompanhava a CCAV. nas suas deslocações e que tinha um estatuto próprio de independência no aquartelamento de Lione, e não só. Era pertença do soldado Oliveira, mais conhecido por “cobra d’água”.
      Devem estar ainda lembrados, os nossos camaradas “ex-”, alferes e furriéis, o local  onde se tomava o pequeno almoço em Lione.
      Claro, numa mesa colocada no alpendre, à saída do dormitório dos furriéis, onde diariamente nos punham o pão acabado de fazer (quando se cozia), acompanhado de uma grande lata de margarina, e...mais qualquer “coisa”.
      Pois este “chico” era o primeiro a chegar à mesa. Quando nós chegávamos já o patife tinha  enfiado as mãos (patas dianteiras) na lata da margarina, chupado os dedos e trincado o pão que nos era destinado. Afinal o pequeno almoço até sabia bem, ou não?!... E as latas de fruta em calda. Ainda se lembram delas?... Parece que custavam 9$00 cada  e vinham da África do Sul. Pois este macaco também gostava muito desta fruta, tendo-se aproveitado várias vezes quando as  apanhava abertas em cima da mesa. Tinham uma calda espantosa.
      Para  ver e recordar o macaco em acção, destaco estas duas fotos onde:
      -Numa o animal, vertical, bebe como qualquer mortal (Chala), e

e na outra temos como pano de fundo o abrigo onde eram guardados os combustíveis  para as viaturas (Luatize) e que servia de dormitório ao chico.


Um abraço do Paulo 

06 julho 2009

Benvindo, A. M. Paulo !!!

OLÁ CAMARADAS

Sou o ex-furriel Paulo. Aquele de armas pesadas a quem foi distribuída uma G-3.

Tenho entrado com alguma frequência no blog da CCAV 2415, elogiando o trabalho desenvolvido pelos camaradas colaboradores.
Se por um lado os momentos descritos e fotografados nos recordam o auge da nossa saudosa juventude, ou seja a parte boa da questão, por outro lado é muito difícil para mim reviver tempos e situações que a todos nós nos afectaram.

É um querer e não querer. Mas enfim, é a vida.

Aproveito para enviar algumas fotografias da nossa “estância de
férias” em Luatize, onde é nítida a presença de várias viaturas
minadas.
As ervilhas com chouriço acompanhadas de vinho verde gatão e
ingeridas em cima das caixas do bacalhau, que serviam de mesa de
jantar naquela fatídica noite de S. João, ainda hoje se encontram
atravessadas na minha garganta.

Espero colaborar com outros textos e fotografias.

Do camarada Paulo






24 junho 2009

Piquenique em Moçambique (Luatize?)


(foto de H. Afonso)


Foi num cenário idêntico (mesa posta sobre caixas de material acabado de descarregar) que começou o ataque ao Luatize... só que esta foto é tirada com sol alto (as curtíssimas sombras dos objectos o indicam) . A boa disposição e descontracção do pessoal sugere que a imagem se refira ao almoço do mesmo dia (23/06/69), tendo o ataque sido ao jantar. Apela-se à memória dos intervenientes para confirmar estes dados ...




22 maio 2009

Quem se lembra?


Foi no dia 22 de Agosto de 1969, na ponte sobre o Rio Licoco.

O material que estava na Ponte sobre o Rio Licoco e que foi "levantado" - uma mina incendiária de 2kg, uma bomba de avião, presumivelmente de um T6, cerca de 20kg de trotil, que enchia totalmente uma caixa de cartão das latas de cerveja "Laurentina". Esta fotografia foi tirada após o regresso ao Destacamento do Luatize.
Agosto de 1969

30 abril 2009

Quem ainda se lembra?

AO FOLHEAR MAIS UM VOLUME DA SÉRIE OS ANOS DA GUERRA COLONIAL, QUE SEMANALMENTE VÃO APARECENDO NAS TABACARIAS E QUIOSQUES, ENCONTREI ESTA REFERÊNCIA, QUE DIZ RESPEITO À ÉPOCA EM QUE A CCAV 2415, ESTAVA ACAMPADA EM LUATIZE!
NÃO QUERENDO QUE SEJA ENTENDIDO "COMO PUBLICIDADE", ACONSELHO ÀQUELES QUE PUDEREM E QUISEREM, QUE COMPREM ESTA COLECÃO QUE NA MINHA OPINIÃO ESTÁ BEM FEITA. É DA AUTORIA DE CARLOS DE MATOS GOMES ANICETO AFONSO; VAI NO 10º VOLUME

27 abril 2009

mensagens ...

Com esta ementa, não há levantamento de rancho !



E no verso da mesma, a acta das conversações Tropa- Frelimo,
com extrema elegância de linguagem...



(Se a memória me não atraiçoa, este "documento" foi encontrado no mato na zona do Luatize)


25 abril 2009

Nossas pegadas ... (1)

MAPA DO DISTRITO DO NIASSA, COM A INDICAÇÃO DE LIONE, CHALA, TENENTE VALADIM e LUATIZE, LOCAIS POR ONDE ANDOU A CCAV.2415