01 maio 2018

É JÁ ESTE SÁBADO !!!

Está na altura de verificar as viaturas e atestar os respectivos depósitos, para, no dia 5 estarmos todos, a tempo e horas, no encontro comemorativo do cinquentenário da nossa BRIOSA ! 
Vamos todos alertar aqueles que costumamos contactar, não vá alguém ter-se esquecido de avisar o SANTA ! 
(  939440799   ou  fsanta1945@gmail.com )
Quem lá esteve no ano passado, sabe como é fácil o caminho. Para alguém que seja checavão aqui algumas imagens para facilitar a aproximação ao objectivo... 

Para quem vem de Coimbra

Vindo do lado de Montemor e Figueira


 "Patinhos Eventos" situa-se junto à EN 111 (estrada do Baixo Mondego), que liga Figueira da Foz e Coimbra:

As coordenadas para os Sistemas de Navegação são:

40.193646, -8.659494  ou  40º 11' 37'' N ,  8º 39' 34'' W


  * * * B O A   V I A G EM !  * * *



29 abril 2018

HOJE É DOMINGO...

Hoje é Domingo. Domingo cinzento e frio. Neste momento, a chuva e o granizo, fustigam a minha janela. Parece que estamos no inverno! É nesta altura que olho a ficha de inscrição para o convívio da 2415. Faltam cinco dias para o dia 5! Parece que alguém ouviu as minhas queixas e resolveu alterar o rumo dos acontecimentos. Pois no últimos dias lá resolveram inscrever-se! Em relação ao ano passado, tenho mais cinco inscritos. Sendo assim, fico um pouco mais contente. Quanto aos outros cinquenta, nem um sim nem um não! Porquê? Não sei. Mas, para este ano está (como se costuma dizer) salva a honra do Convento! Para o ano, vamos ver...
Desde já, quero agradecer a todos os inscritos e desejar-lhes uma boa viagem até Montemor o Velho. Aos outros que por motivo de doença não podem estar presentes, as rápidas melhores e que para o ano já possam estar presentes.  Um abraço para todos e muito especialmente para o nosso capitão A. Amaral Amado. 

                                            
Pois é. Aqui vai a lista de todos os bravos que há cinquenta anos partiram para terras desconhecidas do Ultramar. Todos aqueles que têm uma cruz na frente, morreram em combate. Os outros (também realçados com "marcador") já nos deixaram cá.






            Para todos com um grande abraço e continuação de um bom Domingo e de uma boa semana.

                                                                           SANTA

23 abril 2018

DESAPONTADO!

DESAPONTADO! Será esta palavra certa para aquilo que sinto nesta altura? Se calhar não. Se calhar à outras palavras mais certas...
 Falo assim porquê? Camaradas da 2415. Enviei 87 cartas com o convite para o nosso aniversário que se vai realizar no próximo dia 5 de Maio. Embora eu diga na carta que as inscrições terminam no próximo dia 25, as mesmas podem ir até ao fim do mês. Não é isto que está em causa. É que das 87 cartas (nenhuma me foi devolvida) só tive resposta até esta data de treze camaradas a dizerem que vêm e três a dizerem-me que não podem vir por motivo de doença. Onde estão os outros 70 ? Todos devem ter telemóvel . Custa muito dizerem-me alguma coisa? Será que não mereço um pouco de respeito da vossa parte? Julgam que não dá trabalho organizar o Aniversário? Já em 2016 e 2017 foi assim. Fico triste pela vosso desprezo...Custa-me falar assim. Mas não me habituaram a não ter responsabilidade. Sou convidado para muita coisa. Mas ninguém fica sem resposta se posso ir ou não e o motivo.
Camaradas da 2415. Se alguém não gostou das minhas palavras, peço desculpa!
Se alguém estiver a  pensar em vir, (já falei com o restaurante) pode ainda fazer a sua inscrição até ao próximo dia 2 de Maio.

 Com muita tristeza, para a malta da 2415, um abraço.

                                                     SANTA

17 abril 2018

SIMPLESMENTE INDIGNADO...

SIMPLESMENTE INDIGNADO...  E porquê? Por isto: Vi imagens na televisão, do regresso ao solo Pátrio, 57 anos depois, dos restos mortais de um nosso camarada de guerra. Os seus restos mortais, perdidos no meio do mato em lugares chamados de cemitérios mas que de cemitérios não têm nada, graças à sua família e alguns camaradas e à TAP, (que tem oferecido gratuitamente o  transporte àqueles que já regressaram à sua terra natal) este nosso camarada regressou. Natural de Germel, no dia 15 de Abril, o seu corpo foi inumado no cemitério da sua naturalidade na Ponte de S. Vicente. freguesia (VILA VERDE).Segundo sei, a família na pessoa da sua irmã, lutou 20 anos para que os seus restos mortais viessem para a sua terra. Para quê? Para acabarem de fazer o seu luto pois estava incompleto. Este caso não é isolado, pois outros já aconteceram.
 Agora sim. Estou indignado, pela inercia do Estado Português em ajudar estas famílias. Eu sei que alguém ao ler este texto vai dizer: Que importância tem isto? São só ossos! Gastar dinheiro com isto? Pois é. Para essas pessoas, eu digo: Não são da vossa família. E ainda assim, têm de respeitar a vontade e o sentimento das famílias em causa. Todos aqueles que lá morreram não pediram para ir para a guerra. Foram todos mandados com responsabilidade do Estado na altura. Logo a responsabilidade está  do lado do Estado em fazer com que cada um viesse para a sua terra. Se o antigo regime assim não o entendeu o novo regime devia emendar o erro.
Mas porquê. Qual o motivo de o Estado Português não fazer um esforço de boa vontade e colaborar financeiramente? Se à tanto dinheiro mal gasto que faz parte dos contribuintes que somos nós! Há dinheiro para tapar buracos nos bancos, dinheiro que é (não é roubado que se diz) desviado... Fico por aqui!
Alguém disse algum tempo: "Mal vai uma Pátria que não sabe honrar os seus heróis"
.


Camarada Aquilino, que agora estejas em paz assim como todos os outros camaradas que já faleceram.


Já agora: No lapidário do Monumento Nacional dos Combatentes da Guerra do Ultramar, estão 9273 nomes de falecidos nesta guerra. Para quando a colocação dos 1416 que faltam?

Com um grande abraço me despeço por hoje

SANTA


15 abril 2018

O DIA 5 DE MAIO APROXIMA-SE:::

Convém lembrar. O dia 5 de Maio aproxima-se! Todos os caminhos vêm dar a Montemor-O-Velho ao restaurante "Os Patinhos"para comemorar os cinquenta anos da nossa partida para a "A guerra Colonial". Não te esqueças deste dia e inscreve-te! Não voltas a comemorar os 50 anos da nossa partida! Estes são únicos!!!
Vem divertir-te ao contares histórias (verídicas) passadas entre nós naquelas terras Moçambicanas! Vamos também lembrar todos os nossos camaradas que já partiram. Podes fazer a tua inscrição por email , carta ou telemóvel. Fico à tua espera. O prazo é até ao dia 25 de Abril, mas podes inscrever-te até ao dia 3 De maio que não há problema.




Para que te lembres...

Agora vamos ao prometido. Aqui vai a segunda parte da poesia do nosso camarada carlos Silva "A POESIA E A MÚSICA SINERGIA PERFEITA":

Se me perder algum dia
E me quiserem encontrar
Entre a música e a poesia
Alguém me há-de achar

Palavras musicadas a dar
Rimo ao coração
Ao peito desejo de amar
à alma consolação

A música, a alma tranforma
Torna o coração mais generoso
Só ela tem o jeito e a forma
Do homem ficar mais bondoso

No mar se inspiram
Compondo lindas sinfonias
Maestros e poetas lhe dedicaram
As mais belas baladas e poesias

Ninguém é feliz sem amar
Sem amar e se amado
Quando eu deixar de cantar
Algo correu mal pro meu lado

Se eu dispusesse da minha vida
Só queria na poesia trabalhar
Não era esperança perdida
Se não tivesse também de cantar

Não há nada que não me aborreça
Se a tristeza me faz chorar
Nem sol nem lua que me aqueça
Se por qualquer motivo não pude cantar

Se não é sentimento de morte de alguém
Porque é que a música nos faz chorar
Que mistério que magia é que tem
De dar vos às palavras e de as amar

Muitas vezes a música alimenta a alama
Nos mata a solidão sem violência
Nos dá tranquilidade, paz e calma
Com energia, força e resistência.

Se o sonho comanda a vida
A música comanda a poesia
Ambas dão à pessoa deprimida
Conforto, paz, liberdade e alegria

Quem sonha só por sonhar
E não concretiza seus sonhos
Não perde por esperar
Antes românticos que medonhos

Amigos deixai-me sonhar
Até que o sonho me consuma
Se andasse na terra só por andar
A vida não tinha graça nenhuma

Até as badaladas do sino
Tal como as batidas do coração
São notas de música ao compasso do destino
Que marcam o ritmo da vida e sentido lhe dão

A música é a arte da alma humana
É um hino à vida, ao amor e a poesia
A música aperfeiçoa o sentimento de quem ama
Dela fazemos a nossa melhor companhia

A música é um sonho de felicidade
Tanto dos que a fazem como dos que a consomem
É a expressão máxima de amor e liberdade
A primeira e mais bela arte do homem!...

Como disse atrás, terminou o ciclo de poesia de Carlos Silva. Espero que tenham gostado.
Amigo e camarada Carlos Silva, obrigado pela tua poesia. Daqui do nosso blog, a 2415 deseja-te as rápidas melhores e muita força para superares a doença que tanto te atormentou. Que no próximo dia 5 de Maio possas estar com a malta. Um grande abraço de todos.

Para todos, desejo um óptimo resto de Domingo e uma boa semana que se aproxima.
Um abraço.

SANTA









09 abril 2018

VOLTO A LEMBRAR...

Pois bem... Volto a lembrar o nosso convívio marcado para o dia 5 de Maio. Esperando que não faltem por aqui me fico à espera das vossas inscrições. Até agora a adesão tem sido pouca. Não esperem para o fim! Tenho que honrar os meus compromissos com o restaurante. Vá lá, inscrevam-se ou digam qualquer coisa... O tempo passa depressa. Não queria de maneira nenhuma fazer o convívio só com uma dúzia de camaradas! Seria uma desilusão total e uma grande tristeza! SURPREENDAM -ME !!!

Já agora, mandem textos para o nosso blog! De contrário, está em risco de acabar...

Sendo assim, gostaria para terminar a presença do nosso camarada Carlos Silva no nosso blog através da sua poesia. E então, aqui vai o último poema dele dividido em duas partes. Aqui vai...

        "A POESIA E A MÚSICA SINERGIA PERFEITA"

A música nasce da fonte da ternura e do pudor
Se eleva por entre as nuvens, para lá dos astros
Como fumo subindo em prece e louvor
De incenso branco perfumado e casto

A música é como um sorriso contagiante
Não custa a quem a dá, enriquece quem o recebe
É da natureza o mais puro e fiel amante
É condensar desejos, sentimentos, afagá-los ao deleve

Como ela inebria os sentidos
Transforma o coração e a alma
 Entra suavemente pelos ouvidos
E se aninha no peito terna e calma

Ditosas mãos que vibram um instrumento
Seja de fole, cordas, teclado ou de cana
 Fazê-los tocar todos ao mesmo tempo
Quase que ultrapassa a arte humana

Se queres cantar e dançar comigo
Levanta-te vem daí, toca a marchar
Tenho palavras escritas num livro
Muita e boa música para te dar

Eu quero declamar a poesia
Seja de Camões, Aleixo, ou Pessoa
Escrevê-la, recitá-la noite e dia
Até que a alma e a mão me doa

O fado de mérito concerteza
Eleito canção nacional
Mas da poesia Portuguesa
Também se orgulha Portugal

À poesia e à música me converti
A ouvir a Amália e o Marceneiro a cantar
Logo a vontade e o desejo senti
Foi elevá-los, dignos de honra de altar

De manhã quando me levanto
Começo o dia a cantar
Sou como os grilos do campo
Que ninguém faz calar

Quem canta só por dinheiro
Não pode cantar por amor
É como ter o mundo inteiro
E dele ninguém mais dispor

Cantam fiéis rezando o terço
Para Deus do céu adorar
Canta a mãe junto ao berço
Pró seu filhinho embalar

Como vêm tudo canta
 Melhor assim que chorar
Se a música nos encanta
Porque não havemos de cantar?

A música é cultura popular
Que da terra ao céu faz ponte
A ninguém se devia negar
Como se não nega a água da fonte

Quem animava os casamentos
Arraiais, festas e baptizados
Da música os melhores momentos
Em nós para sempre ancorados

No meu peito a música arde
Em chama viva que me consome
É o sol radiante ao fim da tarde
Que se vai pondo entoando o meu nome

Fim da primeira parte...

   Termino por hoje, com um grande abraço para todos.

                                    SANTA
















03 abril 2018

A PÁSCOA JÁ LÁ VAI. VAMOS CONTINUAR...

A  Páscoa já lá vai e como disse, vamos continuar. Passo a lembrar: estamos na contagem decrescente para o dia 5 de MAIO. Se bem se lembram, vamos comemorar neste dia os 50 anos do nosso embarque para a guerra do Ultramar. Espero que todos tenham recebido a carta convite e que possam estar presentes neste dia! Espero que a saúde de todos não impeça de virem.
Falando em saúde, estive a falar com o nosso camarada Carlos Silva e fiquei triste ao saber que tem estado muito doente. Já recebeu a carta convite e disse-me que mesmo estando doente vai fazer todos os possíveis para estar presente. Pois os 50 anos da nossa partida para o Ultramar só se fazem uma vez. Disse... Daqui do nosso blog, e em nome de todos da 2415, desejamos-te as rápidas melhores que tudo de mau já tenha passado e que voltes a ser o Carlos Silva que todos nós conhecemos. Muita força é o que tens que ter. Não desanimes toca avida para a frente e muita fé.

E agora para veres que a malta não te esquece nem o blog, aqui vai mais um poema teu...

" LENDA DA VIUVINHA"

A lenda da Viuvinha
Que prá roda foi chorar
É uma 'stória tão velhinha
Como a fada madrinha
Que se tornou popular

O drama desta mulher
Que nem sequer casa tem
Vejam lá de quem souber
Se um tecto por 'i houver
Deus paga a quem faz bem

Quatro filhos que gracinha
Ao cuidado d'uma mãe
Que no-mundo ficou sozinha
A pobre coitadinha
O marido é o que Deus tem

Lá vai o tempo moçinha
Em que à fonte ias lavar
Agora que és 'vozinha
Tens mimos de Rainha
Depois da vida passar

Pra quem é mole a vida é dura
É preciso resistir
Deus não é pra tudo a cura
Nem a todos deu formosura
Mas ensinou a sorrir

                                 CARLOS SILVA

 Sem mais por hoje, ficando à espera da vossa inscrição, daqui da Mui Nobre e Bela Cidade de Coimbra vos dou um grande abraço.

                                                SANTA

   

       

29 março 2018

PÁSCOA...

PÁSCOA! O blog da 2415, deseja a todos os camaradas e suas famílias, uma Santa Páscoa com muita saúde paz e amor. Estes votos, são também extensivos a todos aqueles que ao longo do tempo têm visitado o nosso blog.




                             Um grande abraço para todos em geral.

                                                        SANTA



25 março 2018

OLÁ MALTA...

Olá malta da 2415. Estejam atentos á caixa de correio! Vão começar amanhã a ser enviadas as cartas com os respetivos convites para o almoço comemorativo dos 50 anos da nossa partida para a guerra do Ultramar. Estejam atentos. Respondam o mais breve possível e de preferência com uma resposta dizendo: vou estar presente! Cá esperamos por ti.
 E agora para divertir:

      " VEM VEM MENINA VEM VEM"

Vem vem menina vem vem
Não se perca no caminho
Se tem o tesouro que tem
Guarde-o bem guardadinho

Cai cai menina cai cai
No laço que tenho armado
Em ti o que mais me atrai
É se me não olhas de lado

Vem vem menina vem vem
A'dega provar o vinho
Não vá o João d'além
Bebê-lo todo sozinho

Ai ai menina ai ai
Sempre me tens rejeitado
Mas o que lá vai lá vai
Não choro leite derramado

Vem vem menina vem vem
Ouve bem o que te digo
Nem pintada a tua mãe
Me obriga a casar cntigo

Vai vai menina vai vai
Prazer em tê-la aturado
Que a ature agora seu pai
Que esta mais habituado

                Do nosso amigo: Carlos Silva.

 Termino por hoje, ficando á espera que as vossas respostas sejam me deixem satisfeito. Pois quem organiza um evento como este , gosta que apareçam. Só assim vale o esforço. Um grande abraço para todos.
      
                                       SANTA

                            





18 março 2018

PENSATIVO...

      Hoje, Domingo, depois de ouvir as notícias do dia, fiquei pensativo com o que se passa neste mundo. O tempo, com este semblante que tem tido (a chuva era precisa), também ajuda um pouco a pensar nas coisas que passam pela nossa frente. 
Como não tinha nada que fazer, fui ter com o meu vizinho António (que já foi falado no passado no nosso blog por causa do S. Martinho). Bati ao portão, ele veio logo. Encarando comigo disse : Olha quem está aqui. Seja bem aparecido. Então senhor Antonio o que me diz desta chuva?Olhe, é bem vinda. Entre...entre...e feche o portão!
Entramos, e dizia ele que era bom para os agricultores. Só pensar no Alentejo e não só! Pois os animais já não tinham água para beber nem pasto para comer! Mas olhe que pensando bem, nos tempos idos, se calhar chovia mais. Se calhar muita gente já não se lembra, principalmente esta malta mais nova. Nesses tempos idos, nesta altura os nossos campos ainda estavam alagados! Os animais estavam no campo em "telheiros" e tinhamos que os trazer para casa. E as vinhas? Eram podadas de barco! Ás vezes começava a chover nos fins de Setembro e só acabava em Março e houve um ano que foi até julho!!! Lembra-se? E quando a malta ia á "certela"! "Certela" era uma arte usada por nós nesta zona, para apanhar enguias. Era uma cana com cerca de um metro e na ponta eram postas "minhocas numa linha.Mergulhava-se a ponta da cana na água da ribeira, elas mordiam as minhocas e retirava-se rapidamente a cana da água e a enguia vinha agarrada. Depois era só pola para dentro de uma lata grande ou um guarda chuva aberto virado com as varetas para cima. Sempre que uma enguia mordia o isco se fazia esta operação. Oh senhor António: isto já não é o que era. Está tudo mudado. Olhe: disse o senhor António. Veja as árvores. Já estão cheias de flor. Se vier agora uma trovoada de pedra, vai tudo para o "galheiro". Esta expressão é muito utilizada no meio rural. Quer dizer: "estraga-se tudo". São os tempos. Disse eu. Vai daí, o senhor António: Olhe, pois é,são os tempos e o que me diz a esta coisa de todos os dias assaltarem pessoas idosas e matar mulheres á facada! Oh senhor António. O que é que quer que lhe diga? Pois é senhor Fernando, o mundo está a ficar do avesso. Eu até tenho medo mais a minha Fernandita (é a mulher) de estar em casa á noite!Se esses estupores entram sem eu dar por ela? Eu tenho um pau ao lado da cama, mas se eles entrarem e eu agarrar no pau é pior... Olhe que levem tudo o que encontrarem de jeito, pois o que interessa é as nossas vidas. Isto, se eles nos deixarem vivos. A gente vê tanta coisa... Já viu ali a Srª Emília? Uma vizinha nossa que tinha sido assaltada á pouco tempo.Ela não estava em casa e como é que aquele malvado partiu o vidro da porta e entrou lá para dentro?Já viu? Ninguém está seguro. Lembra-se ainda , quando a gente saía de casa e deixava a chave na porta? Oh senhor António. Eram outros tempos... Agora? O pior é que ninguém parece ligar ao que se passa neste país e a justiça também não ajuda em nada e os nossos políticos também parecem estar pouco interessados...Temos que aguentar! Já agora, diz o senhor António: Vamos é ali dentro. Tenho ali umas "azeitonitas" boas para beber um copo. Então vamos lá! Disse eu. Claro que não foi só um copo nem só azeitonas, foi também presunto para acompanhar. No fim disse eu: Senhor António, vou-me embora senão a minha mulher dá-me com o rolo da massa! Vai ele logo muito depressa: as nossas mulheres são umas santas! Nunca fiar, nunca fiar. Disse eu...E vim para casa um pouco mais alegre.

Já agora, não levei com o rolo da massa...

   Para todos, quero desejar uma ótima semana que se aproxima com tudo de bom.
                 
                                                            SANTA

       


14 março 2018

MAIS UM AR DE GRAÇA NO BLOG...

Pois é. Mais um ar de graça no nosso blog. Parece que não existe mais ninguém a não ser o Santa, que evite o silêncio do mesmo. Não queria de maneira nenhuma que o nosso blog adormecesse num sono profundo, daqueles sonos de que já não se volte á vida! Tantos da 2415 que podiam colaborar. Não querem, paciência!
O nosso convívio está á porta. É já no dia 5 de Maio. Celebra-se os 50 anos da nossa partida para a guerra. Se ninguém colabora no nosso blog, pelo menos diga presente nesse dia. Venham. Tragam a família e amigos. É sempre bom estarmos todos presentes num momento como este. Além de matar saudades, será uma alegria bem grande de ainda estarmos vivos e lembrar aqueles nossos camaradas que já não estão connosco. Tu, da 2415, se leres este artigo, pensa bem e vem até Montemor o Velho dar um abraço aqueles que foram teus camaradas na guerra e têm vindo sempre aos nossos convívios. Será que uma vez por ano é assim tão difícil? Julgo que não. Faz um esforço. Vem. Esperamos todos por ti.

Agora, do nosso amigo Carlos Silva, passo a citar:

"OS MELHORES MOMENTOS SÃO OS QUE PASSAMOS COM OS NOSSOS AMIGOS/ AS MELHORES RECORDAÇÕES SÃO AS COISAS BOAS DO PASSADO/ OS BONS ENCONTROS JUNTAM AS PESSOAS E FAZEM BONS AMIGOS/ TODOS OS LOCAIS E AMBIENTES SÃO BONS SE ESTIVERMOS EM BOA COMPANHIA/ SE NÃO FOSSEM OS AMIGOS PARA QUE SERVIRIA A VIDA, O SOL, A NOITE E O DIA/ O VINHO AJUDA A PROMOVER A ALEGRIA, MAS A AMIZADE, O CONVÍVIO E A PARTILHA/ SÃO OS VALORES SEM OS QUAIS A HUMANIDADE NÃO EXISTIA. UM AMIGO PERDIDO TEM DE SER PROCURADO ATÉ SER RECUPERADO/ OS MELHORES AMIGOS TÊM SEMPRE ESSE CUIDADO"

É assim que este artigo procura fazer. É trazer os nossos camaradas afastados do nosso convívio até ao lado de cá! Que venham até aqueles que têm vontade de sentir a alegria em vos ver. Já agora lê com atenção:



   Espero que entendam! Tudo isto é o sentimento e a vontade para que estejamos todos os que ainda cá estão, porque os outros que já partiram estarão sempre na nossa memória.

                            Para todos um grande abraço e continuação de uma boa semana.

                                                                         SANTA

              


04 março 2018

1968-1969 C. CAV2415 50 ANOS DEPOIS. PARTE 3-4-5

Ora aqui estamos novamente para continuar a comemorar os 50 anos da partida da 2415 para o Norte de Moçambique com mais uns minutinhos de lembranças filmadas pelo nosso Alferes Magalhães. É sempre com uma nostalgia que nos invade a alma, que todos nós sentimos ao ver estas imagens. Elas trazem-nos á nossa memória situações difíceis de esquecer no tempo. Foram as aldeias e seus chefes, os seus habitantes e a sua maneira de ser e ainda os dialetos. Tudo isto, foi por si uma experiência única na vida de cada um de nós e também em certos aspectos desanuviar um pouco a mente de todos do espectro da Guerra. É pena, que o filme não seja mais completo sobre o tempo e as ações que desempenhamos por lá. Mesmo assim, é muito bom que tenhamos algumas memórias filmadas (mesmo poucas) para hoje podermos recordar com a família e principalmente com os nossos netos. É muito difícil para cada combatente, esquecer este passado. Hoje, vocês jovens, não fazem ideia o que foi a maldita guerra, sim maldita guerra, em Moçambique, Guiné e Angola. Os horrores que se passaram por aquelas paragens. Claro que podem perguntar: também se vêm algumas coisas que não diz respeito á guerra. Por exemplo:Um jogo de bola, uma batucada, um convívio mais ameno e divertido etc, etc, mas tudo com o sentido na guerra. Isto servia para distrair um pouco e não pensar em situações menos boas. Mesmo assim, como foi já contado no nosso blog, uma vez estávamos todos numa boa, e as morteiradas começaram a cair perto das nossas instalações, fazendo a gente ir todos a correr para os abrigos. Mas era assim. A guerra tinha de tudo um pouco, só que: mais guerra!
Sendo assim, vamos lá então começar a viagem... Como podem ver, a parte final já é o regresso do norte. era a despedida da guerra e já a preparar o regresso á Metrópole.



PARTE 3



PARTE 4



PARTE 5


Espero que tenham gostado.  Para todos com um grande abraço, SANTA.


25 fevereiro 2018

EM 23 DE JULHO DE 1968 COMEÇAVA ASSIM...


Em 23 de Julho de 1968, começava assim. Era a partida para a Guerra do Ultramar. Ao comemorarmos os cinquenta anos da nossa partida, vamos repor de uma forma mais contínua, isto é: com mais tempo de exposição visual o filme que foi feito pelo nosso Alferes Magalhães. Claro. A imagem não é a melhor mas atendendo ao tipo de máquina na altura, foi o que se pode arranjar. Ora então aqui vai. Vamos então recordar!

PARTE 1



PARTE 2


Para a próxima vai o resto!

Com um grande abraço e um resto de um ótimo domingo para todos me despeço.

SANTA


20 fevereiro 2018

ESTAMOS QUASE...!

Pois é. Estamos quase a fazer 50 anos que partimos do Cais da rocha Conde D'Óbidos . Com certeza que ainda nos lembramos todos do dia 23 de Julho de 1968. Na memória parece que foi ontem mas no tempo assim não é. São os tais 50 anos desde o dia da partida até hoje. Todos nós nos lembramos da formação da C. Cav.  2415 em Cavalaria 7. Quando de noite íamos ver as estrelas e ainda da famosa aplicação militar na mata de Monsanto. Já para não falar na semana de campo na Fonte da Telha! Aqui, quem também não se lembra das patrulhas que lá fizemos, das emboscadas e do treino de tiro que fizemos na praia com rebentamentos de "trotil". Tudo isto fizemos como fosse uma brincadeira de crianças! Julgo que nesta altura no nosso pensamento a guerra ainda estava um pouco distante. Quem não se lembra também do célebre 10 de Junho no Terreiro do Paço sob um sol abrasador? Depois, foram mais uns dias e então sim: a guerra começou a entrar mais no nosso pensamento e a angústia da despedida começava a corroer no nosso dia a dia. Eramos jovens, com o "sangue na guelra" como se costuma dizer. Mas esta situação, claro que não matava mas amolentava! Chegava o dia. Aquela multidão humana no cais,  com lenços acenar, com certeza ainda ninguém se esqueceu daquele cenário sinistro. Depois, foi o afastar do cais e os lenços brancos, quais "gaivotas brancas"saiam da nossa visão para dar lugar ás águas profundas do Oceano. Era nesta altura que começava  a viagem rumo a Moçambique para um terreno de guerra desconhecido para nós. O resultado da epopeia da 2415, já todos sabem: tivemos mortos e feridos e o resto com mazelas até aos dias de hoje.

É por tudo isto companheiros, que temos que estar presentes no próximo dia 5 de Maio no nosso almoço convívio de comemoração dos 50 anos da nossa partida. Posso ser considerado "chato"de estar a bater sempre na mesma "tecla", isto é: de vos estar á aborrecer para que estejam presentes. Mas isto deve-se á minha maneira de ser de gostar de cultivar amizades, e neste caso, estas amizades é com todos vós. Não foi uma viagem qualquer, foi uma viagem para uma guerra que nos era imposta e sem saber se havia volta  e de que maneira ela se ía efetuar e em que estado. Por isso companheiros, apelo mais uma vez á boa vontade de todos os que possam, dizerem: PRESENTE. Serve este dia também, para nos lembrar-mos dos nossos companheiros que nos deixaram e que ficaram na nossa saudade. O que nos resta agora, com a idade que temos, é saber viver estes momentos da nossa vida com aqueles que andaram com cada um de nós por aquelas picadas e por aqueles trilhos em patrulhas. Brevemente, vão seguir as cartas com os convites. Peço também, para quem tiver fotos que traga.

                                                                                                                                                               

O VALOR DA AMIZADE...
O VALOR DA AMIZADE/NINGUÉM O PODE QUANTIFICAR/ISSO ERA TER A VELEIDADE/DE AS ESTRELAS DO CÉU PODER CONTAR
              Carlos Silva

           Para todos, me despeço com um grande abraço, com a esperança que a malta da 2415
           em força, diga: SANTA, VOU ESTAR AÍ.


                                                                  SANTA

13 fevereiro 2018

A GUERRA AINDA INCOMODA...

Pois é. A guerra do ultramar parece que ainda é, uma espinha entalada na garganta de muitos. Fico com a impressão, que nós deficientes ou não, que andamos lá, fomos porque quisemos! Depois de tantos anos, é incompreensível  como ainda há pessoas que têm mau olhar para nós. Como é que certas pessoas de agora, que já não vêem os seus filhos e os seu netos irem para a guerra, têm esta maneira de pensar perante quem morreu nela ou dela veio deficiente? Isto tudo por mais uma situação que se passou comigo. A delegação de Coimbra da A.D.F.A., tem dois lugares de estacionamento para quem vai tratar de assuntos referentes á sua deficiência. Pois é raro o dia que não estejam ocupados por quem não tem direito, e em alguns casos o dia todo. Mas, é bom dizer, que a mesma falta de respeito se passa para os lugares para deficientes assinalados com a respetiva "cadeira de rodas". Ora chegando eu para estacionar num dos nosso lugares, qual não é o meu espanto que ao fazer marcha atrás, vejo um senhor a tentar estacionar primeiro que eu. Mas como eu continuava a fazer a respetiva marcha atrás, o senhor buzinou diversas vezes até ao ponto que nem eu nem ele podia estacionar. Calmamente, abri a porta e perguntei o que se passava. Respondeu ele: Não vê que quero estacionar... Respondi eu: Eu é que quero estacionar! Eu até julgava que ele fosse deficiente mas não era. Então, apontei para a placa, o que ele respondeu imediatamente, que a mesma não lhe dizia nada... Amavelmente, expliquei-lhe que aqueles 2 lugares eram destinados aos D.F.Armadas que necessitavam de ir á sua Delegação. Pois é. O Sr. todo irritado, disse para li tanta baboseira sobre os deficientes da guerra do Ultramar que eu nem tenho coragem de os transcrever aqui. Alguns, bastante ofensivos. Claro que ameacei com a polícia e a muito custo se foi embora a falar sozinho! Mas este não é caso único aqui neste estacionamento como também há situações com outras entidades. É pena que neste país, os deficientes das forças armadas sejam mal vistos, tendo muitas vezes atentado contra eles falta de respeito. Mas atenção, aqui entra também a mesma falta de respeito para com o deficiente civil. Aqui na nossa zona, é raro o estacionamento para deficientes, não estar ocupado por quem não tem direito. Aqui eu pergunto: Ora se a quem não tem direito a ocupar os lugares para deficientes, além da multa, são tirados pontos na carta de condução, porque não se faz cumprir? E se o deficiente estiver estacionado ao lado e não pôs a respectiva moedinha na "maquineta"? Como se diz em português:" chupa que é cana doce"! É multado! É por isso que eu digo: leishá muitas, fazê-las cumprir... é o diabo!
Sendo assim, vamos lá todos termos um pouco de civismo por quem é deficiente, ou militar ou civil, porque ao pensarmos que só aconteceu aos outros para quem olhamos com desdém, o mesmo não nos pode bater á porta mais depressa do que se julga. Aqui, vira-se o "feitiço contra o feiticeiro". Depois quero ver.
Estava agora aqui a lembrar-me de uma outra situação passada com um colega meu. Esta parece uma anedota, mas não é. Estava ele a chegar a um parque de estacionamento na zona da Portagem em Coimbra ( ele é amputado da perna esquerda e com problemas na esquerda), com a esposa para ir á Casa de Saúde, ao dirigir-se para o estacionamento para deficientes, estava a estacionar um casal a quem ele perguntou amavelmente se era deficiente. Ele disse que não. Então o meu colega disse: Eu sou deficiente de guerra, não tenho uma perna, tenho o direito de estacionar ai e  o senhor não. Agora não se riam por favor! Sabem qual a resposta do senhor? Ninguém o mandou ir pra guerra. Olhe, vou beber um café ali e espere que eu já volto! Palavras para quê?

Já somos poucos, mas ainda incomodamos  muita gente. "Temos pena"


   Por aqui me fico hoje, para não falar também na vergonha que se passa no estacionamento  nas grandes superfícies pois também ninguém respeita. Não vou dizer mais nada pois posso dizer mais alguma coisa que se pareça comigo...

Já agora, para quem gosta, um bom dia de carnaval!

             Um abraço com amizade para todos.
                              
                                        SANTA


07 fevereiro 2018

Cartas da Guerra


Fiquei de alma cheia como se costuma dizer! Sei que muitos não ligam "peva" ao assunto, ou fazem que não ligam, outros evitam recordar, falar ou debater o passado, invocando não terem paciência mental e emocional que a idade lhes foi tirando. Só tenho é de respeitar mas ainda bem que não perfilho nenhuma dessas teorias. E, acho eu, também, que a maioria está do lado contrário, daqueles a quem o passado não incomoda, e ainda bem que assim é.
Isto a propósito do filme "Cartas da Guerra" que a RTP passou ao serão num destes últimos fins de semana. E, como digo, encheu-me a alma de emoções, pois aquelas cenas ficcionadas e passadas com outros militares, posso dizer, com toda a propriedade, que a CCav.2415 também lá cabia inteirinha.
As cartas e os aerogramas carregados de juras de amor eterno que voavam semanalmente dum lado para o outro e, após chegados à metrópole, logo eram atados com fitinhas cor-de-rosa.
Quem as não tem? Ou nunca as teve? Acho que ninguém, só que hoje estão cheios de pó e amarelecidos dentro de um qualquer baú ou sótão ou até já destruídos, quem sabe?!
Este filme entrou no circuito no verão de 2016 e nunca tive oportunidade de o ver, felizmente, agora, entrou-me casa adentro. É baseado em escritos (cartas) que o famoso António Lobo Antunes, na altura alferes-médico num batalhão em Angola, escrevia à sua jovem esposa deixada em Lisboa.
Para os que já viram ou ainda irão ver deixo aqui, entre as muitas cenas "gagas" do filme, aquela do major a perguntar ao "impedido" quando é que o rancho ia mudar para qualquer coisa mais comestível, pois estava farto de lhe servirem ao almoço e ao jantar sempre a mesma coisa: arroz com salsichas ou atum com arroz, e já não aguentava mais!
Fiquei muito admirado pois não sabia que os majores, mesmo dentro dos batalhões no "mato", estavam sujeitos àqueles suplícios. Será? Tenho sérias duvidas!
Enfim, afinal o que importa, seja um filme ou um livro a conclusão é sempre a mesma, vale bem a pena conseguir algum tempo para olhar o passado.
 

06 fevereiro 2018

À BEIRA DO MAR...

À BEIRA DO MAR é mais um poema de Carlos Silva...
  
À beira do mar
Num silêncio profundo
Como quem quer afogar
As mágoas todas deste mundo

Ao longe uma voz
Cantando dizia
O que seria de nós
Se a noite cobrisse o dia

A ausência forçada
São penas d'uma ilusão
É como a espada afiada
Atravessando o coração

À vida punha fim
Se visse aí solução
Desejava mal a mim
De DEus não tinha perdão

As estrelas juntinhas
Como peixes em cardume
Não descobrem mesinhas
Que me matem o ciúme

Se eu pudesse esquecê-la
Como esqueço a má acção
Não chorava só de vê-la
junto a ele de mão na mão

De ternura e de amor
Fiz a mais bela pintura
Aos seus olhos fui à cor
À sua boca formosura

Se não fosse o mau perder
Meu orgulho enterrava
Não se me dava morrer
Sabendo que ela me chorava

                                                CARLOS SILVA



A gripe voltou
P'ra cama vou voltar
A outra já passou
Esta tenho de aguentar

Ela de mim não toma posse
Chega de nariz entupido
E de noite tanta tosse
Ela não brinca omigo
                                               
É que é mesmo assim
A gripe não me quer deixar
Mas ai dela e não de mim
Tenha ela a certeza que a vou despachar!


          Não tenho mesmo jeito para a poesia...! Até breve com um grande abraço.

                                                       SANTA

01 fevereiro 2018

DE CARLOS SILVA...

De Carlos Silva, "ENTRE A VIDA E A MORTE"

Entre a vida e a morte
Vai uma curta distância
Não há foice que corte
Recordações de infância

Quando se é pequenino
Tudo é felicidade
Mais meigo, mais traquino
Tudo se faz sem maldade

O homem só não é perfeito
Porque a mentira ele inventou
À condenação ficou sujeito
E dela nunca mais se livrou

É tão perto da morte á vida
E tão longe da terra ao céu
Que a sentença seja comedida
De clemência precisa o réu

Isto é apenas um retrato
De passos dados vida além
Pois cada um veste o fato
Á medida do corpo que tem

As coisas aqui retratadas
São comuns a toda a gente
Tornam-se águas passadas
Se o coração não as sente

As escolas e os mestres
Que ninguém os menospreze
Desde os tempos rupestres
Que o homem o saber lá bebe

Quem universidades não frequentou
E nunca passou pelas prisões
Contenta-se com oque a vida lhe ensinou
Não é por isso que não é digno de Camões

Entre a vida e a morte
Há um caudal a transbordar
Ou é do destino ou da sorte
Ou das margens que o vão apertar

O coração sente e cala
Com a alma é solidário
A língua lhe dá fala
Aos ombros cruz ao calvário

Não dei p'lo tempo passar
Ai de mim que o desperdicei
 Contas dele hei-de dar
E eu que nisso nunca pensei

A vida é água da bica a correr
É pena leve que com o vento voa
A vida é nuvem a passar sem se ver
É badalada do sino que ao longe soa 

"Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós"

                                             Do nosso camarada e amigo, CARLOS SILVA.

   Para todos com um abraço.
                                                           SANTA