terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

ESTAMOS QUASE...!

Pois é. Estamos quase a fazer 50 anos que partimos do Cais da rocha Conde D'Óbidos . Com certeza que ainda nos lembramos todos do dia 23 de Julho de 1968. Na memória parece que foi ontem mas no tempo assim não é. São os tais 50 anos desde o dia da partida até hoje. Todos nós nos lembramos da formação da C. Cav.  2415 em Cavalaria 7. Quando de noite íamos ver as estrelas e ainda da famosa aplicação militar na mata de Monsanto. Já para não falar na semana de campo na Fonte da Telha! Aqui, quem também não se lembra das patrulhas que lá fizemos, das emboscadas e do treino de tiro que fizemos na praia com rebentamentos de "trotil". Tudo isto fizemos como fosse uma brincadeira de crianças! Julgo que nesta altura no nosso pensamento a guerra ainda estava um pouco distante. Quem não se lembra também do célebre 10 de Junho no Terreiro do Paço sob um sol abrasador? Depois, foram mais uns dias e então sim: a guerra começou a entrar mais no nosso pensamento e a angústia da despedida começava a corroer no nosso dia a dia. Eramos jovens, com o "sangue na guelra" como se costuma dizer. Mas esta situação, claro que não matava mas amolentava! Chegava o dia. Aquela multidão humana no cais,  com lenços acenar, com certeza ainda ninguém se esqueceu daquele cenário sinistro. Depois, foi o afastar do cais e os lenços brancos, quais "gaivotas brancas"saiam da nossa visão para dar lugar ás águas profundas do Oceano. Era nesta altura que começava  a viagem rumo a Moçambique para um terreno de guerra desconhecido para nós. O resultado da epopeia da 2415, já todos sabem: tivemos mortos e feridos e o resto com mazelas até aos dias de hoje.

É por tudo isto companheiros, que temos que estar presentes no próximo dia 5 de Maio no nosso almoço convívio de comemoração dos 50 anos da nossa partida. Posso ser considerado "chato"de estar a bater sempre na mesma "tecla", isto é: de vos estar á aborrecer para que estejam presentes. Mas isto deve-se á minha maneira de ser de gostar de cultivar amizades, e neste caso, estas amizades é com todos vós. Não foi uma viagem qualquer, foi uma viagem para uma guerra que nos era imposta e sem saber se havia volta  e de que maneira ela se ía efetuar e em que estado. Por isso companheiros, apelo mais uma vez á boa vontade de todos os que possam, dizerem: PRESENTE. Serve este dia também, para nos lembrar-mos dos nossos companheiros que nos deixaram e que ficaram na nossa saudade. O que nos resta agora, com a idade que temos, é saber viver estes momentos da nossa vida com aqueles que andaram com cada um de nós por aquelas picadas e por aqueles trilhos em patrulhas. Brevemente, vão seguir as cartas com os convites. Peço também, para quem tiver fotos que traga.

                                                                                                                                                               

O VALOR DA AMIZADE...
O VALOR DA AMIZADE/NINGUÉM O PODE QUANTIFICAR/ISSO ERA TER A VELEIDADE/DE AS ESTRELAS DO CÉU PODER CONTAR
              Carlos Silva

           Para todos, me despeço com um grande abraço, com a esperança que a malta da 2415
           em força, diga: SANTA, VOU ESTAR AÍ.


                                                                  SANTA

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