domingo, 8 de novembro de 2009

A CANTINA DO BELO (Episódio 2)

PALÁCIO DO GOVERNO EM LIONE

O dia chuvoso de hoje leva-me a estar em cima do "blog" e, consequentemente, mais uma ida ao passado e às lembranças.
A propósito da referência do amigo Paulo à Cantina do Belo (estrada do Caracol), lembro-me da minha primeira "aventura" à séria, precisamente uma ida ao Catur e que é assim:
Após a chegada a Lione, poucos dias depois o nosso Capitão enviou  ao nosso Batalhão no Catur algum pessoal  numa "berliet", fazendo eu parte da comitiva. A minha missão era algo "dificil", tipo 007, pois levava, numa pasta preta  bem encostada ao peito, documentos "top secret" para a troca.
A minha cabeça fervilhava ao lembrar todas aquelas "patranhas" com que nos amedrontavam na Trafaria: "Códigos desaparecidos é guerra perdida"!! E, por isso, não deixava de pensar na eventualidade dum confronto com os "turras"  e  estes levarem-me a mim e aos  secretissimos códigos!! 
Para defesa pessoal foi-me distribuída uma FBP (um dia contarei como o cano se dilatou) que mal sabia manejar!
Ao abrigo de sermos "checas", e porque ainda se encontravam a dar as últimas em Lione,  a fim de nos darem protecção, a anterior Companhia  decidiu enviar alguns, muito poucos, "velhinhos" numa viatura mais ligeira, que agora não me lembro qual. Talvez  "unimog"?
E lá fomos nós enfrentar a picada. Os nossos paizinhos "rambos" até à zona do Caracol ainda tiveram a paciência q.b. em nos acompanhar naquela velocidade de caracoleta imposta por quem ainda era "medroso".  Mas, a partir daí piraram-se e deixámos de os ter na mira.
Eis, senão quando, os nossos ouvidos apuradíssimos, apesar do roncar da "berliet" ouvem um tiro e, ainda por cima, com aquela enorme experiencia de quem já tinha 3 ou 4 dias de guerra, alguém entendeu que o estampido escutado por nós todos,  não era nada parecido ao da companheira G3, mais se assemelhando ao da  inimiga "kalashnikov".  Isto é que era experiência, digo eu, agora!!
Meus senhores, aconteceu o pânico. A "berliet" foi direitinha afocinhar na berma da picada. A debandada foi geral, o pessoal espalhou-se, ainda vi alguns a correr (qual rastejar?) por entre o primeiro arvoredo ali mais à mão! E quanto a mim? Perguntam os meus amigos.  Pois é, o "meducho" levou-me a saltar da viatura e esconder-me no pior sítio, precisamente debaixo da viatura, atrás dum pneu, julgando que era o melhor que tinha por perto.
Foi "fogachada" até dizer mais não! Se, por acaso, houvesse inimigos à vista, tinhamos lhes pegado um "cagaço" do caraças!
Entretanto, passado pouco tempo, surgem os "rambos protectores" que a alta velocidade fizeram meia volta, assim que começaram a ouvir, lá ao longe,  tanta guerra duma vez só! E, espantados e curiosos ainda nos encontraram bem "acachapados" no terreno à espera vá-se lá saber de quê!
Eu, ainda bem entrincheirado com o pneu e sem largar o "tesouro" e com a FBP bem agarrada mas que não serviu para coisa alguma!
Lembro-me de me chamarem a atenção de nunca por nunca, em casos idênticos, me esconder debaixo ou próximo duma viatura  pois, normalmente,  o inimigo tinha tendência de mandar "morteirada" ou qualquer coisa pesada contra as ditas. 
Sabem, afinal, a proveniência daquele tiro que originou aquela guerra?  Foi alguém dos "velhinhos" que na viatura mais à frente se lembrou de puxar da "Walter", à cintura, e disparar para o ar demonstrando, assim, a satisfação do regresso à "peluda" e à metrópole.
Foi o meu baptismo e a minha primeira lição de guerra mas a sério.   Na Trafaria ensinavam outras guerras que não aquelas!!
      

2 comentários:

  1. Quem diria que um "Operador Cripto" tinha destas histórias para contar?!
    Parabéns pela magnífica crónica! Quem não vem ao blog não sabe o que está a perder ...
    Obrigado, e continue, amigo Castro!

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  2. A história do "homem da mala preta" está porreira, como se diz na gíria. E o portador estava pronto a defender com unhas e dentes o seu conteúdo, ou quase, pois tinha uma FBP que quando o comutador de tiro estava em segurança, dava rajadas e quando a patilha estava orientada para fogo, ficava em silêncio. Excepçôes:-dava sempre rajadas quando caía para o chão ou quando a Berliet dava saltos nos buracos da picada. Gostei de rever o nosso aquartelamento (deste ângulo), pois colaborei no fabrico dos "portões" de entrada. Um abraço. Bem haja pela visão.

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