sexta-feira, 13 de novembro de 2009

AINDA ME LEMBRO (2)

(Por  F.Santa)
 
      Há coisas que o tempo não apaga. Voltando atrás no nosso tempo de guerra, ainda me lembro do cachorrinho quente dentro do pão e da Ucal morna logo de manhã na cantina de Cav.7, que ficava logo ao pé das escadas que davam acesso à parada de instrução. Ainda me lembro das célebres instruções nocturnas ao pé do Moinho de Vento no alto da Ajuda, e da aplicação militar na mata do Monsanto. Aqui foi-me prometida uma despromoção pelo simples motivo de haver muita lama e eu saltar por cima de alguns exercícios, apareceu um senhor de “galões” que me disse: Se volta acontecer o que eu vi é despromovido e atenção, hoje estou bem disposto. Fará se não estivesse! Lembro-me ainda daquela estadia na Serra da Carregueira, onde demos fogo com quase todas as armas, da pequena viagem de Helicóptero, saltando das alturas para o chão. Como éramos felizes! Dos fins-de-semana de serviço sem poder ir a casa e os que podiam, esses trocavam com outros a troco de umas cervejas. Aquele passeio pedestre desde a Costa da Caparica até à Fonte da Telha, as patrulhas pela mata onde as Codornizes saltavam à nossa frente, das emboscadas nocturnas, numa delas estivemos toda a noite emboscados à espera dos “turras” (soldados de C.7 preparados para o efeito) mas nunca apareceram, enganaram-se no percurso, e ainda do treino de fogo com a G3 e os rebentamentos que fizemos com “trotil” na praia da F. da Telha. Quem se lembra da tasca que ficava do lado esquerdo da porta de armas? Lembram-se da miúda que lá estava que era mais feia que uma bota da tropa? E da Leitaria que ficava logo de frente? Aqui sim, a miúda era loira e linda! Foi aqui nesta Leitaria na mesa do fundo onde nasceu, de entre três que fiz, o emblema da nossa companhia. Era aqui onde alguns trocavam a farda pela roupa civil.
    Assim lembrei mais alguns episódios do nosso passado de guerra. Daqui, se alguém se lembrar mais ao pormenor de algum destes episódios pode e deve descrevê-los.

                                                                                     
                F. SANTA


 (Imagem de Google Maps)
Ainda está igual !!! ("clique" para ver melhor...)
 (Creio que agora é ocupado pelo C.I. da PSP)  (Nota de M.Soares)

 

2 comentários:

  1. Caro Santa, Espero que a "tasqueira" mais parecida com uma bota da tropa não seja o "monumento" da foto que vai a passar em frente à porta de armas!!
    Realmente não participei nas "aventuras" que tão bem descreves. Caí em C7 de pára-quedas, com a cabeça cheia de hieroglifos e, por isso mesmo, mais preparo mental do que físico! Foi chegar e "adeus até ao meu regresso"!
    Mas o que me trás aqui é outra coisa. Essa sim é que me deixou "basbaque": O parto "fácil" do emblema da 2415. Juro, que não sabia quem o tinha gerado e dado à luz!
    Santa és um génio de imaginação, um "designer" de mão cheia que qualquer empresa da especialidade, nos tempos de hoje, não desdenharia.
    Sinceramente digo que, de todos aqueles que conheço e que vou apreciando, considero o nosso de um estilo diferente, estilizado,
    harmonioso algo nobre até.
    Muitos parabéns, apesar do atrazo de 40 anos!
    Se houver alguém que discorde, faça o favor de olhar de novo.
    Pelo excelente trabalho que fizeste, em nome da CCAV2415, és condecorado com a ordem de mérito! (Peço desculpa ao nosso Comandante por não lhe ter dado conhecimento prévio)!
    E a terminar, aproveito e puxo a sardinha para a minha brasa dizendo: Apesar da dificuldade, eu e o Moreira também fizemos o nosso melhor, sem nunca termos sido escultores!

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  2. Com que então estavas a olhar para a loira enquanto desenhavas o emblema?!... Por isso é que saíu bonito e com base aloirada. Não estiques muito a corda, pois a tua cara metade ainda te dá com uma bota da tropa ou com o rolo da massa. Os nossos "pedreiros" também podem estar orgulhosos da sua obra, pois requereu muita paciência e dedicação. O voluntário é aquele que dá o corpo e usa a cabeça a mando do coração.

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