23 abril 2010

AEROPORTO DE VILA CABRAL

Por: F.Santa

Torre de Control

Quem se Lembra? Quantas cervejas se beberam aqui! E quantos pires de marisco aqui foram à vida! Estas eram as pequenas coisas que salteavam entre a guerra! Daqui partiam também os T6 com bombas de “Napalm”  para bombardear a “ Serra Gersei”. Se me recordo, alguém da nossa companhia foi convidado para fazer um voo de reconhecimento nestes famosos T6. Alguém sabe desta história? Concretizou-se?
  Quem se lembra também do Restaurante Coelho onde se comia o saboroso frango de churrasco? O que nos podia acontecer de melhor depois de papar algumas rações de combate? Não havia frango que resistisse! E do Planalto? Que ricas cervejas aí se beberam quando chegávamos com a coluna de Lione! Eram estes alguns sabores que nos ajudavam a ultrapassar o trauma da guerra e que ainda hoje estão gravados na nossa memória. A partir daqui, era quase certo que entrávamos na banca rota, e depois em Lione era o “Asinha” que pagava as favas na cantina, era só escrever no livro dos “calotes”. Mas era uma alegria!!!!
 Quem souber alguma história que se enquadre nestes assuntos, avance.
                        
  Já agora para aguçar o apetite dos camaradas da 2415 que participam na “Patrulha” no dia 1 de Maio, aqui vai o que consta na ração de combate que é reforçada devido á duração da mesma e do seu grau de dificuldade!!!!

Aperitivos:  

Rissóis do Mar  
Coxinhas de Galinha 
Bolos de Bacalhau
Croquetes á Inglesa
Yorkitos
Chamussas 


Bebidas:
Águas Minerais 
Sumo de Laranja
Moscatel 
Vinho Branco

 Quentes Servidos:

 Sopa ----- Aveludado de Cenoura
 Peixe----Arroz de Tamboril c/ Gambas
 Carne----Lombo de Porco c/ Linguiça
 Batata e Sinfonia de Legumes


Sobremesa:

Doce
ou
 Fruta Natural


 Bebidas:

Águas Minerais 
Sumos
 Vinho Branco Maduro
 Vinho Tinto Maduro
 Vinho Verde
Cerveja

Café

 À chegada da “ Patrulha”, haverá o tradicional bolo de aniversário que será regado, como já bem sendo habitual, com o respectivo “Espumante”!!
Espero que a “Patrulha” decorra sem acidentes e que todos fiquem contentes pelo dever cumprido!
                                         Para todos um abraço do Ex. Furriel Santa



21 abril 2010

ALMOÇO ANUAL DA CCAVª. 2415

    O nosso Amigo Vivaldo, mandou-me este texto e pediu-me para o colocar no nosso site. Faço votos para que desperte alguns de nós e não faltem à nossa confraternização anual!     
                              
  Amigo
Estou bastante aborrecido por saber que não queres ir conviver conosco a Coimbra.
A Auto-Estrada é muito boa e a antiga estrada está também em boas condições.
Será que já não te lembras da nossa camaradagem?
Nós é que lá passamos maus bocados e não estes que nunca souberam o que era a
tropa.
Tenho saudades tuas, apareçe, faz um esforço, vem sozinho e não tragas a familia pois fica mais
barato.
Temos um camarada que esta organizando o convivio. liga-lhe e diz-lhe alguma coisa, pois
organizar tem encargos e compromissos.
Não te esqueças, pois é chato haver alguem a ligar-te individualmente para saber se vais.
Um abraço do Vivaldo

INSCREVA-SE JÁ !!!


Tlm  939440799

Fernando Geraldo Marques Santa

R. 25 de Abril, 344
S. Martinho do Bispo
 3045-163 COIMBRA

20 abril 2010

Missão de MASSANGULO

Por: F. Santa

Quem da C. 2415, se lembra, pela pior das razões, da missão de Massangulo?
Pois é. Foi aqui que se realizaram os funerais do Furriel Santos e do Sargento Carvalhito de saudosa memória.
  Amigo Soares. Já  que aprecia a poesia do nosso camarada Capitão Calvinho, aqui vai mais uma, agora que se aproxima o 25 de Abril. É dedicada aos camaradas deficientes:


  Tu és um grito poema 
saltando de uma garganta
      garganta escrava que foi
      garganta liberta que é!
      Tu foste o motivo que causou.
      Tu foste a causa que motivou
      A libertação que eu poema
      sinto e sou!
      Tu companheiro
      foste o mal necessário
      sem qual
      não teriam despertado
      os capitães de Abril!
      Sem ti Companheiro mutilado
      muitos…..mas muitos soldados
      seriam sacrificados
      nestes dois anos de Abril!
       Eu sou um poema inteiro
      não mutilado
      porque sou feito de ti
      do sinistrado
      da viúva, do órfão
      e trabalhador
    explorado!
---Tu és um símbolo:
    não de fascista,
    nem de explorador!
    Tu tens toda a raiva que eu tenho
    de ofendido, oprimido,
    colonizado!
    Eu sou um poema sentido
    porque sou feito de ti!
     Tu foste peça
    d’armamento
    e como instrumento
     matámos!
     Mas quando matámos
     e vimos correr o sangue vermelho
     dum Povo negro
     Acordámos!
     E quando acordámos.
     Não vimos só que as gaivotas eram livres!

----Renascemos

      E ao renascer
      despertámos muitas gentes
      surdas e endurecidas!
---Tu camarada
       deste-me a mim, poema
       a cor do sangue
       que rasgou a alma dum soldado!
---E eu poema,
       feito de ti,
       não minto quando digo
       que, não foras tu;
       se não tivesse em mim
       as tuas carnes decepadas
       Abril:
   teria sido só Abril
com trinta escravas madrugadas!                                                            
                                                
                                                           CAPITÃO CALVINHO
QUE TAL?                                                                    
EX. Furriel Santa.





19 abril 2010

ATENÇÃO!!!


O prazo para inscrição para o

CONVÍVIO 2O1O

está a terminar!


o VAGO-MESTRE desta vez é o SANTA e informa que quem se atrasar será abonado de ração de combate ! 


Aqui está uma panorâmica do local da nossa reunião
 no próximo 1º de Maio, no OBSERVATÓRIO,
em Santa Clara - Coimbra:

E SE NÓS QUE VISITAMOS O BLOG ALERTÁSSEMOS (nestes 2 dias)
 AO MENOS UM COMPANHEIRO PARA SE "ALISTAR" ?
 TODOS FAZEMOS FALTA !!!
Tlm  939440799 (Santa)




14 abril 2010

POBRE ELEFANTE!





Quem se lembra desta história? Tudo isto se passou a caminho de Chala. Lembro-me vagamente (embora estivesse lá como a foto documenta), que tudo isto teve origem numa luta entre eles (Elefantes). Quem está com o machado na mão e o outro camarada que está atrás de mim, não sei quem é. Quem está de costas é o nosso camarada de saudosa memória (Joaquim Maluco) que infelizmente já não está no meio de nós. Era este o nome com que foi baptizado na companhia por ser um condutor destemido, a picada para ele era como se fosse uma auto-estrada! Também não sei qual foi o caminho que os dentes levaram, o que eu sei é que o ambiente não era nada bem cheiroso!


Quem souber mais alguma coisa, pode contar.



Estamos no dia 13 de Maio. Faltam três dias para acabar as inscrições para o almoço da nossa companhia, e o Santa encontra-se neste momento preocupado pela baixa adesão ao mesmo. Sinto-me um pouco triste ao constatar que muitos camaradas que têm sido assíduos aos convívios anteriores, desta vez não dão acordo de si, nem para dizer não posso ir. Excepto três camaradas. Não sei o que se passa! Será o PEC? Tenho a impressão que não. Coimbra que fica tão perto da maioria da malta! No ano passado foi no Algarve esteve tanta malta, e porquê agora tão poucos! Aceitei de boa vontade fazer este convívio para ter o prazer de estarmos todos juntos, estou decepcionado!!! Pergunto mais uma vez: O que se passa? Para quem está ainda indeciso pode inscrever-se até ao dia 21, consegui mais uns dias. Vamos lá camaradas. Surpreendam-me! Paulo, Morgado, Miranda, Braga, Magalhães etc. etc. etc. Já o nosso Site está cada vez mais pobre, dá-me a impressão que está a “secar”, pela parte que me toca quero ver se isso não acontece.

Cá fico à espera. Para todos um abraço do Santa.




 Para que ninguém se perca, aqui vai a última parte do percurso, a partir do "Portugal dos Pequenitos" até ao "Observatório" (conforme sugerido no croquis do Santa). Clique para ampliar... e 

INSCREVA-SE JÁ !!!


Tlm  939440799

Fernando Geraldo Marques Santa

R. 25 de Abril, 344
S. Martinho do Bispo
 3045-163 COIMBRA





09 abril 2010

“FARINHA NA PICADA”

Por: F. Santa

Sobre a nossa estadia em Moçambique, muita coisa haveria para escrever se todos tivessem um pouco de vontade de participar no nosso “Site” e por palavras simples contar as peripécias que lá se viveram, pois só para dois ou três torna-se difícil mantê-lo activo.

Estou agora a lembrar-me de um episódio que se passou na picada entre Lione e Chala, que bem se podia dar o título: "De Negros passaram a Brancos”. Íamos fazer uma coluna entre estas duas localidades, tendo já nesta altura a Berliett completamente cheia com víveres e nós, veio alguém dizer que era preciso levar para Chala quatro sacos de farinha, mas os mesmos já não cabiam na Berliett. Foi então que o “Joaquim maluco” (de saudosa memória) teve uma ideia genial! Atrelar á Berliett um atrelado que pertencia a um jipe, para transportar os ditos sacos de farinha. Assim se fez. Depois de tudo concluído e para completar a carga, foram empoleirados em cima dos sacos de farinha quatro habitantes da aldeia do Langa que queriam ir para Chala. Depois de algum tempo de viagem a uma velocidade à Chico Maluco, deu-se o inesperado. Havia um grande buraco no meio da picada. Como a Berliett era mais larga de rodados, o buraco não causou qualquer efeito, já o mesmo não se passou com o atrelado do jipe, pois a largura entre rodados era mais estreita. O que se passou? É que o atrelado acertou em cheio no buraco dando uma cambalhota espalhando farinha para tudo quanto era lado! O resultado foi hilariante. Os Negros  ficaram brancos. Depois de sabermos que nenhum deles se tinha aleijado, foi a risada geral perante tal episódio! Depois de tudo recomposto, iniciamos viagem sem outros contratempos. Chegados a Chala, este assunto foi conversa durante algum tempo para gáudio de todos.

      Camaradas. O dia 1 de Maio está a chegar. Não me desapontem. Espero por vocês embora reconheça as dificuldades que hoje existem. É mais um sacrifício, mas desta vez é daqueles que vale a pena, não me desapontem! Já fomos audaciosos, que o sejamos agora também!

 

                        Cá fico à vossa espera!
                        Um abraço para todos do Santa.
                     

02 abril 2010

SAUDADES DA BEIRA - 3

Relativamente ao texto que escrevi,  intitulado "SAUDADES DA BEIRA - 2", acho que ficou a faltar uma comparação "ao vivo" entre a antiga cidade e a actual que mostrasse à evidência tão enormes diferenças.
Acho que agora, encontrada a prova "provada", aqui deixo o vídeo que mostra, tão claramente, como aquela cidade foi tão bela.
Vale a pena olhar, pois muitos de nós irão suspirar de saudade como a mim me aconteceu.


 AA Castro






01 abril 2010

A VIAGEM

Por: F. Santa


Depois da curta viagem de Cavalaria 7 para o cais da Rocha, iniciava-se aqui (fotos) uma outra e grande viagem: Lisboa - Nacala. Nesta altura, só tínhamos o oceano como pano de fundo. Começavam-se aqui a revelar as nossas incertezas quanto ao nosso futuro!

Mais um poema do nosso camarada Capitão CALVINHO:





Que luxo
Viajar num camarote de primeira!
Que chique
jantar, num salão de primeira,
manjares de primeira!
Que pinta
ter conjunto privativo
com  piano, violino e tudo!
Que relaxante
ter um bar flutuante
onde, em fofos sofás
e com ar condicionado,
via jogar ao king, ao bridge
e ao poker!
Que fino
passar tardes tropicais
em privativa piscina
tomando banhos  de mar cativo!.. 
…Não longe
no mesmo barco:
Que merda
mais de dois mil soldados
escravos novos enjaulados
e com grilhetas na alma! 
Que tédio centenas de homens suados
dormitam nos porões
ao som da canção
metálica das máquinas! 
Que vida insuportável
aquela vida de rato
   que não levei
mas sentia!... 
Ali:
jogava-se a vermelhinha,
a sueca, o chincalhão
a bisca lambida;
a bisca de nove era só para aqueles
que tinham a 4ª classe. 
De vez em quando
a  lerpa originava cenas de porrada:
e lá ia o oficial ao barco 
armado em Vasco da Gama
meter-se na vida e costumes do Povo!


Um abraço para todos do SANTA.


.

28 março 2010

Bolas

 Jornal  BOLA .............   


Metendo as mãos, uma vez mais, no baú das recordações, desta vez tirei de lá esta curiosa foto datada de Set.1968, mostrando o vosso amigo, à porta do edificio em Lione que englobava as Transmissões o Departamento dos Assuntos Top Secret e ainda os respectivos Lavabos, lendo o jornal A BOLA, desde sempre conhecido como a "biblia".
Lembro-me da avidez com que lia os vários exemplares após a sua recepção, mesmo atrazados várias semanas. Vinham junto com os habituais "mimos" que meus pais e irmã enviavam em pequenas encomendas através do MNF (Movimento Nacional Feminino) dirigido, se bem me lembro, pela sua principal figura de enorme benemerência do regime, Exma Sra. Dona Supico Pinto! Coitada, que descanse em paz! Há ainda a dizer que, contas feitas após a chegada a casa concluímos que, em cada três encomendas despachadas, só duas me chegaram às mãos. Nada mau, em tempos de guerra! Aconselho até que os CTT ponham os olhos em tamanha eficiência e seriedade!
Bom, mas o jornal era lido vezes sem conta e de seguida passava pela mão de todos os amantes do futebol que, assim, matavam as saudades dos seus clubes.  Era, a bem dizer, mais um elo que nos ligava a casa de onde tinhamos saído sem perceber bem a razão.
Se é que ainda vou a tempo, à  A BOLA agradeço todos os bons momentos que sempre me proporcionou e que tão bem nos faziam, lá tão longe.


e a bola para jogar


Para nós a bola não tinha segredos e sempre recusámos  ser desportistas de bancada. Antes pelo contrário, vê-se bem como éramos exímeos atletas e, além do mais, eclécticos, pois praticávamos qualquer modalidade. Por exemplo, a foto mostra-nos a praticar andebol.
Olhando bem, mais parece um andebol "soft"  algo parecido com "ballet", sem agressividade,  pois esta era toda descarregada nas emboscadas, nas operações e no Snack-Bar do Azinha!  Repare-se nos "gestos" e nos "passes" (mesmo sem ser em pontas) do Cuba, do Vale, do Mil e Um, do Moreira e aqui do vosso amigo de costas!!


Mas, claro, o desporto-rei imperava. Aqui está mais uma prova em como a dedicação era total. Além do campeonato "interno" em que os pelotões jogavam entre eles  repetidas vezes, quando em vez, recebiamos a visita de uma ou outra companhia das proximidades de Lione (se bem me lembro isso aconteceu por três vezes).  
Nesta foto vê-se no celebérrimo Estádio de Lione a "Equipa de Todos Nós" (os melhores de todos os pelotões. Quem era o selecionador?) devidamente perfilados no relvado antes do incio do jogo contra, se bem me lembro, a equipa duma Companhia do Catur. Alguém  confirma e já agora o resultado? 
Á Briosa equipa presto-lhes homenagem, por terem sido sempre uns "gajos porreiros": Rações, Lisboa, Sintra, Cabrita, Vale, Mil e Um,  Marecos......  
Que me perdoem todos os outros mas já não consigo lembrar os seus nomes. 
Mas há também uma curiosidade, esta foto prova que este jogo foi antes da emboscada do Caracol, pois o 8º "player" a contar do nosso "keeper" ainda jogava futebol que se fartava!
Acreditem que tenho saudades vossas. 
Para todos um abraço e até sempre.  


25 março 2010

Por: F. Santa   



        Mais uma data festiva que o nosso calendário nos dá. Desta vez a Páscoa. Sendo assim, desejo a todos os camaradas da 2415 uma feliz e Santa Páscoa, acima de tudo com amor e felicidade em todo o seio familiar, bem como a todos os outros camaradas em geral. Este meu desejo também é extensivo aos familiares dos nossos camaradas que já partiram. Que as amêndoas vos adocem mais a vossa vida! 
          Este é o desejo do vosso camarada SANTA.                               

Não se esqueçam do nosso convívio! Não deixem para último as vossas inscrições. Elas terminam a 16 de Abril!!! Quanto ao site, já estou cansado de dizer á malta para participar. Quando não há vontade, paciência! Pelo menos compareçam no nosso convívio. É uma prova de que, pelo menos, ainda existe um pouco de camaradagem e amizade entre nós. Não me deixem ficar desiludido.


                                                                                                                                        
                                                                                                                                                                                                                     


19 março 2010

DIVAGANDO

Por: F. Santa    

   Aproveitando estes dias chuvosos, tiro um pouco de tempo para divagar.
Tenho ao longo do tempo falado com outros camaradas de guerra, e as queixas são sempre as mesmas: As dificuldades da vida do dia a dia e a saúde. Todos nós herdamos da guerra tudo o que poderia ser de pior, poucas coisas herdamos que ainda hoje possamos recordar com alegria, e de tudo o que nos aconteceu na guerra não podemos esquecer aquela famosa injecção (dose de cavalo) que levamos no pescoço e que nos deixou marcas para toda a vida. Era a lama e a chuva que o nosso corpo enxugava, era a alimentação e ainda a água que nos fez tanto mal, eram as noites mal dormidas e ainda a angústia que transportava-mos resultante do afastamento da família e o trauma que nos causava a própria guerra.
   Camaradas. A nossa velhice não vai ser fácil, para ela ser um pouco melhor temos que enveredar pelo caminho certo, isto é: Viver cada dia com alegria, boa disposição e pensamentos positivos com uma meta para alcançar que é morrermos velhinhos!!! Nem sequer podemos pensar nas (esmolas) reformas que nos dão ou nos vão dar, essas são para esquecer, pois os nossos governantes, e não só, é que têm direito a elas, nós que fomos defender a Pátria com o nosso sangue, simplesmente somos ignorados. Eu tento viver o dia a dia com as maiores das alegrias e sempre que posso dou o meu passeio e de preferência junto ao mar. A Natureza ajuda-me a ver as coisas com outros olhos. Vejamos: Hoje Domingo. Caminho neste momento através da floresta junto ao mar. Ao meu nariz vem o cheiro dos pinheiros e ao mesmo tempo ouço o cantar dos pássaros, nesta altura vejo passar na minha frente um Esquilo com a sua cauda bem no ar mostrando toda a sua elegância, e lá vai ele desaparecendo pelo meio da floresta, agora só o cantar dos pássaros e o som do mar ao longe, me faziam companhia. A floresta termina dando lugar ás dunas, a brisa do mar e o seu ruído estão cada vez mais perto, venço a subida das dunas e eis que fico a olhar aquela imensidão de água, avancei pela areia e fui ao encontro das ondas, neste momento era eu a praia e o mar. As ondas como querendo brincar comigo vêm uma a uma espraiar a meus pés, as andorinhas do mar com os seus bicos pontiagudos passeiam pela espuma deixada pelas ondas apanhando as pulgas do mar. Agora deitado na areia fixando o céu, vejo passar as gaivotas ao sabor do vento, o seu peito branco como a neve batida pelo sol espelham nos meus olhos. Voltando a olhar o mar penso: Quanta vida lá existe! Mais perto, uma traineira que acaba de regressar da faina, atrás delas as gaivotas vem dançando ao vento, sinal que traz pescado em abundância. Olhando para o horizonte nada mais se avista, é como se fosse o infinito, fixo novamente  o azul do céu, e duas nuvens passam devagar como dois flocos de algodão. A tarde chegava ao fim, o sol já num tom avermelhado e com uma pequena nuvem a servir-lhe de travesseiro preparava-se para se ir deitar, era a noite que estava a chegar, era hora de voltar, olho mais uma vez o céu, a primeira coisa que vejo é o planeta Vénus a que muitos chamam a “Estrela dos Pastores”. A noite continua a deixar cair  seu manto deixando ver aqueles pontinhos luminosos que como por magia se acendem, são as estrelas! Estava agora a chegar ao ponto de onde parti, no meu cérebro as imagens ficaram registadas como se fossem numa máquina digital. Era a natureza em todo o seu esplendor! É isto que nos faz bem, viver a Natureza, é ela que nos dá paz de espírito e seguir em frente. Experimentem!
   Eu sei que tudo isto pode parecer uma burrice da minha parte, mas o que é certo é que eu dou-me bem com esta maneira de ser e alguns amigos meus já experimentaram e deram-se bem, espero não maçar ninguém com as minhas teorias, mas é assim que eu penso.
  Cá fico à espera das vossas respostas para o almoço de convívio e mais textos para o nosso site. 
      Um abraço para todos .
                         Santa                                                                             
                            

11 março 2010

Ainda VILA CABRAL, e um "episódio inédito"...

Em complemento das imagens do GOOGLE aqui já mostradas, parece-me oportuno este vídeo de 2003, publicado no YOUTUBE  como sendo do " ex-militar Lucio A.M. Alves", a quem ficamos gratos por este trabalho, em que reconhecemos algumas das ruas que pisámos há quatro décadas...



Lembro-me que foi em Vila Cabral que, estando nós a preparar a ida para "intervenção" em Luatize, levei um "puxão de orelhas" (desta vez ainda não deu porrada...)  de um BIG do Sector (seria Major? só recordo que chefiava uma Repartição do QG ), a cujo gabinete fui, como Comandante Interino da Briosa, reclamar da exiguidade dos meios que nos eram concedidos:  
" O nosso alferes não veio para cá para reclamar, mas para cumprir. Para já, tire as mãos de cima da minha mesa e ponha-se em sentido !
 E não me restou alternativa senão destroçar... 


(Alguém me explique por que é que os subordinados (?!) nos tratavam por "meu", e os superiores por "nosso"...)

.

06 março 2010

Mobilização Geral !!!

Despedida... no HMLM

(Por: F.Santa)



Este, era o banquete de despedida. Mas que despedida? Perguntam vocês. Este banquete era realizado no Hospital de L. Marques quando um dos nossos camaradas era evacuado para a Metrópole. A malta juntava-se e mandava comprar frango de churrasco, era a festa de despedida do hospital. Dali passava a ser uma incógnita o voltarmo-nos a encontrar. Na foto já não me lembro a quem era dedicada esta festa de despedida
Em seguida mostro-vos o Cartão de Desembarque de que fui portador quando fui evacuado para Lisboa no navio Angola com o respectivo carimbo da PIDE não fosse eu um conspirador contra o Estado! Durante a viagem tive várias vezes a visita deles, ainda hoje não sei porquê.

Não sei o que se passa. Mas noto a ausência do camarada Paulo, Soares, Vivaldo e de outros. É talvez por causa do frio! Pode ser que a Primavera nos traga mais camaradas para a nossa companhia. Tenho reparado também que no nosso “Site” vem aparecendo dois quadradinhos a meio e que carregando neles aparecem páginas em branco! Peço ao camarada Soares (que é o Técnico Informático) deste nosso cantinho, que veja o que se passa. A partir de agora, estejam atentos ao correio!
                    
                        Por hoje é tudo, um abraço do Santa.



                               

27 fevereiro 2010

SAUDADES DA BEIRA - 2

Pretendi fazer um comentário ao texto   "SAUDADES DA BEIRA" que o amigo Santa aqui deixou no passado dia 12 Fev. Acontece que após tê-lo feito, do interior  desta "geringonça" a resposta veio imediata:  Não é possivel  porque você ultrapassou os 4096 caracteres.
Claro que,  entre uns palavrões e a vontade de atirar  o "computas" para o meio da chuva  preferi, então, substituir o impossivel  comentário por um   texto também chamado "Saudades da Beira - 2".
Mas, antes quero dizer que não tendo qualquer fotografia alusiva à Beira  lembrei-me de inserir  uma foto do líder da Renamo,  Afonso Dlhakama, partido  que,  desde a independência,  governa aquela provincia, tendo a oportunidade e conhecê-lo em dois  encontros.
     Vamos lá, então mãos ao trabalho pois o tempo está bom para isso!

"Matar  saudades por onde passámos também nos faz bem.
Plenamente de acordo, amigo Santa, desde que tudo se mantenha igual ou pelo menos idêntico ao que conhecemos! O que não é o caso, e peço desculpas, mas não é minha intenção ferir susceptibilidades de quem quer que seja.
Os teus "postais ilustrados" da Beira de há muitos anos levam-nos a acreditar que as coisas, hoje, ainda são o que eram. Infelizmente, isso não é verdade.
Lembro-me perfeitamente, ainda, daquele dia em que o "transatlântico" atracou naquela linda cidade e nos deixou ir gozar um dia de folga e, como tu dizes e muito bem, antes das aventuras aquecerem!
Em vez de ir olhar, sentir e apalpar o "moinho" por dentro, preferi reunir-me com a familia que lá residia. Assim que desci a escada do portaló tinha à minha espera o meu Tio Manel que há largos anos trabalhava nos Caminhos de Ferro. Acompanhado da esposa e das duas filhas entendia aquela terra como sua, exactamente como muitos outros milhares de compatriotas lá residentes.
Levou-me a passear pela cidade e suas lindas praias e logo deu para constatar que, não sendo de grande dimensão, era uma terra de beleza exótica, seus prédios de tendencia clara, predominando o branco, com muitas palmeiras em todos os espaços, ruas curtas sem serem grandes avenidas. Lembro-me dum canal construído em cimento,  que atravessava quase toda a urbe, cheio de água emprestando-lhe a frescura necessária num clima tão quente.
Naquele encontro familiar de alegre convivio não podia faltar um belo almoço que tiveram a amabilidade de me oferecerem. O dia terminou com o meu tio a ir entregar-me, são e salvo,  a  bordo do paquete encostado à muralha, a fim de que este me levasse para algures no mato!
Entretanto, passado muitos anos, mais precisamente no ano  2000, e devido às habituais deslocações àquele país, uma linda e simpática amiga  "ronga" (étnia moçambicana) que na época residia na Beira, convidou-me para uns dias de descanso e relax merecidos!
Apesar de envolto em tamanho encantamento, naqueles sete dias  verifiquei que a realidade já era outra, e que a cidade não era a mesma que conheci. Esta, estava muito degradada, os predios envelheceram e perderam a côr, até as palmeiras ficaram menos verdes, apesar dos troncos até meio serem pintados de cal branca ao melhor estilo africano!  Nas  praias desertas, aqui e ali um bar mas de pouca qualidade, um deles que frequentei atraía mais moscas e mosquitos do que clientes! Havia alguma dificuldade na circulação das viaturas uma vez que as estradas de acesso estavam "alcatifadas" de muitos centimetros de areia!  Lembro-me também que na zona do centro a areia e o pó acumulados nas ruas era tanto que chegava à altura dos próprios passeios e calçadas. Sinal, óbvio, da falta de limpeza e do descuido a que aquela terra tinha sido votada.
Mas o pior foi ver com os próprios olhos o tal canal que, quando lá passámos em 1969  tinha um imenso caudal  de água,  em 2000 era uma vala enorme a céu aberto, vazia de água, que servia, não só para a população usar nos seus trajectos, como ainda de autênticas lixeiras e barracos miseráveis aqui ou ali implantados.
Acho que não vou acrescentar mais  apesar de ter,  ainda, um rosário de coisas algo incómodas para contar.   
Mas, para não ser tudo mau resta acrescentar que o conhecido internacionalmente edificio da Estação dos Caminhos de Ferro da Beira (top ten mundial na sua classe), ex-libris da cidade e de Moçambique, mantinha o mesmo aspecto, a mesma qualidade, dando à cidade alguma dignidade.
Entretanto, passaram-se dez anos e não mais voltei à Beira.  Julgo que a situação pouco ou nada se modificou. Naquelas paragens o desenvolvimento, principalmente o de âmbito social, anda a passo de caracol, sempre à espera de eventuais ajudas do exterior.
A Beira é capital da provincia de Sofala que sempre foi governada pelo partido da Renamo, opositor da Frelimo que governa o país.
Termino do mesmo modo que o fiz num outro texto sobre Lourenço Marques/Maputo, intitulado "Contraditório ou talvez não", etiquetado em "Nos intervalos da guerra", dizendo: Há que acreditar mais nos seus estudantes universitários que, concerteza,  irão ser no futuro melhores e mais competentes politicos e saberão tomar nas suas mãos com outra segurança os destinos do seu país. " 
AACastro
27.02.2010


18 fevereiro 2010

CONVITE... e aventura !

(Por: F.Santa)

Aproxima-se o mês de Maio, em que a Primavera nos presenteia com o aroma delicioso do “Pólen” que emana das flores. Numa dança infernal as abelhas recolhem-no e transportam-no para as colmeias de onde sai o mel delicioso. Serve esta introdução, para lembrar a todos que o mês de Maio vai também trazer-nos um dia em que nós vamos estar todos juntos, (temos de estar!) para mais uma vez podermos reviver o nosso passado, contando as nossas aventuras de guerra. É um dia para ver todos aqueles que fizeram parte de uma família, que embora sem laços de parentesco  era uma família. Deixo aqui um apelo aos nossos camaradas. Venham, não se deixem vencer pelas dificuldades da vida, tragam a vossa família. Lembrem-se, que hoje a nossa vida é cronometrada ao milésimo de segundo, pois de um momento para o outro, a “Máquina” para. Ainda falta algum tempo para o dia 1 de Maio, por isso têm todos tempo para preparar a viagem até Coimbra , que o longe, quando a gente tem vontade e quer, faz-se perto.
 
   Camaradas.  Acima falei em aventuras. Aqui vai mais uma. Quando cheguei ao Hospital Militar de Lisboa (Galinheiros de Campolide - assim era conhecido), é  que tive a noção do que eram os feridos de guerra, e estar lá dentro no meio daquele ambiente não era nada agradável. Não podia sair dadas as minhas condições físicas, mas, depois de estar alguns meses internado, tive direito a dispensas de fim-de-semana, só que havia uma dispensa para o Sábado e outra para Domingo, ora se eu quisesse vir a casa não podia. Então tinha que se arranjar uma maneira de contornar a situação. E foi assim: Metia-se só a dispensa de Domingo, como não se podia sair do hospital sem mostrar a dispensa ao porteiro, como é que se fazia? Esperávamos pelos “Táxis” das visitas e de combinação com o motorista entrávamos para o “porta-bagagens” e só saíamos nos Restauradores. Os condutores já sabiam como era e tinham todo o prazer em nos ajudar.
No Domingo de manhã, o Sargento de Dia ia levar a dispensa referente a este dia, se eu não estivesse punha-a em cima da cama. Aqui entrava em acção um colega meu, que agarrava na dispensa e levava-a a um café que havia em frente ao portão do hospital. Mais uma aventura. A dispensa tinha que ter a rubrica do porteiro que estava de serviço nesse dia, sendo assim, o meu colega deixava no café um papel com a rubrica do dito porteiro e eu com papel vegetal transpunha-a para a dispensa. Como vêm era fácil. Só que no dia seguinte era um dia de angústia, pois era o dia em que as dispensas eram fiscalizadas e tudo podia acontecer, mas tudo correu bem até um dia. Tinha eu ido de fim-de-semana, entrei normalmente sem problemas, só que na segunda-feira de manhã veio o oficial de dia notificar-me para ir ao gabinete do director do hospital. Claro, o Santa ficou nem sei! È desta que fui apanhado. Entrar no gabinete foi complicado pois as pernas tinham pouca vontade de andar. Lá entrei. Surpresa das surpresas. O comandante queria informar-me que as minhas malas tinham chegado aos Adidos e era preciso ir levantá-las. Ufa! Que alívio. Tinha sido sétima vez sem sobressaltos, e por ironia do destino a última pois passado pouco tempo fui presente à junta militar.


Termino com um grande abraço:
SANTA
                                            

12 fevereiro 2010

Saudades da Beira

(Por: F. Santa)


Matar saudades por onde passámos também nos faz bem. Quem não se lembra da cidade da Beira? E do famoso rio “Chiveve” e do seu famoso cheiro? Mas já se lembram do “Moulin Rouge”, onde entrámos para matar a sede e ver algumas beldades da época!...


Vai aqui também a estação de caminho de ferro, que já na altura fazia inveja ás nossas cá no “puto”. Aqui, foi a última paragem onde nós ainda pudemos ser um pouco “Turistas,” pois a partir daqui a nossa aventura iria aquecer! Nacala era o nosso próximo destino.



            Já agora leiam:
   Há coisas que parecem impossíveis, e até mesmo irrealizáveis. Mas nada escapa ao estímulo, ao trabalho e á força de vontade.
   Porque nos mortificamos, preocupando-nos com nossas dificuldades, quando podemos engrandecer-nos lutando para vencê-las?
                                
                                                                                            J.A. Rosenkranz                                                                                          
                                                  
                                                         Ex. Furr. Santa        

08 fevereiro 2010

"Os bravos do pelotâo"

(Por F. Santa) 
  




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Aqui está: O comando do Terceiro Pelotão! Da esquerda para a direita: Eu (SANTA), o MIRANDA, Alferes ALCINO (falecido) e o QUINTINO. Digam lá se isto não era um comando à altura e cá com uma pose!!!!



A segunda foto mostra uma torre de vigia de alta segurança! Mais uma vez, vejam o material de protecção lateral, que era do mais sofisticado que havia já não falando da cobertura e do material que sustentava tudo isto de pé!!! Já agora gostava de saber o paradeiro do Quintino, nunca mais apareceu! 
Camaradas, o nosso convívio está em andamento. Já há restaurante, ementa e tudo mais. Vão-se preparando pois o dia 1 de Maio está à porta e eu faço votos para que desta vez não haja desculpas para não estarem presentes. Organizem-se. É mais uma oportunidade para estarmos todos juntos. Brevemente vão ter notícias.

                 Um abraço do   Santa



           

05 fevereiro 2010

A Marrabenta ... (2)


Não sei por que estranhas artes os vídeos aqui publicados no dia 20 de Janeiro foram removidos ...  Em sua substituição vai este, com a mesma "história" da marrabenta,  que, infelizmente, está em piores condições técnicas:




E a tal reportagem da mini-saia também aqui fica, para nosso deleite!






E, sobre Lourenço Marques, vai esta peça, retratando um Moçambique tão diferente do que eu conheci  ...




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