domingo, 20 de junho de 2010

21-6-69 Não esqueceremos os companheiros

DANIEL VIEIRA VICTORINO
e
JOSÉ FERREIRA OLIVEIRA
no quadragésimo primeiro aniversário do seu Sacrifício

Pereceram no desastre de Mopeia (juntamente com uma centena de militares), na travessia do Rio Zambeze. Tinham sido destacados para conduzir viaturas a patir de Lourenço Marques com destino ao Niassa.
Na homenagem de há um ano, foram aqui publicadas ou referenciadas várias matérias sobre este trágico acidente, que poderemos reler.
Nesse ano (a 5 de Fevereiro)  já a Guiné tinha tido a sua tragédia muito semelhante, com cerca de cinquenta náufragos: trata-se do chamado desastre do Cheche, no rio Corumbal, na sequência do abandono de Medina do Boé:
Era a companhia de Caçadores 1790 que estava em retirada de Madina do Boé, e homens de outras companhias tinham vindo em apoio desta grande operação. Tropas, viaturas e todo o material de guerra percorreram os 22 quilómetros da picada entre Madina do Boé e Cheche, já na margem do rio.
Chegados ali, começaram a transpor os 200 metros de uma margem à outra em duas jangadas, na tarde de 5 de Fevereiro de 1969. Fizeram-no vezes sem conta, passando 28 viaturas pesadas, mais 100 toneladas de munições e equipamentos, três auto-metralhadoras Daimler e cerca de 500 homens. Ao início da manhã de 6 de Fevereiro, só restava na margem sul um grupo de homens: dois pelotões da companhia de apoio 2405, outros dois da que estava em retirada. Seriam 100 a 120 homens.
Entraram todos na mesma jangada, que passou a levar o dobro da sua capacidade de segurança. A meio do rio, a jangada adornou para um lado e atirou vários homens à água, balançou para o outro e cuspiu outros tantos. Carregados com a espingarda, a cartucheira à cintura, as botas, muitos afundaram-se como pregos no rio, pacífico na estação seca, de Novembro a Maio. Sem gritos, sem esbracejares. Naquele momento, a dimensão do acidente passou despercebida.
Só quando a jangada chegou à outra margem se percebeu a tragédia. Faltavam cerca de 50 homens (quase todos da metrópole). Este acontecimento ficou conhecido como o desastre de Cheche.
(Transcrito do site da Associação APOIAR)

1 comentário:

  1. Amigo Soares.São estas tragédias relembradas tantos anos depois que nos fazem voltar ao passado com mágoa e uma tristeza profunda banhada de saudade por todos quantos pareceram.São estas realidades que ainda hoje quáze é proíbido falar nelas. Porquê? Não sei! Mas elas foram uma realidade e como tal têm que ser contadas como fazendo parte da nossa história. Para todos aqueles que pareceram nestas trgédias páz ás suas almas.

    Santa.

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