sábado, 20 de junho de 2009

21/06/1969 -Saudade e Homenagem

É já amanhã o 40º. aniversário do mais grave episódio da guerra em África, o naufrágio do batelão que atravessava o Zambeze em Mopeia.

Aos nossos


DANIEL VIEIRA VICTORINO
e
JOSÉ FERREIRA OLIVEIRA

respeitosa homenagem.


Confesso que nunca consegui informação detalhada sobre este triste acontecimento. Na internet encontrei estas referências:

" ( ... ) É que, a 21 de Junho desse mesmo ano de 1969, o batelão que fazia a travessia no rio Zambeze de Chupanga para Mopeia com ceca de 150 militares a bordo (quase todos praças ) e vinte e duas viaturas, além de muito outro material, virou-se e morreram 103. Foi o maior desdastre em custo de vidas humanas de toda a história da guerra colonial, mas nem por isso se sabe muito acerca das circunstâncias em que ocorreu, nomeadamente porque é que só ía um oficial subalterno a bordo, de baixa patente, e era miliciano assim como os graduados seus subordinados. As informações são muito escassas, sabe-se lá porquê! (...) "

Leiam AQUI o artigo interessante de J. Conteiro em "O PORTOMOSENSE"


E esta descrição dramática:


" ... logo me lembrei do barco da SSE que vi, com um guindaste montado, no meio do Zambeze, a recolher os carros militares daquele grande acidente com o batelão do Amâncio Pedreira.
Na altura, escrevi que quando um carro vinha à tona de água, um ou dois corpos (de militares) se soltavam e iam rio abaixo, até que as almadias dos irmãos Campira (e outros) os recolhiam e traziam para a margem (do lado de Mopeia). (...) "


(Transcrito deste BLOG )


Excerto de uma carta de
Manuel Luís Pata de F. da Foz, ao Diário de Coimbra, transcrita em FIGUEIRAOLHAR:


" ... Vivi 20 anos em Moçambique. Cinco na marinha mercante e quinze na província da Zambézia, catorze dos quais a governar um dos navios da Sena Sugar Estates, o “ Mezingo”. Além do meu serviço normal, prestei no rio Zambeze preciosos e gratuitos serviços ao Estado. Entre outros, recordo com muita tristeza, quando estive 20 dias com o meu navio nas operações de recolha de “ corpos de militares e recuperação de 22 viaturas” de uma coluna militar que no dia 21 de Junho de 1969 seguia num batalhão e se afundou no rio Zambeze, quando fazia a travessia da Chupanga para Mopeia, perecendo neste naufrágio 103 militares e 2 civis. Esteve a comandar estas operações o então Capitão do Porto do Chinde, sr. Comandante Fernando Manuel Loureiro de Sousa. (...)"

Ainda outro testemunho :
Luis Pires, então no AM 73 em Mutarara


Link para o "Diário do Governo" que publicou condecorações aos Marinheiros (civis nativos) pelos socorros prestados







2 comentários:

  1. Caros Camaradas
    Fui militar durante quatro anos em Moçambique por ser da guarnição normal.
    Comandei a coluna Lourenço Marques/Nampula seguinte à do trágico acidente aqui relatado.
    Por simples curiosidade podem informar-me porque motivo os dois militares que mencionam seguiam na coluna que sofreu este lamentavel acidente?
    Grato antecipadamente pela vossa resposta envio cordiais saudações.
    Vítor Baião

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  2. Caro V. Baião,
    A Companhia estava sediada em Lione, V. Cabral. Estes inditosos companheiros eram condutores e tinham-se deslocado a Lourenço Marques para conduzirem viaturas (UNIMOGs, suponho) para serviço no Niassa. Vinham, assim, integrados na coluna que sofreu o malogrado acidente.
    Um abraço.

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