domingo, 26 de julho de 2009

Exilados em MATIPA

(Enviado pelo F. Santa)
Olá Malta !

Cá está o Santa novamente! Espero que todos estejam a ver o nosso site e que o mostrem aos filhos e aos netos para memória futura, é bom para ficarem a conhecer a nossa história e é por falar em história que eu lembro hoje aqui, e em género de homenagem a todos aqueles que pertenciam à minha secção e que ao terceiro dia de ultramar foram uns bravos.
Se bem se lembram, fomos os primeiros a entrar no cenário de guerra. Meia dúzia de gatos pingados, partimos de Chala a mando da companhia que íamos render, rumo ao desconhecido: “Matipa”. Sem conhecermos a picada e o seu respectivo trajecto que nos levava ao destino, lá partimos prontos para sermos apanhados à mão! Era para nós uma partida sem certeza de chegada. Naquela altura, com três dias de ultramar, sem conhecer nada, foi uma autêntica aventura só com uma secção, fazer um trajecto desconhecido em pleno mato com as consequências que poderiam acontecer. Aqui deixo uma palavra de admiração ao meu amigo “ PIRES “ que era o condutor do “UNIMOG”. Portou-se como um verdadeiro condutor de picada. Vejam só, levámos quase todo o tempo a cantar, parece anedota mas foi verdade. Ao fim de algumas horas lá chegámos a Matipa são e salvos parecia o fim do mundo. Tínhamos acabado de conhecer o que era uma picada e muito especialmente andar nela de noite, pois partimos de Chala com a noite já praticamente em cima de nós.
Chegámos e não víamos nada. Onde estavam as instalações? Ficámos perplexos. Além de algumas palhotas existia uma tenda de campanha ampla por dentro onde cabia mal a nossa secção. Onde dormir? Em pleno chão enfiados dentro de sacos cama de onde saía um cheiro que eu nem vos digo. A cozinha eram duas grandes panelas debaixo de um pequeno alpendre coberto com folhas com a dimensão talvez de três por dois metros. Comida ? Óptima! Arroz e Salsichas quase mês e meio, nem a água do rio prestava e na altura era pouca, nem para tomar banho dava. E assim passámos cerca de mês e meio naquela bonita aldeia que só me deixou saudades pelo cantar dos pássaros e de todos os outros animais da selva quando do nascer do sol. Foram dias de uma bela dieta. Todos ficámos mais elegantes.
Camaradas. Isto também serve para dizer que a guerra também foi passada com alguns momentos de sorte, eu diria de irresponsabilidade! Pois mandar meia dúzia de homens noite fora por uma picada foi de loucos, e foi um senhor alferes da companhia que fomos render o herói desta ordem. Mas tudo acabou bem. E se não tivesse acabado bem? Gostaria de saber a resposta.

Do Santa um abraço para todos. Agora vou de Férias!








1 comentário:

  1. Que pena Santa ires de férias... Vou deixar de ler as tuas gozadas histórias que as contas como ninguém!! O caso desta, por exemplo, tão simples mas ao mesmo tempo tão intensa pelos perigos e pela gravidade das milhentas situações diáriamente vividas.
    Bons mergulhos e cá te esperamos para continuarmos este agradável "teatro de guerra"!!

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