O TEU SONHO JOÃO.
(continuação)
A mata densa
era o caminho
Por onde circulava a liberdade.
... também a tua liberdade!
Já havias aprendido
que nenhum homem é livre
enquanto oprime outro homem,
e na mata densa da Guiné,
como nos pinhais da tua terra,
na manhã gelada de Novembro,
em 66,
no Cais da Rocha.
em cada emboscada,
em cada criança
fula,
manjaca,
felupe ou balanta,
em cada homem alfabetizado,
na escola da guerrilha,
nas clareiras
abertas pelo «Napalm».
o sonho e a luta
libertava os homens.
A mata densa da Guiné
seria o caminho da tua liberdade!
Tinhas no olhar
sinais seguros de esperança,
de amor,
de sonho,
quando saíste
a caminho da mata.
Já tinhas falado
com «com gente da aldeia»
e confirmaras:
o sonho lá estava!
em cada palavra,
em cada gesto,
em cada bala disparada
ou apenas na firmeza
do olhar.
Sim!
O salto era possível!
O abraço era possível!
E naquela picada
a caminho de Guileje,
a caminho do «corredor»
onde a liberdade se ganhava
e se perdia,
Em cada passo em frente,
em cada morte,
o sonho retomava o seu lugar
subvertendo a raiva, o cansaço,
a frieza da G3 e o vómito.
Tinhas no olhar
a leve aragem da esperança,
e na tua frente
a mata densa da Guiné
confundia-se
com os pinhais da tu terra,
quando
a mina te rasgou
o peito
na picada,
o caminho do «corredor»
perto do destacamento
da chamarra.
FIM
O fim de semana aproxima-se. Desejo a todos que o passem bem com muita saúde.
Um abraço
SANTA
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