Passando uma vista de olhos pelos jornais do ELO, encontrei uma poesia que foi escrita num ELO de 1983 por José Brás, nascido em Fevereiro de 1943 e foi Comissário de Bordo da TAP, tendo combatido como Furriel Miliciano durante a Guerra Colonial na Guiné. Achei interessante e por isso resolvi transcreve-la para o blog da 2415. Mas, por ela ser tão extensa eu vou publica-la por partes.
Sendo assim, aqui vai a primeira parte:
O TEU SONHO JOÃO
Tinha no olhar
a leve aragem da esperança
quando,
numa quente 2ªfeira
de Verão,
em 64
eles vieram à vila
tomar-te o peso,
a medida do peito,
o sonho.
O sonho não!
à tarde,
quando partiram,
a tua ficha dizia
apenas:
João
20 anos
apto para todo o serviço!
Tinhas no olhar
um leve sorriso de troça
quando
numa suave manhã,
de Maio,
em 65,
passada a porta de armas,
os muros do regimento
pretenderam separar-te
do aroma dos pinhais.
E o aroma dos pinhais
ardia em ti
nas noites de Maio
de Junho e de Julho,
quando
após o «crss»
a «mauser»
a «ordem» unida
e a «a guerra subversiva»
o sonho retomava o seu lugar
subvertendo o cansaço, a raiva
e a «ordem das coisas»
É que os pinhais,
nas «Caldas da Rainha«
tinham o mesmo aroma
dos pinhais da tua terra,
e dos pinhais do mundo inteiro.
E ... a raiva,
a esperança e o sonho
subiram contigo ao «Niassa»,
Os compêndios de instrução militar
diziam que na Guiné
não havia pinhais!
(Queriam convencer-te
que na Guiné
o sonho morrera).
E tu sabias
da gente que na Guiné
sonhava liberdade,
de arma na mão
(porque não podia ser de outra maneira,
não deixavam que fosse de outra maneira).
E sabias
que a mata densa
era, na Guiné;
o caminho aberto
por onde circulava a liberdade
no nome de Amílcar,
No caminho que vai d
de Buba a Aldeia Formosa
o sonho retomava o seu lugar
subvertendo a raiva, o cansaço,
e os planos do major de operações.
Termina aqui a primeira parte!
Esperando que não percam a segunda, de mim, vai um grande braço para todos.
SANTA
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