quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A propósito dum caso testemunhado por mim em Moçambique

Vi ontem na Tv, por volta da hora do almoço, algo que me incomodou e indignou.   Tem a ver com este caso mediático de José Sócrates, mas incidindo sobre a ida de Mário Soares à prisão onde o suspeito está detido. Não com a sua atitude à saída da visita, na forma frontal, desconexa e até agressiva de enfrentar os jornalistas que, cumprem a sua missão, umas vezes bem outras nem por isso. Mas sim à entrada denotando, por mais evidente, um aspeto acabrunhado, arrastado e pesaroso, que a idade já não consegue esconder e que até me deu pena.
Aqui impõe-se, antes de tudo, o direito à privacidade, ao respeito que deve haver entre as pessoas. E, quer queiramos quer não, a pessoa em causa foi só presidente da republica, além de um dos principais protagonista da revolução de Abril, não estando em causa se positivamente ou não, pois isso levar-nos-ia a páginas e mais páginas de polémicas discussões.
Sou defensor de que os jornalistas deviam ter o bom senso suficiente de nos poupar a amostras desta natureza. Ou, então, se calhar, deviam ser as tais "figuras" idosas, a fintar os jornalistas evitando, assim, também, contribuir para as suas próprias situações degradantes.
E sou, também, dos que acham que somos todos iguais, mas há os que merecem ser mais respeitados  e protegidos e estes são aqueles que estão em fim de vida, como é o caso.
Devido a este acontecimento, veio-me à lembrança um outro, a propósito dum caso testemunhado por mim em Moçambique e, em meu entender, também, do mesmo teor de degradação. Refiro-me ao mítico ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela "Madiba", e sempre pensei descrevê-lo um dia aqui no nosso blog.
A oportunidade acabou por chegar e sucintamente foi assim:
Foi em Janeiro/2008, encontrava-me com amigos no aeroporto de Maputo, ainda no antigo que tinha um bar no terraço do 1º andar, virado para as pistas. Naquele momento, talvez, devido ao enorme calor, não havia gente no exterior , foi quando me esgueirei  até ao varandim para espreitar as movimentações em circulo dum pequeno avião a jacto a não mais de 30 metros do local em que me encontrava.
A dada altura o aparelho estacionou e logo alguém abriu a porta lateral virada para o meu lado, encostando ao avião uma pequena escada de embarque com corrimões.
De repente surge um avantajado carro preto que estaciona junto da escada e de dentro saem dois "guarda-costas" tirando de lá uma pessoa de cabelo branco de aspeto debilitado e inerte, segurando-a por baixo dos braços e transportando-a para a escada, pegando-lhe nas pernas, tipo cadeirinha, e depositando-a dentro da nave com a ajuda de mais alguém no seu interior.                                                                                                                              Esta operação ainda demorou algum tempo e foi acompanhada por uma mulher que vim a saber, mais tarde, se tratar de sua esposa, na altura, Graça Machel.
A surpresa tomou conta de mim ao constatar que estava a assistir a um episódio estranho duma pessoa extraordinária que eu tanto admirava e respeitava, precisamente Nelson Mandela e que, acima de tudo, nunca deveria ser sujeita àquela exposição e tão grande desleixo por parte das autoridades locais.
Lembro-me de ter ficado bastante indignado, por isso mesmo, pois entendia que este género de situações devem ser sempre evitadas e não divulgadas ao mundo, por serem degradantes.
Alguém quer imaginar que em vez de mim, naquele local e à mesma hora, se encontrasse um jornalista ou fotógrafo dum qualquer órgão de comunicação?
Evitar-se-ia dar a conhecer tal acontecimento se a operação de transbordo se tivesse efetuado dentro dum hangar do aeroporto. Simples e fácil, digo eu!
Pergunta-se: e porque não o fizeram? Dantes, eu responderia com a maior das facilidades, pelo óbvio: "Isto acontece pois estamos a falar de África"!
Agora, com a falta de discernimento e de respeito pela pessoa humana que parece tomou conta do nosso país, pelo caso que ontem vi pela Tv, acho não teria resposta e, assim, julgo estamos "empatados"!
Que o Pai Natal nos ofereça a todos muitos sacos cheios de "chicolates" e de bom-senso!!    
 
 
 
  
     
 

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