quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Lourenço Marques e não só…

Por:  F.Santa


Esta foto foi tirada na antiga Lourenço Marques. É um grupo de camaradas que estavam internados no Hospital Militar. As senhoras que se vêem são  do M. N. Feminino (...  as das esferográficas e dos aerogramas). Foi-nos proporcionada uma visita a esta empresa (se bem me lembro, era de laticínios) em Agosto de 69. Como o nosso site é visto por tanta gente, fico na esperança de alguém se rever aqui e diga: Olá!   Claro, o da bolinha sou eu!


A GUERRA, como disse no texto anterior, não acabou. E não acabou porque os casos resultantes dela sucedem-se a cada dia que passa. O que vos conto agora é de uma jovem de 26 anos, com o curso de enfermagem, que largou tudo o que tinha de bom na vida para atender o pai que sofre de Perturbação Pós – Stress Traumático. Depois de a mãe ter deixado o seu pai, de seguida foram os irmãos. Ficou ela sozinha a tomar conta dele. O pai precisa de cuidados médicos e medicamentos, mas não tem nem médico nem medicamentos, pois não tem dinheiro. Segundo sei, os médicos confirmam que ele sofre de doença que contraiu na guerra, mas os médicos militares não aceitam tal facto, dizendo que não tem nada a ver com a guerra em que ele andou nem com o serviço militar. Que comentários fazer?
Caros camaradas e amigos. Esta jovem está a passar ao lado da sua mocidade o que a leva a dizer que não é feliz. Os melhores anos da vida dela estão a ser passados ao lado do pai, a fazer aquilo que o Estado Português tinha mais que obrigação de fazer, para que esta jovem pudesse viver a sua vida em paz e com a alegria que a sua juventude merece. Mais inquietante ainda, é que algumas pessoas dizem que ela é filha de um maluco que andou na guerra e que é maluca também. Não tenho palavras para definir estas pessoas. Ajudem-me a encontrá-las! Esta jovem que devia merecer carinho pela sua atitude, pois não desprezou o seu pai, é vista por alguns como sendo doida também.
Como diz o meu colega e amigo Bastos, Ela também é vítima da Guerra Colonial.
Ainda não foi há muito tempo, que o nosso Presidente da República disse: “A dívida de gratidão e o preito de homenagem para com aqueles que ficaram deficientes ao serviço da nação, impõe prioridade no tratamento que lhes deve ser dispensado”. Quem é que está surdo? Quem é que faz de orelhas moucas? E também já houve alguém do governo que disse: “Os combatentes da guerra do Ultramar e os seus deficientes, são a prioridade das prioridades”. A que conclusão é que chegamos? Haja respeito por todos nós, deficientes ou não deficientes, mas mais respeito por aqueles que sofreram e que hoje transportam essas marcas do seu sofrimento no corpo sendo atormentadas por elas, e por simpatia o seu agregado familiar. E são tantos ainda!
Que quem souber de mais casos destes, os divulgue, para que esta geração tome conhecimento, e não fiquem escondidos como parece ser o desejo de alguns. Lamento também aqueles que dizem que os que sofrem da Perturbação Pós – Stress Traumático, são os fracos. Felizmente que os seus filhos não passaram ou não vão passar por aquilo que nós passámos.
Que esta jovem consiga ainda passar bons momentos na sua vida e seja feliz. BEM MERECE.      Revoltado, eu? Que vos parece?

                        Um grande abraço do vosso camarada e amigo SANTA.

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1 comentário:

  1. Em toda a sua história este país foi sempre de um cinismo atroz!
    É a nossa sina, o nosso fado!
    Pena o Otelo ter virado lenda!
    Um abraço para ti Santa, estamos juntos! A.Castro

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