sábado, 17 de julho de 2010

= DO INCRIVEL À COINCIDÊNCIA? =

Por: F. Santa

Estava eu a ver as fotos do Lione e ao rever a caserna dos soldados, veio como um lampejo á minha memória um caso que se passou com o nosso camarada Corado, (corrijam-me se estiver errado no nome).
Já  depois de estarmos algum tempo em Lione, a certa e determinada altura, começaram acontecer coisas estranhas com ele, pois volta e meia tinha desmaios. Julgo que alguém se lembra disto. Até aqui seria tudo normal se não acontecesse algo que estava fora do nosso contexto militar, parecia que falava alguém dentro dele e que se intitulava como se fosse o Avô. Era um cenário esquisito. Foi então que entrou na história o nosso camarada Carvalho (do 3º pelotão) para enfrentar o dito Avô, pois que não tinha medo nenhum. Assim aconteceu.
  Um certo dia, o fenómeno volta a passar-se e o Carvalho (sem medo) lá  vai enfrentar a situação. Começa a interrogar o tal Avô  e recebe uma pegada no peito que o atira contra a barra da cama e que faz com que o nosso camarada Carvalho (sem medo) andasse uns dias com as costelas ligadas. Entretanto o nosso capitão ordena que o nosso camarada Corado não voltasse para missões fora da companhia ficando a fazer limpeza na mesma. A história acabaria aqui, se o incrível não nos fornece mais um episódio.
  Nós, como era sabido, estávamos em zona de quadrícula e nem sequer sabíamos por quanto tempo, pois ninguém da companhia sabia, inclusive o nosso capitão e em V. Cabral a mesma coisa, nem mês e nem data. Pois bem. Volta acontecer a mesma situação o Avô volta novamente a falar e para espanto de quem estava junto, diz o mês e a data em que a companhia iria sair do Lione para o norte e mais, que era lá que o neto iria morrer. Claro que ninguém ligou ao que foi dito.
Pois é. Como termina a história? Passado algum tempo tem-se a informação do mês e da data e para onde a companhia ia. Só com uma coincidência: estava tudo certo como o tal Avô disse e até a morte do Corado aconteceu.
  A guerra tem em parte o seu fascínio pelas histórias que nela se passam, e cada uma delas com cenários e natureza diferentes. Julgo que dos nossos camaradas alguém se há-de lembrar. Daqui, deixo um olhar de saudade e lembrança eterna para o nosso camarada Corado que da incrível coincidência passou a uma incrível realidade para todos nós e para a família. Paz à sua Alma. O que se passou? Fica para a história!

  Já  agora, para quem está de férias, que elas sejam bem gozadas. Boas férias para todos.

                                     Do Santa com o abraço do costume para todos.


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6 comentários:

  1. Certo o nome do dito camarada soldado atirador de cav. é AVELINO AUGUSTO CORADO natural da LOURINHÃ faleceu em combate no dia 30-10-1969.
    Quanto a história narrada nada sei,mas passados todos estes anos como a classifica?.
    Um abraço
    Quimarques

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  2. Amigo Quimarques.Pois falas muito bem,só que eu tenho muito respeito por certa e determinadas coisas e muito especialmente este assunto, pois ultrapassa-me completamente o meu entendimento nesta matéria, por isso o meu respeito e não arriscando qualquer resposta que possa a mesma ferir mentalidades.Sendo assim, talvêz alguém mais entendido na matéria possa dar uma resposta mais concreta! Ao fim destes anos todos, continua a ser um enigma para mim.
    Um abraço do amigo Santa

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  3. Foi um caso estranhissimo e eu próprio presenciei coisas sememlhantes e estranissimas, com o Corado, que era do meu Pelotão, o 4º! Ainda ninguém deu uma explicação mais ou menos compreensível para os acontecimentos. Uma vez estavamos nós em Lione e até nesse dia estava lá o Capelão do Batalhão do Catur, e a cena do "desmaio" ocorreu.....O Capelão foi incapaz de se dirigir ao local onde estvam a acontecer as coisas e fez que nem ligou ao sucedido! Já tinha acontecido no Destacamento do Chala, e por várias vezes! até se deu o episódio no Cahala de "a tal voz do Avô" dizer que tinha de ser paga uma promessa..........Como o Corado não sabia ler nem escrever, alguém do Pelotão é que lhe escrevia os aerogramas e lhe lia as cartas que a família enviava ao Corado. Ficou então assente que seria escrito um aerograma a relatar o sucedido e seria bom que a promessa fosse paga! Como nem sempre havia transportes para e de Chala, soube-se quando esse aerograma foi enviado! Passados alguns dias "a tal voz do Avô" disse que a promessa já tinha sido paga! Ficou tudo espantado! E maior foi o espanto, quando chegou a correspondncia, na coluna, na que era dirigida ao Corado, foi lida a confirmação do pagamento da promessa!!!!!!!!! Agora aproveito para perguntar, quem é que lhe escrevia e lia a correspondência? Alguém mais se lembra dos vários episódios sucedidos com o Corado, que possa relatar mais histórias?
    Ainda hoje o mistério é total sobre o que sucedeu então!

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  4. Este caso como é bom de ver eu não conhecia até ao manuscrito do CAM.F. SANTA.No entanto ainda que laico nestas coisas,não me é completamente estranho. Mas como para grande parte do nosso povo isto é tabu, para mim continuará sempre a ser mistério.
    Só uma pergunta qual era o bat. que estava no CATUR e o CAPELÃO.
    Um Abraço Quimarques
    PS. que o camarada CORADO esteja em descanso e (curado)

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  5. Manuel Magalhães19/07/10, 22:24

    Não sei qual era o Batalhão que estava nessa época no Catur. Julgo que era de Artilhara. Mais não sei e/ou não me lembro!

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  6. Ricardo Martinho26/06/11, 22:14

    Olá boa noite Ricardo Martinho nasci na mesma aldeia do Corado e já em 1966 e 1967 ele teve estes problemas e na altura diziam que era espiritos uns bons que o defendiam outros maus que o queriam matar afoado num pôço que ainda existe junto à residência era muito vijiado pelo pai que o tinha segurar porque partia tudo que encontrava pela frente.Boa noite e desculpem lá estar a meter-me mas leitor atento à companhia 2415.

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