quinta-feira, 13 de maio de 2010

BOLOS E TOLOS


Vou ter de me socorrer uma vez mais do bolo que encerrou o nosso almoço no passado dia 1 de Maio em Coimbra. De resto, nunca será demais lembrarmos a sua excelente qualidade, perfeição e beleza.                                                       
     
           Mas, desta vez serve unicamente de comparação com o bolo que abaixo podem ver. Mesmo parecendo que não, realmente é um bolo e  serviu para comemorar o meu 22º aniversário  passado em Lione em Setembro de 1968.
Tem os ingredientes quase todos que um bolo deve levar: ovos e  farinha, produtos adquiridos  às mulheres da  aldeia através de trocas comerciais, eu dava-lhes os comprimidos que  tinham as rações de combate e que serviam, acho eu, para  a desidratação,  fazendo passar a mensagem que estes "milagrosos" comprimidos combatiam qualquer dor principalmente a de cabeça a que chamavam de "murrinhanha", juntando sempre,claro, mais algumas "quinhentas"! E, em troca,  recebia os imprescindiveis ovos e, para este cozinhado especial,  desta vez, foi usada farinha de milho peneirada.
Como se verifica pela foto do "cake" é  bem visivel que o dito em vez de crescer, diminuiu e bem. A sua pequenez deve-se ao facto de que, por aquelas paragens, ainda não era conhecido o fermento royal que faz crescer esse tipo de iguarias.
Mesmo assim, ficou uma obra prima, nada parecida ou semelhante com  a do almoço em Coimbra que o retrato tão bem mostra mas,  havia datas que  era  obrigatório e aconselhável  lembrar  para não esquecermos quem  eramos e de onde vinhamos! Se calhar podemos até chamar-lhe, pomposamente, sobrevivência da identidade!       
No evento participaram com todas as "ganas" os tolinhos, além de mim, o Moreira, o Baptista e o falecido Adão.  As velinhas foram substituidas por cigarros com pontas de fosforos para se cantar a plenos pulmões "Parabens a você"! 
Quero aproveitar, ainda, para prestar  uma homenagem merecida ao forno (aqui num grande "close")  que diáriamente cozia o pão que tantas vezes nos matava a fome  e que tão bem soube cozer aquele bolo.

 
E a terminar quero homenagear as mulheres da aldeia de Lione (acho que eram de étnia Macua)  que  tanto nos ajudaram (Há alguém que diga o contrário?). Aqui estão elas dançando uma batucada!




1 comentário:

  1. Delirei com esta crónica com que o Castro nos brindou. O texto é saboroso, como vem sendo hábito, e as fotos excelentes!Já não me recordava da "fisionomia" do forno do Lione, que nos dava um pão excelente (parabéns aos Padeiros, cujo nome me não ocorre...). Reparem no pormenor da pá do forno.
    Em relação às mulheres LEONinas, é provável serem de etnia Ajaua, que era a etnia predominante nessa zona. Macuas eram os elementos da "milícia", eventualmente também as esposas...
    (salvo melhor opinião, claro)

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