Hoje, 4 de Maio. Depois de uma chuvada diluviana da parte da manhã, o
sol voltou e brilhou durante a tarde o que me permitiu estar agora sentado no
meu jardim a ler um livro que um colega meu me ofereceu, e que foi escrito por
ele, e que tem o titulo: MEMÓRIA A FOGO - A VIDA COM UMA GUERRA AO FUNDO. A tarde acaba
por estar linda, as flores deslumbram com as suas cores, principalmente as
rosas. Uma Borboleta branca que já não via á muito tempo por estas paragens,
anda aqui á minha frente como de uma dança se tratasse. Agora pousa numa flor
como descansando da sua atuação perante mim. Os pássaros, esses, cantam! Fiz um
pequeno lago junto a um Diospireiro e é velos todos contentes a tomar banho.
Aqui, têm uma zona onde lhes dou de comer, onde o fazem sem medo, pois já se
habituaram a nós cá da casa! Quando não têm comer já sabem dar sinal. É a
Natureza a mostrar-nos que a temos de
amar e conservar.
Com tudo isto, terminei a leitura por
hoje. Ela fez-me lembrar que amanhã é o dia cinco de Maio. Cinco de Maio de
1969. Já lá vão (se a minha memória não me falha) cinquenta e sete anos! Estava
um dia bem bonito (o que era normal) quando se deu a tragédia (emboscada) que
estava montada entre Kitamba e o famoso Caracol, foi aqui que a nossa coluna
foi atacada morrendo o Furriel Santos e o Sargento Carvalhito. Foi um dia terrível
para a 2415 e ao mesmo tempo de desespero. É um dia que ainda hoje me deixa
triste e pensativo, pois o Furriel Santos ofereceu-se para ir no meu lugar. Pode
agora dizer-se: se tu tens ido podia não ter acontecido. Pois, mas eles sabiam
que a malta regressava de Catur para Lione ao fim da tarde e montaram a
emboscada para ficar até á nossa passagem. Minuto menos minuto nós estávamos na
mira deles, pois eles não iam embora sem nos apanhar. Sendo assim, para mim eu
teria a má sorte que eles tiveram. Não vou relatar novamente os acontecimentos,
pois os mesmos já foram relatados no blog.
Agora podem dizer todos: Já foi á mais de cinquenta anos e ainda pensas nisso?
É verdade. Só quem não foi a esta maldita guerra (e ainda bem que á quem não tenha ido)) é que
não sabe o trauma que os horrores da guerra nos causaram e com eles vamos
morrer. Uns mais outros menos. Com tudo, que a guerra não volte a matar esta
juventude como matou a do nosso tempo. NÂO Á GUERRA!
Em forma de homenagem, qui deixo esta saudade que ainda hoje sinto pelo meus camaradas Santos e Sargento Carvalhito. Estes pela situação que foi. Mas também ainda hoje não esqueço todos os outros da 2415 que nessa maldita guerra morreram. Éramos uma família. Depois disto, a tarde estava a chegar ao fim, os pássaros também já chegavam a mesma conclusão que eu, e da minha parte é tempo de recolher, pois amanhã é outro dia e a leitura vai continuar.
Para todos com um grande abraço e uma ótima semana COM MUITA SAÚDE.
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