Só agora tenho disponível algumas fotos deste dia, que vou compartilhar convosco.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL NA A.D.F.A.
Só agora tenho disponível algumas fotos deste dia, que vou compartilhar convosco.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
PALESTRA...
Da minha parte, que seja um sucesso. Gostaria de estar presente, mas já informei o nosso camarada Jaime que me é inteiramente impossível ir.
E agora mudando de assunto, vou lembrar a célebre frase do nosso saudoso Fernando Peça: E esta em! Senão vejam.
domingo, 24 de abril de 2016
25 DE ABRIL, SEMPRE...
Sendo assim, e da nossa parte: VIVA O 25 DE ABRIL E VIVAM TODOS AQUELES QUE O PREPARARAM E O CONQUISTARAM.
Não podia deixar de fora desta comemoração, aquele que a mim me diz muito. Por uma razão: convivi com ele na E.P. de Cavalaria em Santarém. Já adivinharam: SALGUEIRO MAIA. Outro grande homem do 25 de Abril. Para muitos este nome se calhar está esquecido. Para mim não. Até nos separarmos (ele era aspirante na altura e eu instruendo para Cabo Miliciano) tivemos uma sã camaradagem. Já era um senhor. Não havia Aspirante nem Instruendo: eramos militares. Tenho uma frase engraçada dele.Um dia, cheguei ao pé dele e disse. Meu Aspirante. Vai ele assim para mim: ó nosso instruendo, aqui não há aspirante nem instruendo somos os dois militares! Era assim a sua convivência.
Para quem não sabe, Fernando José Salgueiro Maia, foi um dos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução de Abril de 1974, que marcou o final da ditadura e por consequência a guerra do Ultramar.
Nasceu a 1 de Julho de 1944, em Castelo de Vide e faleceu a 4 de Abril de 1992 em Santarém. Era filho de um ferroviário. Frequentou a Escola Primária em S. Torcato, Coruche e concluiu o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria (hoje Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo), regressando, em outubro de 1964, na Academia Militar, em Lisboa.
Acabando o curso, Salgueiro Maia foi colocado na Escola Prática de Cavalaria de (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Na mesma instituição, ascendeu a comandante de instrução e integrou uma companhia de comandos na Guerra Colonial.
Depois da revolução, viria a licenciar-se em Ciências Politicas e Sociais, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas, em Lisboa.
A 24 de Setembro de 1983 recebe a Grã - Cruz da Ordem da Liberdade, e a titulo póstumo, o grau de Grande Oficial da Ordem Militar da Torre Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 28 de Junho de 1992 e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.
Fica aqui um puco da biografia de Salgueiro Maia.
E agora , gostava de deixar aqui, uma frase dele: NÃO SE PREOCUPEM COM O LOCAL ONDE SEPULTAR O MEU CORPO.
PREOCUPEM-SE É COM AQUELES QUE QUEREM SEPULTAR O QUE AJUDEI A CONSTRUIR.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
SÁ FLORES NOVAMENTE...
Julgo que esta poesia do nosso camarada Sá Flores, tem haver com o dia em que perdeu a visão...
" O DIA MAIS NEGRO"
Dia 22 de junho 1965!
Dia negro
dia duro.
Dia em que as flores
vestiram de luto
e o brilhar do Sol
desapareceu;
dia em que as nuvens
vieram para a Terra,
formando o mundo
num denso nevoeiro.
Dia em que as estrelas
se tornaram vias láctias
e o cantar
passou a formar
o horizonte do outeiro;
dia em que a raiva
se uniu à dor
e as estrelas
cruelmente se finaram;
dia em que tudo
se tornou incolor
e as luzes
terrivelmente
se apagaram!
Sá Flores
" RECORDANDO"
Recordo aqui o dia em que Cavaco Silva (anterior Presidente da República) pousou com
alguns dos grandes deficientes das Forças Armadas na A.D.F.A no fim do seu mandato.
Com um abraço. SANTA.
domingo, 17 de abril de 2016
CURIOSIDADES...
A A.D.F.A. foi convidada para assistir à tomada de posse do Presidente da República. José Arruda presidente da DN, e Francisco Ferreira da Silva tesoureiro da DN, representaram a associação.
domingo, 10 de abril de 2016
Faz hoje 49 anos que entrei para o convento ...
Reencontrei o meu primeiro cartão militar, e, à míngua de melhor matéria, ocorreu-me perder a vergonha e postar aqui a minha figura ornamentada com a costumada tabuleta com o número que nos identificaria por toda a vida de tropa...
Recordo-me de que antes de entrar ainda fui a um barbeiro local cortar o cabelo (eu e outros comigo), com receio (talvez infundado ...) que o corte lá dentro seria mais radical! O primeiro dia foi como todos sabem: receber o fardamento, procurar acertar no tamanho das botas, fazer a cama ( a mim tocou-me o beliche superior ). Creio que a colcha tinha estampado o escudo nacional.
A Escola Práctica de Infantaria ocupava a parte sul do enorme Monumento que, na gíria dos militares ocupantes, chamávamos O CALHAU.
Ali iria morar perto de três meses. A carreira de tiro e o campo de obstáculos ficavam em plena Tapada do Convento. A Ginástica de Aplicação Militar era muitas vezes a norte do Convento,num espaço público entre este e o CMEFED (Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos) e lembro-me bem das vendedeiras que, no intervalo, nos aviavam sandes e cerveja ou leite chocolatado UCAL, ao gosto do freguês.Recordo-me de, além dos pelotões de instrução "normais", haver um onde estavam os "aptos para os serviços auxiliares" a que chamávamos o "clube das donas de casa" (em referência a um programa da rádio Renascença em voga na época...)
quinta-feira, 7 de abril de 2016
FORAM DOIS HOMENS SOLDADOS...
Eh mué?!...
Djizacona mué!...
...Mué (?): É trropa amigo, mué!
Abre os porta mué!
Trropa não fáz mal!
(E um punho gelado pela cacimba da noite
e pela travessia da ribeira de chiconono
- batia...abria)...
...Ninguém abria.
Num repente
rasgou-se a noite de breu!
Uma rajada de raios
separou a terra do céu
ecoando nos montes
derreteu montanhas de gelo
deixando pairar espectros!
- De homem a homem
de boca a boca corria veloz
a mensagem prá rectaguarda:
(O Costa morreu.. O Costa morreu...
o Costa morreu... O Costa morreu...)
(Quem morreu?!...morreu! morreu?!
Foi o Costa que morreu?!...O Costa?
O Costa... morreu! morreu quem?!)...
- O COSTA MORREU!
- O COSTA MORREU!
( Via rádio seguiu mensagem):
-Urgente evacuação - Dois feridos graves.
Precisam plasma? (perguntam)
- Resposta: Não!
Mas estão vivos? (perguntam de novo)
Sim! Estão! (respondemos)
- Então o hélio vai pela madrugada!
OK...confirmado.
(os mortos não eram evacuados)...
Quando a caminhada era longa
ficavam em covas fundas
perdidos na selva!
à espera da exumação
ou hiena!...
- O Costa e o Morgado
foram, como feridos,
evacuados de helicóptero.
( As mortes foram instantâneas)
O Costa era saudável,
alegre, brincalhão.
Era a bondade em pessoa!
- O Morgado era um soldado robusto,
pacato,
muito humano e sensato!
- O Costa ficou com o crâneo despedaçado)
- O Morgado um tiro no sobrolho
e arrebatou-lhe a vida!
Foi muito fria aquela noite!
E com o nome (noite fria)
ficou no relatório d`operação.
E foi tão fria
que me gelou o coração
e consegui adormecer gelado
(Quase que encostado ao Costa
cadáver).
- E veio a triste e macabra madrugada!
Oh maldita escola de guerra!...
Tão maldita como cruel!
Que m`ensinou a levantar crâneos
de amigos
e...retirar os bichos
empastados em sangue!...
Sangue dum Povo a sangrar
em permanente holocausto
Eram tão jovens - crianças
Foram dois jovens soldados!
Capitão Calvinho
Eu sei que pode ser um pouco chocante, mas era assim que as coisas se passavam. Era a realidade. Uma realidade que não se pode esconder! E quem passou por elas (como o nosso camarada Calvinho) é que pode contá-las desta maneira.
Mais uma vez, um abraço para todos. SANTA.
sábado, 2 de abril de 2016
ESQUECIMENTO...
sexta-feira, 1 de abril de 2016
CENTRO DE SAÚDE MILITAR DE COIMBRA
O Hospital Militar Regional nº 2 foi instalado em Coimbra, no Convento de SANTA TERESA, em 1911. Em 1918 é transferido para o edifício que hoje ocupa, construído em 1606 pelos Carmelitas Descalços que nele instalaram o Colégio Universitário de S. JOSÉ DOS MARIANOS, e serviu ainda de Hospital dos LÁZAROS (1848) a (1851) e Real Colégio das Chagas (1851 a 1910)
Só a partir de 1922, com a compra do imóvel pelo Ministério da Guerra, se iniciaram obras de adaptação do velho edifício a Hospital, criando-se desde então, Serviços de Especialidades, face ás exigências e evolução da Medicina.
O H M R 2 presta Apoio Sanitário às Unidades que atualmente integram a R M N e R M S e que pertenciam à R M C à data da sua extinção ( Jun 93). Presta ainda Apoio Adicional às Unidades do C T A T / B A I.
Desde já, e através do nosso blog a família militar e todos aqueles que dele necessitam, desejam ao seu Diretor as maiores felicidades e a todos aqueles que nele trabalham. É neste centro Hospitalar que muitos deficientes têm um acompanhamento ótimo. Tem sido uma âncora para aqueles que sofrem os males da guerra. Um bem-aja para todos.
Aqui vão algumas fotos:
O Diretor do Hospital
terça-feira, 29 de março de 2016
ALMOÇO - CONVÍVIO DA 2415
Segue-se o mapa com a indicação do trajeto para o restaurante EdenBife
![]() |
| Clique no mapa para o ver maior |
Para quem vier por auto-estrada (A8/A21) - Melhor trajecto:
- A8 (Sentido Lisboa/Norte ou Norte/Lisboa)
- Saída A21 (Ericeira/Malveira)
- Saída Venda do Pinheiro
- Na 1ª rotunda é sair na 1ª saída para Venda do Pinheiro
- Nas 2 rotundas seguintes é seguir em frente
- Após a 3ª rotunda, no cruzamento que surge logo de seguida, segue-se pela esquerda
- Depois por essa via até ao restaurante EdenBife que surgirá do lado esquerdo
- Chegou ao destino! Bom almoço!
Para quem vier por estrada nacional (N8/N116):
- Sentido Lisboa/Norte - O restaurante situa-se entre Freixeira e Venda do Pinheiro. Irá surgir do lado direito.
- Sentido Norte/Lisboa - Depois de passar pelo centro de Venda do Pinheiro é seguir até aparecer o restaurante do lado esquerdo.
Olá camaradas da C. Cav 2415. Depois do Soares, aqui estou eu a complementar o acontecimento.
Sei que poucos camaradas da 2415 (digo eu) acedem ao nosso blog, de qualquer maneira aqui deixo uma achega para que todos cheguem ao local do repasto sem enganos.
Mais um ano se passou desde o último convívio. Estamos mais velhos e esfarrapados. As «dobradiças» já nem com óleo nos safamos. Sendo assim, vamos fazer um esforço para que possamos todos estar presentes no EdenBife.
Faço um apelo! Quem tiver fotos levem-nas! Pois podem ser úteis para o nosso blog.
Por hoje é tudo. Um grande abraço evamos todos ao EdenBife. Que todos os caminhos nos levem lá!!!
SANTA
MOBILIZAÇÂO GERAL - Sábado, 7 de Maio
quinta-feira, 24 de março de 2016
PÁSCOA...
terça-feira, 22 de março de 2016
O QUE DIZER...
quarta-feira, 16 de março de 2016
PORQUE SERÁ ?
Na passada terça - feira, no programa Sociedade Civil no canal dois, vi um programa sobre a guerra do Ultramar. Quanto ao programa não tenho qualquer crítica a fazer. Gostei. Embora (na minha opinião) já não seja novidade para as pessoas. A Guerra do Ultramar, não está fechada enquanto houver deficientes resultantes da mesma. Eu gostava, era de ver um programa bem elaborado sobre aqueles que ainda hoje sofrem na pele os efeitos da dita guerra. Seria muito bom para a sociedade portuguesa saber quanto ainda se sofre com as mazelas causadas. Não é só o deficiente, mas também as esposas e respectivas famílias. Eu falo com pessoas que ficam muito admiradas quando lhes digo que ainda á deficientes acamados em suas casas e com stress de guerra.
Eu sei que talvez seja um pouco incômodo falar sobre o assunto. Mas se assim for, tem de haver coragem para fazer um programa que fale sobre este assunto. Quando se fala verdade, não há que ter medo! Mesmo para os mais novos, estarem a par do que acontece a quem combateu (depois da guerra) até ao final das suas vidas.
sábado, 12 de março de 2016
NO PASSADO DIA 24...
segunda-feira, 7 de março de 2016
HERÓI DESCONHECIDO. FIM...
E quando braços possantes
De corpos sujos de pó
Cumprindo ordens puxaram
O corpo em fim d`agonia
Numa alma de gigante
Fez-se um silêncio de morte
As aves e os animais
Lançaram gritos ao céu
As flores que lá havia
Romperam em brando pranto
As ervas tombaram por terra
E um grito lancinante
De agonia e desespero
Brotou da árvore impotente
Por se sentir tortura
Por se sentir agredida
E o grito pairou no ar
Ecoou por montes e vales
Ficou vermelha a floresta
Toda a terra estremeceu
« tinha chegado a hora nona»
Nessa tarde d`aflição.
Já a mata era mais pura
Sem as tropas do capitão
E inda o corpo oscilava
Na corda da sepultura
E os olhos baços do negro
De laivos rubros tingidos
Olharam a tarde de morte
Lembrou o Nino e os outros
Sentiu um arrepio de coragem
E só o vento escutou
A sua última mensagem:
- Não passam de instrumentos
Programados para matar
Pelos verdadeiros culpados
Que vivem nos gabinetes
Ricamente alcatifados
Enquanto na sua terra
O povo a que pertencem
É também sacrificado
E quantos destes citados
Não vão deixar na picada
O corpo despedaçado?...
( E... inclinando a cabeça expirou).
Um grande abraço. SANTA.
sábado, 5 de março de 2016
Portugal e Moçambique naquilo que fazem melhor!!
sexta-feira, 4 de março de 2016
Continuando...
E o negro certo da morte
Desde a agonia em Bissau
Voltou-se pró capitão
Dizendo com convicção;
- Desde o primeiro dia
Em que fui iluminado
Desta minha condição
De servo escravizado
Que vejo a morte espreitando
Atrás de mim murmurando
Que já lhe sei a sensação!
- Não temo a morte descansa
Ofereço a minha vida
Já assim despedaçada
Ao povo da minha terra
Mata-me já capitão
É essa a tua missão
Pouco valho neste estado
Mas ao Nino e os seus homens
Esses NÃO !...
- Não serei eu capitão
Quem te dá a promoção!
Quero pedir-te um favor
S`inda existe em ti valor
Se és homem de condição
Se tens honra e tens pudor
Respeito pela minha acção
Depois de me teres matado
Tapa-me bem no chão
Com folhas e ervas da mata
É tudo quanto te peço
No momento da partida
Desta amargurada vida
E mantendo a serenidade
Nuns olhos bons sem maldade
O negro foi conduzido
A um gesto do capitão
Para um local onde havia
Alta árvore verde e fria
E da corda que ele trazia
No pescoço pendurada
Lançaram a outra ponta
Por sobre um tronco alongado
Qu`atravessava a picada.
E o negro de olhos molhados
Muito abertos mas serenos
Nem um suspiro exalou
Nem grito de dor se ouviu
Nem gesto d`arrependimento
E os soldados que ali estavam
Uns prós outros murmuravam:
- Tanto que sofre coitado
E não se houve um lamento
Que força é esta que tem
Lá dentro no seu pensamento!
E o alto negro entroncado
De olhos da cor da verdade
Olhava para seus algoses
Vindos de terras distantes
Feitos feras ferozes
E não havia em seu rosto
Já quase transfigurado
Pelo pó no sangue empastado
Nem ódio e nem rancor
Havia um misto d`espanto
Feito de raiva e amor.
Para a próxima será a última parte. Até lá, um grande abraço.
SANTA
Um livro a falar da malta
quarta-feira, 2 de março de 2016
VAMOS CONTINUAR...
Com laço de nó corredio
Era a certeza que o tempo
De ser torturado era breve
Seu corpo pedia água
Quando o sol já alto ia
Deram - lhe em 'ponta de lança'
Vinagre que rejeitou
Mas nunca seu corpo vergou
Naquela picada minada
Em calvário transformada
Iam p,los trilhos dos seus
Certos que por ali
As pernas não rebentavam.
De repente o capitão
Ordena sair da picada
E um jeito na corda esticada
Que servia d, arreata
Atada ao rebenta minas
Faz este parar e virar
Entrando na floresta
A região que pisavam
Dominada pelo 'Nino'
'Turra' audaz e ladino
Que um 'bando' comandava
Na luta contra o Império
Que tanto debilitava
E os boinas verdes suados
P 'lo esforço da caminhada
Na fresca mata pararam
E a segurança montaram
Onde é o covil desse Nino
Desse Nino teu senhor?
- Eu te prometo o perdão
E roupa de condição
Água mulher muito pão
Dar - te - ei a liberdade
Terás uma vida boa
Mangá de patacão
Muita água de Lisboa!
Perante a hipócrisia
Do senhor da vida e da morte
De um Povo em restauração
E disse alto e bom som:
- NÃO!...
- Mas tu ser parvo!,
Retornou o capitão
- Tu não veres:
- Que basta só apontar
- É ali! E toda a vida t, of' reço!
De mil chagas povoado
Olhando com mansidão
Um instrumento capitão
Disse: - NÃO!...
- Não vou trair meu irmão!
Nem meus lábios ressequidos
Sabem falar de traição
A vida que tu m' ofereces
É vida de servidão
Não a quero capitão!
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
CONTINUANDO...
Em escuro buraco algemado
Elevava o pensamento
Para Amílcar Cabral
Pró Nino e seus camaradas
Algures em matas sangrentas
Em traiçoeiras picadas
Em bolinhas lamacentas
Numa luta sem quartel
Lutando p, la independênca
Dum país na escravidão
Mal dormido e chateado
Abre do ' horto' o portão
E o 'Cristo' anestesiado
P'la força da sua razão
E logo outro soldado
Mandado e mal-humorado
Dá no negro um empurrão
E enfia no desgraçdo
A corda da condenação
Do covil feito prisão
E aparece na noite
' Tribunal d' acusação
Onde um Juiz capitão
À frente da Companhia
imponente o aguardava:
- És tu do PAIGC ?
Pergunta ' o centurião '
Com a espingarda aperrada
Nos dedos da sua não.
Naquela noite tão fria
Com negra tanga rasgada
Que mal as partes cobria
Com o corpo dilacerado
De mil úlceras povoado
Olhou centurião
E com voz suave e cansado
Na sua garganta algemada
Sereno lhe respondeu:
- Tu o dizes - Capitão!...
De ser carne para canhão
Diziam na madrugada
Em surdina disfarçada
- Que vamos fazer afinal
Se o homem não dirá nada.
Mas a voz do Capitão
Ouviu-se na escuridão
- Vamos cumprir a missão!
Eram quatro da madrugada
À saída do portão.
Da cor do verde limão
A percorrer a picada
Que os conduzia ao nada
E o homem feito vanguarda
Da operação condenada
A ser fracasso d, heróis
Sofria as dores das chagas
Que a pide nos rins lhe fizera
E as dores nos pés eram tantas
Que já esquecera as pauladas
sábado, 27 de fevereiro de 2016
VAMOS TENTAR CONTINUAR...
Camaradas. Adquiri á pucos dias um pequeno livro com o título:" Não sabes como vais morrer". Este livro foi escrito por um camarada nosso : Jaime Froufe Andrade. Foi Alferes miliciano -Moçambique 1968 - 1970. É um livro pequeno que se lê bem. Ele pediu-me para dizer aqui no nosso blog, que o podem comprar contactando-o : froufe.andrade@yahoo.com o custo do livro é de apenas 3€. Um preço acessível.
A semana passada, dando volta a uns livros antigos, deparei entre eles um do nosso camarada António Calvinho (já vosso conhecido aqui no blog e grande amigo, é também dfa.) que achei interessante divulgar. Não posso precisar, mas é capaz de ter alguns quarenta anos.. o Livro tem o título: A um herói desconhecido, " UMA FORCA NA PICADA" algures na Guiné Bissau.
O livro tem diversas partes que vão ser transcritas aqui.
"A um herói desconhecido"
Dos calabouços da pide
Chegou a Teixeira Pinto
Um negro alto entroncado
Trazia o rosto esmurrado
Nos rins chagas escorriam
Líquido esbranquiçado
No peito chagas pequenas
Lembravam morrões de cigarro
Que os carrascos da pide
Em deleite alienado
No negro corpo esmagaram.
Na planta dos pés escorria
Água das bolhas disformes
Das pauladas desconformes
Q`aquele herói suportara
Em Bissau sua cidade
Por nunca ser traiçoeiro
Por nunca ter fraquejado
Por sempre ter respeitado
Os ideais da verdade
Dum povo agora armado
Lutando p`la liberdade
Tinha os olhos inchados
A morte por companheira
No corpo dorido estoirado
A raiva por anestesia
E na alma do negro havia
A força, a razão a vida
E a certeza na vitória
Da causa justa de um povo
Que farto da exploração
De séculos de escravatura
Lutava p`lo «Homem novo»!
E nessa noite d`agonia
Feita d`angústia e tortura
Aquele homem não dormia
Qual «Cristo no horto um dia»
Esperava p`la madrugada
Que a soldadesca do «Império»
O conduzisse a «Pilatos»
P`ra que fosse condenado
D`acordo com as escrituras
Vindas de um «Jardim»
Á beira mar ultrajado!
«continua»
Para todos um abraço. SANTA.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
NOTÍCIA TRISTE
Moreira. Para ti vai a força de todos os camaradas da C. Cav 2415. Sei que foste sempre dedicado á tua esposa em vida. Sei que não foi fácil. Foram segundo sei, alguns anos de doença, mas estiveste sempre ao lado dela prestando-lhe todo o apoio possível. Foste um marido exemplar. A vida é mesmo assim. Prega-nos partidas quando menos se espera. Sei, sabemos todos, o que deves estar a passar neste momento. Todos os da C. Cav 2415, te envia os mais sentidos pêsames, para ti e toda a família.
Moreira. Nós sabemos que tudo isto custa muito, mas a vida tem que continuar. Terás sempre um ombro amigo dos teus camaradas para aquilo que precisares. Conta connosco. Força companheiro.
EM NOME DE TODOS, PARA TI MOREIRA, UM GRANDE ABRAÇO SENTIDO.
SANTA
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
ESTÁ DIFÍCIL DE CONTINUAR...
Cá fico á espera que a árvore dê frutos... Tudo isto, é como fosse um grito de revolta que ecoa por entre tudo aquilo que está escrito no nosso blog. É um alerta, um sinal de vida para que o nosso blog renasça.
Mexendo em papeis antigos, encontrei a foto que se segue. Não sei se estará já no blog ou não. A memória já falha! Na foto está o Furriel Quintino e o Furriel Miranda. Parece ser no chala...
Para todos um grande abraço. SANTA.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
MAIS UM POEMA...
Aqui estou eu, para escrever mais um poema da autoria do nosso companheiro Capitão Calvinho.
AGRESSÃO CULTURAL
Mataca é nome de régulo,
Régulo é nome tradicional de chefe.
Chefe deriva neste poema.
de Gungunhana.
Guerra é nome de crime.
Crime é nome de agressão.
Agressão deriva neste poema:
do gesto dum capitão
que hoje é «gente grande».
--Põe teu filho nos ombros!
Ordenam lábios finos,
secos quase cerrados.
--Não!
Responde um régulo ferido
no seu orgulho e razão.
--Pega no teu filho!
Insiste um rosto
feito de triângulos.
--Não!...não pega - replica um régulo
já sem convicção.
E explica:
Minino não é carga de régulo!
E o seco rosto
do seco oficial:
ensaia um tique de nervos
para lá das lentes escuras
que lhes escondem os olhos.
E o régulo curvou-se...
fixou os olhos num filho
(de olhos escancarados)
e perante a força do novo Mouzinho:
--«sentou-se no chão»!...
(Meses depois, apesar de «muito bem tratado»,
fugiu para junto daqueles que nunca traiu)
CAPITÃO CALVINHO
Com um grande abraço:SANTA.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
O Sol...
O Sol hoje não apareceu! Estou na Figueira da Foz. Não para ir á praia nem para ir ao carnaval mas sim para descansar um pouco e respirar este ar que tenho ainda aqui, no parque de campismo onde estou.
Como estou a falar no sol, aqui vai mais uma poesia de A. Veríssimo:
SOL
Sol que a cada dia
Espreitas pela janela
Ajuda - me dá - me alegria
Que eu preciso dela
Sol tu és professor
Dás lições de liberdade
Com carinho e amor
Para toda humanidade
Sol do meu PAÍS
Classes não conheces
Estrela bela e feliz
Tens aquilo que mereces
Os patrões não concordam
Ao ver - te desaparecer
Irados se interrogam
Será? Que o vamos perder?
Os exploradores do povo
Que a tua luz alumia
Ficam com os nervos em fogo
Até que chegue o novo dia
...................................................................................................
ABANDONADO
Estou aqui abandonado
Sozinho sem ninguém
Como cão rejeitado
Só e sem condições
Obrigado a viver
Rodeado de tubarões
Sujeito morrer
Como cão humilde e pacato
Não faço desacato
Não ofendo o cidadão
Triste pelo MUNDO ingrato
Massacrar o pacato
Povo! Da minha NAÇÃO
......................................................................
Para todos um abraço e bom carnal ( para quem gosta). SANTA.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
AVENTURA...
Eu não gostaria que o nosso blog terminasse. Porquê? Pelo motivo de haver tantas coisas por contar sobre a nossa missão no então Ultramar e tantas fotos por mostrar. Vá lá malta. Enviem para nós fotos e outros assuntos que cá estaremos para publicar. Exemplo: Ainda hoje estou à espera de notícias no nosso blog de Jean Stéfhane Afonso filho do nosso camarada Afonso. Se tiver fotos envie.
Ficamos à espera!
E sendo assim, para continuar a vida do nosso blog, aqui vai mais um comprimido para combater o esquecimento da malta!
"AVENTURA"
Lá vai o branco pelo mar,
Em caravelas e galés;
Solta uma ária de encantar,
Ao som de flautas e oboés.
Vai pela fé, segundo diz,
Para cumprir a sua sina; .
O coração o contradiz,
Que as suas mão são de rapina.
E insulta até as divindades,
Que a sua ânsia é achar oiro.
Lá para além do Equador
Gentes de cor vai encontrar
Olhando o sol, á voz do amor,
E ouvindo pássaros a cantar.
E reza missas e sermões, ,
E chamam os negros ao convívio:
Beijando o chão erguem padrões,
Sente na alma um grande alívio.
Os filhos rouba às próprias mães
Que o coração vêem morrer.
Os capitães sem fé nem lei,
Que encheis de sangue esta aventura:
Quem manda assim? Será El-Rei,
Que a régia mão não tem segura?
Voz de fantasma os acusava,
Que talvez fosse a Providência.
De quanto crime se falava,
O Senhor Rei tinha ciência.
Lá vão os negros em galés,
Tal como gado, pr'ó Brasil;
Levam alguns grilhões aos pés,
Nesse comércio infame e vil.
Aos negros fica o lar desfeito,
E o coração despedaçado;
Com a saudade arder no peito,
Vão como gado, vão como gado...
E as pobres negras, as mulheres,
Vendo partir os companheiros,
Servem apenas de prazeres,
São violadas pelos negreiros.
Na alma delas, a saudade
Rompe a chorar amargamente.
Dizendo em dor esta verdade:
A alma dos negros também sente.
Mais uma poesia de:A. GARIBÁLDE.
Com um abraço. SANTA.
domingo, 24 de janeiro de 2016
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA...
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
DIVERTIDO...
Aqui vai mais poesia de António Veríssimo. Esta serve para criar um pouco mais de boa disposição!
LOUCA
Minha namorada enlouqueceu
Está maluca, não se controla
Mas afirma que louco sou eu
E que não Bato bem da bola.
Lançou - me uma pedrada
Aquela louca donzela
Lançou - a de forma errada
Acabou acertando nela.
Com ela eu não fico
Tenho mais a quem namorar
É só ir ao bailarico
Para com outra acertar.
Sou muito ordeiro
Estou a leste do sucedido
Não vou ficar prisioneiro
A maluca não se controla
Mas afirma que sou eu
Que não Bato bem da bola.
Espero que tenham gostado! Um grande abraço. SANTA.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
CONTINUANDO COM A NOSSA POESIA...
De António Veríssimo poeta popular, nasceu a 30 de Janeiro de 1947, no monte de Maria Vicente, freguesia de Canha, concelho de Montijo.
" UM MISTÉRIO CHAMADO VIDA"
A vida é um mistério
Que está por desvendar
Não se deve levar a sério
Porque nos pode magoar
A vida não é, só o viver
Vida é também a morte
Mas até para morrer
É preciso ter sorte
Pela morte o homem chora
Ao invés, de sentir alegria
Porque aquele que vai embora
Deixa o sofrer, do dia a dia
Um mistério por desvendar
Enquanto o homem viver
Teimando em não aceitar
Aquilo, que a vida lhe der
Na Terra não vão mudar
As habituais preocupações
Se o homem não respeitar
As inevitáveis, transformações
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
CONTINUANDO COM POESIA...
"PARA O TÚMULO DE FLORBELA ESPANCA"
Esta que dorme, Florbela - Flor,
Asa ou estrela que caiu do Céu,
Alma tristinha que sentiu a dor,
Foi coração que por amor se deu.
Esta que dorme Florbela - Flor,
Harpa ou magnólia dos jardins do Céu,
Renda tecida no tear do amor,
Foi coração que por amor sofreu.
Esta que dorme Florbela - Flor,
Beijo de luz que mal amanheceu,
Calor de ninho e ninho sem calor,
Foi coração que por amor cresceu.
Esta que dorme Florbela - Flor,
Seara que em versos de oiro floresceu,
Espargindo perfume ao redor,
Foi coração que por amor ardeu.
Esta que dorme Florbela - Flor,
Noite onde um sonho azul escureceu,
Corpo de flor, de flor, corpo de flor,
Foi coração que por amor morreu.!
De: A. Garibáldi
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COM UM ABRAÇO. SANTA.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
REIS...
O nosso amigo Vivaldo, mandou-me alguns livros antigos com versos. Eu achei engraçado ir publicando alguns, até porque os livros são muito antigos. Este verso que eu vou transcrever para o blog, data de uma edição de 1980! Tem como titulo "MEMÓRIA" de A. GARIBÁLDI
A ilusão é humana,
Verdadeiros, apenas os espelhos.
A voz com que nos falam não engana
Quando a frio nos diz que estamos velhos.
Impossível encher de labaredas
Agora o coração.
Falazes ilusões, nulas e tredas!
Agora, tudo é vão...
Pudesse o vinho do amor ainda
Correr em nossas veias, sangue a estuar!
E fosse a nossa vida manhã linda,
Com o sol a cantar!
Mas não! Tal como as árvores no Outono
Vão perdendo a folhagem,
Assim as ilusões, ao abandono,
São levadas de nós por fria aragem.
É assim a vida de nós todos. Somos
Uns misérrimos seres desta verdade:
- Foi passageiro tudo quanto fomos,
E depois da ilusão vem a saudade...
De: A. GARIBÁLDI
Assim começa o Novo Ano aqui pelo nosso blog. Vá lá malta. Que não seja só eu.
Um abraço para todos. SANTA




















