=====> *** Veja AQUI a saudação de Natal do Nosso Comandante *** <====


* * * * * * * REIS MAGOS * * * * * * *
A apresentar mensagens correspondentes à consulta mopeia ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta mopeia ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de junho de 2009

21/06/1969 -Saudade e Homenagem

É já amanhã o 40º. aniversário do mais grave episódio da guerra em África, o naufrágio do batelão que atravessava o Zambeze em Mopeia.

Aos nossos


DANIEL VIEIRA VICTORINO
e
JOSÉ FERREIRA OLIVEIRA

respeitosa homenagem.


Confesso que nunca consegui informação detalhada sobre este triste acontecimento. Na internet encontrei estas referências:

" ( ... ) É que, a 21 de Junho desse mesmo ano de 1969, o batelão que fazia a travessia no rio Zambeze de Chupanga para Mopeia com ceca de 150 militares a bordo (quase todos praças ) e vinte e duas viaturas, além de muito outro material, virou-se e morreram 103. Foi o maior desdastre em custo de vidas humanas de toda a história da guerra colonial, mas nem por isso se sabe muito acerca das circunstâncias em que ocorreu, nomeadamente porque é que só ía um oficial subalterno a bordo, de baixa patente, e era miliciano assim como os graduados seus subordinados. As informações são muito escassas, sabe-se lá porquê! (...) "

Leiam AQUI o artigo interessante de J. Conteiro em "O PORTOMOSENSE"


E esta descrição dramática:


" ... logo me lembrei do barco da SSE que vi, com um guindaste montado, no meio do Zambeze, a recolher os carros militares daquele grande acidente com o batelão do Amâncio Pedreira.
Na altura, escrevi que quando um carro vinha à tona de água, um ou dois corpos (de militares) se soltavam e iam rio abaixo, até que as almadias dos irmãos Campira (e outros) os recolhiam e traziam para a margem (do lado de Mopeia). (...) "



(Transcrito deste BLOG )


Excerto de uma carta de
Manuel Luís Pata de F. da Foz, ao Diário de Coimbra, transcrita em FIGUEIRAOLHAR:


" ... Vivi 20 anos em Moçambique. Cinco na marinha mercante e quinze na província da Zambézia, catorze dos quais a governar um dos navios da Sena Sugar Estates, o “ Mezingo”. Além do meu serviço normal, prestei no rio Zambeze preciosos e gratuitos serviços ao Estado. Entre outros, recordo com muita tristeza, quando estive 20 dias com o meu navio nas operações de recolha de “ corpos de militares e recuperação de 22 viaturas” de uma coluna militar que no dia 21 de Junho de 1969 seguia num batalhão e se afundou no rio Zambeze, quando fazia a travessia da Chupanga para Mopeia, perecendo neste naufrágio 103 militares e 2 civis. Esteve a comandar estas operações o então Capitão do Porto do Chinde, sr. Comandante Fernando Manuel Loureiro de Sousa. (...)"

Ainda outro testemunho :
Luis Pires, então no AM 73 em Mutarara


Link para o "Diário do Governo" que publicou condecorações aos Marinheiros (civis nativos) pelos socorros prestados







domingo, 21 de junho de 2015

MOPEIA 21 DE JUNHO DE 1969

O desastre de Mopeia, como é conhecido, foi o maior desastre de todas as frentes da guerra do Ultramar. Nele, pareceram 101 companheiros de guerra ao atravessar o rio Zambeze num batelão o qual se virou, jogando-os para as águas enfestadas de jacarés. Se já era mau morrer em combate, pior foi, morrer nas circunstâncias em que eles morreram. Muitos, nunca mais foram encontrados, os outros, que apareceram, ficaram sepultados num cemitério militar em Mopeia. Ainda hoje, é doloroso para as famílias. Até hoje ainda não puderam fazer o seu luto completo.

 Da nossa companhia (2415), morreram dois camaradas nossos:

                                     DANIEL VIEIRA VICTORINO
                                                  E
                       JOSÉ FERREIRA DE OLIVEIRA

 A notícia era dada assim pelo DIÁRIO DE LISBOA:





Hoje, 21 de Junho de 2015, faz 46 anos sobre este triste acontecimento. A Companhia de Cavalaria 2415, não podia deixar passar em claro, sem prestar esta pequena homenagem, não só aos nossos dois camaradas, mas também a todos os outros camaradas que pareceram neste desastre. Para todos eles, vai a nossa eterna saudade, bem como, para todos os seus familiares. Vocês, nunca serão esquecidos por nós. Agora pelo Estado Português ...

                                                     DESCANSEM EM PAZ





                                              Um grande abraço para todos, do SANTA

 

sexta-feira, 21 de junho de 2019

MOPEIA : A TRAGÉDIA FOI HÁ 50 ANOS

Com a devida vénia transcrevemos a matéria publicada pelo Correio da Manhã, no último domingo, 16 de Junho:

O naufrágio mais fatal do que qualquer combate

Desastre do batelão que fazia a travessia de tropas no rio Zambeze, em Moçambique, matou 101 militares e cinco tripulantes.

Fernando Madaíl    16 de Junho de 2019 às 06:00



"Ainda hoje não sei nadar", conta José Vieira, um dos sobreviventes do desastre no caudaloso rio Zambeze, 50 anos depois daquele que foi o maior acidente em toda a Guerra Colonial, quando o batelão que fazia a travessia entre Chupanga e Mopeia, carregado com 150 homens e 30 viaturas, começou a meter água e se virou num minuto.

Nem na mítica batalha de Nambuangongo, no início do conflito em Angola, no ano 1961, nem na complexa Operação Nó Górdio, em Moçambique, em 1970, se registaram tantas baixas como neste naufrágio do dia 21 de junho de 1969, em que perderam a vida 101 militares e cinco tripulantes.
Naquele sábado, quando os relógios marcavam 17h30, a barcaça afundou-se tão rapidamente que O Braga, como era conhecido José Vieira no Batalhão de Caçadores 2853, um eletricista da construção civil que era sapador de minas e armadilhas na companhia estacionada em Cantina Dias, seguiu as instruções do sargento que lhe gritou: "Oh, Braga! Agarra-te ao jerricã e não o largues!" Enfrentando as duas traiçoeiras correntes contrárias do rio, "cheio de crocodilos", após ter andado algum tempo a flutuar, agarrou-se aos ramos de uns salgueiros e ali esperou, com outros camaradas, "mais de quatro horas" pelo helicóptero que os haveria de retirar da água.

"Disseram-me para atar o cabo à cintura e deixar o jerricã com óleo, mas não o larguei, com medo – e, mais tarde, na ilha dos irmãos Campira, um deles disse-me para espalhar aquele óleo pelo corpo e, a partir daí, deixei de sentir frio."
Heróis Campira
Os quatro nativos irmãos Campira (Vasco, Zeca, Manuel e Armando) foram os heróis dessa noite porque, além de resgatarem, nas suas duas pirogas, 19 pessoas das 54 que se salvaram, desde os vultos que boiavam no rio até aos seis que se mantinham pendurados na ponta da embarcação que ficara fora de água, para aquecer os náufragos na ilhota onde viviam – destruíram mesmo algumas das suas estruturas humildes, como a pocilga onde guardavam dois suínos, para garantirem lenha nas fogueiras – pois os soldados, encharcados de água, sentiam o ‘cacimbo’ noturno.
No livro do ex-furriel miliciano Manuel Pedro Dias, ‘Aquartelamentos de Moçambique – Distritos do Niassa e da Zambézia 1964/1974’, o autor explica bem o que significou, na altura, este comportamento daquelas pessoas modestas: "A atitude dos pescadores originou em Moçambique uma onda de solidariedade tal que lhes valeu, por iniciativa do jornal ‘Diário’, de Lourenço Marques [desde a independência, Maputo], a oferta de uma casa pré-fabricada, bem como um louvor decretado pelo governador-geral, Dr. Baltazar Rebelo de Sousa [pai de Marcelo Rebelo de Sousa]. Foi com base neste louvor que lhes foi concedida a Medalha de Prata de serviços distintos".
Soldado em lágrimas
Em Lourenço Marques, formara-se uma coluna composta por condutores de companhias vindos propositadamente do norte para levarem até às suas unidades as viaturas Unimog que tinham chegado à capital do Índico.

Mas também se juntaram àquele contingente – comandado por um oficial de baixa patente, o alferes miliciano Óscar Rosário, e constituído por um segundo sargento, um furriel, dez cabos milicianos e 137 praças – desde os que ali se demoraram a treinar a circulação nas estradas pela esquerda ("à inglesa", pois Moçambique teve sempre grandes influências da África do Sul), até aos que iriam inaugurar dois Pelotões de Reconhecimento Daimler em Vila Cabral (hoje, Lichinga) e fizeram um curso rápido para aprender a manobrar as autometralhadoras Panhard AML.
No dia 15 de junho, aquela centena e meia de homens chegaram a Chupanga, a localidade da margem sul onde se fazia a travessia fluvial do rio Zambeze, assegurada por dois batelões, que estavam a ser reparados. E, para lá da coluna que ali aguardou uma semana, também camionistas civis, que iam abastecer a região norte, se foram acumulando. Perante a hipótese de os militares, que tinham sempre prioridade, efetuarem duas viagens na barcaça maior, que já funcionava, os motoristas dos camiões foram perguntar ao alferes se não conseguiriam carregar tudo de uma vez e, assim, antecipar a sua partida.

O "graduado" questionou o dono daquela grande barca, Amâncio Pedreira, se se conseguiria. Perante as garantias do proprietário da plataforma flutuante, após se encostarem os Unimog uns aos outros, enquanto foi possível conduzi-los, e, a seguir, as restantes viaturas a serem colocadas por cima das estacionadas à força de braços, a barcaça desatracou por volta das 16h00.
Então com 22 anos, o primeiro cabo atirador Mapril Pereira, do Pelotão de Reconhecimento Daimler 2111 – que faria o seu percurso profissional numa companhia de navegação, "mas em terra", no escritório de contabilidade –, gravou a imagem de um dos soldados na memória. Se alguns não queriam embarcar, aquele "estava tão assustado que chorava, como se tivesse uma premonição do que viria a acontecer" – seria um dos que encontraram a morte no Zambeze, onde até ficou o proprietário da embarcação.
Vinte segundos decisivos
José Vieira (O Braga), que se tinha oferecido como voluntário para ir fazer a escolta àquela coluna, continua convencido de que se tratou de "um ato de sabotagem" e que Amâncio Pedreira "era amigo dos terroristas [como eram designados os guerrilheiros inimigos da Frelimo]". Alega que o morto identificado como o dono da barca não era a pessoa certa, "porque não tinha, no braço, a tatuagem ‘Amor de Mãe’", em que ele e os seus camaradas tinham reparado nos dias anteriores.
Mas outros sobreviventes, como Mapril Pereira e António Banza Rodrigues, ambos com destino à nova unidade de carros de combate em Vila Cabral, coincidem na versão de que a brisa que se sentira no início da tarde soprava com mais intensidade e aumentou a ondulação no rio, o que provocou a inundação das caixas que serviam de flutuadores – e tornou-se um esforço inútil a tarefa de alguns soldados, que ainda tentaram retirar dali a água apenas com recurso a baldes.
Mapril já não consegue precisar se lia um jornal ou uma revista de histórias aos quadradinhos quando um companheiro lhe disse para vir para fora. Ainda hesitou, apesar do alarido, mas saiu pela janela da cabina do Unimog – as viaturas estavam de tal forma encostadas que não se conseguia abrir as portas. Ouviu, então, a voz do alferes Rosário a gritar: "Calma! Calma! Ninguém vai morrer!" Logo a seguir, a embarcação virou e caíram carros e militares – "20 segundos mais ter-
-me-ia sido fatal."
Apesar de não saber nadar, conseguiu agarrar-se a uma tábua grossa – com uns quatro metros de comprimento. Sem qualquer preparação para enfrentar um acidente deste género, sentindo-se arrastado pela forte corrente e recordando o que tinha ouvido sobre os enormes crocodilos que ali viviam, pensou que "tinha chegado o seu momento" – o que o impediria, agora, de se orgulhar dos dois filhos e dos quatro netos. Mas bateu num banco de areia e apercebeu-se que podia caminhar até à ilhota dos Campira – a quem não poupa nos elogios.
Salvo pela guitarra
Banza Rodrigues, atual eletricista no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), quando o batelão se inclinava, descalçou as botas, mergulhou e começou "a nadar de costas, para poupar forças, mas as ondas enchiam a boca de água". Pouco depois, ao ver passar um saco de viagem, agarrou-se àquela improvisada ‘tábua de salvação’, enquanto outros lançavam mão a troncos de árvore e a malas de viagem.
Ao ver aproximar-se um náufrago com a intenção de se segurar ao mesmo saco, percebendo que a boia não seria suficiente para ambos (e temendo que o pânico do outro arrastasse os dois para o fundo), lançou-lhe o objeto e continuou a nadar. Até que deparou com um grande bidão vazio de 200 litros, onde já se apoiavam mais três homens, "e pediu [-lhes] boleia". A cerca de 50 metros da margem, em desespero, tentaram todos nadar para terra, mas o esforço era tremendo. Exausto, quando Banza sentiu que as pernas já não lhe obedeciam, voltando à posição vertical, percebeu que a água só lhe dava pela cintura.
Mas a versão mais bizarra entre os 54 sobreviventes é a do que narrou ter sido salvo pela guitarra que levara da Metrópole – a designação de Portugal europeu, numa época em que havia colónias em África e na Ásia –, usando o instrumento, em que talvez tocasse fados da Amália ou canções de Bob Dylan, como flutuador.
Cemitério com garrafas
A Companhia de Cavalaria 1798, sediada em Morrumbala (o seu Batalhão de Cavalaria 1923 era em Marrupa), tinha um destacamento de dois pelotões (num total de 30 homens) em Mopeia, cujo objetivo, além da vigilância dos "terroristas" que tentavam atravessar o Zambeze, era proteger as grandes companhias industriais de cana de açúcar e de chá.

Aquele posto avançado de Os Galgos (como eram conhecidos os elementos do batalhão), que regressaria a casa em dezembro, acabaria por ficar na História da Guerra Colonial pela sua atuação neste acidente. O comandante do destacamento era, então, o alferes miliciano António Moura, que seria professor do Ensino Secundário e presidente da Câmara Municipal de Montalegre durante quatro mandatos (de 1976 a 1990, eleito pelo PSD).
Nas semanas seguintes ao acidente, andou "preocupado e absorvido" na desagradável missão de encontrar sobreviventes, de resgatar corpos (durante 20 dias, por cada viatura que o guindaste do navio ‘Mezingo’ içava, "vinham à tona dois ou três soldados") e de os tentar identificar. De todos os que viu, "apenas num caso as orelhas tinham sido comidas por crocodilos ou jacarés". Mas os que nunca se encontraram podem ter sido devorados.
No talhão improvisado para sepultar as vítimas, colocaram uma garrafa vazia da popular cerveja Laurentina em cada campa, onde inseriam um papel que registava "os documentos encontrados nos bolsos, os dados fornecidos por alguém que os reconheceu ou a relação de bens pessoais [fios de prata ou relógios] que pudessem levar a uma posterior identificação". Desta forma, esclarece o antigo militar, "poderiam vir a ser levantados os corpos".
Nos dois meses que os sobreviventes ali estiveram, receberam as visitas de Baltazar Rebelo de Sousa e do comandante da Região Militar de Moçambique, que ainda era o general António Augusto dos Santos. Mas, como remata Banza Rodrigues, desembarcado a 30 de abril em Lourenço Marques, que ainda não conhecera as agruras do "mato", onde ficaria até 1972, na altura, Mopeia tinha "mais mortos do que vivos".

                                    ****** FIM DE CITAÇÃO ********

Em anos anteriores foi publicado no Blogue diverso material sobre esta desgraça. Também neste endereço há várias ligações a documentação sobre esta tragédia.
Entretanto lembremos os nossos companheiros que lá pereceram: O Daniel V. Vitorino e  o José F.  de Oliveira. 




segunda-feira, 1 de julho de 2019

JÁ AGORA...

Já agora que relembrámos aqui no nosso Blog a tragédia no Rio Zambeze em Mopeia (Moçambique), e embora não faça anos, relembramos também a tragédia (talvez com contornos diferentes) da Guiné, também com uma jangada. Aconteceu em Cheche no dia 6 de Fevereiro de 1969 aquando da retirada das tropas de Medina do Boé. O desastre deu-se quando as tropas de caçadores 1790, depois de estarem cercadas, procediam à travessia do Rio Corubal o maior rio de água doce da Guiné que nasce no maciço de Futa Jalou e que vai desaguar no rui Geba com os seus quaze cinquenta Quilómetros. A jangada virou-se. Porquê? Há diversas versões sobre o motivo que levou a jangada virar-se tendo morrido cerca de cinquenta camaradas companheiros da mesma guerra. A Guerra Colonial. Como a solidariedade é um bem e como o nosso blog lembrou Mopeia, por bem, lembramos também aqui aqueles que pareceram no Rio Corubal. Que as suas almas descansem em paz e que sejam todos honrados nas nossas memórias, pois para alguns a memória é curta porque têm o cérebro pequeno. Acabei de ver no Canal 1 o "Tributo a Salgueiro Maia". Gostei . Mas lá está, o cérebro pequeno de alguns fizeram-lhe a vida cara na recta final e outros com contornos de esquecimento vá lá saber-se porquê. Tornou-se um homem triste e desanimado. Valeu-lhe Ramalho Eanes então Presidente da República (este sim com cérebro grande) ao condecora-lo e agradecer o serviço prestado à Pátria como Militar.. Depois disto, então sim, foi condecorado diversas vezes por outros Presidentes da República, mas ainda hoje muitos se esqueceram dele. Pela minha parte lembro-me dele com saudade, pois fui companheiro dele na Escola Prática de Cavalaria de Santarém , ele no curso para Alferes e eu para Cabo Miliciano. Aqui, já era um camarada excepcional. Era-mos todos iguais. Paz também à sua alma.
  Por hoje fico por aqui...

  Um abraço para todos e uma semana com muita saúde e paz se for possível...

                                                                 SANTA

quarta-feira, 19 de junho de 2019

EFEMÉRIDE...

Desastre de Mopeia. Vinte um de Junho de 1969. Faz hoje cinquenta anos que era Sábado, e pelas 16 horas e 57 minutos o batelão São Martinho, atravessava o Rio Zambeze entre Chupanga e Mopeia e se afundava. Neste desastre, o maior da guerra colonial, morreram 100 camaradas nossos. Entre eles, dois camaradas da 2415 que tinham ido buscar duas viaturas. Foram eles: Daniel Vieira Vitorino e José Ferreira  de Oliveira. Para eles a nossa  saudade mas também para todos em geral, que as suas almas estejam em paz.

     SANTA

sábado, 6 de julho de 2019

MOPEIA : Ouvindo quem sobreviveu



Alertado pelo sempre atento Fernando Santa, assisti ontem (sexta), em directo, ao impressionante testemunho do que foi nosso companheiro de armas em Moçambique, Mapril Pereira. Achei tão interessante e claro o seu relato que me ocorreu deixar aqui o "link" para a gravação do programa A TARDE É SUA no site da TVI. A entrevista sobre a tragédia ocupa os primeiros quarenta minutos, e vale bem a atenção que lhe possamos prestar. 

Obrigado ao nosso camarada Mapril pela partilha das suas memórias e parabéns à FÁTIMA LOPES por estes magníficos momentos !
  

quarta-feira, 3 de julho de 2019

INFORMAÇÃO...

Informo a malta do blog, que no próximo dia 5 (quinta-feira), vai estar presente na TVI no programa da Fátima Lopes " A TARDE É SUA" um dos sobreviventes do desastre de Mopeia em que morreram 1OO camaradas no maior acidente na guerra do Ultramar. Segundo sei, será pelas 16 horas.

    Um abraço. 
                                          SANTA

terça-feira, 21 de junho de 2016

A tragédia de Mopeia foi há 47 anos


http://ultramar.terraweb.biz/RMM_Mopeia_21Jun1969_Relatorios_do_Exercito.htm

Ocorre hoje o aniversário da desgraça que, juntamente com mais de uma centena de camaradas de diversas unidades, nos roubou o DANIEL VIEIRA VICTORINO  e o JOSÉ FERREIRA OLIVEIRA .
Em anos anteriores tivemos diversos depoimentos sobre este terrível acontecimento. Desta vez sugiro uma visita ao interessante site TERRAWEB onde poderemos ler (em PDF) os respectivos relatórios militares oficiais

 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PEDRO DIAS prepara novo livro que inclui a nossa "Briosa"

Foi com imenso gosto que recebemos um e-mail de Manuel Pedro Dias, ex-companheiro de armas e consagrado autor de livros sobre a guerra em Moçambique (alguns deles já  citados no nosso Blog, até com reprodução de algumas páginas), comunicando a sua intenção de publicar mais uma obra, desta feita sobre as Companhias independentes que actuaram naquela ex-colónia, como é o caso, obviamente, da CCAV2415. Mas nada melhor que as suas próprias palavras, pelo que vamos cometer a inconfidência (autorizada...) de transcrever parcialmente o referido e-mail, chamando especial atenção ao desafio nele contido que tomamos a liberdade de sublinhar:

Meus Caros Amigos
Primeiro que tudo a apresentação: Sou Manuel Pedro Dias – autor de alguns livros sobre a Guerra do Ultramar em Moçambique, alguns já publicitados no vosso blog.
Pelo sim, pelo não, aí vai o link da minha página inserido na TW  http://ultramar.terraweb.biz/06livros_ManuelPedroDias.htm
  (...)

Posto isto e em jeito de “mensagem relâmpago” breves questões:
1.º  Para vos dizer que sou um “navegador”, mais ou menos assíduo do vosso Blog, por achá-lo de muito bom conteúdo, quer escrito, quer visual, Parabéns aos que persistem em não deixar “apagar a fogueira”. Eu sei, por experiência própria quão difícil é encontrar as tais “achas” que o Santa (?) fala para manter a “labareda  sempre incandescente”. Força!.
2.º Estou a trabalhar num novo projecto que será feito por várias fases, vamos ver se a “Kokuanice" não me ataca forte para concretizá-los. A primeira fase, já adiantada, trata-se da publicação de um livro com todas as Companhias Independentes que operaram no Niassa, para cada uma delas dedico duas páginas. Onde transcrevo breves resumos extraídos da História da Unidade, ou então algum relato, digno de ser contado, por elementos das referidas Unidades. E também algumas fotografias. 
 (...)
Em anexo envio também o que extraí da vossa história da Unidade no Arquivo Histórico Militar, (ainda não corrigi as eventuais gralhas  e pontuação). Se algum de vós se quiser habilitar a escrever algum episódio que tenha marcado a vossa 2415, será bem aceite.
 Por agora vou terminar já que me estou a contradizer, quando no inicio disse que era uma mensagem relâmpago.
Um abraço para Todos
Manuel Pedro Dias
  
É claro que o elogio ao Blog, vindo de quem vem, nos deixa contentes, embora reconhecendo o exagero simpático... Obrigado!
 E finalizamos  reproduzindo o resumo da "História da Unidade" que nos enviou e teve o trabalho de "desencantar" nas estantes poeirentas do Arquivo Histórico (ressalvamos a inexactidão do número de companheiros mortos aí referida, já que foram nove e não sete; provavelmente não foram contados os dois que pereceram no naufrágio de Mopeia).
Desejamos o maior sucesso na obra a que meteu ombros. Bem haja!

A "equipa" do BLOG                

(clique acima para ler)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

AS RECORDAÇÕES CONTINUAM - IV

               
 Por: F. Santa   


   Estava eu a fazer umas arrumações, e deparei-me com uma pequena mala de cartão (daquelas que se usavam antigamente) devidamente fechada. O que estaria ali dentro? Intrigados (eu e a minha mulher), resolvi abrir. Surpresa das surpresas: estavam ali bem guardadas algumas cartas que foram enviadas à minha mulher (na altura, noiva). Continuando a remexer, fui encontrar embrulhadas num lenço verde (fazia parte da farda), cinco balas! Peguei nelas com cuidado, tendo-as desactivado de seguida. Hoje fazem parte do meu museu caseiro! A bala de ponta vermelha, era utilizada na G3 para instrução, a ponta era de madeira! Quanto às cartas, foram aquelas que escaparam à fogueira (na altura tinha ficado com meia dúzia delas), ficam para recordação.



  Julgo ser a estação de comboios de Vila Cabral ainda em construção. Será? Alguém que saiba poderá explicar melhor do que se trata. 

 
     

Quem se lembra da travessia em MOPEIA em que tantos camaradas  perderam a vida? Eis uma barcaça que fazia a travessia.
Esta foto foi enviada pelo nosso camarada da “Broa de Avintes”. Aqui, segundo me lembro, morreram dois camaradas nossos.
 
Hoje (dia 6 de Setembro), estava almoçando com a minha mulher (um franguinho assado no forno), e lembrei-me: Faz 44 anos que eu estava sozinho com uma secção em Matipa. Era um destacamento nos confins do mundo!! (Só para recordar: foi o meu baptismo na guerra!) Quanto eu teria gostado de ter tido um franguinho assado no forno (eu e todos os que estavam comigo) em vez de umas salsichas com arroz cozidas só em água do rio e mais nada! Tempero? O molho das salsichas! E qual o prazo de validade das salsichas? Ai se a ASAE lá estivesse!) Foi a ementa do almoço e do jantar durante quase um mês!! Nos últimos dias que estivemos lá é que variou: passamos a ter só jantar, já não dava para almoçar!
Isto não é senão relembrar mais um retalho da guerra!

                                     Um abraço. Santa.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

21-06-1969 NÂO ESQUECEMOS

(Lápides no Monumento do Bom Sucesso em Lisboa)

  Vítimas no desastre de Mopeia, no Zambeze. Nesta mesma data de 2009 e de  2010 foi publicada alguma informação sobre este trágico acontecimento, que podemos rever ("clicando") . Lamento não possuir fotos destes inditosos camaradas.

domingo, 20 de junho de 2010

21-6-69 Não esqueceremos os companheiros

DANIEL VIEIRA VICTORINO
e
JOSÉ FERREIRA OLIVEIRA
no quadragésimo primeiro aniversário do seu Sacrifício

Pereceram no desastre de Mopeia (juntamente com uma centena de militares), na travessia do Rio Zambeze. Tinham sido destacados para conduzir viaturas a patir de Lourenço Marques com destino ao Niassa.
Na homenagem de há um ano, foram aqui publicadas ou referenciadas várias matérias sobre este trágico acidente, que poderemos reler.
Nesse ano (a 5 de Fevereiro)  já a Guiné tinha tido a sua tragédia muito semelhante, com cerca de cinquenta náufragos: trata-se do chamado desastre do Cheche, no rio Corumbal, na sequência do abandono de Medina do Boé:
Era a companhia de Caçadores 1790 que estava em retirada de Madina do Boé, e homens de outras companhias tinham vindo em apoio desta grande operação. Tropas, viaturas e todo o material de guerra percorreram os 22 quilómetros da picada entre Madina do Boé e Cheche, já na margem do rio.
Chegados ali, começaram a transpor os 200 metros de uma margem à outra em duas jangadas, na tarde de 5 de Fevereiro de 1969. Fizeram-no vezes sem conta, passando 28 viaturas pesadas, mais 100 toneladas de munições e equipamentos, três auto-metralhadoras Daimler e cerca de 500 homens. Ao início da manhã de 6 de Fevereiro, só restava na margem sul um grupo de homens: dois pelotões da companhia de apoio 2405, outros dois da que estava em retirada. Seriam 100 a 120 homens.
Entraram todos na mesma jangada, que passou a levar o dobro da sua capacidade de segurança. A meio do rio, a jangada adornou para um lado e atirou vários homens à água, balançou para o outro e cuspiu outros tantos. Carregados com a espingarda, a cartucheira à cintura, as botas, muitos afundaram-se como pregos no rio, pacífico na estação seca, de Novembro a Maio. Sem gritos, sem esbracejares. Naquele momento, a dimensão do acidente passou despercebida.
Só quando a jangada chegou à outra margem se percebeu a tragédia. Faltavam cerca de 50 homens (quase todos da metrópole). Este acontecimento ficou conhecido como o desastre de Cheche.
(Transcrito do site da Associação APOIAR)