=====> *** Veja AQUI a saudação de Natal do Nosso Comandante *** <====


* * * * * * * REIS MAGOS * * * * * * *
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domingo, 25 de julho de 2010

Bem podia ter sido a notícia da nossa partida... de facto, refere-se a um ano depois, e o destino era Angola...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

NÃO ESQUECEMOS OS NOSSOS HEROIS

Por : F. Santa

    Depois de termos lembrado no nosso Site a tragédia de Moçambique e da Guiné, não é mais que uma homenagem aqueles que nelas pareceram ao serviço da Pátria e assim deram a sua vida no auge da sua juventude. Queríamos nós que alguém das mais altas esferas se lembrasse destes acontecimentos e não sermos só nós. Sendo assim, peço licença para fugir um pouco das nossas histórias de guerra para aqui falar sobre outra homenagem que foi feita este Sábado passado (dia 20) e que nos toca a todos nós, deficientes ou não deficientes, a todos em geral, mas como tem sido costume, nas televisões nada aparece e nos jornais muito pouco, talvez não sejamos já motivo de interesse, mas se estivesse alguém mediático tal já não acontecesse! 
   Os Deficientes Das Forças Armadas e mais alguns combatentes que se associaram a nós, homenagearam a Força Aérea Portuguesa na Base Aérea de Sintra, pelo seu papel salvador na guerra do Ultramar, esteve presente o Comandante da Força Aérea, General Luís Araújo que tem uma cruz de guerra por salvar um piloto abatido debaixo de fogo com o seu “ Alouette “ e ser atingido por mais de 40 tiros tendo salvo ainda mais camaradas nossos. Foi um daqueles que lutou connosco na guerra pondo também a sua vida em perigo, sabendo por isso dar o valor que todos nós merecemos. De uma simpatia extrema, sempre esteve ao nosso lado até aos dias de hoje, tendo elogiado todos aqueles que deram o seu melhor pela Pátria deixando esta frase: “ Nunca deixaremos ninguém na picada, qualquer que seja a picada”. È de homens como este que a nação precisa. Já agora quero também dizer, que ao longo destes anos tem posto o Hospital da Força Aérea ao dispor de todos nós , combatentes. Foi bonito estar com pilotos dessa altura bem como com algumas enfermeiras que no mato foram umas heroínas. Muitos deles e delas trouxeram muitos camaradas á vida, ás famílias, a Portugal. Quem não se lembra do “ T6 “ e do “ Barriga de Jindung “ o famoso “ Noratlas “? Pois eu tive a sorte de estar dentro de um que está exposto no museu da base e relembrar a minha evacuação de V. Cabral para Nampula com as peripécias que atrás já contei.

Camaradas. E porque não? Vamos aqui também deixar a nossa gratidão  á Força Aérea, pela dedicação e desempenho no salvamento de todos aqueles que dela precisaram. São destes valores, que muitas vezes os nossos governantes se esquecem como nada tivesse acontecido, mas para nós a memória é eterna.

   Mudando agora de cenário. É com alguma nostalgia misturada com um pouco de saudade (palavra bem portuguesa) que olhei para as fotografias do Lione. Ali estão aquelas paredes guardando dentro de si para memória eterna, todo um passado de cada um de nós. Parece que ainda estou a ver as camas todas alinhadas, com a roupinha lavada (digo eu) e a balbúrdia que era dentro daquelas paredes quando estavam todos e as cervejas do “ Asinha” já tinham acabado!!!! Naquele local estão pedaços da história da nossa Companhia, história essa que cada um de nós já contou aos filhos e com certeza aos netos e vai levar até ao último dia das nossas vidas.
 
Agora vou estar ausente até ao dia 2 de JULHO. Depois falarei sobre Massangulo. 

Até  lá um abraço para todos do Ex. Furr. Santa.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

O 10 DE JUNHO DE 2010

Não estava no País neste Dia de Camões, pelo que só hoje presto homenagem ao POETA ... publicando a foto do exemplar dos LUSÍADAS que me acompanhou em Moçambique, e que líamos e comentávamos (parodiando, naturalmente...) sobretudo no Lione!!!


Entretanto soube que as comemorações de Faro tiveram algo de inédito, tanto no notável  Discurso do Doutor António Barreto como na participação no desfile dos nossos camaradas veteranos, pelo que deixo aqui a ligação para esse texto, bem como para uma reportagem do desfile (da RTP).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ATENÇÃO!!!


O prazo para inscrição para o

CONVÍVIO 2O1O

está a terminar!


o VAGO-MESTRE desta vez é o SANTA e informa que quem se atrasar será abonado de ração de combate ! 


Aqui está uma panorâmica do local da nossa reunião
 no próximo 1º de Maio, no OBSERVATÓRIO,
em Santa Clara - Coimbra:

E SE NÓS QUE VISITAMOS O BLOG ALERTÁSSEMOS (nestes 2 dias)
 AO MENOS UM COMPANHEIRO PARA SE "ALISTAR" ?
 TODOS FAZEMOS FALTA !!!
Tlm  939440799 (Santa)




sexta-feira, 19 de março de 2010

DIVAGANDO

Por: F. Santa    

   Aproveitando estes dias chuvosos, tiro um pouco de tempo para divagar.
Tenho ao longo do tempo falado com outros camaradas de guerra, e as queixas são sempre as mesmas: As dificuldades da vida do dia a dia e a saúde. Todos nós herdamos da guerra tudo o que poderia ser de pior, poucas coisas herdamos que ainda hoje possamos recordar com alegria, e de tudo o que nos aconteceu na guerra não podemos esquecer aquela famosa injecção (dose de cavalo) que levamos no pescoço e que nos deixou marcas para toda a vida. Era a lama e a chuva que o nosso corpo enxugava, era a alimentação e ainda a água que nos fez tanto mal, eram as noites mal dormidas e ainda a angústia que transportava-mos resultante do afastamento da família e o trauma que nos causava a própria guerra.
   Camaradas. A nossa velhice não vai ser fácil, para ela ser um pouco melhor temos que enveredar pelo caminho certo, isto é: Viver cada dia com alegria, boa disposição e pensamentos positivos com uma meta para alcançar que é morrermos velhinhos!!! Nem sequer podemos pensar nas (esmolas) reformas que nos dão ou nos vão dar, essas são para esquecer, pois os nossos governantes, e não só, é que têm direito a elas, nós que fomos defender a Pátria com o nosso sangue, simplesmente somos ignorados. Eu tento viver o dia a dia com as maiores das alegrias e sempre que posso dou o meu passeio e de preferência junto ao mar. A Natureza ajuda-me a ver as coisas com outros olhos. Vejamos: Hoje Domingo. Caminho neste momento através da floresta junto ao mar. Ao meu nariz vem o cheiro dos pinheiros e ao mesmo tempo ouço o cantar dos pássaros, nesta altura vejo passar na minha frente um Esquilo com a sua cauda bem no ar mostrando toda a sua elegância, e lá vai ele desaparecendo pelo meio da floresta, agora só o cantar dos pássaros e o som do mar ao longe, me faziam companhia. A floresta termina dando lugar ás dunas, a brisa do mar e o seu ruído estão cada vez mais perto, venço a subida das dunas e eis que fico a olhar aquela imensidão de água, avancei pela areia e fui ao encontro das ondas, neste momento era eu a praia e o mar. As ondas como querendo brincar comigo vêm uma a uma espraiar a meus pés, as andorinhas do mar com os seus bicos pontiagudos passeiam pela espuma deixada pelas ondas apanhando as pulgas do mar. Agora deitado na areia fixando o céu, vejo passar as gaivotas ao sabor do vento, o seu peito branco como a neve batida pelo sol espelham nos meus olhos. Voltando a olhar o mar penso: Quanta vida lá existe! Mais perto, uma traineira que acaba de regressar da faina, atrás delas as gaivotas vem dançando ao vento, sinal que traz pescado em abundância. Olhando para o horizonte nada mais se avista, é como se fosse o infinito, fixo novamente  o azul do céu, e duas nuvens passam devagar como dois flocos de algodão. A tarde chegava ao fim, o sol já num tom avermelhado e com uma pequena nuvem a servir-lhe de travesseiro preparava-se para se ir deitar, era a noite que estava a chegar, era hora de voltar, olho mais uma vez o céu, a primeira coisa que vejo é o planeta Vénus a que muitos chamam a “Estrela dos Pastores”. A noite continua a deixar cair  seu manto deixando ver aqueles pontinhos luminosos que como por magia se acendem, são as estrelas! Estava agora a chegar ao ponto de onde parti, no meu cérebro as imagens ficaram registadas como se fossem numa máquina digital. Era a natureza em todo o seu esplendor! É isto que nos faz bem, viver a Natureza, é ela que nos dá paz de espírito e seguir em frente. Experimentem!
   Eu sei que tudo isto pode parecer uma burrice da minha parte, mas o que é certo é que eu dou-me bem com esta maneira de ser e alguns amigos meus já experimentaram e deram-se bem, espero não maçar ninguém com as minhas teorias, mas é assim que eu penso.
  Cá fico à espera das vossas respostas para o almoço de convívio e mais textos para o nosso site. 
      Um abraço para todos .
                         Santa                                                                             
                            

sábado, 6 de março de 2010

Despedida... no HMLM

(Por: F.Santa)



Este, era o banquete de despedida. Mas que despedida? Perguntam vocês. Este banquete era realizado no Hospital de L. Marques quando um dos nossos camaradas era evacuado para a Metrópole. A malta juntava-se e mandava comprar frango de churrasco, era a festa de despedida do hospital. Dali passava a ser uma incógnita o voltarmo-nos a encontrar. Na foto já não me lembro a quem era dedicada esta festa de despedida
Em seguida mostro-vos o Cartão de Desembarque de que fui portador quando fui evacuado para Lisboa no navio Angola com o respectivo carimbo da PIDE não fosse eu um conspirador contra o Estado! Durante a viagem tive várias vezes a visita deles, ainda hoje não sei porquê.

Não sei o que se passa. Mas noto a ausência do camarada Paulo, Soares, Vivaldo e de outros. É talvez por causa do frio! Pode ser que a Primavera nos traga mais camaradas para a nossa companhia. Tenho reparado também que no nosso “Site” vem aparecendo dois quadradinhos a meio e que carregando neles aparecem páginas em branco! Peço ao camarada Soares (que é o Técnico Informático) deste nosso cantinho, que veja o que se passa. A partir de agora, estejam atentos ao correio!
                    
                        Por hoje é tudo, um abraço do Santa.



                               

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CONVITE... e aventura !

(Por: F.Santa)

Aproxima-se o mês de Maio, em que a Primavera nos presenteia com o aroma delicioso do “Pólen” que emana das flores. Numa dança infernal as abelhas recolhem-no e transportam-no para as colmeias de onde sai o mel delicioso. Serve esta introdução, para lembrar a todos que o mês de Maio vai também trazer-nos um dia em que nós vamos estar todos juntos, (temos de estar!) para mais uma vez podermos reviver o nosso passado, contando as nossas aventuras de guerra. É um dia para ver todos aqueles que fizeram parte de uma família, que embora sem laços de parentesco  era uma família. Deixo aqui um apelo aos nossos camaradas. Venham, não se deixem vencer pelas dificuldades da vida, tragam a vossa família. Lembrem-se, que hoje a nossa vida é cronometrada ao milésimo de segundo, pois de um momento para o outro, a “Máquina” para. Ainda falta algum tempo para o dia 1 de Maio, por isso têm todos tempo para preparar a viagem até Coimbra , que o longe, quando a gente tem vontade e quer, faz-se perto.
 
   Camaradas.  Acima falei em aventuras. Aqui vai mais uma. Quando cheguei ao Hospital Militar de Lisboa (Galinheiros de Campolide - assim era conhecido), é  que tive a noção do que eram os feridos de guerra, e estar lá dentro no meio daquele ambiente não era nada agradável. Não podia sair dadas as minhas condições físicas, mas, depois de estar alguns meses internado, tive direito a dispensas de fim-de-semana, só que havia uma dispensa para o Sábado e outra para Domingo, ora se eu quisesse vir a casa não podia. Então tinha que se arranjar uma maneira de contornar a situação. E foi assim: Metia-se só a dispensa de Domingo, como não se podia sair do hospital sem mostrar a dispensa ao porteiro, como é que se fazia? Esperávamos pelos “Táxis” das visitas e de combinação com o motorista entrávamos para o “porta-bagagens” e só saíamos nos Restauradores. Os condutores já sabiam como era e tinham todo o prazer em nos ajudar.
No Domingo de manhã, o Sargento de Dia ia levar a dispensa referente a este dia, se eu não estivesse punha-a em cima da cama. Aqui entrava em acção um colega meu, que agarrava na dispensa e levava-a a um café que havia em frente ao portão do hospital. Mais uma aventura. A dispensa tinha que ter a rubrica do porteiro que estava de serviço nesse dia, sendo assim, o meu colega deixava no café um papel com a rubrica do dito porteiro e eu com papel vegetal transpunha-a para a dispensa. Como vêm era fácil. Só que no dia seguinte era um dia de angústia, pois era o dia em que as dispensas eram fiscalizadas e tudo podia acontecer, mas tudo correu bem até um dia. Tinha eu ido de fim-de-semana, entrei normalmente sem problemas, só que na segunda-feira de manhã veio o oficial de dia notificar-me para ir ao gabinete do director do hospital. Claro, o Santa ficou nem sei! È desta que fui apanhado. Entrar no gabinete foi complicado pois as pernas tinham pouca vontade de andar. Lá entrei. Surpresa das surpresas. O comandante queria informar-me que as minhas malas tinham chegado aos Adidos e era preciso ir levantá-las. Ufa! Que alívio. Tinha sido sétima vez sem sobressaltos, e por ironia do destino a última pois passado pouco tempo fui presente à junta militar.


Termino com um grande abraço:
SANTA
                                            

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Acção “Psico”

Tenho estado bastante “ausente” do blog, por motivos de disponibilidade de tempo, mas não deixo de o acompanhar e assim também recordar muito do que se passou durante a nossa “passagem” por Moçambique.
Aproveito este meu “regresso” aqui, para mostrar alguns elementos gráficos utilizados na então chamada “acção psicológica”, de propaganda do regime da época.

  
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ainda o "Suplemento Especial de Pensão"

(Por  F. Santa)
Amigo e Camarada Castro
Li o teu artigo sobre a choruda quantia que recebeste  dada pelo teu (amigo) Paulo Portas. Como vês já passas a ter uma vida melhor com tanto dinheiro. É  realmente uma vergonha.
  Nós não precisamos de esmola, precisamos sim é de um fim de vida condigno e não desprezados por aqueles que tinham obrigação de nos honrar como filhos de uma Pátria, Pátria que defendemos com a nossa vida e com o nosso sangue. Falaste e bem nos Def. das Forças Armadas. A maior parte deles vivem na miséria com autenticas esmolas dadas por mês, viúvas cuja pensão não dá para viver e grandes deficientes cuja saúde se agravou não conseguem aumento da sua pensão. Camaradas nossos que não sendo deficientes batem-se com o Stress de Guerra, ainda hoje alguns levantam-se de noite e andam aos tiros pela casa, gritam por camaradas que viram morrer sendo as suas mulheres o seu suporte, outros que pela água que se bebia e por aquela que se enxugava no corpo, pela comida e outras coisas mais hoje sofrem no corpo os males causados por uma guerra para à qual fomos sem ter culpa. Somos dos poucos países (se calhar o único) que os seus governantes não souberam honrar os seus combatentes. Ainda ontem
assisti a um programa de televisão onde esteve presente uma irmã de um camarada nosso que esteve na Guiné, morreu lá em combate e por lá ficou enterrado. A sua família chorou estes anos todos sem ter um corpo para velar, foi preciso a irmã tratar de tudo para descobrir o sítio onde ele estava enterrado, com ajuda da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Este veio. E os outros quatro mil?
 É assim amigo Castro. O dinheiro faz falta para o TGV e para o Aeroporto e dar aos senhores dos bancos e aos nossos governantes reformas milionárias aos combatentes da guerra do Ultramar umas quaisquer migalhas chegam pois já estamos na idade de ir desaparecendo do mapa! Não somos trapos velhos, somos homens que quando jovens deixámos para traz família, mulher, noiva, amigos e alguns o emprego e ir obrigados para uma guerra que não era nossa.
Isto que escrevo aqui, é mais um grito de revolta que ecoa pelas linhas que atrás escrevi e que poderia ser muito bem proferido por milhares de deficientes, milhares de viúvas, milhares de órfãos e muitas famílias de muitos outros, os desaparecidos. Reavivar na memória das pessoas os horrores da guerra não é mais que prestar homenagem a todos aqueles que combateram, aos deficientes e aos mortos que pagaram com o seu sangue o preço de uma guerra causada pelo poder do fascismo.
Por hoje, este meu desabafo já me deixou um pouco mais aliviado pois hoje sou um dos revoltados com tudo o que se passou e continua a passar, mas no fundo é bom estes desabafos!
   
          Castro: espero que o galo já não esteja muito rijo! Um grande abraço para todos os camaradas da 2415.
                                              SANTA

domingo, 18 de outubro de 2009

AQUARTELAMENTOS DE MOÇAMBIQUE, de Pedro Dias




PALAVRAS PRÉVIAS


Quanto às razões que nos motivaram a escrever sobre a Guerra do Ultramar em Moçambique, já tudo foi dito em obras anteriormente editadas, pelo que não queremos repetir-nos para não cansar os nossos leitores, uma vez que têm uma “árdua tarefa” pela frente, que é percorrer os cerca de 225 300 quilómetros qua-drados, tantos quantos dizem respeito aos Distritos do Niassa e Zambézia, base deste nosso trabalho.
Contudo, seria imperdoável da nossa parte, não prestar alguns esclareci-mentos que a serem omitidos, levariam, porventura, a quem nos lê, a interrogar-se. Porquê de novo os Aquartelamentos do Niassa, se estes já foram abordados em 2002?
A razão principal, deve-se às solicitações de militares que prestaram a sua comissão no Niassa e que nos motivaram a escrever sobre o mesmo tema.
Quando nos debruçámos sobre os Aquartelamentos do Niassa que foram publicados em Número Especial da Revista Batalhão, da qual fomos responsáveis durante 15 anos, fizemo-lo em moldes diferentes daqueles que, posteriormente, utilizámos em relação a Cabo Delgado e Tete.
Assim, estimulados pelas palavras de incentivo recebidas, passámos, de imediato, do projecto à acção.
Deste modo, aproveitámos a oportunidade para agregar, neste livro, o Dis-trito da Zambézia, por sabermos que muitas Unidades, que cumpriram a sua mis-são em zonas de 100% de intervenção, eram transferidas para este Distrito com a incumbência de efectuar patrulhamentos.
Posto isto, iremos tecer umas breves considerações quanto ao conteúdo des-te trabalho, nomeadamente à forma como foi estruturado. Os dois primeiros capí-tulos são destinados aos Distritos do Niassa e Zambézia inserindo os aquartela-mentos, em cada um deles, por ordem alfabética de A a Z. Refira-se, que apenas constam os locais por onde passaram Unidades a nível de Batalhão ou Companhia e nunca aqueles que serviram de Destacamento, excepção feita a Miandica, cujas razões se encontram explícitas na própria página. Quanto às imagens, muitas de-las chegaram-nos em condições muito “envelhecidas”. Apesar disso, resolvemos não as excluir, por encerrarem dentro de si muita história que interessa dar a co-nhecer. Reproduzimos, também, por comparação e sempre que possível, imagens captadas recentemente nas “peregrinações” que muitos combatentes têm efectua-do aos locais por onde andaram há décadas.
Abordámos, ainda, no capítulo terceiro, a maior tragédia ocorrida durante a guerra do Ultramar, o desastre no rio Zambeze, uma vez que ele esteve também ligado ao Distrito da Zambézia.
Antes de finalizar queremos deixar uma palavra de gratidão a todos, sem exclusão alguma, com quem contactámos no sentido de obter fotos ou outros ele-mentos, quer escritos ou verbais, para a elaboração deste livro.
Fica também expresso, por antecipação, os agradecimentos a todos aqueles que nos irão contactar, depois de lerem o livro, dizendo-nos que tinham “imagens magníficas” deste ou daquele lugar…
O Autor


Sumário

Palavras Prévias 6

Instalações 7

PRIMEIRO CAPÍTULO - DISTRITO DO NIASSA
Mapa 13
América 14
Bandece 16
Belém 18
Candulo 20
Cantina Dias 22
Catur 24
Chiconono 28
Chiulézi 30
Cóbuè 33
Galgolíua 36
Ilha de Metarica 39
Lione 40
Litunde 43
Luatize 45
Lunho 46
Macaloge 49
Malapisia 53
Mandimba 55
Maniamba 57
Marrupa 61
Massangulo 66
Maúa 68
Mecanhelas 72
Mecula 73
Melulucas 79
Meponda 80
Metangula 83
Metarica 87
Miandica “Terra do outro Mundo” 89
Muembe 92
Muoco 95
Murama 96
Namicunde 98
Nanlixa 99
Nantuego 100
Nipepe 102
Nova Coimbra 104
Nova Freixo 108
Nova Viseu 111
Nungo115
Olivença 116
Pauíla 121
Rapala 123
Révia 124
Unango 126
Valadim 129
Vila Cabral 133

Sabias que no Niassa138

SEGUNDO CAPÍTULO - DISTRITO DA ZAMBÉZIA
Mapa 143
Alto Molócuè 144
Chire 149
Gilé 151
Ile/Errego 155
Mabo-Tacuane 159
Milange 161
Mocuba 163
Molumbo 167
Morrumbala 172
Quelimane 174
Vila Junqueiro 177

TERCEIRO CAPÍTULO
TRAGÉDIA DO RIO ZAMBEZE 181

Agradecimentos 188
Iconografia 189
Biografia 190


Os interessados podem contactar PEDRO DIAS pelo Telemovel 914631055 ou através do mail : mpdias@netcabo.pt
Cada exemplar custa 15 euros (quinze Euros) mais os respectivos portes

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ridiculo!!

Sei que o "assunto", em si mesmo é, sem qualquer dúvida, polémico. E, por isso mesmo, muitos de nós não terão a mesma opinião. É quase tão "tabu" como aquilo que os portugueses apelidam de "guerra de África"! Os chamados "Quem de Direito" evitam, e de que maneira (sempre o fizeram) aflorar quaisquer questões que gravitem à volta de tão sério e gravissimo problema nacional. Que o digam a Associação dos Deficientes das F.A. e todos aqueles muitos milhares de ex-companheiros que, anónimamente e silenciosamente sofrem no espirito e na carne, inglóriamente, mas ainda, hoje, continuando a lutar contra os moinhos de vento!
Esta "vergonha" encapotada, inventada pelos conhecidos "poderosos das forças armadas" após o fim das guerras coloniais foi, genialmente, aproveitada pelos politicos que lhes deu continuidade até à actualidade.
O assunto, o problema, a questão,o caso, a "gafe", chamem-lhe o que quizerem, nem por artes mágicas irá desaparecer, acho até, que está imune a qualquer estirpe.
Infelizmente, um caso que já é ridiculo e, por ser anedotário, tornou-se hilariante, esta coisa que este ano lhe chamam "Suplemento Especial de Pensão" para os Antigos Combatentes (este epíteto até me lembra os meus antepassados que penaram na 1ª Guerra!!) que acima "escarrapacho". Verifica-se, então, houve alguém que entendeu pelos bons serviços criptográficos prestados à nação, durante 22 meses, aqui o vosso companheiro de "aventuras", este ano foi merecedor dum prémio de 100,00€ (não esquecer de fazer o devido desconto do IRS no valor de 8,00€. Assim o valor real do prémio é de 92,00€).
Só "lamento" não ter ficado mais 2 meses em Lione (zona de 100%) para agora poder usufruir de mais 50%.!!!
Não esquecer que este SEP foi capeado e chancelado no hemiciclo da A.R. de todos nós (Não é Sr. Prof. Dr. P.R. Anibal Cavaco Silva?)
Ditosa Pátria que tais filhos tem (Não é Poeta pedinte Luis Vaz de Camões?)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O começo da guerra...

25-09-1964 
 Testemunho de um interveniente:
“O polícia veio e estacionou à porta da casa do chefe de posto, sentado numa cadeira. Era branco. Eu aproximei-me do polícia para o atacar. O meu tiro era o sinal para os outros camaradas atacarem. O ataque teve lugar às 21 horas. Quando ouviu os tiros, o chefe de posto abriu a porta e saiu – foi morto por um tiro. Para além dele seis outros portugueses foram mortos no primeiro ataque. A explicação dada pelas autoridades portuguesas foi “morte por acidente”. Retirámos. No dia seguinte fomos perseguidos por algumas tropas – mas nesse momento já estávamos longe e não nos encontraram.”
Alberto Chipande, que conduziu uma dúzia de homens, descreveu assim no seu relatório a ocorrência naquela noite de 25 de Setembro de 1964.


Transcrito deste Blog   

 Outra versão:


"Completam-se hoje as 21:00 de Moçambique (20:00 em Portugal) 39 anos  (escrito em 2003...) do primeiro ataque (oficial) da Frelimo e sua guerra de libertação do país. Foi no Chai, a norte de Macomia a escassos 10Kms do rio Messalo.
Tinha 8 anos, estava lá, assim como os meus pais, não morri... nem ninguém morreu de ambos os lados, e lembro-me de quase tudo. Tudo aquilo se resumiu a 2 rajadas de metralhadora (uma de cada lado).
Demorou 1 ou 2 minutos e depois foi a fuga dos atacantes.
A minha mãe lembra-se que nesse dia a tarde, andou uma pessoa desconhecida ali nas lojas no Chai e com umas ligaduras na perna ou no pé. Andou umas 2 horas a "passear-se" pela localidade. Veio-se a saber mais tarde que essa pessoa desconhecida andou a fazer o reconhecimento da zona.
A data, hoje em dia, é comemorada em Moçambique como Dia das Forças Armadas."
(Citado aqui, com interessante polémica...)  


 

            

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A GUERRA

(Por  F. Santa)

Lendo o livro de poesia do nosso camarada Capitão Calvinho, deficiente das Forças Armadas, não podia deixar de transcrever para todos um excerto do prefácio do mesmo livro da autoria da Associação dos Deficientes das Forças Armadas que diz o seguinte:

“ Os homens vitimados pelas minas e pelas granadas, nas matas e nas picadas, maltratados nos hospitais, escondidos da sociedade, abandonados e desprezados, como farrapos, por quem deles se serviu, jamais calarão a voz da razão, a voz da sua justiça.”

   Para quem não sabe, eu pertenço a esta Associação. Eu sou um daqueles que também ainda não se calou e não se irá calar jamais, tanto em defesa dos deficientes mas também em defesa daqueles que não sendo deficientes, hoje sofrem no corpo os males da guerra que transportarão até ao final das suas vidas e que os nossos governantes de outrora e de hoje sofrendo de “Amnésia” se esqueceram de todos nós.
                  
    Do nosso camarada Capitão Calvinho aqui vai um dos seus muitos poemas:




                “ INTRÓITO”  

Eu não canto o épico da guerra
Não, não canto!
Eu canto a agressão
Que fui e suportei!
--Eu fui à guerra:
MATEI!..
--Aqui estou, hoje e agora,
Amanhã e sempre,
Para gritar em verso ou em prosa
Aquilo que vi, fiz e vivi:
--Porque acordei!
E dou testemunho de tudo quanto canto
Pois tudo vivi como instrumento
E hoje sinto como canto!
--Não quero esquecer a guerra!
Ninguém a deve esquecer!..
A lembrança
há-de ser
até morrer
o permanente estigma
que todas as madrugadas
me há-de mobilizar! 

Tudo isto que nós transportamos para este nosso espaço, não é mais que um grito de revolta suave e também de resignação, mas também um sinal de que estamos vivos apesar das nossas fraquezas.

  Artur. Estás sempre atento! 

  Um abraço para todos.
  F. Santa


 

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Foi há 41 anos...

... que iniciámos o nosso cruzeiro:

23-07-68

Vera Cruz


"Já a vista pouco e pouco se desterra
Daqueles pátrios montes que ficavam;
Ficava o caro Tejo, e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E já depois que toda se escondeu,
Não vimos mais enfim que mar e céu."

Lusíadas, V - 3




Portaria n.º 23468
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Marinha, declarar que o navio Vera Cruz, da Companhia Colonial de Navegação, é afretado pelo Ministério do Exército, a partir de 18 de Julho de 1968, para transporte de tropas e material de guerra.
Enquanto o navio tiver capitão-de-bandeira só poderá ser utilizado em serviço do Estado, e não comercial. Nestas condições, tem direito ao uso de bandeira e flâmula e goza das imunidades inerentes aos navios públicos.
Ministério da Marinha, 8 de Julho de 1968. - O Ministro da Marinha, Fernando Quintanilha Mendonça Dias.



terça-feira, 30 de junho de 2009

Recordando...

(Enviado pelo Fernando Santa)



"Camaradas. Quem se lembra do Conjunto Oliveira
Muge de L. Marques? Não sei se estão recordados, foi a primeira coisa que ouvimos já de madrugada depois daquela excursão que fizemos do Catur para Lione após o desembarque do comboio. Foi as boas vindas da companhia que fomos render.
Mais tarde este disco foi proíbido pelo regime fascista de ser vendido e ser tocado nas rádios:



Mamãe, tu estás tão longe de mim!
Mamãe, sinto que estás a chorar.
Não chores a minha ausência
que um dia hei-de voltar!

Não chores, e pensa agora
Que o tempo passa depressa.
Pede a Deus que te tire esse tormento,
Que abrande teu sofrimento
Desse teu formoso rosto.

Mamãe, não chores que eu volto!


Agora que já lá vão alguns anos vale a pena recordar.
Um abraço do Santa "







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quinta-feira, 25 de junho de 2009


O FILME DO MEU ACIDENTE


Em todos os convívios se fazem relatos de coisas que aconteceram entre nós no ultramar mas, todos me perguntam o que é que me aconteceu. Ora se bem me lembro foi assim: Estava-mos em Chala e já fazia muito tempo que não recebia-mos correio. Como se sabe a malta nestas circunstâncias entrava em paranóia! O correio estava retido em Vila Cabral ou Lione, já não me lembro bem e era preciso ir buscá-lo. Arranjei voluntários e lá fui a caminho todos montados num (Unimog)! A certa altura, lembro-me que passámos por cima de um grande buraco que estava camuflado com folhas tendo saltado a grande altura para fora da picada rolando pelo chão. Momentaneamente perdi os sentidos que recuperei pouco depois mas, só me lembro de acordar na cama já no Lione. Fui depois evacuado para o Hospital de V. Cabral, onde fui observado e dias depois regressei a Lione onde estive alguns meses com aparelho de gesso na perna. Tendo regressado novamente ao hospital aparecera problemas na coluna e cabeça resultantes do dito trambolhão. Daqui resultou mais tarde a minha evacuação para o H. de Nampula onde estive internado cerca de três meses e meio, tendo sido detectada uma fractura na cabeça por solidificar e problemas na coluna a nível de vértebras. Depois daqui fui evacuado para o H. de Lourenço Marques onde estive quase sete meses em recuperação para ganhar músculo na perna e movimento no pé. Depois disto fui novamente evacuado para Lisboa indo direitinho a Campolide para os anexos do H. Militar (mais conhecidos pelos "galinheiros") onde estive cerca de um ano fim do qual fui dado incapaz para o serviço militar. Fui para casa. Entretanto casei, durante nove meses não me deixaram trabalhar dando-me uma pensão de novecentos escudos. A partir do dia em que vos deixei sei que a vossa tarefa foi mais perigosa e complicada mas também não foi fácil para mim apanhar um ano e dez meses de hospital.
Foi mais um filme de guerra, este passou-se comigo, mas outros filmes houve de camaradas nossos vitimados pelas minas, pelas emboscadas, ataques a aquartelamentos e outros maltratados em hospitais escondidos da sociedade, abandonados como farrapos por quem deles se serviu. A nós combatentes e deficientes do ultramar jamais nos calarão. Temos todos no corpo as marcas da guerra e queremos que a nossa Pátria não se esqueça de nós dando-nos para o resto das nossas vidas aquilo a que temos direito.

Um abraço do camarada Santa


terça-feira, 16 de junho de 2009

Lendo ... jornais

No dia 7 do corrente publicou o "Correio da Manhã" uma história surrealista passada em Moçambique no ano seguinte ao da nossa saída... Depois digam se não valeu a pena clicar aqui ...



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Recordando...


Bom apetite !!!




terça-feira, 9 de junho de 2009

Recordando...

Faz agora 41 anos que a jovem 2415 se estreou na parada e desfile do 10 de Junho! O clip que se segue não é o de 1968, mas do ano anterior, mas a figura que fizemos não terá sido muito diferente... Na tribuna estava ainda o Dr. Salazar, que viria a ficar incapacitado poucos meses depois, já connosco em Moçambique!

domingo, 31 de maio de 2009

Mensagem... e apelo

(Do F. Santa)

Camaradas da C. C. 2415

Não queria deixar de realçar os laços de amizade e solidariedade que neste momento existem entre nós. É pena que muitos tenham deixado de nos acompanhar nos convívios anuais que temos realizado.
Relembrar a guerra é sinal de que estamos vivos. Os nossos corpos nunca estiveram preparados para a picada nem rebentar minas e emboscadas, muito menos morrer nela. Nós jovens dos anos sessenta que fomos afectados por uma guerra injusta deixando para traz os nossos sonhos, hoje alguns desses jovens estão vivos para contar aos nossos netos o que foi ter ido para o Ultramar. Dos cerca de um milhão de combatentes que durante 13 anos passaram por ela, resultaram como despojos humanos trinta milhares de feridos, entre os quais muitos hoje deficientes, e cerca de 9 mil mortos. Todos deram o melhor pela sua pátria e foram milhares as famílias que vestiram luto e que ainda hoje choram os seus mortos. Não se pode esconder a realidade.
O cansaço e as mazelas que herdamos, vão-nos acompanhar até ao resto dos nossos dias, mas vamos aguentar firmes na formatura da nossa vida e continuar todos os anos a conviver até sermos velhinhos. Para o próximo ano apareçam! Vai ser em COIMBRA.
Vejam o nosso SITE e colaborem!
Para os nossos camaradas que estão doentes as rápidas melhores e um abraço para todos do
Ex. Furriel Santa.

VIVAM OS HEROIS DA 2415!


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