quarta-feira, 22 de março de 2017

MUNDO DESCONHECIDO...

Mundo, já ninguém te conhece?

Eu tento lembrar-me de ti,
Mas, se me lembrei, já te esqueci,
E quero voltar a recordar-te, mas não consigo.
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Já não sabes de ti, propriamente,
Já nem sabes, em que ano nasceste,
Nem quais os caminhos, que já percorresse,
E menos ainda, o caminho certo, para seguires em frente.
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A tua forma de ser, provoca algum nervosismo,
Em certo aspecto, tu sabes demais,
Mas por vezes, perdes-te na linha, e ficas sem saber onde vais,
Quando te aperceber, estás caído num abismo.
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Tu tens amor ao próximo, mas muito baralhado,
Nem sequer, dá para se compreender,
Porque às vezes, trocas o caminho, que devia percorrer,
E nem te aperceber, que enveredaste por um caminho errado...
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As tuas ideias, resolveram mudar de sítio,
Ficaste virado, com cabeça para os pés,
Às vezes, queres disfarçar-te, e pássaros por aquilo que não és,
Fazendo uma ultrapassagem, que te faz cair num precipício.
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Muitos dos teus homens, estão a brincar às escondidas,
São procurados, mas pela polícia,
Desculpam-se, que no seu comportamento, não há malícia,
Mas esquecem-se, que o seu gozo, deixou as vítimas feridas.
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Tudo o que é mal feito, está na moda,
A triste criminalidade, avança,
Faz-se aquilo que dá na Gana, à pobre criança,
E até se envenena, a sopa da sogra!...
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Mais uma poesia da nossa já conhecida, Maria Irene  Nunes.
Está poesia, até se pode enquadrar um pouco nos tempos de hoje. Depois das imagens que acabei de ver na televisão sobre o que aconteceu em Londres, bem pode dizer-se "que o mundo está virado, com a cabeça para os pés".

                      Para todos, um abraço. SANTA.
 

domingo, 19 de março de 2017

A IDADE CONTA...

Pois é. A idade, é uma coisa que em nós avança sem que possamos fazer alguma coisa. É sobre a idade, ou por outra, a velhice, que eu hoje escolhi este poema da nossa já conhecida Maria Irene com o titulo: "VELHICE IMPACIENTE."

A velhice, chega impaciente,
Porque em cada dia, se acha diferente,
A idade, avança, e chegam as confusões,
Porque a velhice, não quer contradições.

Se alguém contrariar a velhice,
Já sabe que vai ter chatice,
Se é jovem, cuidado! Que com a velhice se encontra,
Não diga nada, senão, mais tarde dá bronca.

Com a velhice, tudo vai fraquejando,
O ouvido, vai deixando de ouvir,
As forças, começam a cair,
E o fim, vai se aproximando.

O que é a velhice?

Velhice, é o sinal da saudade,
Que fica marcado, ao distanciar-se, da sua mocidade,
E cada vez, acha mais longa, a sua existência,
Até ao ponto de pensar, que viver, é uma penitência.

                                                         De Maria Irene Pereira Lopes


      Neste fim de dia, cinzento e frio, daqui mando um abraço para todos.

                                               SANTA



quinta-feira, 16 de março de 2017

O ZUMBIR DAS ABELHAS...

O zunbir das abelhas é mais um poema de Maria Irene Pereira Lopes.

As abelhas, esses valiosos insetos,
Que são tratados, por alguns homens, com muitos afectos,
Dão o doce mel, para o delicioso xarope,
Mas, as suas amargas picadas, fazem alguém , andar a galope.

Quando o seu zumbir, apresenta uma voz esganiçada,
É sinal que temos de nos prevenir,
E o melhor que podemos fazer, é fugir,
Quando não, já sabemos que levamos picada...

A sua morada, em tradição antiga, é feita de cortiça
O seu telhado, é seguro com pregos de madeira,
Que foram feitos no inverno, ao serão, ao calor da fogueira.

As abelhas, deliciam-se, com perfume das flores,
Carregando nas patas, o seu suco de cores,
Andam quilómetros e quilómetros, a voar,
Para esse ingrediente, no seu celeiro ir colocar.

Quando a sua casa, ficar mesmo cheia,
Então, terão que sair, para fora da colmeia,
Formam um grupo, e toca a voar,
Combinam-se todas, e um enxame vão formar,
E ficam à disposição, de quem as quer apanhar,
Mas, com a intenção, de uma picada lhe dar...




Até á próxima. Um abraço
SANTA







domingo, 12 de março de 2017

A GUERRA AINDA NÃO ACABOU...

Algum tempo atrás, escrevi um artigo no nosso blog com titulo: " A guerra ainda não acabou! " Pois é. Muita gente pensa o contrário. Ela acabou. Passou á história. Mas não é tão fácil assim, ela desaparecer da vida de quem combateu, daqueles que ficaram deficientes para toda a vida, daqueles que viram diante dos seus olhos camaradas morrerem e outras situações horríveis. Como esquecer? É impossível. A guerra só acabará, quando morrer o último combatente. Mesmo assim, aquelas que ficaram viúvas e as que vão ficar não a esquecerão. A memória não pode ser tão curta. Aquelas mães,esposas, noivas e namoradas que nunca mais os voltaram a ver para fazer luto, que ficaram lá enterrados de qualquer maneira, já esqueceram?
Tudo isto, bem a propósito, do nosso camarada António Calvinho (que tão bem conhecem do nosso blog pelas poesias de guerra) ter á poucos dias sido amputado de uma perna devido ainda aos ferimentos de guerra. Para quem não sabe, ele foi ferido pelo rebentamento de uma mina incendiária (de fósforo) tendo sofrido graves ferimentos no corpo principalmente nos membros inferiores. Ao seu lado, morreu o capitão Valente. Tudo isto, perto de Metangula (Niassa). Como Alferes, foi comandado por Ramalho Eanes (então Capitão) É aqui que o cenário do texto muda. Ramalho Eanes não se esqueceu do homem que esteve sob o seu comando e foi visitá-lo ao Lar Militar  visitando ainda todos aqueles que lá se encontram.
Obrigado Senhor General Ramalho Eanes. Homem como o senhor, hoje, existem poucos.Obrigado por estar sempre desde a primeira hora ao lado de quem combateu e ao lado daqueles que ficaram deficientes. E aqui, a A.D.F.A está-lhe grato por tudo que tem feito. Devia ser um exemplo a seguir por outros!
O nosso blog, não podia ficar indiferente ao sucedido. Daqui, os camaradas da Companhia de Cavalaria 2415, que esteve também em Moçambique no Niassa, lhe prestam esta homenagem dizendo: Obrigado Sr. General Ramalho Eanes por estar sempre ao lado de todos aqueles que sofreram na pele uma guerra injusta. A SOLIDARIEDADE E A AMIZADE são duas coisas que muita gente não entende, mas bem hajam aqueles que a ainda a cultivam e não as deixam morrer.
 Daqui do nosso blog, camarada Calvinho, tu que lutaste tanto para que hoje exista a A.D.F.A.todos nós te enviamos um grande abraço e com os votos sinceros de rápidas melhores.

      

Alguém disse:

"OS VERDADEIRO AMIGOS
NOS FAZEM SENTIR QUE NÃO
IMPORTA O PROBLEMA QUE
TENHAMOS QUE ENFRENTAR,
ELES SEMPRE ESTARÃO AO NOSSO LADO."


Daqui, mando um grande abraço para todos. SANTA.

sexta-feira, 10 de março de 2017

DESTAQUE...

É mesmo em destaque.
Ao nosso camarada e amigo Alferes Magalhães, os camaradas da 2415, desejam-te as rápidas melhores e que o pior já tenha passado. Esperamos todos por ti em Maio para comer o apetitoso Leitão.
                
      UM GRANDE ABRAÇO DE TODOS E AS MELHORAS RÁPIDAS
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quarta-feira, 8 de março de 2017

Madagascar no N/M "Pátria"


Numa destas ultimas tardes invernosas de domingo estava eu com o meu filhote ao colo a ver na Tv um filme animado chamado "Madagascar". Para os que não sabem do que se trata, a imagem acima logo identifica o assunto mas, ao fim e ao cabo, é sobre as gozadas aventuras daqueles quatro animaizinhos com predominância para a simpática zebra.
Acontece que, enquanto olhava as divertidas imagens saltou-me à memória uma "aventura" também com zebras e acontecida durante a nossa estadia/regresso de Moçambique.

Em Nov.69 estávamos nós em Tenente Valadim e era hábito do Batalhão contratar caçadores nativos da aldeia a quem compravam os animais que abatiam, aliás, de boa qualidade de carne, para matar a fome ao pessoal. Lamentávelmente essa qualidade era desperdiçada pelos "Chefs" aquando da sua confecção. Mas o que importava, acima de tudo, era o estômago aconchegado! (Prometo ainda um dia aqui contar algo semelhante sobre a melhor maneira de tratar a arte da culinária pelos nossos "profissionais" em Lione).

Um dia os ditos caçadores vieram fornecer ao Batalhão um boi-cavalo (como lhe chamavam) e duas zebras. Logo ali, no átrio em frente à cozinha, as desmancharam sem desperdício das peles.
Abeirei-me deles para as comprar ao que acederam de bom grado, pois não era hábito ninguém se interessar por peles mas sim por carne.
Pedi-lhes para as limparem e secarem o melhor possível, pois tinham como missão seguirem viagem quando chegasse a hora. Assim o fizeram e, após algum tempo entregaram-mas, no seu entender, em bom estado de conservação, já enroladas e atadas para a prometida viagem transatlântica que se avizinhava.


(Uma das "zebras" durante a secagem na aldeia em Tenente Valadim. Fazia parte do sonho de quase todos nós que era "sonhar" com a decoração a dois, após o regresso,  da futura casa dos sonhos).





(Aqui as "zebras" já enroladas e atadas com o Cabrita sentado em cima e o falecido Fuzeta logo atrás. Ao lado, protegido pela G3 (a FBP já era!) a minha pessoa, com aspecto cansado. Que me perdoe o soldado de Cavalaria mais atrás por já não lembrar o seu nome. E, ao fundo à direita, na pose habitual de mãos à cintura, o falecido Conde (amanuense) junto do chefe do Moreira do GRC-9, o Sr. Afonso, limpando as unhas!
Foi em Fev.70 na estação de Nova Guarda, enquanto esperávamos o comboio para Nampula. O destino seria o "resort" de António Enes).

Entretanto, estabeleceu-se uma confusão por causa da data do regresso, um dia era o Niassa noutro dia logo se vê. O atrazo, quanto a mim, tinha a ver com a falta de barcos uma vez que aquele que estava destinado a levar-nos de volta teve uma avaria, e daí a oferta de última hora do "resort" por mais alguns  poucos meses.

Enquanto isso, as "zebras" enroladas continuavam expostas também ao sol de Angoche (A.Enes) e, nessa altura, detectei um odor algo desagradável que exalavam, mas logo virei costas ao problema. A vida bem gozada na cidade não deixava tempo para preocupações.

Por fim chegou o tão ansiado dia do regresso e logo dei prioridade ao dito rolo. Dentro do "Patria" as instalações que me calharam em sorte foi na parte mais funda do porão, quase dentro do duplo-fundo. Como quase todos conhecemos, era um enorme espaço com beliches de madeira virados para todos os lados.
Acondicionei a "carga" o melhor possível debaixo dum beliche e fiz-me ao mar, tentando distrair-me, vez em quando, com uma "lerpa" jogada em cima de caixotes de boa madeira (digo eu, agora, se calhar "sucupira" ou outra), compridos e rectangulares, que a malta ia buscar num canto onde estavam amontoados e que também serviam para nos sentarmos.
Mais tarde, já após a chegada, constou-me que dentro desses caixotes vinham as urnas com os corpos daqueles que tinham falecido durante a missão.
Se sim ou não, ainda hoje não tenho certeza, mas que até faz muito sentido, lá isso faz!

Ao dobrarmos o Cabo das Tormentas, saindo do Indico para entrar no Atlântico, com Capetown à vista, lembro-me que o barco foi bastante fustigado com o mau tempo obrigando-o a adornar a EB e BB, forte e feio.
E, foi isso, que logo pôs a malta quase toda a "gritar pelo gregório". Quem habitava nos fundos, nem tempo tinha para chegar ao varandim do 1º convés, logo ali despejava tudo o que tinha e o que não tinha!

Entretanto, a viagem seguia já com uns poucos de dias e o cheiro das "zebras" enroladas debaixo do beliche tornou-se muito desagradável e, fosse ou não, porque os estômagos e narizes da malta ficou mais sensível por causa dos enjôos sofridos, o que sei é que os meus "vizinhos" (já não sei quem eram) fizeram-me um ultimato:  Tens de tirar esta merda daqui, pois isto deita um fedor que tresanda.
Ainda resisti durante algum tempo, explicando-lhes o inexplicável, enquanto pensava na melhor forma de resolver o assunto.
Se, por acaso, já estivéssemos com o Forte de S.Julião da Barra à vista, acho que ainda aguentava mas, assim, com o horizonte alfacinha ainda tão longínquo, não me ocorria nenhuma solução a contento.
Mas, acontece, que nem me deram tempo para os acalmar, logo arrastaram o rolo debaixo do beliche e o cheiro, acreditem ainda me lembro, era mesmo insuportável.
Acho que com a ajuda de alguém, só podia ser, continuo a não me lembrar de quem, lá conseguimos subir até ao convés com as duas "zebras" mal cheirosas às costas. E, sem solução, nem sequer me interessei por ver os seus estados de saúde.
Despedi-me delas e, com um funeral digno, foram atiradas ao oceano!

Como qualquer história (esta sendo verídica)  também tem uma moral: "Os inteligentes são algo estúpidos!






HOJE DIA DA MULHER...

Pois é. Hoje dia da mulher, o nosso blog não podia ficar indiferente àquelas que nos têm aturado este tempo todo. Nada melhor que publicar no nosso blog, um artigo que veio no nosso jornal "O ELO" da autoria dos nossos camaradas José Diniz e Rafael Vicente. É uma maneira do nosso blog também lhes prestar homenagem.





Para todas as mulheres, um grande beijinho da malta da 2415. SANTA.

domingo, 5 de março de 2017

INSTRUÇÃO TOTAL...

A criança ao nascer,
Começa logo aprender,
A palavra pequenina,
Começa por pai e mãe,
Pelos avós também,
E a seguir pela madrinha.
...........................................
Ao dar os primeiros passos,
Aí, começam os fracassos,
Sem equilíbrio cai ao chão,
Mais alguns meses passados,
E mais uns passos mal dados,
E já sai um palavrão...
..................................................
Quando entra na escola primária,
Sua tarefa diária,
Já tem a instrução total,
Aí, começa aprender,
Tudo o que ouve dizer,
Seja bem, ou seja mal.
............................................
Em certa fase do ensino,
Ou seja menina ou menino,
O que lhe ensinarem, aceita,
E como coisa natural,
Recebe a instrução total,
Até, de como foi feita...
............................................
E ao fim de alguns anos de estudo,
Está preparada em tudo,
Para o que lhe apetece fazer,
Só não lhe foi ensinado,
Que pode ter como resultado,
Uma vida para sofrer...
          ...........,...
    Hoje, num domingo chuvoso, mal encarado, eu me despeço que o dia de amanhã venha mais bonito que o de hoje. Um abraço para todos.SANTA.

quinta-feira, 2 de março de 2017

QUANDO OS PASSARINHOS CANTAM...

Quando os passarinhos cantam, eu choro,
Mas que não se zanguem comigo, porque eu os adoro,
A sua voz, ao cair da noite, faz-me lembrar alguém que já não existe,
Por isso o seu cantar, me deixa ainda mais triste,

Quando ouço o som da sua voz, sair do meio do deserto,
Mantenho o silêncio, para sentir tudo mais de perto,
Então, novo no passarinho, uma voz enternecida,
Pensando talvez, por quem vai ser ouvida?
Será por alguém, que se considera um passarinho perdido,
Ou será por alguém, para que a vida já não faz sentido?

Será talvez, um passarinho, que eu penso que canta, e ele chora,
Procurando o filhinho, que saiu do ninho, e foi embora,
Cheio de mágoa, procura no deserto,
E aí, larga a sua voz, mas a solidão, cada vez está mais perto...

                                                          Maria Irene Nunes Pereira Lopes

           (Continua)
                                             Um abraço. SANTA.