sexta-feira, 5 de maio de 2017

Tenente Valadim - Out. a Dez. 1969

Já há muito que não ia ao baú dos "recuerdos" de guerra. E de lá trouxe estas curiosidades ainda vivas na memória, que aproveito para "partilhar" com os habituais interessados.



Todos nos lembramos do bojudo Nord-Atlas quando ia abastecer o Batalhão onde estávamos de passagem. À falta de pequenas distrações que ajudassem a passar o tempo, para não ser só a lerpa, a sua permanência e, principalmente, as operações de aterrar e levantar vôo eram espectáculos imperdíveis.
Quanto às grandes distrações, eram outras histórias que, infelizmente, acabavam em dramas e sofrimento. Ainda hoje é disso testemunha o nosso amigo Moreira, não podendo dizer o mesmo os outros militares da Companhia, o Peniche e o Corado, além de outro do Batalhão, lá falecidos.


Um dia entrei nesta capela e gostei da sua simplicidade, para os que apreciavam julgo que seria um sitio especial. Acredito que a sua construção fazia sentido pois a maioria dos militares eram católicos. Tal obrigava a ter de haver alguém que controlasse as almas dos fiéis. E, não fugia à regra, pois fazia parte do Batalhão um oficial capelão para isso mesmo.
Rezava a missa e julgo confessava e dava a hóstia aos crentes necessitados. E, acredito que, quando em vez, lá fazia uma ou outra extrema-unção.
Hoje, contudo, entendo que havia ali algum desperdício de mão-de-obra no uso da G-3. Para mim os senhores capelães também deviam ter tido oportunidade de conhecer a guerra mais por dentro e, para isso, deviam ter feito as suas deslocações em colunas militares e, porque não, umas "operaçõezitas", nos intervalos dos seus reduzidos afazeres! Ao fim e ao cabo somos todos filhos de Deus, ou não?
A terminar, peço que reparem bem, pois faz todo o sentido, pode ver-se em cima dum pedestal em grande plano, a imagem da Nossa Senhora de Fátima.
Serão incontáveis, certamente, o número de promessas feitas por militares e suas famílias em peregrinações ao Santuário de Fátima.


Ora cá está ele, o chamado "mainato", aquele que lavava e passava a roupa a ferro. Um esmero como se verifica! Há falta de lavandarias até tinha direito a ter um desde que lhe pagasse 25 Escudos/mês. Mas era "precário". Hoje, se ainda for vivo julgo que continua a ser!



Numa ida à aldeia aqui mostro bem a minha vocação para tratar criancinhas. Nem sequer me passava pela cabeça que após 44 anos a dose se iria repetir! Curiosidades que a vida nos reserva!
Sei que são situações totalmente diferentes, épocas diferentes, compará-las com as que o mundo atravessa hoje, tão violentes e desumanas.
Mas numa guerra não é obrigatório fazer mal às crianças, se querem que o mundo pule e avance com um prato de comida entre as mãos duma criança!





Sem comentários:

Enviar um comentário