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domingo, 2 de abril de 2017

VERGONHA. ESQUECIDOS...

Nesta linda tarde de sol, puxei de uma cadeira e fui para o meu jardim ler um livro sobre a Guerra Colonial. De tantos livros que já li sobre este assunto, este foi só mais um. O cantar dos pássaros em diversas melodias, não me tiraram os diversos cenários de guerra que o livro continha.
 Tudo isto, me fez lembrar de muitas coisas que não podem ficar esquecidas. Nele, o livro, tinha algumas fotos sobre cemitérios onde repousam os restos mortais de muitos camaradas nossos. Claro. Para mim pessoalmente, é uma coisa que me revolta. Podem dizer que eu falo sempre na mesma coisa. Será? Falarei até que eu tenha voz para falar. Calar? Nunca. Jovens que foram obrigados para uma guerra inútil, sem qualquer razão, e que nela morreram e ainda por cima, a sua trasladação para cá, custava ás famílias (na altura) 11 mil escudos ou mais, o que naquele tempo, para muitos, era difícil de suportar. Acham que o dever era das famílias fazer aquilo que competia ao estado? Trazê-los para cá? E assim, o Movimento Cívico dos Antigos Combatentes, e muito bem, denunciou julgo eu em 2013, que 1750 combatentes mortos ficaram por lá em campas abandonadas, a maior parte delas vandalizadas. Isto, já para não falar daqueles que por cá andam nos sem abrigo! 
 Tudo isto vem por uma frase que li que diz o seguinte: "Não serão renegados os Heróis das Guerras do Ultramar." Afirmou a Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas, após o 25 de Abril de 1974. O que fizeram? Nada.
É triste, saber que há famílias que ainda hoje choram a morte deles. Famílias que gostavam de ter feito luto por eles. Saber que os seus restos mortais se encontram ao abandono (a maior parte) DÓI. Diz o Movimento Cívico Dos Antigos Combatentes (e muito bem): "É um dever patriótico dignificar os nossos mortos". "Foram muitos a partir e nem todos regressaram". E agora pergunto eu: PORQUÊ? Falta de dinheiro para transladar os restos mortais deles? Não me digam..., quando hoje damos conta de tanto dinheiro desviado sabe-se lá para onde e para quê. Para onde foi o dinheiro? Desapareceu? Não! Um diz que não foi, o outro diz também que não foi, fui eu? Claro. Para trazer para cá os restos mortais dos nossos camaradas é que não á dinheiro, pois ele faz falta para... Não digo mais nada.
 Alguns já regressaram, graças á Liga dos Combatentes. Daqui um bem haja para o seu desempenho nesta luta, mas com eles, deveriam ter estado (e estar), os governos deste país.Que fariam agora os políticos do nosso país se tivessem os filhos ou netos nesta situação? Sim. Que fariam? Só que as nossas tropas de hoje (e ainda bem), já não sofrem da mesma situação igual á que nós sofremos. Em conversa, já muitos me disseram: é pá, deixa lá isso. São ossos. Custa-me ouvir e ás vezes respondo com um tom um pouco ríspido.
Da minha parte, já lá vão 48 anos. Mas a memória raramente se esquece dos episódios de guerra. Todos nós que lá andamos, estamos todos na recta final das nossas vidas. Que pelo menos os nossos filhos e os nossos netos se lembrem de nós, quando deixarmos esta vida.


Esta foto é só para recordar um de muitos.

Para mim, tudo isto é uma vergonha nacional.

Sem mais por hoje. Do calor da tarde, ao frio da noite. Um grande abraço para todos vocês.

SANTA






1 comentário:

  1. Penso do mesmo modo. Chamo de covardes a todos aqueles que à frentes das instituições governamentais e militares, que ao longo dos anos, sempre assobiaram para o lado, enquanto pensavam: "Quem vier a seguir que resolva o problema". Aliás, problema por eles criado.
    E, entretanto, já se passaram 50 anos. E a vergonha só cairá no esquecimento quando o último de nós "for desta para melhor"! Os nossos descendentes, infelizmente, têm mais com que se preocuparem.
    E, infelizmente, digo eu, também com outros tipos de problemas que, sempre os mesmos, entretanto, vão criando.

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