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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Adeus inté ó meu regresso

 
Todos conhecemos bem e ainda nos lembramos desta célebre frase que a RTP atirava para o ar em vésperas de Natal.
 
Para os que nunca ouviram falar em tal, digo-vos que era a mais icónica, além de outras como: passem um Natal Feliz e um Novo Ano cheio de propriedades.
 
Durante a chamada "guerra colonial" muitos dos militares que por lá passaram foram convidados a enviar mensagens de Natal, ao vivo, para as suas famílias saudosas na metrópole. Para isso a RTP deslocava-se às colónias e ajudada pelos serviços de filmagens das Forças Armadas entravam mato adentro até em zonas perigosas de 100% para junto da malta filmarem e gravarem as ditas mensagens que, posteriormente, passavam na televisão em horário nobre, julgo que à volta do Telejornal da noite.
Era uma das formas das famílias, que cá ficavam a sofrer pela ausência dos seus, conseguirem olhar e acreditar que ainda estavam vivos.
 
Pois a mim também me tocou essa sorte e fui colocado na fila da malta, julgo que sorteada para o efeito. A coisa era muito simples, o companheiro da frente após gravar a sua mensagem logo passava o microfone para o de trás que, em muito pouco tempo, tinha de dizer o que lhe ia na alma. E, sucessivamente, pois a equipa de filmagens teria que pôr os pés à picada e não havia tempo para decorar o "script" de cada um.
 
Desse modo, lembro-me de ver o "técnico da claquete" meter-me à frente do nariz a dita e bater a tampa dizendo: pode falar , enquanto recebia o microfone do anterior.
 
Ora, como não nasci para actor, só sei que o nervosismo (não digo "stress" porque foi em 1968, e nessa época nem sonhávamos vir a usar essa palavra) deixou-me todo tolhido sem saber bem o que dizer e, então, com a boca em cima do microfone lá consegui balbuciar:  VOU FALAR PRA PAREDE pra meus pais, etc. etc. etc. - Cabo Cripto - fulano de tal.
E logo passei o micro que queimava ao gajo a seguir.
 
Ou seja, não é habitual encontrar pessoas que falam para a parede, pois são tolinhas, mas devo ter sido dos poucos que falou para a freguesia da Parede, concelho de Cascais.
 
Acontece que a minha família quando soube que eu iria aparecer no ecrã da RTP passou a vigiar o aparelho e, tanto esperaram que acabaram por me ver e ouvir a dizer: "Vou falar pra Parede".
E, vejam bem, até tiraram uma foto com "flash" ao  seu  mais que tudo  escarrapachado no ecrã, só que, após a revelação do "rolo" a foto saiu preta. Altas tecnologias daquele tempo!
 
Curiosidades de Natal que a memória não apagou.
 
Feliz Natal a todos
 

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