sábado, 19 de outubro de 2013

Dantes paludismo, agora malária !


                                       (O terrivel "predador" de África o mosquito fêmea "anófeles")

Sem medo de errar digo que muitos compatriotas, militares e não só, que por este Moçambique andaram a penar e outros a tratar da vidinha, afinal de nada valendo, foram atacados por este terrivel insecto que deixa qualquer um em estado lastimoso, podendo chegar  até a situações extremas de morte.  Se a pessoa tem o azar de ser picada por uma fêmea do mosquito é certo e seguro que mais ou menos entre o 7º e o 35º dia entra numa situação fragilizada e depauperante, chegando a estados febris graves que podem atingir 41 graus.

Lembro-me que durante a minha estadia em Lione não consegui fugir à regra e fui também "massacrado".  Tive a sorte de precisamente nesse dia ter pousado no campo da bola um helicóptero trazendo um médico, pois vinha evacuar um companheiro, não lembro quem, e ter-me tratado da maleita in loco, deixando a recuperação a cargo  dos nossos "técnicos de saúde".  Sei que passei mal e atingi os 40 graus. Uma vez mais, por nunca ser demais, agradeço ao meu amigo Moreira ter olhado por mim naqueles momentos difíceis. Admiração eterna, amigo.
Diziam-nos que aquela doença se chamava de "paludismo" e os nossos mentores na arte de guerrear aconselhavam que tomássemos um comprimido de cor amarela, composto de quinino (parece que estou a vê-los) como preventivo contra os efeitos dos ataques do dito "predador", julgo que uma vez por semana.
Como a ignorância era o nosso prato forte, muitos de nós não ligava a mínima importância e conheci até alguns que faziam trocas comerciais com os autóctones trocando os comprimidos por bananas e outros. 
Bom, mas isto foi dantes, de 1968 a 1970 e, que eu saiba, todos os atacados pela preocupante e incómoda doença, regressaram sãos e salvos à santa terrinha, apesar de ficarem sujeitos durante mais alguns anos  ao posterior surgimento de novos sintomas do mesmo mal, devido ao parasita continuar incubado.

Agora em 2013, e mais conhecida por "malária", só num ano, período da minha estadia aqui, a minha filha teve a infelicidade de já ter tido sete episódios e 2 a minha mulher desta terrivel doença.  Vou escusar-me de detalhar os pormenores, mas acreditem que não é nada agradável assistir ao desenvolvimento da doença naqueles que amamos. É penoso e muito preocupante, principalmente enquanto não saem os resultados finais do laboratório.
A convalescença é normal mas a recuperação total demora ainda algum tempo, senão meses.

Todos julgamos que este mosquito existe mais nas áreas poluídas das zonas urbanas (águas estagnadas, esgotos a céu aberto, lixeiras, etc)  ou no mato por causa da vegetação, mas há coisas difíceis de acreditar.
Eu próprio já fui picado várias vezes (felizmente por machos) apesar de usar repelentes a partir da noite, e sabem onde isso aconteceu nas duas ultimas vezes?  Quem havia de dizer?
- A 1ª foi precisamente no hall do Hospital Privado (o melhor estabelecimento de saúde de Maputo) onde a minha esposa esteve internada. A fim de descansar um pouco desloquei-me até ao hall da recepção onde me sentei, esticando as pernas e logo aí fui picado nos  tornozelos.  Claro, entrei em pânico, pois já não havia nada a fazer! 
- A 2ª foi no Hotel Rovuma, um dos bons hotéis desta cidade, também sentado no hall de entrada, aconteceu-me a mesma coisa fui picado de novo nos tornozelos.
Apesar de não ter passado ainda o tempo  limite para a infecção se declarar, quero acreditar que nada de mal me irá acontecer.

Em traços gerais, e devido à minha forçada "formação" nesta especialidade, alerto a todos aqueles que por aqui tenham de andar, principalmente a quem tem crianças, ou que estão a pensar em vir para não facilitarem. É grave de mais. E aquela   "máxima":  Eu combato os mosquitos com uns bons  whiskeys, isso é treta!!

Por ser verdade a decisão está tomada e, assim sendo, até breve,com um abraço, A.Castro


Sem comentários:

Enviar um comentário