sábado, 27 de abril de 2013

Messi, nome da minha "mainata"

 
 
Durante os 2 anos de comissão (guerra) em Moçambique tive dois excelentes auxiliares de lavandaria, um em Lione e outro em Tenente Valadim. Tenho ideia que qualquer deles auferia o salário mensal de 20 Esc. mais as sobras dos alimentos que lhes dava quando iam entregar a roupa lavada e engomada a ferro de carvão.
 
Hoje, passados que são 43 anos, tenho uma "mainata" (técnica auxiliar de serviço doméstico) a tempo inteiro. É uma nativa, contratada, através do conhecimento de alguém, numa localidade chamada Maubo a cerca de 100 km de Maputo. Quando está tempo seco demora em transporte de "chapa", picada fora, para aí 4 a 5 horas. Mas se chove a demora triplica.
De escolaridade tem até à 6ª classe que abandonou para  dar à luz um filho que agora tem 2 anos (infelizmente, coisa normalissima em África).  Para conseguir o seu sustento foi obrigada a pôr pés ao caminho, deixando-o aos cuidados da avó e, assim, entrou ao serviço deste vosso amigo.
Para atenuar o sofrimento da separação do filho entendemos, apesar de não constar do "acordo de trabalho", oferecer-lhe em semanas alternadas idas à terra para visitar o seu filhote.
Ora, já se sabe, que há 2 fins de semana por mês que entro em "trabalhos esforçados", mas tudo bem, é por uma boa causa!
A Messi (garanto que é nome verdadeiro e ando a pensar recomendá-la ao Cristiano Ronaldo para sua empregada doméstica) é diligente e aprende fácilmente o que se lhe ensina ou recomenda.
 
Faz parte dos meus hábitos diários "mata-bichar" debaixo dum telheiro no exterior, por um lado é recomendável por ser mais fresco e poder olhar as papaieiras por entre  um céu tão luminoso contrastando com as esfarrapadas nuvens brancas que só há em Moçambique.  Mas, por outro, logo surgem as moscas atraídas pelos odores dos alimentos, o que é uma chatice do caraças!
Acabei por descobrir uma forma eficaz de resolver o assunto que é  usar a "arma mortifera" de plástico que se vê na foto. Enquanto "desayuno" vou esmagando todas as asquerosas que se lembrem de poisar à volta da minha mesa.
 
É natural que os meus caros amigos fiquem até a pensar: "O gajo passou-se, está mas é apanhado do clima" o que, se calhar, até nem foge muito à verdade!  Em Àfrica temos de nos adaptar às moscas e mosquitos e nunca o contrário! E quem facilitar pode mesmo ter problemas sérios.  Ainda se lembram?
 
Entretanto, aproveitando estar a mata-bichar fui explicando à Messi que, quando fosse preparar e  pôr a mesa para o mata-bicho do patrão, que a toalha fosse colocada só ao meio da mesa (ver foto).  
E, assim foi,  para meu espanto, no dia seguinte,  além de tudo estar como lhe ensinei (papaia, torradas, café) a surpresa foi total  quando reparei que, do lado direito da mesa,  para poder fazer bom uso daquela arma letal, a Messi tinha colocado o meu imprescindivel mata-moscas, sem nunca lho ter mencionado! 
Ela lá saberá porquê!!      
 
   


1 comentário:

  1. Olá Castro! Como sempre um belo texto.Um grande abraço para ti.O teu filhote como é que vai? Espero que tudo esteja a correr bem com ele e com a mãe e claro, contigo também.
    Já hà muito tempo que noto a falta do nosso amigo Paulo. Olá Paulo! Espero que esteja tudo bem contigo. Um qabraço. SANTA.

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