sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cheguei ao Indico

 
 
Julgo que o meu tetra-tetra avô o D.João de Castro quando há 500 anos tocava estas paragens a caminho das Indias, com toda a certeza nunca imaginou que passados tantos séculos um seu descendente aqui iria rumar e sediar-se por tempo indeterminado.   A diferença é que hoje as naus têm asas e nos devolvem à procedência em 10 horas, questão de um sono só mal dormido, mas isso dá-nos algum conforto pois é muito bom termos sempre à vista um "seguro" porto de abrigo.   Juro, piamente, que este seguro não foi de propósito!
Só agora dou noticias pois há cerca de 1 mês fui brindado à chegada com um principio de broncopneumonia devido a ter dormido, acho eu, com a ventoinha em cima para tentar atenuar o forno de trinta e tal graus carregados daquela intensa humidade que todos ainda se devem lembrar.   Mas após esse castigo duma semana a antibioticos e xaropes, retido em casa, a maleita foi-se dissipando e hoje só resquicios ainda agarrados.
Reconheço que a dedicação que o amigo Santa tem pelo nosso "entretem" o leva por vezes ao desespero e alguma frustação e daí até eu, desta vez, ter levado nas orelhas!  Só lhe faltou ir ao Q.G. arranjar um mandato para descobrirem o paradeiro deste desertor!
Aliás, todo o seu apego e incentivo, únicos, ao serviço do blog fala por si.  Quem dera, realmente, que todos nós da 2415 participassemos/contribuissemos com um minimo que fosse e iriamos fazer história.  Assim, e já andamos a dizer isto desde o seu nascimento, acabará quando tiver que acabar.  Fizemos o melhor que soubemos e pudemos, não é carissimo Santa? A mais não somos obrigados.
E para te aliviar um pouco a preocupação ofereço-te essa papaieira carregada de tão saborosos frutos. Como-os diáriamente, acredita que são excelentes.  Ainda te lembras do gosto?
E a terminar, unicamente como mera curiosidade, pois sei que muitos de nós apreciam conhecer, aqui deixo alguns apontamentos do que tenho ouvido sobre o país e do que tenho verificado entre Maputo e a  Matola: "Há dias em que esta terra me parece abençoada pelo Deus católico de parceria com o Alá, outros nem tanto! Se calhar será por isso que andam por aqui cada vez mais "molungos" de todos os continentes e que tantos buracos fazem com os camiões que mais parecem saídos do filme americano "O comboio dos duros" na unica estrada rumo a South Africa.  Mas vê-se, sim senhor, que há muito mais movimento, crescimento, agitação, dinâmica/indolência ao mesmo tempo e isso tem de se traduzir em "money".   Os bancos deitam por fora, as operadoras de telemoveis idem, aspas-aspas e até as vendedeiras de berma de estrada  são aos milhares (é normalissimo ver uma mulher da palhota com o filho às costas a vender montinhos de mafura, papaias, bananas ou qualquer produto da terra e ter um "celular" agarrado à orelha enquanto atende o cliente e rindo-se como só elas o sabem fazer), nos grandes supermercados o movimento é enorme tanto a passear como nas bichas das caixas.
O mercado automovel melhorou incomparavelmente, passou a haver uma grande procura de compra de carros através da internet virados para o mercado asiatico que veio melhorar não só a qualidade como a quantidade, mas o que dá cabo deles são as estradas/picadas, essas são uma lástima e ninguém se preocupa demasiado com o problema.
O produtos básicos alimentares são em média 40/50% mais caros do que em Portugal, em contrapartida a gasolina anda na ordem de 1 Euro/litro.  O camarão e o peixe já não se compram pelo preço à moda antiga, o médio já custa 6/7 Eur. e o peixe-serra ou garoupa 5/6 Eur., mas as excelentes frutas fazem o equilibrio e quase todas elas são de preços baixos.
O mercado de arrendamento surgiu e há apartamentos dependendo da zona, e até bem recuperados no seu interior, que oscilam entre os 500 até 2000 Euros ou mais se for caso de moradias. O pior da festa são as entradas principais (hall de entrada) pois podemos encontrar desde o esgoto aberto ao cabo electrico que nos roça a cabeça, elevador nem pensar, nem arriscar sequer, e quando assim é o melhor é contar em borrar os sapatos com a trampa que fazem escada acima escada abaixo. 
Últimas dicas ouvidas de quem sabe: Moçambique neste momento pode considerar-se um mercado emergente. Qualquer negocio desde micro, médio até ao expoente máximo é potencialmente positivo. Nos proximos 3 anos será a melhor altura para alguem se posicionar, a partir daí vai surgir a novidade que já é do conhecimento do grande publico, o "boom" do petroleo infinito a juntar ao gas que já está em desenvolvimento e ao carvão que é só o maior produtor mundial.
Pergunta-se: Aonde isto vai parar? Sente-se uma maior confiança na questão politica e daí ouvir-se dizer normalmente: "Isto não é Angola".
Se assim vai ser ou não, quem sou eu para responder, pois não sou bruxo. Mas que tem pernas para andar apesar de todos sabermos que são sempre os mesmos a chegar primeiro, não há duvidas! Mas também é verdade que agora começa a haver sobras para todos poderem abocanhar o seu bocado, digo eu!  Haja dinheiro para o 1º investimento o resto chegará por acrescimo."
Do capital do Indico com um abraço, A.Castro   
 

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