segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O meu camuflado

A surpresa já para não falar na emoção foram enormes ao abrir um saco e deparar com o meu camuflado, passados 42 anos.
A memória entrou de imediato em altas rotações e tudo ficou nítido como se tivesse regressado ao passado.  Foi um altissimo costureiro de Lione, como se fosse um Christian Dior, que o alterou tornando-o mais curto e cintado e apertando as calças à moda "chico fininho", moldando-o a um físico de 20 anos.
Está gasto de muito uso de 2 anos e tal com algumas "cicatrizes" nos joelhos e nos fundilhos, cozidas à mão, se calhar por mim próprio.  Mas o que mais me impressionou foi notar que conservava e cheirava ainda àquele pó moçambicano que tive de sacudir para o lavar e conservar melhor a partir de agora.
Este pequeno episódio aconteceu por mero acaso, foi em casa de minha mãe e tal se deveu porque, após o nosso regresso, foi nela que continuei a residir.  Quando me casei alguns dos pertences pessoais aqui ficaram esquecidos para sempre. Até que, por motivo de força maior, vim de novo aqui residir por um pequeno periodo de tempo e, como disse, as emoções repentinamente surgiram.  Apesar de não ser nada de importante, quero acreditar até que muitos de nós já passaram por situações idênticas, entendi partilhar mais este pequeno e singelo episódio pois faz parte daquele outro mundo em que já vivemos.

1 comentário:

  1. Pois é, amigo Artur.Como vez,indo ao baú, encontra-se sempre algo que fez parte do nosso passado pela guerra! Também tenho no meu baú os dois camuflados.Um dos quais tem as marcas daquilo que me aconteceu e me levou para o hospital.Ficam para a posteridade.O meu neto diz que um dia, quer ser o depositário do meu baú para perdorar pelos tempos fora as memórias da guerra onde o avô andou.É bom. A historia não é para esquecer.Ignorá-la,é renegar o passado!
    Um abraço. Santa.

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