domingo, 19 de junho de 2011

ECOS DA GUERRA COLONIAL

Por: F. Santa
Julgo ter algum interesse para todos que andaram na guerra, sendo deficientes ou não, este apelo:  devemos ter em atenção aqueles que, mesmo não tendo o rótulo de deficiente, sofrem os traumas da mesma guerra no silêncio familiar, com vergonha de os assumirem   ou por não terem quem os encaminhe para o sítio certo para que eles sejam resolvidos. Além dos traumas, fazem parte outras doenças que  carregamos oriundas da mesma guerra. Ainda hoje (desculpem o que vou dizer) vão chegando até nós camaradas   que parecem farrapos, completamente perdidos no tempo. Eles e as suas mulheres e por vezes até os filhos, vêm  pedir ajuda para os seus problemas, só que os  processos arrastam-se pelos corredores dos esquecidos e alguns, quando são resolvidos já é tarde demais! Nós, A.D.F.A., queremos que todos aqueles  que, como já referi, não têm rótulo de deficiente, não sejam também esquecidos pelo poder político e que sejam olhados como membros da mesma guerra. Sempre que precisarem não tenham receio de contactar-nos.



Algum tempo atrás, falei aqui no nosso site, de um seminário que a delegação de Coimbra (de que eu faço parte) ia realizar nesta cidade, com o título “ Ecos da Guerra Colonial”. Este mesmo Seminário realizou-se no passado dia 11. Estiveram presentes o Pres. C.M. de Coimbra, Reitor da U. Coimbra, Governador Civil de Coimbra, Comandante da Brigada de Intervenção, Director do S. de Saúde Militar de Coimbra, Pres. da L. dos Combatentes, Pres. da Direcção Nacional da A.D.F.A e o Pres. da Delegação de Coimbra da A.D.F.A.
Foram ainda oradores o Cor. Lopes Dias da A.D.F.A, o M.General Augusto Valente da Ass.25 de Abril, Dr. Teresa de Carvalho investigadora da U. de Coimbra, Dr. Sena Martins do CES- U. de Coimbra, Dr. Margarida Calafate também do CES. Todos estes oradores falaram sobre estudos que estão a ser feitos, muito especialmente sobre a Perturbação Pós-Stress Traumático, da Guerra Colonial e dos D.F.A. .  Sobre a Guerra Colonial, o Dr. Sena Martins conjuntamente com o Dr. Boaventura Santos estão a fazer um trabalho sobre toda a verdade daquilo que foi realmente a guerra e o que nós passámos. A verdadeira história tem que ser contada, não pode ficar fechada no baú para sempre. Segundo sei ainda vai demorar cerca de um ano a estar concluída, mas depois, muita gente irá ter conhecimento de muita coisa.
Sendo assim, e como tudo isto também fás parte de todos nós, eu vou transcrevendo alguns textos, sobre este assunto. É bom que ninguém se cale perante as autoridades máximas deste país e diga: BASTA! Queremos, todos sem excepção, deficientes ou não, um fim de vida digno, pois todos somos filhos da Guerra Colonial, nem que para isso tenhamos que nos manifestar em público.

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Agora mudando de assunto.
Esta foto está  aqui só por uma questão muito simples. Quando vamos ás escolas falar sobre a Guerra Colonial, os alunos fazem muitas perguntas, algumas das quais, se havia também aviões, e neste caso fala-se no T- 6 ou no Fiat, eles interrogam-nos: Mas que aviões eram esses? Para muitos que não sabem que aviões eram, hoje vão começar a conhecer alguns. Como eu tenho divulgado o nosso site quando vou às escolas, a partir daqui eu vou meter alguns aviões para todos ficarem a conhecer. O primeiro é o famoso T6. Fica aqui um pequeno comentário sobre este avião:
O seu browser pode não suportar a apresentação desta imagem. O T-6 foi um dos mais famosos aviões monomotores de hélice, conhecido por nomes como "Texan", "Harvard", "Yale", "Wirraway", "Mosquito", "Boomerang" e "Tomcat", conforme o país que o usava. Foi adoptado na força aérea de 55 países, desde avião de treino de pilotos, a bombardeiro. Criado em 1935 pela North American, começou a ser utilizado em força em 1940, sendo introduzido em Portugal em 1946.

O T-6, podia ser convertido em caça-bombardeiro ligeiro, equipado com metralhadoras, mísseis, bombas convencionais
ou de napalm debaixo das asas ou actuar como avião de reconhecimento.


(Um T-6 a recolher as rodas. Foto SAAF)

Foram pintados segundo vários esquemas como com a fuselagem em cinzento metálico (alumínio), e os lemes de profundidade e de direcção, as pontas das asas e uma faixa na fuselagem traseira pintados a amarelo alaranjado, mas houve outros exoticamente personalizados.
Os T-6 utilizados em Moçambique durante a guerra colonial estavam estacionados em Nampula na base AB 5, a maioria pintada de cor de alumínio, ou com tinta anti-radiação a preto e verde-mate (baço) de protecção contra mísseis terra-ar do tipo "Strella".
Belicamente, foram usados pela última vez em Portugal, a 11 de Março de 1975. O motor deste avião fazia um barulho fora do comum. Era um barulho inconfundível! 
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E agora vai o primeiro texto que faz parte do Seminário “ECOS DA GUERRA DO ULTRAMAR”:
   


Para todos um abraço do Santa
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