sexta-feira, 11 de março de 2011

JÁ PASSARAM 50 ANOS

Por: F. Santa
Não  é possível esquecer o que se passou 50 anos atrás. Gostei dos textos que o meu amigo Castro escreveu e subscrevo tudo o que ele disse.
Alguém disse que era bom que se fizesse a história da guerra com relatos de quem a viveu. Pois bem. Posso dizer que neste momento já  está a ser feito pelo Dr. Boaventura Sousa Santos e o Dr. Sena Martins. Neste momento, o Dr. Sena Martins anda a fazer entrevistas filmadas com deficientes de guerra e não só. Pelo que sei, é um trabalho em profundidade como nunca se fez até hoje. Em continuidade com este trabalho, vai haver no próximo dia 11 de Junho das 14hoo às 19hoo no Auditório da Associação Fernão Mendes Pinto (Edifício da PT), Av. Fernão de Magalhães em Coimbra, um Seminário com o tema “Ecos da Guerra Colonial” organizado pela Delegação de Coimbra dos D.F. Armadas. Já agora, peço licença para fazer um pouco de publicidade dando-vos o programa :
Sessão de abertura: Governador Civil de Coimbra, Presidente da Câmara M. de Coimbra, Comp. Da Brigada de Intervenção, Presidente da D. Nacional da ADFA e da Del. da ADFA de Coimbra. Participações: Presidente da Ass.25 de Abril – Delegação do centro, MjGen. Monteiro Valente; CINEICC da Faculdade de Psic. Da U. de Coimbra:” Stress pós-traumático” –Drª Teresa Carvalho; CES da U. de Coimbra: “ Vidas Marcadas pela Guerra” – Dr. Sena Martins. “ Uma Ontologia do Eu Estilhaçado” e “ Filhos da Guerra Colonial”- Projectos coordenados pela Dra. Margarida Calafate. Participação especial da companhia de teatro Bonifrates.
Agora vou transcrever um texto de um companheiro nosso (M. Bastos) que esteve em Moçambique (Cabo Delgado) e é amputado: 
A Guerra Colonial, após 50 anos do seu início e após 37 anos do seu final, que influência exerce ainda sobre nós, os que viveram e os que não tendo vivido dela receberam uma herança inelutável? E que foi que aprendemos com ela, se é que aprendemos alguma coisa?
A ADFA foi intérprete dessas reminiscências, dessas marcas dolorosas e das palavras, tanto quanto dos silêncios; dando voz ao clamor pela justiça, à exigência do respeito e da reparação para com aqueles que, quando lhes foi exigido, arriscaram a sua integridade física e a própria vida com generosidade.
Ao longo destas décadas a ADFA tentou transmitir à sociedade e ao poder político o que com a nossa experiência se pode aprender sobre a guerra colonial e as suas consequências.
Alguns dos mais atentos e competentes de entre nós, ouviram-nos. Como Sena Martins que procura as marcas desse conflito nas nossas vidas, Teresa Carvalho que perscruta as suas reminiscências na nossa memória e Margarida Calafate que lê os seus sons e os seus silêncios nas nossas palavras.
A Guerra Colonial começou há 50 anos e terminou oficialmente há  37 anos, na revolução de Abril, mas ainda não acabou para alguns de nós. Ainda ouvimos os tiros, ainda sentimos a ansiedade e a alta tensão dos momentos de perigo e de dor – a que sofremos e a que fizemos sofrer.
Enquanto continua a lutar por todos os que ainda são vítimas da indiferença e da injustiça, a ADFA, associando-se aos mais lúcidos investigadores da U. de Coimbra, quer dar a conhecer o que a partir do nosso património humano já  pode saber-se, através do seu trabalho. Um património feito de marcas físicas e psíquicas, e de memórias de um tempo que não queremos ver repetido mas que faz parte de nós. O quanto da guerra ainda trazemos connosco e o quanto transmitimos aos nossos filhos.
O quanto ainda se pode aprender ouvindo connosco os ecos da Guerra Colonial.
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Mais uma Foto. Segundo sei, é do descarrilamento do comboio aquando da vossa partida de V. Cabral para A. Enes. Será?
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Um abraço do Santa

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