quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lembranças...

Por: F. Santa


A primeira foto  lembra a famosa aldeia do Lione em 29-9-1968, a segunda foto foi tirada em 4-5-1969, num dia de descanso: sou eu com o nosso camarada alferes Alcino, tendo este falecido tempos depois, já na Metrópole.
  É bom continuar a recordar.

Para todos a continuação de um Bom Natal

Ex. Furr. SANTA


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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ordem de Serviço

(ligue o som, sff, e clique nas setas...)
Firme!
Sen......up!

Ordem de Serviço do Natal

Determino e mando publicar:

.Artigo único:

A  todo o pessoal desta CCAV 2415 e suas Famílias:


BOAS FESTAS
e Feliz ANO NOVO!

19 de Dezembro de 2010

O Comandante,

A. A. Amado
Descansar!
À vontade!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

HISTÓRIA DA COMPANHIA DE CAVALARIA 2415

"clicar" - em cada uma das folhas; depois de abrir, voltar a clicar" para ampliar.


NATAL .... A FESTA DA FAMILIA


É Natal. Revejo novamente a foto e relembro o primeiro Natal fora de casa. Estávamos no ano de 1968 e a nossa família militar estava toda presente. Hoje também está  presente e presente se manterá enquanto o tempo não apagar a nossa memória.

            Paz, amor e felicidades são os votos do ex-furriel Paulo para todos os camaradas e seus familiares.
 .

domingo, 12 de dezembro de 2010

LIONE : Massa, só massa!


   Uma vez por outra uma "equipa de foto-cine" (suponho que se chamava assim...) deslocava-se a algumas unidades estacionadas no mato. Creio que se fazia transportar de Unimog (de caixa fechada, salvo erro), onde seguia um projector de cinema de 35 mm, as "latas" com os filmes, e, suponho, um gerador de electricidade.

Também em Lione houve cinema, uma ou outra vez. (É claro que esse "luxo" nunca chegou  aos exilados em Chala, e muito menos a Matipa...).
   Assisti a  uma sessão,
pelo menos. O programa era a rigor: primeiro os documentários, depois um episódio de desenhos animados, e, finalmente, o filme de fundo, com os intervalos da praxe ... .
O filme era projectado na parede da caserna...
   Obviamente ao ar livre, o ecrã era a parede da caserna: não me lembro se colocavam um lençol branco. Os condutores tinham  o cuidado de dispor estrategicamente as viaturas disponíveis, para o pessoal abancar, tipo "drive-in" de cidade tropical...
   Ora acontecia que, por essa época, a ementa do rancho era muito repetitiva: há algum tempo o prato do dia era massa (com chouriço, com atum, com "estilhaços" [carne em pequenos pedaços]...)
   Logo calhou de o documentário exibido ser sobre a Manutenção Militar, mostrando, com muito pormenor, o fabrico das massas alimentícias.
   E eis que surge, bem forte, uma voz da plateia:


" SÓ MASSA, SÓ MASSA ... ATÉ O CINEMA É MASSA !!! "

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

LUATIZE ....... RECORDAR UM POUCO MAIS

Por: A.Paulo

   Por mais que se fale sobre os locais por onde passou a nossa CCAV, existem sempre factos que se omitem quando se escreve um pedaço da verdadeira história vivida no dia a dia dum “AGRUPAMENTO MILITAR”.
   Como diz o velho ditado “a conversa é como as cerejas”, e sendo assim é pena que o diálogo entre nós e sobre este tema se resuma a três ou quatro elementos, que acabam por comer as “cerejas” todas, não comungando neste “manjar” de recordações inúmeros camaradas nossos, também marcados por vários episódios que todos nós gostaríamos de relembrar.
   Quando pego no meu álbum de fotografias acabo por seleccionar aquelas que praticamente são únicas e ainda não dadas a conhecer aos nossos visitantes do blog. Hoje escolhi uma onde se pode contemplar uma panorâmica do nosso destacamento em Luatize.


   As barracas em primeiro plano eram os aposentos (quarto duplo) dos furriéis, estando equipadas com dois “burros” (camas de lona de abertura em X).
   Ao fundo, penso eu, estamos em presença duma arejada e modernizada cozinha que era “chefiada” por dois exímios cozinheiros.
   Já agora, que tal uma verdadeira sopa devidamente preparada com todos os requintes dum “maître d’hôtel”?...
   --“Ó sr. Sousa então você despeja directamente o feijão da saca na panela?”... pergunto eu ao cozinheiro de serviço. “Então você não lava o feijão antes de o meter na panela?”...
   Afirmativo, mas... negativo. Será escusado salientar que o feijão furado pelo bicho e cheio de pó logo deixou uma ecológica nata de gorgulho à tona d’água.
   --“Não se preocupe meu furriel que quando a água ferver eles já morrem”, retorquiu o camarada Sousa. Nada de invejas que a sopa dá para todos.  OK......


   --“Como dormiam vocês?... As vossas camas eram boas?”, perguntam os curiosos.
   Desde a chegada a Luatize (23/06/1969) e após o ataque ao aquartelamento, toda a gente dormia vestida. As nossas barracas de lona, encostadas a uma velha barreira de protecção ( faixa de troncos de árvores com terra no meio), eram invadidas à noite por centenas de ratazanas (pareciam coelhos) que saíam da barreira e nos atacavam à dentada, deixando como prenda uma grande infestação de parasitas.
   Para contrariar estes “incidentes” espalhamos nas mantas e no chão enormes quantidades do poderoso insecticida DDT e fizemos lamparinas de petróleo (garrafas de cerveja com a tampa furada e com um pedaço de trapo a servir de mecha) que mantínhamos toda a noite acesas com a finalidade de afugentar os intrusos.
   Com o nascer do dia e o sol a raiar, todo o pessoal se libertava do seu obrigatório “pijama” e de calções e chinelos fazíamos romaria ao rio que nas proximidades ali passava, para tomarmos o nosso banho diário.


   Hoje fico por aqui. Continua no próximo capítulo.


   Um abraço do Paulo. 

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* * * MENSAGEM DE NATAL * * *

Por: F. Santa


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      Estamos na época de Natal. O Ano está a chegar ao fim, e para todos eu deixo a minha mensagem: A Festa de Natal, obriga-nos a ter disponibilidade para os outros, vigiar para que os outros durmam, morrer para que os outros vivam. Os outros têm um nome: Chamam-se Irmãos. O homem, despreza tudo o que lhe foi oferecido, quer o que não tem direito, rouba o que é alheio e chega a matar por vingança. A vida perdeu qualidade.
     Sendo assim, e com o devido respeito, quer católicos e não católicos, o Natal toca-nos a todos quer queiramos ou não. O Natal devia ser o símbolo da pobreza como o nascimento do Deus Menino, mas o homem quer o seu conforto com toda a comodidade, quer a ostentação da riqueza, quer ter mais que todos. Assim, a Festa de Natal, obriga-nos a renovar a nossa vida e deitar fora aquilo que é inútil. Agora, vou transcrever o que li aqui á tempos numa revista.
“Se os homens olhassem os homens sem olhos de exigências, nem olhos de mestres, mas se considerassem todos, e ao mesmo nível diante de Deus, irmãos porque irmãos do Menino de Jesus, decerto que no mundo a injustiça, a incompreensão, o ódio, o desencanto, seriam palavras sem significado nem expressão; decerto as guerras terminariam, invadidos que seriam os campos por grandes culturas de flores e transformados os canhões e as metralhadoras em enxadas e arados. E isto porque o homem teria compreendido, finalmente, que amar é a razão de estar -mos no Mundo. Amar é a razão de ser -mos pai, irmão, e filho; de sermos médico, advogado, escriturário, bombeiro, etc. E então viver não seria aquilo que é para tantos e tantos irmãos nossos: estarem à espera da morte. Mas seria um caminhar para um dia encontrarmos a paz, a paz entre os homens e a paz de Deus”.
Sendo assim, que todos nós tenhamos no sapatinho a melhor prenda que se pode desejar: Saúde, Paz, Amor e muita Alegria.
 
    Depois disto, eu quero desejar a todos os camaradas da 2415 e suas famílias, um Santo Natal e um Ano Novo cheio de saúde e paz. Estes votos são também extensivos a todos os outros camaradas de guerra. Quero desejar em particular, ás famílias dos que já partiram, que na saudade tenham um Santo Natal e um ano novo com tudo de bom. Aos que estão doentes, desejo também um Santo Natal a todos com rápidas melhores e que o próximo ano lhes traga muita saúde e alegria. Queria também desejar um Santo Natal e um Bom Ano Novo a todos aqueles que de fora já participaram no nosso site e a todos os nossos visitantes. 


             Do Ex. Furriel Santa com um grande abraço para todos.    

 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CHOCAS-MAR : RELEMBRAR OUTROS LOCAIS, PICADAS E SABORES


Dar de caras com o  mapa do distrito de Nampula que o Soares  abaixo colocou, intitulado "Destacamentos" de António Enes, com etiqueta: Locais por onde andou a CCav2415 (mapas),  obriga-me a relembrar, uma vez mais,  aqueles fabulosos locais e picadas,  no mapa bem traçados e que tão bem fiquei a conhecer há quatro meses atrás aquando da visita  ao norte de Moçambique para reencontrar os chamados "locais de culto". Volto a inserir umas tantas fotos alusivas a alguns dos locais indicados no mapa, bem como umas pequenas historietas  que há sempre para contar. 


    O famoso morro à entrada de Liúpo igual a tantos outros que  40 anos atrás conhecemos enquanto percorremos milhares de Km.
Quantas emboscadas e operações militares  devem ter acontecido nesta zona?  Todos sabíamos que onde havia morros havia "porrada"!
Aqui o centro da localidade com o conhecido cruzamento das 5 estradas (algumas picadas e outras, poucas, alcatroadas) que, segundo o placard do Ministério das Obras Públicas,  estava em obras de manutenção.  Esta localidade é  importante por esse entroncamento para outras cidades estratégicas.
Naquele dia havia uma feira ao ar livre onde se vendia de tudo, desde produtos agro-pecuários até rádios, CDs, plásticos e, principalmente, camisetas do Cristiano Ronaldo e de todos aqueles que bem conhecemos do mundo do futebol.  Havia para todos os gostos!!
O dito cruzamento distribui-se da seguinte maneira, aliás, bem mostrado no mapa do Soares:  Uma via para Namaponda, Angoche (A.Enes); outra para Quinga (localidade mais próxima); outra para  Quixaxe, Monapo e Nacala (este muito importante pelo porto de Nacala); outra  para Mongicual (zona agrícola) e, por último, para Corrane e Nampula.
Aquando da visita a António Enes, em Julho passado, o trajecto escolhido, por motivos de trabalho do amigo Gonçalves, companheiro de aventuras, foi Nampula, Corrane, Liupo, Namaponda e Angoche (A.Enes) através duma picada larga (terciária, segundo o mapa). Tal escolha deveu-se à necessidade dele passar em Corrane para carregar o jeep de caixa aberta com 12 sacos de sementes de rícino da produção familiar do amigo Ferreira, ex-militar que por aquelas bandas acabou por esquecer a sua Penafiel, acho que  nunca mais lá voltou.  

Esta carga foi, posteriormente, já no regresso na passagem pela localidade de Nametil,  deixada na fábrica que transforma 


as sementes de rícino no famoso e caro óleo de rícino que o país exporta para mercados internacionais, principalmente EUA. Este óleo tem várias aplicações sendo a principal usada na industria aeronáutica. 
(Aqui vemos o amigo Gonçalves dirigindo o dificil acondicionamento da carga).

O regresso de Angoche (A.Enes) já foi feito pela via principal até à capital do distrito Nampula passando, como disse, por Nametil.
    Mas voltando ao "famigerado" mapa do Soares, quanto mais  o observo mais lembranças me trazem à memória que me levam a  paragens paradisíacas. Estou a falar dos dias de sonho passados na Praia das Chocas, como sempre, na boa companhia do Gonçalves e esposa Manela. Fecho os olhos e ainda lembro bem  da excelência das lagostas, camarões, caranguejos, lulas grelhadas. Eu sei lá!  Autênticos manjares, de sabores extraordinários,  comidos  debaixo  do  "parrô". É, simplesmente, único! Impossivel comparações!

Um empresário de pesca local (intermediário) que habitualmente nos fornecia o fresquissimo produto ao módico preço de cerca de 4,50 €/kg.
Conhecido por Careca, quando viu a cana de pesca que levei como "hobbie" nunca mais me largou. Passou ele a pescar e eu a descansar!
Clube da sua preferencia: Futebol Clube do Porto. Vá-se lá saber porquê!  É que nem ele sabe explicar. Um dia terei de lhe levar uma  camiseta do João Moutinho (prometida)  mas quando ainda era jogador do Sporting!!!








Este lindo peixe chama-se peixe-papagaio devido às suas cores.
E faz uns filetes divinais!!








E quem não  se lembra dos famosos caranguejos mais parecendo "santolas".  Aqui estão eles vivinhos, de patas atadas, para não "ferrarem", antes de mergulharem na panela de àgua fervente...



                                     

         ... para, assim, ganharem  esta cor  que enchia os nossos olhos. Para mim tanto faz, venham eles cozidos ao natural ou mesmo de caril!  Acreditem que é de sujar e chorar por mais!!                         









E à sobremesa não podia ser esquecido o famoso bolo "macua". A sua confecção é da maior simplicidade e o seu nome deve-se aos ovos serem de galinhas macuas muito pequenas.
Como se pode ver  feito em grelha de carvão com areia dentro do recipiente exterior onde se colocava a forma com o bolo a fim de ir a "grelhar". O resultado está à vista, de fazer inveja a qualquer cozinheiro do guia Michelin!!


Enquanto fazemos a digestão destes manjares aproveitamos e bebemos uma água de côco bem fresca directamente do coqueiro.


E cá vai o nosso homem como se fosse montanha acima sacar o produto directamente da àrvore.  Isto dentro do próprio quintal da casa do amigo Gonçalves.













Para depois  nos saciarmos com aquele líquido fresco e aveludado, enquanto as lagostas começam  a ser preparadas para outro "petisco".  












Ora cá estão elas a serem colocadas na grelha, depois de lhes ser retirada uma fina tripa que têm dentro das costas.
Se esta operação não for feita os potenciais "glutões" sujeitam-se a umas digestões algo indigestas!
As coisas que aprendemos, enh?!  




 
  E vão  a grelhar na chama viva do carvão...
                                                                                                                                                                      


Enquanto isso vão ganhando as cores rosadas que atiram para o ar um cheiro de fazer àgua na boca!
Ao lado a fritadeira está pronta para a fritura das batatas que irão servir de acompanhamento para os apreciadores. É usual em Moçambique.  Eu prefiro muito mais as proteínas do que os hidratos de carbono!



     Et  voilá! como dizem os franceses.  É de comer e chorar por mais, digo eu! 

Para usufruir destes exóticos prazeres da "gula"  que tanto gozo nos dão terei aqui de prestar uma homenagem aos pescadores daquelas paragens que, com barcos tão "sofisticados", enchem as nossas mesas com tamanhas iguarias.
Aqui vão eles a caminho da Ilha de 7 Paus, zona propicia a grandes pescarias.  Esta desabitada e pequena ilha que fica em frente à Ilha de Moçambique e à Praia das Chocas  é pertença do ex- selecionador de futebol da equipa portuguesa, Carlos Queirós. Segundo consta foi-lhe oferecida pelo governo moçambicano. A troco de quê, não sei!
E, para terminar com a cereja no topo do bolo, só mesmo um deslumbrante pôr-do-sol por cima da Ilha de Moçambique.



   Para chegar às Chocas, conforme se pode ver no mapa em questão,  há que percorrer cerca de 220 km em razoável estrada alcatroada, a saber: Nampula, Namialo (aqui parávamos para beber um café "Ricori" feito à mão (lembram-se?) no restaurante Santos. Este ex-militar não regressou à terra próximo de Braga. Por aqui constituiu familia, vários filhos e de vez em quando vai até ao Minho para provar o vinho verde.  Diz ter duas máquinas industriais de café tipo "cimbalino" arrumadas por não servirem para nada, uma vez que a pressão da água é inexistente.  Assim, para resolver a sonolência da estrada alcatroada, vai de ricori que é muito apropriado!); Monapo (localidade onde o ex-presidente do Sporting, Dias da Cunha, tinha a maior parte das suas empresas e fábricas na época colonial. Algumas ainda continuam a laborar). 
Nesta localidade vira-se à esquerda para se chegar à tal terra dos agradáveis petiscos e sabores que nos faz esquecer que a uma distância de mais de dez mil km há um país bolorento com o abismo aos pés, por culpa dos seus dirigentes.
E, assim, através de locais que foram a nossa guerra encontramos, agora, a paz!   Irónico... mas verdadeiro!



domingo, 5 de dezembro de 2010

CONTINUANDO A LEMBRAR

Por: F. Santa




Aqui vão mais três fotos. Nas duas primeiras estão o Pires e os seus “cadilacs“ algures em Moçambique. Quanto à terceira foto o João Rodrigues diz ser em Luatize. Gostava que alguém de boa memória conseguisse lembrar-se de algo sobre elas e contar as respectivas histórias. Já agora, gostava (e mais uma vez repetindo) que da parte dos nossos camaradas da 2415 houvesse um pouco de boa vontade em colaborarem no nosso site para não serem sempre os mesmos, pois as promessas feitas no nosso último almoço por alguns, esvaziaram-se no tempo. Não passaram de promessas. Eu sei que sou um chato, mas pode ser que algum dia eu seja surpreendido por alguém!
       Dois mil e dez está quase a chegar ao fim, muitas coisas já passaram pelo nosso cantinho de memórias, muitas mais poderiam ter passado se todos colaborassem. 

Um grande abraço para todos do Santa


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010