* * * * Sábado, 20 de Maio ==> Convívio anual da "BRIOSA" 2415 em Montemor-o-Velho * * * *

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

“ HOSPITAL DE L. MARQUES 1969”



























   Fui encontrar no baú das recordações, que guardo religiosamente num cantinho da minha casa, e deparei-me com algumas fotos que julgava já não existirem, fotos essas de quando estive no hospital de Lourenço Marques.
     Na foto de cima, pareço bem instalado (a cama não era má) mas o resto é que era o pior, a minha perna esquerda só gostava de estar na horizontal, não lhe apetecia fazer mais qualquer espécie de movimento.
    Em baixo, aparecem comigo colegas da mesma enfermaria. Já não me recordo o que eles tinham excepto o de bigode que está à esquerda, que estava completamente apanhado! Ainda me lembro que ele subia para cima de uma árvore que existia no átrio do hospital e fartava-se de gritar pela mãezinha! Mas será que só era ele? Mas acreditem, se não fosse as nossas brincadeiras o que seria de nós naquele ambiente onde tudo existia...  Ao percorrer  as salas do hospital via-se de tudo. Camaradas sem pernas, sem braços, cegos, queimados e outros completamente apanhados etc. etc. No meio daquilo tudo eram as senhoras da Cruz Vermelha (uma delas a quem tratava-mos por Avozinha) que nos valiam nas horas mais difíceis, não só elas mas como jovens meninas que nos visitavam e traziam comida de fora, comida essa que arranjavam nos casamentos e outras festas.
   Hoje, escrevo estas linhas com saudades daqueles com quem partilhei cerca de seis meses aqueles quartos, cada um deles eram puros retratos da guerra. Deixava aqui um apelo. Se alguém que contacta este nosso cantinho saiba ou conheça quem esteve entre Junho e Novembro de 69 no hospital de L. Marques ou se revejam nestas fotos (eu sei que o colega da esquerda é de Tomar e se não me engano era o Dias), gostava que contactassem comigo através do nosso site pois parti para Lisboa e lá ficaram, tendo-os perdido no tempo até hoje.

                                    Um abraço para todos do Ex. Furr. Santa



.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

“ EMBOSCADA “

    Emboscada, é mais um título de uma poesia do nosso camarada capitão Calvinho, Deficiente das Forças Armadas que também pagou com o seu corpo o tributo que nos foi imposto por uma guerra injusta.
    Camaradas. Ainda hoje, todos nós continuamos a sofrer emboscadas devidamente preparadas por aqueles que tinham obrigação de olhar por todos nós, deficientes e não deficientes. Hoje vim a saber que a L. dos Combatentes vai a caminho de Moçambique (salvo erro) fazer um levantamento e tentar encontrar 700 camaradas nossos que ficaram por lá enterrados ao abandono e que o Estado Português tinha a obrigação de os trazer, simplesmente esqueceram-nos. Bem hajam aqueles que não se esqueceram deles e que vão tentar trazê-los para que as famílias lhes possam dar um sítio digno para que descansem em Paz.
  Aqui vai então o poema: 


Corpos que se arrastam
e se consomem
na suja lama das picadas
e nos estilhaços das granadas
que explodem.
-- Os rebentamentos
são o compasso
tétrico
da sinfonia “Morte” !
--O fogo intenso
cruzado
é o ritmo macabro
no patético bailado.
--Um homem tomba
Ei-lo que jaz
inerte, morto,
vencido!
--Outro homem grita
vendo cair a seu lado
um companheiro soldado:
“Ah grandes filhos da puta”!
“ Mataram o meu amigo”!
( E um rosto de sangue manchado)
                
“ Cambada de terroristas”!
“ Hei-de matar-vos a todos”!
( E um cheiro a sangue queimado)

-- E as lágrimas amargas de raiva
rasgam sulcos vermelhos
num sujo rosto de pólvora!
E uma guerra que se declara:
Não por um povo oprimido
nem por uma Nação ofendida!
Mas por um homem ferido
num labirinto perdido
entre uma morte e uma vida!
….
---Transforma-se o oprimido
em instrumento opressor.
Nasce num peito uma guerra!
E, lá  longe….
Na sua terra
o abutre, o carrasco,
o nazi,
a peste,
enchendo o ventre de carne
escreve:
“DITOSA PÁTRIA QUE TAIS FILHOS DESTES”! 


E agora gostava que o filho do nosso camarada Adriano Matias (o Coruche) já falecido, enviasse para o nosso “Site” ou para o Soares, a sua direcção para poder-mos inseri-lo na nossa lista para poder-mos entrar em contacto com ele e poder-mos enviar o convite para o próximo convívio conforme desejo seu. 
                       
Para todos um grande abraço do Ex. Furriel Santa
                                                  

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

RECORDAÇÕES E SAUDADE

Por: F.Santa   

         Amigo Artur,

     Ao ver as imagens fotográficas que enviaste para o nosso cantinho da saudade, principalmente de Vila Cabral, Lione e Chala, não pude deixar de verter algumas lágrimas (porque o homem também chora) e um certo arrepio motivado pelos momentos que foram lá passados. Senti saudade não pelo facto de ter estado lá pelo motivo da guerra, mas sim saudade das coisas e locais, dos bons e maus momentos que todos passámos naquela terra.
    Ao ver a picada para Chala, fez-me reviver os quilómetros que nela percorri e todas as peripécias nela passadas, e como não poderia esquecer foi onde tive a minha última viagem de má  memória como sabem. Sobre o Lione, fiquei triste por toda aquela desolação. O nosso emblema e o edifício de oficiais e sargentos terem desaparecido. Acredito que deves ter sentido algo muito estranho e ao mesmo tempo desapontado com o que te foi dado ver em Lione, eu próprio julgava ver mais da nossa presença.
   Quanto ao campo de futebol, lembro-me perfeitamente. Sobre as morteiradas mandadas dos montes que se vêm não sei bem se foram de lá ou do lado de Chala, talvez alguém com melhor memória se lembre. Falando do emblema da nossa companhia, da maneira como parece ter sido arrancado estará com certeza a fazer decoração em qualquer lado como “troféu”.
     Pois é Artur. O tempo passa mas a memória ainda que ténue, retém todas as vivências passadas por aí, e se as pilhas não falharem, elas irão connosco até ao fim das nossas vidas, e quem sabe se os nossos filhos e os nossos netos não continuarão pela vida fora, aqui e ali, falando e mostrando as nossas fotos que ficarem nos baús das nossas recordações e alimentando-as através  da Electrónica ou seja: dos computadores.
     Obrigado amigo Artur pelo “ Filme “ que nos ofereceste. Fizeste um excelente trabalho. Já agora, porque não, quando regressares a Portugal, combinar-mos um encontro em qualquer lado, eu o Soares, o Paulo e mais alguém que queira, para trocar-mos impressões sobre a tua viagem pelos caminhos da nossa companhia? Que dizes? Acho que era boa ideia. Pensa nisso.

         Recebe um grande abraço deste teu amigo e camarada e também para todos aqueles que fizeram parte dos “ AUDACIOSOS “ – FORTUNA  AUDACES  JUVAT.

                                                                              Do Ex. Furr. SANTA

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

EM MISSÃO DE SAUDADE....... tristeza não tem fim! O "nosso" Lione já não existe!


                            Finalmente ........... Chala  e  Lione 

Após uma visita agradável a Vila Cabral (Lichinga) eis-me, de regresso, a caminho de Lione mas, com  desvio obrigatório por Chala,  já que ficava em caminho.
O curioso, na verdade, é que devo ser um dos poucos militares que nunca estiveram em Chala. Realmente, pode-se perguntar: Mas que raio lá ia fazer um cripto?       Agora, aproveitei a oportunidade não só para conhecer mas também para vos poder informar o que vi.
Apesar de não ter conhecido,  julgo que hoje Chala é outra coisa muito diferente.  Sabia, pela malta de então, que era um local  isolado, pacato, de pouco perigo e que estava em cima da fronteira com o Malawi.
   Pois, agora, tudo se alterou, as populações que se refugiaram no país ao lado, durante a guerra Frelimo-Renamo,    regressaram a Moçambique e, logo, se instalaram no Chala por ser a localidade mais próxima.  Houve, a partir daqui,  apesar de muito artesanal no âmbito da agricultura e,  se acrescentarmos a isso, a localização  da chamada segunda  ou terceira fronteira entre aqueles dois países,  algum desenvolvimento, principalmente  grande aumento das populações.
Desse modo, aqui deixo as  impressões sobre o que vi,  não esquecendo a linda paisagem que disfrutei no trajecto  a partir do desvio para Chala, bem como as dificuldades da picada,  imaginando os enormes problemas por lá passados na época!


Desvio de Chala na picada de V.Cabral(Lichinga) para Lione

Aqui o inicio da picada para Chala, pomposamente chamada ER-Estrada Rodoviária 571!
Algué sabia que do cruzamento até à localidade são 42 Km?

Bela paisagem africana, floresta densa, zona de elefantes. A caminho de Chala, ao longe o Malawi

Outra bela imagem na picada para Chala


Entrada em Chala. Repare-se na iluminação da via pública. Acontece que o gerador não funciona por falta de combustível! Ao abrigo da amizade entre os dois povos, o Chefe da localidade ainda me pediu "auxilio" para a compra de gasóleo. Julgo que a preocupação dele seria outra que não iluminar a via pública!


Chala até passou a ter uma escola primária (pelo menos está anunciada devidamente)


Informação que me foi prestada pelo próprio Chefe Local, esta casa, no tempo colonial, era o Posto Fronteiriço (alguém se lembra?).  Agora, além da sua residência, engloba também um serviço de assuntos fronteiriços.

 
E aqui temos uma fronteira à "maneira". Do outro lado da cancela é o Malawi, ficando o lago Niassa a escassos 6 km. Por falta de tempo não nos foi possivel ir até lá ver a sua beleza imensa. Por aqui também saem e entram muitas das mercadorias entre os dois países.

 
Este tipo de construção em chapa, a unica que encontrei em todos os locais que visitei foram, no nosso tempo,  casernas que albergaram muitos militares, como a nós quando estivemos em V.Cabral na zona do aeroporto.  Para mim, apesar de não conhecer, esta casa vem do tempo colonial, só achando estranho não ter sido desviada ou destruída nestes longos anos e ainda hoje se manter dignamente de pé!
Vê-se bem que por trás existe ainda uma enorme mangueira que, segundo um dos representantes da população também presente, existia no tempo da "tropa portuguesa".

  
Segundo informação do Representante da População, digno "madala"(idoso), muçulmano, que conheceu a tropa portuguesa disse que, debaixo deste enorme embondeiro(?),  ficava a cozinha. Bem procurei pos vestigios, só encontrando uma ou outra fundação das paredes. 

Despedida de Chala com a foto da "praxe" junto das várias Autoridades locais: Polícia, representantes da população e Chefe da localidade (abaixado), só faltando o militar responsável pelo posto fronteiriço (leia-se cancela) por não poder abandonar o local de vigilância!


Terminada a visita a Chala, pusemo-nos ao caminho. Lione esperava-me para um reencontro após 41 anos.
Antes de mais quero dizer que ao aproximarmo-nos  de Lione sentia-me algo nervoso e intranquilo, como se da primeira vez se tratasse, o que é um pouco injustificável. Normal dirão uns, "pieguice" dirão outros!  Já me interroguei a mim mesmo e não sei explicar tal atitude. Quem sabe, alguém com experiência  semelhante, nos venha  a explicar uma razão plausivel.
E, finalmente, aparece Lione, uma imagem ainda bem guardada e definida na minha memória.
Por estar tão bem definida  é que sou obrigado a dizer que o "nosso" Lione já não existe!  Óbviamente,  refiro-me às instalações do nosso aquartelamento pois, simplesmente, desapareceram como por artes mágicas!
Nada mais resta a não ser as ruinas do edificio da caserna e, ainda, a base do monumento, tudo o mais desapareceu.  Mas o mais espantoso é não ter ficado sequer uma fundação, uma parede ou uma simples pedra de alguma coisa. Nem um vestigio existe mais. É  doloroso  querermos olhar para coisas conhecidas e não as vermos mais quando pensávamos  ir  reencontrá-las.
Ainda, hoje, não consigo entender como desapareceram completamente o edificio principal dos oficiais e sargentos, os centros cripto e de transmissões, o armazem do vago-mestre, o forno, a casa do armamento (do Baptista), a cantina (do Azinha), a cozinha e a oficina-auto, uma vez que eram edificios, principalmente o dos oficiais e sargentos, feitos em tijolo e cimento!  
A todos aqueles que indaguei sobre o assunto nada souberam explicar.
Todamaneira, em troca de impressões com o meu companheiro de viagem J.Gonçalves, chegámos à conclusão que, tirando o edificio principal e mais um ou outro, por serem de maior resistência, todos os outros de construção frágil  feitos em tijolos de barro (matope), foram deitados abaixo pela população a fim de os aproveitarem para fazerem as suas novas palhotas no aldeamento.
Certo ou errado, o que me continua a  espantar  foi  a realidade chocante  que (não)  encontrei  no local. Só visto para acreditar.


Entrada em Lione vindo de V.Cabral (Lichinga)

Um pouco antes, à saída de Lione para V.Cabral, em vez da picada há uma  pequena estrada alcatroada.  Parece estranho mas é verdade! 

Foto Mai/68 - Para confirmar e comparar aqui vemos a mesma "estrada" com a mesma curva ao fundo e tudo.

Ao fundo o aldeamento de Lione com algumas casas em tijolo e cimento. Á direita vislumbram-se as ruínas da caserna.
Veja-se a qualidade da picada!


Aldeamento + estádio de futebol. Vê-se bem a baliza daquele lado e a qualidade do "relvado" melhorou, está mais plano. Podemos perguntar qual o motivo porque este espaço não foi destruído. Para mim só há uma unica resposta: o futebol é universal e talvez seja um dos poucos elos que une os dois países!

 
O campo de futebol com a baliza do lado contrário. Aqui o terreno parece em más condições a fazer lembrar o do nosso tempo! Veja-se, também, a proliferação de palhotas a toda a volta do campo.
Mas, esta foto tem a finalidade de mostrar ao longe os dois montes juntos. Num dos ultimos almoços  em que participei houve alguém que  disse que certa vez, durante um jogo de futebol, fomos atacados com umas morteiradas a partir daqueles montes. Tenho uma vaga ideia do acontecido. Haverá alguém que saiba explicar melhor?

Foto Dez/68 - E aqui se prova à evidência que os mesmos montes já lá estavam bem definidos há 42 anos!
(Foto do arq. do Vivaldo) - Bancada central do campo de futebol, na época, com assistência selecta!

A mesma celebre bancada central, nos dias de hoje, como se vê ainda existe
só que num tipo de construção fora de moda, mas continuando as enormes
assistencias!


Lione com paragem de "chapa"(autocarro),  são pequenos mini-bus 
 que transportam as populações, amontoadas, desde V.Cabral (Li-
chinga) até Nova Freixo(Cuamba),passando por Massangulo e
Mandimba,local onde se localiza a principal fronteira com o
Malawi.    Podem ver-se casas feitas em tijolo e cimento, princi-
palmente lojas que vendem variados produtos,como em todo o
lado, provenientes da China e India.     O aumento populacional
obrigou a aldeia a expandir-se para o outro lado da picada
ficando, assim, encostada ao edificio da caserna em ruinas.

Uma perspectiva do que acima se aponta

 
Edificio da caserna, visto do lado do aldeamento. Na parte de trás,
de cor branca, vê-se a casa do Chefe Local. 

Edificio da caserna com uma enorme e frondosa árvore nascida dentro. Este
fenómeno devia ser devidamente analizado por especialistas!

Edificio da caserna visto do lado da parada.Se a memória não me atraiçoa,
 julgo que a ultima porta à direita era a entrada para o local onde os nossos
enfermeiros davam vida aos moribundos!
O mesmo edificio visto da parte de trás

Vista geral do edificio da caserna. A ovelha,no nosso tempo,daria muito jeito!

Interior da caserna.Aqui se viveram medos, tristezas e alegrias

Aspecto de uma das paredes do edificio com o emblema da CART2327,
que nos antecedeu,bem agarrado para não ser "desviado"!
  

Após terminar esta série de fotografias continuava incrédulo 
pois os meus olhos nada descortinavam em todo aquele
 perimetro.
Socorri-me,então, da memória visual, já tão longinqua,para  
me levar aos locais ainda bem definidos dentro dela e,
 apelando à  coragem tal "Indiana Jones", meti-me dentro do
alto e denso capim, que nem cego às apalpadelas, esquecendo 
 cobras e lagartos!  Foi incómodo e dificil calcar tanto capim
para, finalmente, ter a prova "provada" de que o "nosso"
Lione, conforme o deixámos, já não existe. A única chancela
da CCAV2415 à vista, são as ruinas do edificio da caserna,
que vos mostro, e o bloco de cimento do monumento.
Todamaneira, esta "aventura" valeu a pena ter sido vivida,
 assim,  intensamente. É uma emoção única  poder reviver
o passado. Acreditem, quando subitamente me surgiu,como
se tivesse saído do nada,  a parte de trás do monumento,
 localizado no meio da parada,senti-me paralizado.E,ao olhar
para os dramáticos "dizeres" ainda bem visiveis a emoção,
naturalmente, fez o resto sem eu nada poder fazer. Agora,
 mais do que nunca, passei a entender as inumeras
"histórias"chamadas Missões de Saudade(autoria do Soares)  
de gente igual a nós que têm passado por situações
idênticas. Gostava de entender o fenómeno!


 

O capim era tão denso que fui obrigado a contratar no aldeamento,a troco dumas
quinhentas, um capinador especialista, a fim de conseguir visibilidade para
tirar fotografias. Este é o bloco do monumento, visto de trás. Estava tão
 bem agarrado à fundação que não "desapareceu"!


Enquanto o nosso "desbravador" continuava a sua missão, as palavras do
amigo J.Gonçalves, naquele momento chegado, cairam bem.

Ainda bem visivel, que muito me surpreendeu, os dizeres da homenagem: 
(óptima qualidade da tinta para a época)


 "A ESTES BRAVOS
A PÁTRIA PEDIU TUDO
CANTINA DO BELO  5-5-69
Sarg. Cav. Manuel F. Carvalho  -  ESPOSENDE
Fur. Cav. Henrique A.M. Santos  -  ENTRONCAMENTO
VIVERÃO SEMPRE
NA SAUDADE DOS SEUS COMPANHEIROS"

Só é muito triste e indigno encontrar tal homenagem
escondida no meio do capim para todo o sempre

Monumento visto de frente. Repare-se no "desaparecimento" do emblema!
Será que serviu para decorar a casa de alguém?
Lembro-me de como era pesado, feito em ferro e betão maciço e
estava bem agarrado ao bloco. Verifiquei, agora, que as pontas de
 ferro que o ligavam foram cortadas para assim o poderem levar
para parte incerta!

 
Aqui tentei rápidamente ir ao passado para ficar com uma lembrança
idêntica à foto abaixo, tirada quando o monumento ficou
terminado em Maio de 1969 

Foto Maio/69 - Palavras para quê?
Num à parte, continuo a considerá-lo o emblema mais "bonito" de todos
 os que conheço (graças à genialidade do nosso amigo Santa).

Ah! Esquecia-me de dizer que a árvore que estava à entrada da
 porta de armas  foi das poucas coisas que não desapareceu!
Está mais robusta e velhinha como nós! Está destinada a morrer de pé!

Foto Fev.69 - Cá está ela, na época, mais elegante.Sempre de sentinela
 à porta de armas!

 
Depois de tanto capinar deparei com esta maciça rampa para viaturas.
Não me recordo que existisse no nosso tempo. Será, concerteza, obra de
engenharia de posteriores Companhias. Devido ao seu peso maciço ainda
hoje se mantêm no lugar!

E, nada mais havendo a fazer em Lione, havia que regressar
  a casa após 4 dias de autêntica "aventura" e grandes emoções.
 Sem, contudo, deixar de tirar a foto de despedida da praxe,
precisamente  "à porta de armas"  acompanhado, quem sabe,
 pelos netos de alguns daqueles habitantes de Lione que,
eventualmente, lá conhecemos!

 A terminar, e para elucidação de todos os que possam vir a ler este
texto e desconheçam como era o nosso aquartelamento, deixo aqui 
a imagem que mostra o edificio principal, naquela época. A pergunta
 que deixo é: Como é possivel um edificio feito em cimento e tijolo ter
 simplesmente desaparecido como por magia, não ficando pedra
sobre pedra? Em seu lugar ficou uma enorme área de capim......
de nenhuma utilidade!

Aqui já a fazer os 800 km do regresso, e como não podia deixar de
 ser, envolto na eterna poeira da picada!  Alguém, ainda, tem na
memória aquele pó que entupia  a garganta?

Felizmente, longe em longe, encontrávamos o local apropriado
para resolver a contento o problema! Neste caso foi em Ribaué.

Já em texto anterior tinha informado que era inutil
deslocar-me a Luatize ou a Tenente Valadim (Mavago),
 uma vez que  em qualquer uma destas localidades  já
nada existe que pudesse valer a pena o sacrificio de
mais quatro centenas de kilometros.  Segundo os
especialistas daquelas áreas,  relativamente a Luatize
 só existe o rio com o mesmo nome.  A zona foi dinamizada
por empresas agricolas e dedica-se a culturas especificas,
 neste caso, o tabaco.  Quanto a T.Valadim (Mavago) a questão
é precisamente igual. Todas as infraestruturas lá
deixadas pelos militares  portugueses, foram
aproveitadas  para albergar os prisioneiros durante a
guerra entre a Frelimo-Renamo.  Dizem que só ficou a capela,
 tudo o resto desapareceu, dando lugar a extensas
culturas agricolas, principalmente de tabaco que, segundo
 julgo, estão a cargo duma empresa americana.
Desse modo, nada havia de relevante que merecesse
o meu interesse.

Creiam-me que foi de coração aberto que me meti
nesta "empreitada" e foi também com  enorme prazer
 que dividi convosco todas as emoções e tudo o que os
meus olhos viram. Tentei fazer o melhor e espero
 tê-lo conseguido. VALEU BEM A PENA.
Uma vez mais,em nome de todos nós,enorme agradecimento
 ao meu grande amigo J.Gonçalves,  da ex-Caç.2470,
por toda a solidariedade  recebida neste projecto.