* * * * Sábado, 20 de Maio ==> Convívio anual da "BRIOSA" 2415 em Montemor-o-Velho * * * *

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lembrando... VILA CABRAL

Antes de mais, tenho de enaltecer e agradecer a magnífica MISSÃO DE SAUDADE que o Camarada (ex!!!) e Amigo (para sempre!!!) A. CASTRO em boa hora empreendeu e faz o favor de connosco compartilhar.
Tenho a certeza que todos nós, que pertencemos à BRIOSA (ando a ver  consigo lembrar o contexto em que o "título" apareceu, para aqui colocar...) nos emocionamos ao ver as excelentes fotos e o texto escorreito (e empenhado!) que as acompanha.
Já agora, quem não se lembra de que também fomos conhecidos pelos "Bigodes do Lione"? e daquele slogan,  creio que do Furr. Morgado, quando estava iminente a nossa transferência: "Mães de Vila Cabral, acautelai vossa filhas que vão chegar os homens do Lione !" ? (não garanto a exactidão do texto...) Há ainda muitas memórias do Lione e de Chala para serem aqui referidas. Talvez eu traga uma ou duas, mas espero que os "briosos" visitantes nos lembrem algumas. Tópicos possíveis: O "João Lalanja"... Os batuques com marrabenta... A cantina do Langa... A perfuração do poço... A camarata com terceiro anel... O gato comido em Chala, guizado com massa... A horta do "básico" (não sei o nome...) Os "assaltos" ao depósito do Madureira...  e ao P.A.D. de V. Cabral (para peças de viaturas, não é, ó Braga ?) ... As caçadas (do Vale... e nâo só)... As sessões de cinema (da equipa de Foto-Cine)...
Entretanto creio que virá a propósito relembrar agora duas referências já antes colocadas no Blog:  Uma reportagem (relativamente recente) de Lichinga, e a imagem de satélite da mesma (do Google):










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terça-feira, 24 de agosto de 2010

EM MISSÃO DE SAUDADE...........


                VILA CABRAL (LICHINGA)

Os apontamentos aqui deixados no passado dia 19, intitulados "A caminho das zonas criticas de guerra" davam conta da minha chegada a Lione.
Depois das emoções vividas   no     local,  entendi que teria de fazer uma descrição mais atempada e preocupada de tudo o que vi e senti.    Para isso teria, antes,  que  aqui deixar  as minhas  impressões  sobre a nossa conhecida Vila Cabral (Lichinga), terra com tantas horas de boa presença da 2415.
A isto, também, poderemos, chamar:  aguçar o apetite do pessoal para o que aí vem! 
A cidade pareceu-me menos degradada do que esperava, aqui e ali nota-se alguma  manutenção  nos edificios principais. Senti, isso sim, uma atmosfera algo bélica, vi militares armados  nas ruas.  Segundo informação, dizem que durante a guerra entre Frelimo e Renamo foi naquela provincia  (de cor contrária ao governo)  onde a batalha foi mais dura e, daí, terem  ficado até hoje resquícios "bélicos"!
Qualquer acto democrático, por exemplo: tirar fotografias  na via publica, pode criar sérios imprevistos para um pacato cidadão!
Algo parecido, mas muito menos intenso, senti-o em Nampula. Em meu entender porque esta cidade mantém-se, tradicionalmente,  ligada ao poder militar.
Coincidência ou não esta situação  estratégica/logistica lembra-me o tempo da  guerra colonial, pois eram neste locais que se centralizavam as zonas mais importantes de guerra.
Gostei de percorrer os  mesmos  locais que, passados imensos anos,  ainda nos são familiares e nos fazem vir à memória algumas boas recordações, outras nem tanto.  Encontrei-os todos com excepção do Restaurante Coelho (óptimos bifes lá comemos),   pois esse já desapareceu e ninguém ficou para me contar como foi.

Entrada em Vila Cabral(Lichinga) vindo de Lione (cruzamento para V.Cabral e T. Valadim(Mavago)

Uma foto de V.Cabral de Jan.1970. Este cruzamento não ia para T.Valadim(Mavago) mas sim para Nova Freixo(Cuamba), local onde agora  pernoitei uma noite antes de seguir o destino de Lione. 

Á entrada da cidade repare-se no desenvolvimento imobiliário acelerado em todo o redor

Edificio que alberga o governador do distrito.
Quando estava a tirar fotos precisamente neste local um militar de metralhadora apontada abordou-me aos gritos com ameaças para eu lhe dar a câmara e sair dali. Na altura pensei recusar e quando esperava ouvir a habitual rajada de intimidação, em substituição ouvi as sirenes dos carros que entravam na rotunda e se deslocavam para o edificio do Governo. Era o Sr.Governador e comitiva diária que vinham para o local de trabalho, enquanto o tal "ninja" da metralhadora desapareceu como por encanto! 
Foi a minha sorte, digo eu, senão podia armar-se ali um cabo dos trabalhos!  Nas calmas e devagarinho disfarçadamente entrei no jeep onde o amigo J.Gonçalves me esperava bastante apreensivo que  arrancou "à papo seco"!
Isto, segundo me disseram, é usual acontecer. Há uma intimidação latente e é por isso mesmo que a rua onde mora o sr. governador (estrada para o aeroporto) é bloqueada nos dois sentidos sempre que se encontra em casa! Daí, o hábito adquirido na guerra (deles)  que a partir das 22h raramente alguém circula nas ruas!  Com razão ou sem razão isto é um facto!


O mesmo edifico deixado de herança, hoje ainda bem conservado.

        
As igrejas, como sempre, num estado excelente de conservação

Cinema, hoje chamado ABC, localizado na mesma rotunda da Igreja e do Governo do Niassa.
Lembro-me de ouvir falar que era um local frequentado pelos nossos "adversários", alguns deles apanhados pela PIDE com bilhetes deste cinema.


Antigo edificio dos Correios onde nos deslocávamos, hoje chamado Loja Postal
Antigo mercado municipal

Hospital com aspecto cuidado. Na época aqui me desloquei para tratamento dum dente ainda hoje no seu devido lugar! Era forte e feio mas duradouro!

Este bom aspecto do hospital, segundo me disseram, deve-se à  permanência a tempo inteiro dos Médicos Sem Fronteira. Na zona onde pernoitei, em frente ao hospital,  verifiquei a existência dum "condominio fechado", residência dos referidos médicos. 

O depósito da água, local que todos conhecemos

E cá está o célebre Café-Rest. Planalto (hoje com outro nome de origem nativa que já não me lembro). Local obrigatório para limpar a garganta do pó da picada.
Com bom aspecto e bem conservado.

Que até lá almoçámos. Eu preferi um prato típico: frango de churrasco "à macua" regado com 1 Laurentina! Aqui estou eu a entrar, passados 42 anos, para o Planalto!

Já no seu interior. Tenho vagas lembranças. Alguém ainda se lembra?

Em Jan.1970 em V.Cabral na companhia do saudoso Fuzeta e do Olhanense (boa praça) a beber uns copos. Seria no Planalto de outros tempos?  Haverá alguém que tenha a memória mais fresca e que possa esclarecer? 

As lojas ao lado do Planalto ainda existem, só não sei se serão as mesmas. Hoje, uma delas chama-se "Casa Nursay", precisamente aquela onde nos deslocava-mos para comprar os célebres presentes que traziamos para oferecer às noivas e esposas no regresso à "peluda"! Quem sabe se não seria esta a loja onde éramos atendidos pela tal Fariba e a irmã!  Ainda tentei saber na dita loja, mas tinha acabado de encerrar.
Na foto, dois grandes amigos, eng. agronomos portugueses, a trabalharem naquela região que tão bem conhecem,  o J.Gonçalves, residente em Nampula que fez o favor de me acompanhar em toda esta aventura (sem ele esta viagem não seria possivel) e o José Dias Lopes, actualmente a residir em Vila Cabral (Lichinga) e que nos ofereceu cama, mesa e roupa lavada, enquanto por lá cumpriamos a nossa missão!  Para eles, como se costuma dizer: O nosso bem haja.

Esta foto de Jan.1970, em V.Cabral, mostra pendurados na parede duma das casernas que habitávamos, provisóriamente,  alguns dos ditos "presentes" comprados na loja da Fariba, que traziamos para oferecer às namoradas, noivas e esposas!  Sem comentários!

 

De seguida fomos  para a zona do aeroporto no intuito de olhar de perto os locais onde era costume ficarmos instalados. A única coisa que me pareceu mais familiar foram os antigos postos de vigia.


E alguns edificios ou casernas da época, uma vez que é quase impensável encontrar alguma construção realizada depois de nós.
Muito próximo deste local encontra-se o edificio principal do aeroporto. Devido aos seguranças não me foi possivel tirar qualquer foto.

 
Remexendo no meu baú das recordações, afim de poder fazer algumas comparações com os dias de hoje sobre V. Cabral, a unica foto que encontrei diz: "V.Cabral-22Dez.69 - Com um amigo "mascote" da Cª de Comandos" que foi tirado aos pais que eram "turras".  
Lembro-me que esta Companhia de Comandos estava sediada, assim como nós, na zona do aeroporto.

Para terminar e por ser curioso coloco esta foto datada de Jan.1970 que julgo a maioria não conheceu, apesar das imensas passagens por V.Cabral.
É uma imitação do Portugal dos Pequeninos em Coimbra e aqui se pode ver a casa que representava a "Metrópole".


A seguir o rumo será Chala seguido de Lione.  Até lá com um abraço para todos.














quinta-feira, 19 de agosto de 2010

OS NOSSOS POETAS

Hoje, para variar um pouco e para não cansar os seguidores deste blog com tantas fotos trazidas de Moçambique, lembrei-me de cumprir a promessa que fiz no ultimo almoço em Coimbra ao Avelino Torcato Pereira, melhor ao nosso amigo "Choné" e que, contada,  fica assim: 
Logo à minha chegada ao restaurante o Choné abeirou-se de mim e, após o forte e habitual abraço, disse-me:  "Oh, Cripto eu aproveito estares aqui para te perguntar se é possivel colocares no tal blog da tropa uns versos feitos por mim já há tempos e que focam um tema que me é muito querido?"
Claro, que a resposta foi um imediato: sim.  E, logo o nosso Choné foi ao bolso e tirou uma meia folha A4, escrita de alto abaixo, contendo seis quadras. E mais, devidamente assinada pelo seu autor.
Não posso dizer que não fiquei surpreendido ao verificar a  enorme vocação camoniana do Avelino Torcato Pereira com o heterônimo "Choné",  pois julgava-o mais ligado a outras artes como a da pintura e da gastronomia, por exemplo!
Cumprindo a promessa  aqui deixo o seu  ultimo(?) poema,  intitulado: IDA A MOÇAMBIQUE.  
Obrigado Choné pela amizade que dedicas a todos nós, e que a veia nunca te falte, pois este blog  também é teu e está à tua inteira disposição.



Mais tarde, ainda no almoço, o Choné continuando com a actividade poética diz:me: "Eh pá, só eu sei como fiquei danado quando tu ganhaste aquele concurso lá em António Enes, no restaurante que ficava logo  no inicio do caminho  para o Inguri".        Julgo estarem ainda recordados que era o local  onde o "aprumado" 1º cabo enfermeiro  Zé Miro (grande cançonetista!  Que é feito desta gente?), nas "soirées" ao  fim de semana, nos deliciava com autênticos "shows" na arte de bem cantar. Não me lembro, mas não devo andar muito longe da verdade , se disser que do seu reportório fazia parte aquela canção que até fazia chorar as pedras da calçada e que se chamava: Mâezinha estás tão longe de mim!
Mas, voltando à conversa com o Choné:  Dizia ele, então, que numa dessas "noites de gala" no tal restaurante o proprietário duma relojoaria da cidade (indiano)  promoveu um concurso  em que  qualquer dos presentes poderia apresentar uma quadra alusiva a uma marca de relógios que ele vendia na sua loja. E,  que durante o espectáculo do Zé Miro, seria apresentado o vencedor da melhor quadra.
O que o Choné não se conforma é por ter sido eu o ganhador pois, em seu entender, a melhor quadra era a dele!
O que eu acho muito estranho é que passados estes anos todos, quando lhe pergunto como era a  sua quadra, ele diz já não se lembrar!   Em contrapartida, a quadra  feita por mim e que também não  me lembro, tendo apenas uma vaga ideia desse "evento", o nosso Choné tem-na na ponta da lingua e recitou-a num ápice:

                                                "Tenho um relógio velhinho
                                                  Por outro não vou trocar
                                                  Pois anda sempre certinho 
                                                  É por ser um Enicar!

Ele há coisas estranhas, realmente!  Para completamento da história,  acrescento que o Choné diz que  fui  premiado  com  um relógio  oferta da tal ourivesaria!  Sinceramente não me lembro, se calhar porque vendi o relógio!!




 






EM MISSÃO DE SAUDADE...........

A CAMINHO DAS ZONAS CRITICAS DE GUERRA

A partir de agora  vou entrar nas chamadas zonas criticas de guerra (100%), alguns locais que  tão bem  conhecemos  e outros porque, simplesmente,  lá passámos em deslocações sucessivas.
Deixei para trás   zonas  mais  tranquilas na época:   António Enes (Angoche) (que ricas férias de 3 meses ao sol a prepararmos o corpinho para o regresso à metrópole) e Nampula (para alguns, que excelente porto de abrigo para fugir ao mato, para outros nem tanto),  bem como a Ilha de Moçambique,  lugares que,  duma forma ou de outra, muito nos dizem.
Partimos de Nampula (eu e  meu  amigo  "compagnon de route" J. Gonçalves, que não me cansarei  de dizer que o êxito  se deve a ele) com destino a Vila Cabral, numa viagem  de  cerca de 1800 km, incluindo o regresso.
O jeep parecia conhecer aqueles km de picadas  (agora chamadas estradas por terem sido alargadas, uma vez que é por ali que passam os transportes de e para o Malawi)  e de pó que engoliamos a todo o instante, lembrando-me tempos idos.  As paisagens eram espectaculares, tanto surgiam os altos montes rochosos, cada um maior que o outro,  como logo a seguir  apareciam grandes extensões de alto arvoredo verdejante. Pelo meio o mato denso e capim impenetrável que me recordavam  também já ter visto aquele filme em algum lugar! E também, como não podia deixar de ser, os muitos aldeamentos que crescem como cogumelos por toda aquela vasta região.
Esta aventura inesquecivel durou 4 dias e recomendo-a vivamente a todos aqueles que, como eu, vivem  emocionalmente, se calhar com algum masoquismo à mistura,  a sensação nostálgica  que  ficou agarrada  à nossa memória.           Propositadamente, hoje,  vou passar por cima de Lione e Chala, deixando estes dois locais de culto, por serem especiais,  para a ultima descrição.


Deixámos a Provincia de Nampula e entrámos no Niassa. Ao lado a linha férrea, chamada a Linha de Nacala/Vila Cabral


Picada que seguia para Nova Freixo (Cuamba) atravessada pela linha férrea no percurso de N.Freixo (Cuamba) para Vila Cabral (Lichinga)
A linha no seu percurso completo vai de Nacala a Vila Cabral (Lichinga) passando por: Monapo, Namialo, Nampula, Ribaué, Malema, Nova Freixo (Cuamba), Catur (Itepela) e Vila Cabral.
Veja-se o estado calamitoso da via.  Dizem que muitas das vezes, por isso mesmo, as carruagens ou vagões acabam por descarrilar acabando, também por isso, por demorar  15 dias até chegar ao destino.  A população do Catur (Itepela) só tem comboio para Vila Cabral (Lichinga) uma vez por semana. 

Estação de Malema. Para mim a melhor conservada. Talvez por ser numa zona agricola em expansão.
Posso informar que tenho fotos de Fev.1970  em Malema aquando da nossa viagem  para António Enes (Angoche) provenientes de Tenente Valadim?   
    
Nesta localidade passou a 2415 há 41 anos. Nesta Pensão Malema estive eu, conforme se constata  na foto abaixo. Ainda tenho gravado na memória a côr  castanha das paredes que ainda hoje se mantêm.


E na parte de trás da foto tem a seguinte inscrição: MALEMA - FEV.1970 - DURANTE A VIAGEM FIZ MAIS UM AMIGO DESDE QUE LHE PAGASSE VINTE ESCUDOS ! 


Entrada  de  Mandimba, local que também foi sede de batalhões e companhias.
Além de Chala é a principal entrada para o Malawi. Em frente segue-se para Lichinga (Vila Cabral) e antes aparece Massangulo no desvio para o Catur (Itepela)

Homenageio este "excelente" e único restaurante de Mandimba (fazia inveja aos melhores "Michelan" da nossa praça) , que  debaixo daquele "parrô" com tecto de palha, serviu-me 2 almoços, sendo o ultimo um espectacular caril de cabrito acompanhado por uma espécie de guizado de couve à maneira!  Aqui ninguém pode dizer: "Fome é mato"!!

Depois de em Mandimba termos feito o desvio  para o Catur (Itepela)  logo surge Massangulo


À esquerda o inicio da aldeia que me pareceu, de entre todas as que vi, a melhor organizada e mais conservada.  Concerteza,  fruto de ainda por lá andarem os missionários.


Viramos à esquerda, atravessamos o aldeamento já bastante desenvolvido com mercado de rua (a lembrar as feiras dos ciganos em Portugal) e deparamos com o ex-libris Igreja de Massangulo. Já há algum tempo considerado pelo Estado de Moçambique como Património Nacional.  Gostaria de acreditar, apesar das dúvidas criadas ao ver o Património da Ilha de Moçambique e Cabaceira Grande!  Mesmo ao lado residem os padres missionários que promovem o ensino escolar  e ensinam artes. 
Nunca será demais relembrar que nesta Igreja  foram feitas as exéquias aos falecidos Sarg. M.Carvalho e Fur. A.Santos.


Mesmo em condições degradantes os padres tentam fazer o melhor.  Será que esta escola primária não é património nacional?


E depois de mais uns poucos km chegámos ao Catur (hoje chamado ITEPELA). Ninguém duvide, isto é a antiga estação de comboios do Catur, neste estado ruinoso como se aqui fosse Hiroshima.  O comboio vez em quando passa por aqui para levar/deixar  passageiros para/de Vila Cabral (Lichinga) e a gare/sala de espera é no meio do capim! Até o relógio por artes mágicas se transformou num buraco!


Mais uma imagem incrivel.
No Catur tirei algumas  fotos, tanto da estação C.F. como dos vestigios dos Batalhões que por aqui passaram e ainda da localidade. Mas, entendi cedê-las todas aos promotores do blog "O Comboio do Catur" (Ver no nosso blog no menu "Outros Sites"),  na pessoa do Quim Marques, usual seguidor/participante do nosso blog. Tenho certeza que as saberão enquadrar  mais adequadamente.

Já a caminho de Lione, surge-nos o célebre Caracol.  As populações daquela zona assim lhe continuam a chamar devido às muitas curvas e contra-curvas daquela estrada.  Verifiquei que naquela zona (varrida já da minha memória) há troços de alcatrão e de terra batida. Dizem que o alcatrão defende melhor os camionistas nas descidas na época das chuvas, pois evitam que se despistem. 
Imaginem que bom seria se este filme tivesse sido há 41 anos atrás!!


Outra zona do Caracol

E ainda mais outra. Tirei estas fotos em  locais que me pareceram mais propicios a encontros indesejados naquela época! Mas de nada me lembro, a minha memória visual não ajuda! 
Passei, defacto, naquela zona algumas vezes,  por dever de ofício, a caminho do batalhão sediado no Catur. Felizmente, tive sorte!!  


E  rápidamente chegámos a Lione!!

Espero continuar em breve.................mas primeiro darei um salto até Vila Cabral (Lichinga) .












segunda-feira, 16 de agosto de 2010

EM MISSÃO DE SAUDADE...........

                                            CABACEIRA GRANDE

Este nome nada deve dizer a todos nós, mas é só o  local onde o Vasco da Gama e seus "marines" poisaram pé pela primeira vez. Devia ser considerado o berço da nação moçambicana!
Aquando da visita que fiz ao Palácio/Museu de S.Paulo, na ilha de Moçambique, ao consultar as cartas daquela época quinhentista verifiquei numa delas, que as 3 naus que ele comandava, estavam bem em cima duma pequena baía  e que aquela terra que  pisaram se chamou, a partir daí, Cabaceira Grande. É bem visivel até as linhas que o cartografo traçou unindo as 3 naus a essa terra.
É a partir daqui que toda a história se faz  até à mudança para a Ilha.  
A Ilha de Moçambique fica do outro lado do canal, a poucas milhas, não mais do que uma ou duas.  Após ver o local fisicamente, entendo a ideia do nosso Gama ter avançado mais canal adentro pois estaria, concerteza, mais abrigado dos indesejados,  pois a Ilha estava muito mais exposta, em cima do Indico.
Mais tarde a mudança foi realizada e a primeira capital imperial foi defacto a Ilha de Moçambique. 
Todavia, pelos vestigios encontrados naquele local, acho que devo informar e dividir tais conhecimentos.  Mas a minha tristeza continua, devido ao abandono em que tudo se encontra. Não sei realmente que fazer para que alguém de direito se interesse minimamente pela resolução do problema.
Fiquei encantado pela beleza e simplicidade daquele local, hoje, transformado num  aldeamento com uma população de pescadores de camarão.


Cabaceira Grande terra  exótica de coqueiros e camarão

Segundo a inscrição este Instituto construido na Cabaceira Grande ((sabe-se lá quando) foi entregue à Câmara Municipal em 1913 pelo Estadista Dr. Afonso Costa (ministro português)

Vê-se bem o abandono total, apesar de ser considerado património do estado

Palácio que serviu de residência aos governadores portugueses. Construído no sec.xv.

Esta "moderna" placa foi a unica obra de recuperação até agora levada a cabo neste edificio! Além de estar totalmente desajustada

Mau demais

para ser verdade

Esta igreja de construção antiquissima com materiais aqui deixados por naus que vinham da India está neste estado caótico

Lindissima porta inteiramente talhada na India. Vê-se bem o estilo. Lamenta-se estar votada ao abandono 

Sem comentários. É mau demais por ser verdade. A toalha branca do altar deve-se a um padre daquela zona que vez em quando lá se dirige para rezar missa aos poucos fiéis que existem naquela região. Como se sabe predomina a religião muçulmana 

Achei curioso encontrar dentro da igreja uma tumba de 1855 contendo os restos mortais de alguém que espero os seus descendentes terem conhecimento

Da Cabaceira Grande olha-se a Ilha de Moçambique ali mesmo ao lado

                  Com a Fortaleza de S.Sebastião a servir  para criar as maiores dificuldades aos invasores holandeses

Mesmo sabendo que, apesar de todas as lamentações, ninguém me vai ouvir, acho que cumpri o meu papel  ao denunciar aqui e ali situações intensamente anómalas e chocantes do património mundial. Sinto-me, por isso, melhor pessoa.