quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VOLTANDO A RECORDAR

Por F. Santa
         Vou ter o prazer de apresentar no nosso site, algumas fotografias enviadas pelo nosso camarada Pires (condutor). Foi o primeiro condutor da nossa companhia a sair para o mato, comigo e com a minha secção, naquela aventura nocturna para Matipa já conhecida de todos vós. Era ele também que conduzia a Berliett quando da emboscada no caracol onde morreu o Sar. Carvalhito e o Furr. Santos tendo também ficado ferido.
           Como vêem, com um pouco de boa vontade é possível participar no nosso site assim como fez o Pires. Quanto às histórias, elas também podem ser enviadas ou para o Soares ou para mim, que depois serão reencaminhadas para o site. Para quem não sabe ainda a minha direcção: F. G. M. Santa, rua 25 de Abril nº 344 S. Martinho do Bispo, 3045 – 163, Coimbra. Fico á espera!

           Esta é a primeira foto, nela podem ver o Pires e o J. Rodrigues algures em Moçambique!! Já agora aproveito para desejar boas castanhadas bem regadas com uma boa água-pé e uma boa jeropiga!!!
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ESQUECIDOS
    Neste momento interrompo a feitura deste texto, pois a minha mulher chama-me atenção para um programa que vai passar na SIC com o título “Esquecidos”. Aproveito para dar os parabéns a este canal, pois já não  é a primeira vez que tem a coragem de denunciar exemplos destes. O que vi, já não é  novidade nenhuma, vi as sepulturas onde estão os restos mortais dos nossos camaradas mortos em Moçambique, mais propriamente em Moeda. Como é possível que o Estado Português até  hoje não tenha feito nada para que os restos mortais daqueles camaradas que deram a vida pela Pátria não tenham vindo para as suas terras para um lugar digno, e também para as suas famílias fazerem o seu luto também com a dignidade que eles merecem. Segundo ouvi, são perto de 3.000 (em Moçambique). Claro que nas outras províncias se passa o mesmo. Nem um animal de nossa estimação, é enterrado e desprezado como os nossos camaradas. Não me foi fácil ver a reportagem e ouvir alguns testemunhos de familiares. Não é vergonha nenhuma quando se sente raiva feita de sentimentos e de amor pelo próximo, e que se vertam algumas lágrimas e eu verti, bem como a minha esposa. É bom que ainda se encontre alguém com coragem para denunciar e mostrar ao país a vergonha porque passam os nossos governantes, (estão pouco ligando) e mais vergonha em cima de vergonha, é se alguém quiser trazer para cá qualquer dos nossos camaradas, tem de pagar!!! Enquanto os nossos governantes se deleitam em gastar o nosso dinheiro, enquanto houver ordenados e reformas milionárias para os grandes senhores e tanta corrupção, claro que não há dinheiro para a sua transladação. Mas será que para nós combatentes isto é admiração? Acho que não. Pois se eles não se lembram dos que estão vivos, como se irão lembrar daqueles que morreram e por lá ficaram? Todos nós, mortos, vivos, e deficientes somos considerados como empecilhos e para esquecer! Bem-haja a Força Aérea Portuguesa que segundo sei, tem oferecido gratuitamente o transporte de alguns que já vieram, bem como a Liga dos Combatentes, Associação dos Deficientes das Forças Armadas e outras entidades que agora não me ocorrem. Da minha parte e de todos os combatentes em geral e famílias, um obrigado a todos. Para os nossos governantes, só pedimos um pouco de dignidade para aqueles que morreram e para aqueles que ainda hoje sentem no seu corpo os traumas e as feridas de guerra.
        A qualidade não é muita boa, mas mesmo assim aqui vão algumas fotos tiradas da televisão:

















Um abraço para todos do Santa

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Como não vi em directo esta peça da SIC, procurei na Net e lembrei-me de a deixar aqui, para aqueles que, como eu, não tiveram oportunidade de a ver. Entretanto agradeço a colaboração do Pires, esperando que outros apareçam. Podem enviar-me o que tiverem, por e-mail ou por correio.Ou para o Santa, o Castro ou o Magalhães.
Manuel Soares 
( manuelsoares46@gmail.com  ) (Av. Correios, 150    4775-446 NINE) 

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1 comentário:

  1. É bom voltar a ver os amigos Pires e Zé Nabo na sua "adolescencia". Boa gente sempre bem disposta que gosto de abraçar nos almoços anuais.
    Aproveito para lhes pedir também que contactem os companheiros próximos das suas zonas para colaborarem o possivel de modo a podermos continuar a manter o blog activo.
    Quanto à foto que dizes tirada "algures em Moçambique", para mim é na zona das casernas de chapa, junto ao aeroporto em Vila Cabral. Nas transições servia de hotel de passagem.
    Vê-se bem que tiveram de esperar que a chuva parasse para que pudesse sair uma foto seca!!
    Um abraço.

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