domingo, 21 de novembro de 2010

MATANDO A SAUDADE

Por: F. Santa

     Como tinha dito, ia estar ausente até  hoje (dia 20) para dar uma volta, que teve como destino o Algarve. O tempo esteve óptimo podendo assim dar alguns passeios e visitar alguns camaradas nossos que por aquelas bandas moram. Fui encontrar o nosso amigo Joaquim Serrano que mora em Monte Gordo e que eu próprio já não via desde a emboscada do Caracol isto é: há cerca de 42 anos. Fui encontrá-lo na cama adoentado. O Serrano foi aquele que depois da emboscada do Caracol, toda agente foi embora para Massangulo e esqueceram-se dele no mato, tendo dado pela sua falta  pouco tempo depois foram então buscá-lo. Deitado na sua cama ele reviveu ali a sua aventura dizendo ele que se salvou ao ter conseguido fazer um “garrote” na perna, mas mesmo assim ficou sem ela completamente. Hoje, o Serrano é mais um deficiente das forças armadas nos confins do nosso país carregando na sua vida a perda de uma das pernas e como ainda tudo não bastasse foi premiado com ataques epilépticos. Lá me vim embora deixando algumas palavras de conforto para ele e para a sua família que é gente humilde e sincera.
    Fui também a Tavira. Lá encontrei o nosso camarada João Vieira Rodrigues. Combinei um almoço com ele e com a esposa onde conversamos tudo com calma, e do almoço partimos para casa dele onde consegui algumas fotos que vão sendo inseridas no nosso site. Ficou combinado que para o próximo almoço vão alugar um autocarro para ver se vêm todos. No último dia, ou seja no meu regresso, vim por Beja e ainda tive tempo de passar por São Matias – Beja e estar com outro nosso camarada, o João Augusto Vargas Galo, que ainda conserva a mesma fisionomia. Foi um encontro emocionado pois também já há 42 anos que não o via. Chorou por dois motivos, pelo reencontro comigo e pela doença da esposa. Disse-me que se tudo corresse bem iria tentar vir ao nosso próximo almoço.
    São estes pequenos retalhos da nossa vida que nos dão força para vivê-la, e a fraternidade entre nós, que vivemos naquelas terras longínquas do Ultramar dias difíceis, deve ser cada vez mais cimentada e não esquecida.
     Seguem três fotos. A primeira sou eu (claro) com o João Rodrigues aquando da minha visita, a segunda foto, segundo ele, foi quando da captura de um nosso inimigo, onde se vê o nosso Alferes Soares que pode muito bem contar esta história. A terceira é o João Rodrigues e o Cabrita.








         Por hoje é tudo, um abraço do Santa.

3 comentários:

  1. Claro que não vou fazer qualquer comentário ao meu texto,mas sim pedir ao Soares que conte a história da foto onde ele está para ficar-mos a saber o que se passou, seria óptimo.Já agora deixava aqui uma sugestão.Já tanta gente ( milhares ) visitou o nosso site, porque não entram nele e comentam aquilo que viram!Já que não mandam textos pelo menos comentavam e davam sugestões e até complementávam as histórias com outros factos que por vezes não ocorrem com facilidade na nossa memória. Isto serve também para todos aqueles que são simpatizantes do nosso site e não só, pois era uma maneira de haver mais diálogo.É uma opinião minha.Era engraçado!
    Santa

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  2. O nosso reporter Santa mais uma vez no local onde há casos para contar. É já um sacerdócio uma vontade de ajudar os outros e que vai perdurar até ao dia final. São raros casos assim por isso este sentido de solidariedade não é para todos mas sim para quem sente!
    Lamento,sinceramente, pelo que o companheiro Serrano está a passar. Costuma-se dizer: uma desgraça nunca vem só. Quando jovem teve o azar terrivel de ficar sem uma perna e agora quando seria desejável uma vida mais tranquila a saude abandona-o.
    Gostava de contar uma pequena historieta passada, entre nós, num dos almoços em que participei, só não me lembro do ano nem do local.
    Juro, solenemente, que ao fim de tantos anos após o regresso, havia já algumas confusões na minha mente e imaginava que o Serrano tinha sido um dos nossos mortos.
    No tal almoço, que agora recordo, já sentado à mesa com alguns companheiros e tendo em frente o fiel Moreira, olho para o fundo do restaurante e vejo entrar pela porta principal o Serrano apoiado numas muletas (canadianas). Fiquei paralizado e o garfo ficou a meio, entre o prato e a boca. Não queria acreditar que estava a ver um fantasma! Meio a gaguejar e "à rasca" perguntava: Oh, Moreira o Serrano não foi dos que morreu?
    Respondeu o Moreira que estava de costas para a porta: Qual Serrano, carago? Que é que te deu, santinho? Estás a passar bem?
    Entretanto, o Serrano continuou a sua marcha mais lentamente corredor fora para ir ocupar o seu lugar numa qualquer mesa que lhe estava destinada. Ao aproximar-se de mim (que nem um fantasma) contei-lhe o que tinha acabado de acontecer e, apesar de já não me lembrar muito bem das reacções, acredito piamente
    que demos umas boas gargalhadas!
    Mas como toda a história tem uma moral, acho que desta se poderá concluir com toda a firmeza: A CONFUSÃO SÓ ACONTECEU PORQUE INFELIZMENTE HOUVE MILHARES DE VITIMAS INOCENTES.
    As melhoras e um grande abraço amigo Serrano. És um herói.

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  3. Bem que eu gostaria de contar a história a que se refere o J. Rodrigues, a quem aproveito para saudar e agradecer o contributo que nos dá com as fotos que nos envia. Deixei passar alguns dias a ver se me vinha algo à memória, mas não consigo reconstituir... Quem me dera ter acesso aos "relatórios da operação" que obrigatoriamente redigíamos após cada acção efectuada! Mas a fotografia é deveras interessante, sobretudo pelo enquadramento ambiental... Penso que se reporta ao tempo do Lione.
    Aqui deixo também uma palavra de solidariedade ao companheiro Serrano.

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