domingo, 4 de julho de 2010

FALSOS ALARMES

(Por: F.Santa)
LIONE

Não só de guerra a sério se viveu na nossa Companhia, pois várias vezes houve episódios que tiveram alguma graça (depois de terem passado) e em que os actores foram nós.
    Certo dia em Lione, depois de uma manhã  em pleno sossego, aproximou-se a hora do almoço. Se a memória não me falha, estava lá toda a companhia excepto o pelotão que estava em Chala e não sei se estaria alguém em Matipa. Estávamos todos em alegre cavaqueira a devorar aquela espécie de almoço (já não me lembro o que era mas leitão não era de certeza), quando de repente começaram a cair umas morteiradas vindas não sei de onde. Claro que foi o levantamento geral de todos quantos estavam à mesa e pegar em armas. O que é normal. Pois é! Só que no meio daquilo tudo sai o nosso Capitão com a sua coragem de comando com arma em punho a correr pela parada fora (e aqui é que está a graça de tudo) de cartucheiras á cinta, mas ao contrário, assim como ia correndo assim os carregadores iam caindo pelo chão. E as morteiradas? Essas caíam bem longe da companhia e julgo eu que ninguém soube de concreto o que se passou, donde vinham e qual o objectivo atingir. Se o nosso Capitão ler este artigo, que me perdoe pois não é por maldade é um episódio como outros tantos que foram passados com todos. E quer ver?
   Certo dia saímos (eu incluído) de Lione para Chala já com o cheiro da noite. Ao passarmos no entroncamento da picada para Matipa, passados dois a três quilómetros na direcção de Chala, havia uma pequena recta. Como já era noite íamos com atenção redobrada, a Lua um pouco tímida emitia uma espécie de luar que tornava a picada algo tenebrosa. Eis então, que do lado esquerdo e quase no fim da recta, se nos depara um vulto. Resultado da observação? Um terrorista de vigia e os outros estariam emboscados. Mas parecia mesmo. Quanto mais olhava-mos maior era a certeza. Toca a parar, tomar as precauções devidas para fazer fogo o que na altura não chegou acontecer já não sei quem foi, fez uma melhor observação e mandou para lá um só tiro, só que o “ terrorista” continuou calmo e sereno no seu posto de vigia. Pois é meu Capitão. É que o “terrorista” não era mais que um simples tronco de árvore que banhado pelo pouco luar que existia transformava a sua silhueta num ser humano logo um “ turra”. Agora mais calmos, risada geral e lá fomos indo direitos a Chala sãos e salvos. O tronco? Esse lá ficou no seu posto, calmo e sereno, continuando a vigiar-nos.
Com certeza muitos já  não se lembram disto, mas a guerra também era feita destas coisas.                                                        
                                           
Um abraço para todos do Ex. Furr. Santa

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1 comentário:

  1. Do episódio das cartucheiras "ao contrário", lembro-me perfeitamente, e situação idêntica aconteceu, quando fomos acordados, durante uma tranquila noite em Lione, ".....porque estavamos a ser atacados....." e os tiros eram afinal de um sentinela, que atirou aos olhos reluzentes de algum animal que se tinha aproximado do seu posto e, o nosso Capitão, "sempre atento a alguma incursão do IN", voltou a "semear" algumas cartucheiras pela parada fora...........!

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