* * * * Sábado, 20 de Maio ==> Convívio anual da "BRIOSA" 2415 em Montemor-o-Velho * * * *

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lembranças...

Por: F. Santa


A primeira foto  lembra a famosa aldeia do Lione em 29-9-1968, a segunda foto foi tirada em 4-5-1969, num dia de descanso: sou eu com o nosso camarada alferes Alcino, tendo este falecido tempos depois, já na Metrópole.
  É bom continuar a recordar.

Para todos a continuação de um Bom Natal

Ex. Furr. SANTA


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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ordem de Serviço

(ligue o som, sff, e clique nas setas...)
Firme!
Sen......up!

Ordem de Serviço do Natal

Determino e mando publicar:

.Artigo único:

A  todo o pessoal desta CCAV 2415 e suas Famílias:


BOAS FESTAS
e Feliz ANO NOVO!

19 de Dezembro de 2010

O Comandante,

A. A. Amado
Descansar!
À vontade!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

HISTÓRIA DA COMPANHIA DE CAVALARIA 2415

"clicar" - em cada uma das folhas; depois de abrir, voltar a clicar" para ampliar.


NATAL .... A FESTA DA FAMILIA


É Natal. Revejo novamente a foto e relembro o primeiro Natal fora de casa. Estávamos no ano de 1968 e a nossa família militar estava toda presente. Hoje também está  presente e presente se manterá enquanto o tempo não apagar a nossa memória.

            Paz, amor e felicidades são os votos do ex-furriel Paulo para todos os camaradas e seus familiares.
 .

domingo, 12 de dezembro de 2010

LIONE : Massa, só massa!


   Uma vez por outra uma "equipa de foto-cine" (suponho que se chamava assim...) deslocava-se a algumas unidades estacionadas no mato. Creio que se fazia transportar de Unimog (de caixa fechada, salvo erro), onde seguia um projector de cinema de 35 mm, as "latas" com os filmes, e, suponho, um gerador de electricidade.

Também em Lione houve cinema, uma ou outra vez. (É claro que esse "luxo" nunca chegou  aos exilados em Chala, e muito menos a Matipa...).
   Assisti a  uma sessão,
pelo menos. O programa era a rigor: primeiro os documentários, depois um episódio de desenhos animados, e, finalmente, o filme de fundo, com os intervalos da praxe ... .
O filme era projectado na parede da caserna...
   Obviamente ao ar livre, o ecrã era a parede da caserna: não me lembro se colocavam um lençol branco. Os condutores tinham  o cuidado de dispor estrategicamente as viaturas disponíveis, para o pessoal abancar, tipo "drive-in" de cidade tropical...
   Ora acontecia que, por essa época, a ementa do rancho era muito repetitiva: há algum tempo o prato do dia era massa (com chouriço, com atum, com "estilhaços" [carne em pequenos pedaços]...)
   Logo calhou de o documentário exibido ser sobre a Manutenção Militar, mostrando, com muito pormenor, o fabrico das massas alimentícias.
   E eis que surge, bem forte, uma voz da plateia:


" SÓ MASSA, SÓ MASSA ... ATÉ O CINEMA É MASSA !!! "

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

LUATIZE ....... RECORDAR UM POUCO MAIS

Por: A.Paulo

   Por mais que se fale sobre os locais por onde passou a nossa CCAV, existem sempre factos que se omitem quando se escreve um pedaço da verdadeira história vivida no dia a dia dum “AGRUPAMENTO MILITAR”.
   Como diz o velho ditado “a conversa é como as cerejas”, e sendo assim é pena que o diálogo entre nós e sobre este tema se resuma a três ou quatro elementos, que acabam por comer as “cerejas” todas, não comungando neste “manjar” de recordações inúmeros camaradas nossos, também marcados por vários episódios que todos nós gostaríamos de relembrar.
   Quando pego no meu álbum de fotografias acabo por seleccionar aquelas que praticamente são únicas e ainda não dadas a conhecer aos nossos visitantes do blog. Hoje escolhi uma onde se pode contemplar uma panorâmica do nosso destacamento em Luatize.


   As barracas em primeiro plano eram os aposentos (quarto duplo) dos furriéis, estando equipadas com dois “burros” (camas de lona de abertura em X).
   Ao fundo, penso eu, estamos em presença duma arejada e modernizada cozinha que era “chefiada” por dois exímios cozinheiros.
   Já agora, que tal uma verdadeira sopa devidamente preparada com todos os requintes dum “maître d’hôtel”?...
   --“Ó sr. Sousa então você despeja directamente o feijão da saca na panela?”... pergunto eu ao cozinheiro de serviço. “Então você não lava o feijão antes de o meter na panela?”...
   Afirmativo, mas... negativo. Será escusado salientar que o feijão furado pelo bicho e cheio de pó logo deixou uma ecológica nata de gorgulho à tona d’água.
   --“Não se preocupe meu furriel que quando a água ferver eles já morrem”, retorquiu o camarada Sousa. Nada de invejas que a sopa dá para todos.  OK......


   --“Como dormiam vocês?... As vossas camas eram boas?”, perguntam os curiosos.
   Desde a chegada a Luatize (23/06/1969) e após o ataque ao aquartelamento, toda a gente dormia vestida. As nossas barracas de lona, encostadas a uma velha barreira de protecção ( faixa de troncos de árvores com terra no meio), eram invadidas à noite por centenas de ratazanas (pareciam coelhos) que saíam da barreira e nos atacavam à dentada, deixando como prenda uma grande infestação de parasitas.
   Para contrariar estes “incidentes” espalhamos nas mantas e no chão enormes quantidades do poderoso insecticida DDT e fizemos lamparinas de petróleo (garrafas de cerveja com a tampa furada e com um pedaço de trapo a servir de mecha) que mantínhamos toda a noite acesas com a finalidade de afugentar os intrusos.
   Com o nascer do dia e o sol a raiar, todo o pessoal se libertava do seu obrigatório “pijama” e de calções e chinelos fazíamos romaria ao rio que nas proximidades ali passava, para tomarmos o nosso banho diário.


   Hoje fico por aqui. Continua no próximo capítulo.


   Um abraço do Paulo. 

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* * * MENSAGEM DE NATAL * * *

Por: F. Santa


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      Estamos na época de Natal. O Ano está a chegar ao fim, e para todos eu deixo a minha mensagem: A Festa de Natal, obriga-nos a ter disponibilidade para os outros, vigiar para que os outros durmam, morrer para que os outros vivam. Os outros têm um nome: Chamam-se Irmãos. O homem, despreza tudo o que lhe foi oferecido, quer o que não tem direito, rouba o que é alheio e chega a matar por vingança. A vida perdeu qualidade.
     Sendo assim, e com o devido respeito, quer católicos e não católicos, o Natal toca-nos a todos quer queiramos ou não. O Natal devia ser o símbolo da pobreza como o nascimento do Deus Menino, mas o homem quer o seu conforto com toda a comodidade, quer a ostentação da riqueza, quer ter mais que todos. Assim, a Festa de Natal, obriga-nos a renovar a nossa vida e deitar fora aquilo que é inútil. Agora, vou transcrever o que li aqui á tempos numa revista.
“Se os homens olhassem os homens sem olhos de exigências, nem olhos de mestres, mas se considerassem todos, e ao mesmo nível diante de Deus, irmãos porque irmãos do Menino de Jesus, decerto que no mundo a injustiça, a incompreensão, o ódio, o desencanto, seriam palavras sem significado nem expressão; decerto as guerras terminariam, invadidos que seriam os campos por grandes culturas de flores e transformados os canhões e as metralhadoras em enxadas e arados. E isto porque o homem teria compreendido, finalmente, que amar é a razão de estar -mos no Mundo. Amar é a razão de ser -mos pai, irmão, e filho; de sermos médico, advogado, escriturário, bombeiro, etc. E então viver não seria aquilo que é para tantos e tantos irmãos nossos: estarem à espera da morte. Mas seria um caminhar para um dia encontrarmos a paz, a paz entre os homens e a paz de Deus”.
Sendo assim, que todos nós tenhamos no sapatinho a melhor prenda que se pode desejar: Saúde, Paz, Amor e muita Alegria.
 
    Depois disto, eu quero desejar a todos os camaradas da 2415 e suas famílias, um Santo Natal e um Ano Novo cheio de saúde e paz. Estes votos são também extensivos a todos os outros camaradas de guerra. Quero desejar em particular, ás famílias dos que já partiram, que na saudade tenham um Santo Natal e um ano novo com tudo de bom. Aos que estão doentes, desejo também um Santo Natal a todos com rápidas melhores e que o próximo ano lhes traga muita saúde e alegria. Queria também desejar um Santo Natal e um Bom Ano Novo a todos aqueles que de fora já participaram no nosso site e a todos os nossos visitantes. 


             Do Ex. Furriel Santa com um grande abraço para todos.    

 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CHOCAS-MAR : RELEMBRAR OUTROS LOCAIS, PICADAS E SABORES


Dar de caras com o  mapa do distrito de Nampula que o Soares  abaixo colocou, intitulado "Destacamentos" de António Enes, com etiqueta: Locais por onde andou a CCav2415 (mapas),  obriga-me a relembrar, uma vez mais,  aqueles fabulosos locais e picadas,  no mapa bem traçados e que tão bem fiquei a conhecer há quatro meses atrás aquando da visita  ao norte de Moçambique para reencontrar os chamados "locais de culto". Volto a inserir umas tantas fotos alusivas a alguns dos locais indicados no mapa, bem como umas pequenas historietas  que há sempre para contar. 


    O famoso morro à entrada de Liúpo igual a tantos outros que  40 anos atrás conhecemos enquanto percorremos milhares de Km.
Quantas emboscadas e operações militares  devem ter acontecido nesta zona?  Todos sabíamos que onde havia morros havia "porrada"!
Aqui o centro da localidade com o conhecido cruzamento das 5 estradas (algumas picadas e outras, poucas, alcatroadas) que, segundo o placard do Ministério das Obras Públicas,  estava em obras de manutenção.  Esta localidade é  importante por esse entroncamento para outras cidades estratégicas.
Naquele dia havia uma feira ao ar livre onde se vendia de tudo, desde produtos agro-pecuários até rádios, CDs, plásticos e, principalmente, camisetas do Cristiano Ronaldo e de todos aqueles que bem conhecemos do mundo do futebol.  Havia para todos os gostos!!
O dito cruzamento distribui-se da seguinte maneira, aliás, bem mostrado no mapa do Soares:  Uma via para Namaponda, Angoche (A.Enes); outra para Quinga (localidade mais próxima); outra para  Quixaxe, Monapo e Nacala (este muito importante pelo porto de Nacala); outra  para Mongicual (zona agrícola) e, por último, para Corrane e Nampula.
Aquando da visita a António Enes, em Julho passado, o trajecto escolhido, por motivos de trabalho do amigo Gonçalves, companheiro de aventuras, foi Nampula, Corrane, Liupo, Namaponda e Angoche (A.Enes) através duma picada larga (terciária, segundo o mapa). Tal escolha deveu-se à necessidade dele passar em Corrane para carregar o jeep de caixa aberta com 12 sacos de sementes de rícino da produção familiar do amigo Ferreira, ex-militar que por aquelas bandas acabou por esquecer a sua Penafiel, acho que  nunca mais lá voltou.  

Esta carga foi, posteriormente, já no regresso na passagem pela localidade de Nametil,  deixada na fábrica que transforma 


as sementes de rícino no famoso e caro óleo de rícino que o país exporta para mercados internacionais, principalmente EUA. Este óleo tem várias aplicações sendo a principal usada na industria aeronáutica. 
(Aqui vemos o amigo Gonçalves dirigindo o dificil acondicionamento da carga).

O regresso de Angoche (A.Enes) já foi feito pela via principal até à capital do distrito Nampula passando, como disse, por Nametil.
    Mas voltando ao "famigerado" mapa do Soares, quanto mais  o observo mais lembranças me trazem à memória que me levam a  paragens paradisíacas. Estou a falar dos dias de sonho passados na Praia das Chocas, como sempre, na boa companhia do Gonçalves e esposa Manela. Fecho os olhos e ainda lembro bem  da excelência das lagostas, camarões, caranguejos, lulas grelhadas. Eu sei lá!  Autênticos manjares, de sabores extraordinários,  comidos  debaixo  do  "parrô". É, simplesmente, único! Impossivel comparações!

Um empresário de pesca local (intermediário) que habitualmente nos fornecia o fresquissimo produto ao módico preço de cerca de 4,50 €/kg.
Conhecido por Careca, quando viu a cana de pesca que levei como "hobbie" nunca mais me largou. Passou ele a pescar e eu a descansar!
Clube da sua preferencia: Futebol Clube do Porto. Vá-se lá saber porquê!  É que nem ele sabe explicar. Um dia terei de lhe levar uma  camiseta do João Moutinho (prometida)  mas quando ainda era jogador do Sporting!!!








Este lindo peixe chama-se peixe-papagaio devido às suas cores.
E faz uns filetes divinais!!








E quem não  se lembra dos famosos caranguejos mais parecendo "santolas".  Aqui estão eles vivinhos, de patas atadas, para não "ferrarem", antes de mergulharem na panela de àgua fervente...



                                     

         ... para, assim, ganharem  esta cor  que enchia os nossos olhos. Para mim tanto faz, venham eles cozidos ao natural ou mesmo de caril!  Acreditem que é de sujar e chorar por mais!!                         









E à sobremesa não podia ser esquecido o famoso bolo "macua". A sua confecção é da maior simplicidade e o seu nome deve-se aos ovos serem de galinhas macuas muito pequenas.
Como se pode ver  feito em grelha de carvão com areia dentro do recipiente exterior onde se colocava a forma com o bolo a fim de ir a "grelhar". O resultado está à vista, de fazer inveja a qualquer cozinheiro do guia Michelin!!


Enquanto fazemos a digestão destes manjares aproveitamos e bebemos uma água de côco bem fresca directamente do coqueiro.


E cá vai o nosso homem como se fosse montanha acima sacar o produto directamente da àrvore.  Isto dentro do próprio quintal da casa do amigo Gonçalves.













Para depois  nos saciarmos com aquele líquido fresco e aveludado, enquanto as lagostas começam  a ser preparadas para outro "petisco".  












Ora cá estão elas a serem colocadas na grelha, depois de lhes ser retirada uma fina tripa que têm dentro das costas.
Se esta operação não for feita os potenciais "glutões" sujeitam-se a umas digestões algo indigestas!
As coisas que aprendemos, enh?!  




 
  E vão  a grelhar na chama viva do carvão...
                                                                                                                                                                      


Enquanto isso vão ganhando as cores rosadas que atiram para o ar um cheiro de fazer àgua na boca!
Ao lado a fritadeira está pronta para a fritura das batatas que irão servir de acompanhamento para os apreciadores. É usual em Moçambique.  Eu prefiro muito mais as proteínas do que os hidratos de carbono!



     Et  voilá! como dizem os franceses.  É de comer e chorar por mais, digo eu! 

Para usufruir destes exóticos prazeres da "gula"  que tanto gozo nos dão terei aqui de prestar uma homenagem aos pescadores daquelas paragens que, com barcos tão "sofisticados", enchem as nossas mesas com tamanhas iguarias.
Aqui vão eles a caminho da Ilha de 7 Paus, zona propicia a grandes pescarias.  Esta desabitada e pequena ilha que fica em frente à Ilha de Moçambique e à Praia das Chocas  é pertença do ex- selecionador de futebol da equipa portuguesa, Carlos Queirós. Segundo consta foi-lhe oferecida pelo governo moçambicano. A troco de quê, não sei!
E, para terminar com a cereja no topo do bolo, só mesmo um deslumbrante pôr-do-sol por cima da Ilha de Moçambique.



   Para chegar às Chocas, conforme se pode ver no mapa em questão,  há que percorrer cerca de 220 km em razoável estrada alcatroada, a saber: Nampula, Namialo (aqui parávamos para beber um café "Ricori" feito à mão (lembram-se?) no restaurante Santos. Este ex-militar não regressou à terra próximo de Braga. Por aqui constituiu familia, vários filhos e de vez em quando vai até ao Minho para provar o vinho verde.  Diz ter duas máquinas industriais de café tipo "cimbalino" arrumadas por não servirem para nada, uma vez que a pressão da água é inexistente.  Assim, para resolver a sonolência da estrada alcatroada, vai de ricori que é muito apropriado!); Monapo (localidade onde o ex-presidente do Sporting, Dias da Cunha, tinha a maior parte das suas empresas e fábricas na época colonial. Algumas ainda continuam a laborar). 
Nesta localidade vira-se à esquerda para se chegar à tal terra dos agradáveis petiscos e sabores que nos faz esquecer que a uma distância de mais de dez mil km há um país bolorento com o abismo aos pés, por culpa dos seus dirigentes.
E, assim, através de locais que foram a nossa guerra encontramos, agora, a paz!   Irónico... mas verdadeiro!



domingo, 5 de dezembro de 2010

CONTINUANDO A LEMBRAR

Por: F. Santa




Aqui vão mais três fotos. Nas duas primeiras estão o Pires e os seus “cadilacs“ algures em Moçambique. Quanto à terceira foto o João Rodrigues diz ser em Luatize. Gostava que alguém de boa memória conseguisse lembrar-se de algo sobre elas e contar as respectivas histórias. Já agora, gostava (e mais uma vez repetindo) que da parte dos nossos camaradas da 2415 houvesse um pouco de boa vontade em colaborarem no nosso site para não serem sempre os mesmos, pois as promessas feitas no nosso último almoço por alguns, esvaziaram-se no tempo. Não passaram de promessas. Eu sei que sou um chato, mas pode ser que algum dia eu seja surpreendido por alguém!
       Dois mil e dez está quase a chegar ao fim, muitas coisas já passaram pelo nosso cantinho de memórias, muitas mais poderiam ter passado se todos colaborassem. 

Um grande abraço para todos do Santa


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

António Enes, cidade que já se tinha chamado "Angoche", Local da "Messe de Oficiais".

Durante a presença em António Enes, cidade que já se tinha chamado "Angoche", nome que também é o actual, era neste edificio que os "0ficiais" viviam. Eram eles o Vitor Meira, o Alcino Magalhães (já falecido), o Gil Aguiar da Costa Santos e eu próprio. Aqui se passaram os ultimos tempos da estadia em Moçambique e grandes aventuras, sobretudo nocturnas.

Existiam três destacamentos, um em Savara, ao Sul, outro no estrada para a Ilha de Moçambique, Liupo, e um outro na própria Ilha de Moçambique, nos quais as ciclicas e temporárias permanencias entrecortavam o tempo aqui passado!

Vista aérea actual do local do quartel em Lione

Do nosso aquartelamento em Lione praticamente nada resta ! Foi aqui ! O campo de futebol parece que aumentou de dimensões e a povoação de Lione também aumentou de área e de habitantes. Esta imagem foi retirada do Google Earth. Falta agora localizar Chala e Tenente Valadim de que dizem só resta a Igreja !

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CONTINUANDO . . .

Por: F.Santa


             Continuando a saga fotográfica sobre os feitos da nossa companhia em Moçambique, aqui vão mais três fotos.
              A primeira, mostra o material apanhado pela nossa companhia numa operação. A segunda mostra um domingo em Lione e a terceira, mostra o embarque no comboio no regresso de V. Cabral para António Enes. 
Pede-se a quem souber dados sobre estas fotos o favor de os relatar. 


                                                                               Santa


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domingo, 21 de novembro de 2010

MATANDO A SAUDADE

Por: F. Santa

     Como tinha dito, ia estar ausente até  hoje (dia 20) para dar uma volta, que teve como destino o Algarve. O tempo esteve óptimo podendo assim dar alguns passeios e visitar alguns camaradas nossos que por aquelas bandas moram. Fui encontrar o nosso amigo Joaquim Serrano que mora em Monte Gordo e que eu próprio já não via desde a emboscada do Caracol isto é: há cerca de 42 anos. Fui encontrá-lo na cama adoentado. O Serrano foi aquele que depois da emboscada do Caracol, toda agente foi embora para Massangulo e esqueceram-se dele no mato, tendo dado pela sua falta  pouco tempo depois foram então buscá-lo. Deitado na sua cama ele reviveu ali a sua aventura dizendo ele que se salvou ao ter conseguido fazer um “garrote” na perna, mas mesmo assim ficou sem ela completamente. Hoje, o Serrano é mais um deficiente das forças armadas nos confins do nosso país carregando na sua vida a perda de uma das pernas e como ainda tudo não bastasse foi premiado com ataques epilépticos. Lá me vim embora deixando algumas palavras de conforto para ele e para a sua família que é gente humilde e sincera.
    Fui também a Tavira. Lá encontrei o nosso camarada João Vieira Rodrigues. Combinei um almoço com ele e com a esposa onde conversamos tudo com calma, e do almoço partimos para casa dele onde consegui algumas fotos que vão sendo inseridas no nosso site. Ficou combinado que para o próximo almoço vão alugar um autocarro para ver se vêm todos. No último dia, ou seja no meu regresso, vim por Beja e ainda tive tempo de passar por São Matias – Beja e estar com outro nosso camarada, o João Augusto Vargas Galo, que ainda conserva a mesma fisionomia. Foi um encontro emocionado pois também já há 42 anos que não o via. Chorou por dois motivos, pelo reencontro comigo e pela doença da esposa. Disse-me que se tudo corresse bem iria tentar vir ao nosso próximo almoço.
    São estes pequenos retalhos da nossa vida que nos dão força para vivê-la, e a fraternidade entre nós, que vivemos naquelas terras longínquas do Ultramar dias difíceis, deve ser cada vez mais cimentada e não esquecida.
     Seguem três fotos. A primeira sou eu (claro) com o João Rodrigues aquando da minha visita, a segunda foto, segundo ele, foi quando da captura de um nosso inimigo, onde se vê o nosso Alferes Soares que pode muito bem contar esta história. A terceira é o João Rodrigues e o Cabrita.








         Por hoje é tudo, um abraço do Santa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ESQUECIDOS – 3

Por: F. Santa

 Amigo Castro: Gostei muito do texto que escreveste. As tuas palavras espelham bem o momento actual. A maior parte destes nossos governantes de agora, não sabem o que foi a guerra. Não sabem o que foi o pó  da picada nem a noite no mato nem o zumbido das balas e dos rebentamentos das minas nem o estrondo das morteiradas e o estar longe da família! Sempre se sentaram à mesa a comer do bom e do melhor enquanto nós era a ração e muitas vezes nem isso. E hoje? Continua a saga: muitos que estão cá, já nem comer começam a ter e só lhes restam as migalhas monetárias que por esmola lhes dão!

                                                           E OS OUTROS?
                       
                                               Onde estão os outros?...
                                               ?! Que outros?!..
                                                Quem?! 
                                              - Aqueles que partiram sem regresso?...
   
                                               - Que nem inteiros nem partidos,
                                               Nem mortos regressaram?...
                                             
                                                Esses são ainda muitos
                                                Dos tantos que os outros foram!
                                           
                                                - Alguns (quase nenhuns) serão inteiros (?)
                                                - Outros entre os mortos se contaram
                                                e deles vieram urnas
                                                sem vestígios de morte 
                                                Outros destes:
                                                terão sido pasto de hiena. 
                                                - Mas eu ouvi também falar
                                                em « Homens cestos »!?
                                                Ou em cestos que escondem homens!?... 
                                                 - Bem esses… de quem a medo se fala:
                                                 Se existem (?)
                                                 Estão escondidos dos olhos do povo
                                                 e das consciências
                                                 daqueles que os olhos, as pernas e os braços
                                                 lhes roubaram…
              
                                                 E lhes deram a forma de cesto
                                                 suspensos no ar!
                 
                                                 -Mas isso é criminoso!...
                                                 Há tanto crime ainda por contar!... 
                          
              Mais uma poesia do nosso camarada Capitão Calvinho, que bem se pode enquadrar á situação dos esquecidos.


* * * * * * * * * * * * * * *


        

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Aqui está mais uma fotografia enviada pelo nosso camarada Pires. Ele mais o nosso saudoso camarada Joaquim António Lourenço conhecido entre nós por “Joaquim Maluco” para quem as Berliett eram um brinquedo! Grande homem! Que ele esteja em paz.
      Já agora, gostaria de lembrar os nossos camaradas que não escrevem nem mandam histórias da nossa companhia, pelo menos façam alguns comentários aos textos que são escritos no nosso Site, é um sinal de que estão atentos a ele! Olá Sintra! Por onde é que andas? Ainda estamos á espera das tuas notícias. Lembras-te do que prometeste?
      Este texto já estava escrito quando fui incumbido de representar a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (Delegação de Coimbra), hoje dia 11 para a cerimónia do Armistício, (comemoração do final da Guerra 14 – 18 e homenagem aqueles que nela tombaram. Na mesma comemoração, foi lembrado também o fim da guerra no Ultramar (36 anos) e os que nela tombaram. Ao fim de 40 e tal anos, voltei a recordar o firme, sentido, apresentar armas e o descansar. Desta vês não foi com a G3 mas sim com o nosso Guião. Camaradas. Não vale a pena dizer o que senti. Foi algo de estranho e ao mesmo tempo comovente e sentido. Naquela altura passou pelo meu cérebro um pequeno filme de todos os nossos camaradas mortos, não só da nossa companhia mas de todos em geral. Era o passado que estava naquela altura presente com a sensação do dever cumprido.
 
             Agora vou ausentar-me até ao dia 20, depois cá  estarei novamente se Deus quiser. Um abraço para todos do:

                                                       Ex. Furr. Santa  


.             

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lembrando João Vaz dos Santos

Por:  António Matos

" Quis o acaso que, numa pesquisa pela palavra S. Simão no google, viesse dar com este vosso site, por sinal muito importante e pelo qual surto especial interesse.

Desde muito miúdo (nasci em 1967) que tinha como amigos e vizinhos a Fernanda e o João – ela terá nascido em 1966 e ele em 1968.
Vivia, então, no lugar de S.Simão na freguesia do Bunheiro e, desde sempre, convivi com este casal de irmãos sabendo que o seu pai tinha falecido no ultramar, o que nunca me deixou indiferente, pelo contrário, sempre os admirei e ainda mais a sua mãe - a Conceição - que, sozinha, toda a vida se dedicou a educar e criar estes filhos.
A Conceição, e filhos, há muito emigraram para os EUA (talvez há mais de 30 anos) e, uma vez mais, quis o destino que este ano viessem cá passar férias - ela, a filha e o neto - tendo ela ficado cá por uma temporada.

Foi, portanto, com muita emoção e satisfação que ela recebeu, no Sábado passado, uma impressão que eu lhe dei deste seu post alusivo à data de falecimento do seu marido.
Ficou de procurar (nos EUA) as cartas que recebeu a darem conta do sucedido, no entanto, adiantou-me que o João terá sido ferido em combate, terá sido hospitalizado e terá falecido poucos dias depois.
Sobre o sucedido, ficou a São (é assim que lhe chamamos) de procurar pormenores que depois tomarei o cuidado de lhe enviar.

Espero ter, de alguma forma, contribuído para o esclarecimento e enriquecimento de dados relativos a esta situação em particular.

Melhores cumprimentos,

António Matos  "

domingo, 7 de novembro de 2010

Trágico 06-11-1969


Saudosa Homenagem

ao companheiro

João Vaz dos Santos

Esta é a memória do nosso camarada no monumento do Bom Sucesso, em Lisboa

Das circunstâncias deste falecimento não disponho de qualquer informação.Deve ter ocorrido na zona de Tenente Valadim. Continua em aberto o apelo de há um ano, solicitando elementos de quem tenha assistido.
Neste dia de há 41 anos se fechou o período mais negro da vida da Companhia 2415. Começara  6 meses antes, na emboscada do Caracol, e ceifou nove camaradas, além dos feridos de que não disponho números.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"ESQUECIDOS" - 2

Antes de tudo quero dizer-te, Santa, que estou inteiramente de acordo e solidário com tudo o que referiste relativamente à forma indigna e desumana a que, ostensivamente, foram votados os "ESQUECIDOS", extraordinário programa passado na SIC em horário nobre, na Grande Reportagem, precisamente no dia 1º de Novembro, data apropriadissima para lembrar aqueles desprezados "ESQUECIDOS".
Bem haja a SIC pela acuidade e pela necessidade da denuncia.
Neste momento conturbado que o país atravessa originado pela enorme incompetência "patriótica" dos nossos politicos (até quando?) que o estão a colocar à beira do abismo, onde a todo o instante só ouvimos falar do défice da dívida pública de 400 mil milhões de euros, que obrigam este pacato cidadão, sem culpa formada a ter de pagar, quer queira quer não, 40 mil euros (sem os ter) aos carrascos que desde 1975 têm feito o especial favor de nos dar a comida na boca!
Isto, dito assim com tamanha frieza, até parece que estou a falar num país de ficção que não o meu. Mas, infelizmente é a verdade.
Voltando de novo ao documentário da SIC, e para mal dos nossos pecados, há que reconhecer que ninguém deve ter ficado indiferente às imagens chocantes e desumanas que nos foram dadas a ver. Foi uma sobremesa bem amarga servida ao jantar.
"Ditosa Pátria que tais filhos tem",  o poeta  bem se esforçou, deu o seu melhor, mal sabendo que os donos deste pequeno territorio o iriam apagar, ao longo dos tempos, das suas memórias,  para que as consciencias não se tornassem pesadas.
É em cima do "défice da dívida pública" que a população, em geral, se vai entretendo, alguns a enriquecer e muitos mais a empobrecer, agredindo à esquerda e à direita, afundando-se na auto-estima e, até, esquecendo-se que há ainda mais outros défices.
E, pior que o mediático "défice da divida pública" é o "DÉFICE DA DIVIDA MORAL" . Este sim é muito grave porque põe em causa os valores morais por onde um povo se deve guiar.
Os nossos politicos (ditadores) impuseram-nos uma aventura perigosa em três cantos de África, enquanto defendiamos os seus interesses financeiros. Em resultado  dessa imposição morreram simplesmente 10 000 jovens portugueses. Uns mais "sortudos"  regressaram ao seio das familias dentro dumas caixas de madeira "umbila" ou "limbali", que ainda deram bons lucros comerciais aos conhecidos lobbies dos "lateiros".  Outros, nem por isso, com toda a indiferença, desprezo e desrespeito (chamo-lhe má fé) foram enterrados num palmo de terra achado mais à mão e abandonados  sem  direito a  flores mas sim ao capim eterno.
Mais chocante e miserável foi saber, ainda, que tal desumanidade acontecia porque as familias destes desgraçados   não tinham dez mil escudos para pagar a trasladação dos corpos para as suas terras de origem.
AGORA QUE SEI TODA A VERDADE,COM TODA A PERPLEXIDADE, ASSUMO QUE TAMBÉM FUI UM POTENCIAL "ESQUECIDO".  ISSO NÃO SE PODE NEM DEVE PERDOAR A NINGUÉM.
Atitudes iguais só mesmo na idade média e durante o periodo da escravatura, onde os seres  humanos das classes mais baixas eram indignamente tratadas como animais.
É caso para chorar, realmente, só não o faço porque às vezes as lágrimas também secam,mas estou profundamente sentido e com medo do futuro pois não acredito mais em quem de direito. 
Mas ainda me resta a sensibilidade necessária para dizer que Portugal já não está mais "orgulhosamente só" e este caso, agora divulgado intra-muros, deveria ser denunciado através duma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra todos os mandantes politicos que iniciaram a guerra de África até aos actuais, em nome dos "ESQUECIDOS" e suas familias. O Povo português e o mundo restante agradeceriam.                                                                                           

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VOLTANDO A RECORDAR

Por F. Santa
         Vou ter o prazer de apresentar no nosso site, algumas fotografias enviadas pelo nosso camarada Pires (condutor). Foi o primeiro condutor da nossa companhia a sair para o mato, comigo e com a minha secção, naquela aventura nocturna para Matipa já conhecida de todos vós. Era ele também que conduzia a Berliett quando da emboscada no caracol onde morreu o Sar. Carvalhito e o Furr. Santos tendo também ficado ferido.
           Como vêem, com um pouco de boa vontade é possível participar no nosso site assim como fez o Pires. Quanto às histórias, elas também podem ser enviadas ou para o Soares ou para mim, que depois serão reencaminhadas para o site. Para quem não sabe ainda a minha direcção: F. G. M. Santa, rua 25 de Abril nº 344 S. Martinho do Bispo, 3045 – 163, Coimbra. Fico á espera!

           Esta é a primeira foto, nela podem ver o Pires e o J. Rodrigues algures em Moçambique!! Já agora aproveito para desejar boas castanhadas bem regadas com uma boa água-pé e uma boa jeropiga!!!
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ESQUECIDOS
    Neste momento interrompo a feitura deste texto, pois a minha mulher chama-me atenção para um programa que vai passar na SIC com o título “Esquecidos”. Aproveito para dar os parabéns a este canal, pois já não  é a primeira vez que tem a coragem de denunciar exemplos destes. O que vi, já não é  novidade nenhuma, vi as sepulturas onde estão os restos mortais dos nossos camaradas mortos em Moçambique, mais propriamente em Moeda. Como é possível que o Estado Português até  hoje não tenha feito nada para que os restos mortais daqueles camaradas que deram a vida pela Pátria não tenham vindo para as suas terras para um lugar digno, e também para as suas famílias fazerem o seu luto também com a dignidade que eles merecem. Segundo ouvi, são perto de 3.000 (em Moçambique). Claro que nas outras províncias se passa o mesmo. Nem um animal de nossa estimação, é enterrado e desprezado como os nossos camaradas. Não me foi fácil ver a reportagem e ouvir alguns testemunhos de familiares. Não é vergonha nenhuma quando se sente raiva feita de sentimentos e de amor pelo próximo, e que se vertam algumas lágrimas e eu verti, bem como a minha esposa. É bom que ainda se encontre alguém com coragem para denunciar e mostrar ao país a vergonha porque passam os nossos governantes, (estão pouco ligando) e mais vergonha em cima de vergonha, é se alguém quiser trazer para cá qualquer dos nossos camaradas, tem de pagar!!! Enquanto os nossos governantes se deleitam em gastar o nosso dinheiro, enquanto houver ordenados e reformas milionárias para os grandes senhores e tanta corrupção, claro que não há dinheiro para a sua transladação. Mas será que para nós combatentes isto é admiração? Acho que não. Pois se eles não se lembram dos que estão vivos, como se irão lembrar daqueles que morreram e por lá ficaram? Todos nós, mortos, vivos, e deficientes somos considerados como empecilhos e para esquecer! Bem-haja a Força Aérea Portuguesa que segundo sei, tem oferecido gratuitamente o transporte de alguns que já vieram, bem como a Liga dos Combatentes, Associação dos Deficientes das Forças Armadas e outras entidades que agora não me ocorrem. Da minha parte e de todos os combatentes em geral e famílias, um obrigado a todos. Para os nossos governantes, só pedimos um pouco de dignidade para aqueles que morreram e para aqueles que ainda hoje sentem no seu corpo os traumas e as feridas de guerra.
        A qualidade não é muita boa, mas mesmo assim aqui vão algumas fotos tiradas da televisão:

















Um abraço para todos do Santa

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Como não vi em directo esta peça da SIC, procurei na Net e lembrei-me de a deixar aqui, para aqueles que, como eu, não tiveram oportunidade de a ver. Entretanto agradeço a colaboração do Pires, esperando que outros apareçam. Podem enviar-me o que tiverem, por e-mail ou por correio.Ou para o Santa, o Castro ou o Magalhães.
Manuel Soares 
( manuelsoares46@gmail.com  ) (Av. Correios, 150    4775-446 NINE) 

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