* * * * Sábado, 20 de Maio ==> Convívio anual da "BRIOSA" 2415 em Montemor-o-Velho * * * *

domingo, 26 de julho de 2009

Exilados em MATIPA

(Enviado pelo F. Santa)
Olá Malta !

Cá está o Santa novamente! Espero que todos estejam a ver o nosso site e que o mostrem aos filhos e aos netos para memória futura, é bom para ficarem a conhecer a nossa história e é por falar em história que eu lembro hoje aqui, e em género de homenagem a todos aqueles que pertenciam à minha secção e que ao terceiro dia de ultramar foram uns bravos.
Se bem se lembram, fomos os primeiros a entrar no cenário de guerra. Meia dúzia de gatos pingados, partimos de Chala a mando da companhia que íamos render, rumo ao desconhecido: “Matipa”. Sem conhecermos a picada e o seu respectivo trajecto que nos levava ao destino, lá partimos prontos para sermos apanhados à mão! Era para nós uma partida sem certeza de chegada. Naquela altura, com três dias de ultramar, sem conhecer nada, foi uma autêntica aventura só com uma secção, fazer um trajecto desconhecido em pleno mato com as consequências que poderiam acontecer. Aqui deixo uma palavra de admiração ao meu amigo “ PIRES “ que era o condutor do “UNIMOG”. Portou-se como um verdadeiro condutor de picada. Vejam só, levámos quase todo o tempo a cantar, parece anedota mas foi verdade. Ao fim de algumas horas lá chegámos a Matipa são e salvos parecia o fim do mundo. Tínhamos acabado de conhecer o que era uma picada e muito especialmente andar nela de noite, pois partimos de Chala com a noite já praticamente em cima de nós.
Chegámos e não víamos nada. Onde estavam as instalações? Ficámos perplexos. Além de algumas palhotas existia uma tenda de campanha ampla por dentro onde cabia mal a nossa secção. Onde dormir? Em pleno chão enfiados dentro de sacos cama de onde saía um cheiro que eu nem vos digo. A cozinha eram duas grandes panelas debaixo de um pequeno alpendre coberto com folhas com a dimensão talvez de três por dois metros. Comida ? Óptima! Arroz e Salsichas quase mês e meio, nem a água do rio prestava e na altura era pouca, nem para tomar banho dava. E assim passámos cerca de mês e meio naquela bonita aldeia que só me deixou saudades pelo cantar dos pássaros e de todos os outros animais da selva quando do nascer do sol. Foram dias de uma bela dieta. Todos ficámos mais elegantes.
Camaradas. Isto também serve para dizer que a guerra também foi passada com alguns momentos de sorte, eu diria de irresponsabilidade! Pois mandar meia dúzia de homens noite fora por uma picada foi de loucos, e foi um senhor alferes da companhia que fomos render o herói desta ordem. Mas tudo acabou bem. E se não tivesse acabado bem? Gostaria de saber a resposta.

Do Santa um abraço para todos. Agora vou de Férias!








quarta-feira, 22 de julho de 2009

Foi há 41 anos...

... que iniciámos o nosso cruzeiro:

23-07-68

Vera Cruz


"Já a vista pouco e pouco se desterra
Daqueles pátrios montes que ficavam;
Ficava o caro Tejo, e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E já depois que toda se escondeu,
Não vimos mais enfim que mar e céu."

Lusíadas, V - 3




Portaria n.º 23468
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Marinha, declarar que o navio Vera Cruz, da Companhia Colonial de Navegação, é afretado pelo Ministério do Exército, a partir de 18 de Julho de 1968, para transporte de tropas e material de guerra.
Enquanto o navio tiver capitão-de-bandeira só poderá ser utilizado em serviço do Estado, e não comercial. Nestas condições, tem direito ao uso de bandeira e flâmula e goza das imunidades inerentes aos navios públicos.
Ministério da Marinha, 8 de Julho de 1968. - O Ministro da Marinha, Fernando Quintanilha Mendonça Dias.



sexta-feira, 17 de julho de 2009

A VACINA

Por Ex-Furr. Paulo


“Quem não tem a vacina não pode embarcar”, diz o nosso doutor, em
exclusividade, camarada furriel Vale.

Esta é a história da vacina, não sei se da varíola ou outra análoga,
que nós todos tínhamos que sofrer na pele e que deveria constar do
nosso boletim de sanidade para podermos regressar à Metrópole.
O frasco ou frasquinhos da mesma, devidamente “acautelados” pelo
nosso camarada Vale, já rebolavam há bastante tempo pelo frigorífico,
que primava pelo seu mau funcionamento, existente no nosso
aquartelamento em António Enes.
Dentro do prazo ou fora dele, eis que chega o dia da célebre vacina.
Para nos injectar, foi convidado pelo camarada Vale, o nosso vizinho
Doutor-Médico, que morava ali ao lado do nosso aquartelamento. Aquele
que tinha uma mulher mais gorda que magra, mais antipática que
sociável e que deu um tiro de pistola de 9mm à nossa macaca-cão,
ex-libris da nossa Companhia, por ter saltado para o quintal da dita
cuja.
A infeliz, toda ligada, gemia como os humanos. Os macacos também choram.
Voltando à vacina.
Como não havia os tais aparos especiais ou objectos apropriados para
dar a mesma, o Sr. Doutor-Médico pediu um recipiente para despejar a
vacina e um bisturi para introduzir na pele a mistela medicinal.
Nestas coisas, o nosso camarada Vale nunca se atrapalhava. Era uma
espécie de McGiver.
Passou por água um pequeno pires que ali estava na sua secretária e
que servia de cinzeiro e foi buscar um bisturi ao seu armário de
primeiros socorros.
Depois foi um ver se te avias. Começou a molhar o bisturi no pratinho
e a cortar os nossos braços com três ou quatro incisivos golpes, em
cadeia e sem parar, e introduzir “suavemente” a famigerada vacina,
formando-se então uma mistura de sangues no pratinho da vacina onde o
Sr. Doutor-Médico “molhava” o seu improvisado utensílio. E assim
continuou até terminar o seu trabalhinho. Graças a Deus todos
embarcamos dentro das NEP’s.

A moral da história?!... Somos todos irmãos de sangue. Será que foi
aqui que a maior parte de nós foi infectada com a bactéria dos
“apanhados”?

Presto aqui a minha homenagem ao nosso camarada Vale – Uma fotografia
do meu album.



Ex-furriel Paulo







quinta-feira, 16 de julho de 2009

Na Ilha de Moçambique...

... já no ano do regresso (1970) !


Quatro cavaleiros da Briosa !



Paraiso Tropical

(do H. Afonso (modif.))




Quem sabe onde a foto foi tirada ?



segunda-feira, 13 de julho de 2009

Contrastes...

"Serviço é serviço...




... e conhaque é conhaque !!! "


(do album do H. Afonso)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"O Monte da Bazucada"


(Enviado pelo Fernando Santa)

Alô Camaradas!


É com alegria que vejo a entrada do Ex. Furriel Paulo no nosso Site. Um abraço para ti. Continua, pois precisamos de recordar coisas passadas (as boas e as más) para se puder viver bem com o nosso espírito, sabendo separar a tristeza da saudade, e misturar um pouco de alegria para não entrar em stress. Cá te espero para o ano em Coimbra para o nosso almoço e já agora aqui vai mais um episódio de guerra para descontrair um pouco: “ O Monte da Bazucada “.
Quem se lembra do “Monte da Bazucada”? Ficava sensivelmente a meio do trajecto entre Lione e Vila Cabral.

Vou relembrar uma situação que se passou com parte do meu pelotão numa certa noite em que regressava-mos de V.Cabral, depois de termos comido um belo frango de churrasco no “ Coelho “.
Já com alguns quilómetros de picada percorridos, eis que nos aproximámos do Monte da Bazucada. Lá longe, no alto do monte duas luzes cintilavam, eram “Turras” à nossa espera, foi a nossa primeira suspeita. O Alferes Alcino deu ordens para apagar as luzes das viaturas e avançar lentamente. Descemos das viaturas, formámos duas colunas, uma pela direita e outra pela esquerda ladeando as viaturas e em andamento lento. A certa altura o Alf. Alcino manda disparar para as luzes, como elas não se apagaram aí vai uma “ bazucada” mas tudo ficou na mesma. Que raio se passa? Continuámos a avançar e o mistério foi desvendado: Eram troncos de árvore arder, resto de uma queimada feita pelos “Milicias”. Não brincávamos em serviço! Julgo que alguém se há-de lembrar deste episódio.

Já disse várias vezes que recordar é viver, tanto o pior como o melhor. Não podemos ficar agarrados aos traumas de guerra, só nos faz mal. Eu próprio lido com falta de memória desde que saí do hospital derivado ao que me aconteceu e que eu aqui já contei. Todos os dias tenho que tomar as drogas necessárias para quando me levanto o meu “ Computador “ funcione como deve ser, e isto é a vida e ela tem que continuar pois só assim camaradas, podemos estar aqui a falar uns com os outros e todos os anos estarmos juntos para beber uns copos. As nossas mágoas, as tristezas as angústias e o que passámos de mau por lá, devem ser guardadas num baú e colocá-lo no sótão do nosso pensamento e então de vez em quando vamos lá com o sentido de relembrar, só isto. A vida tem de continuar.

Deixo aqui um apelo: Escrevam. Bem ou mal, não interessa. Há muitas histórias para contar. Deixo aqui um exemplo: Quem sabe da História dos dentes de Elefante? Do gato em Chala e de tantas outras?

Um abraço para todos do
Ex Fur. Santa


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Alô... Alô ... (2)



Directamente do Centro de Transmissões do Lione

(do album do H. Afonso)


"Informe se a Charlie Kilo Juliete que juncou desta já lembrou essa "
(... se a coluna que daqui partiu já aí chegou)



terça-feira, 7 de julho de 2009

Lendo (e ouvindo ... ) António Gedeão


Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
In Movimento Perpétuo, 1956




Alguns visitantes do Blog se perguntarão que terá a ver esta música com a "nossa guerra"... Para mim, é talvez a composição que mais me aprazia ouvir em Moçambique, tão bem interpretada pelo Manuel Freire ! Acreditem que me continua ainda a emocionar...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Benvindo, A. M. Paulo !!!

OLÁ CAMARADAS

Sou o ex-furriel Paulo. Aquele de armas pesadas a quem foi distribuída uma G-3.

Tenho entrado com alguma frequência no blog da CCAV 2415, elogiando o trabalho desenvolvido pelos camaradas colaboradores.
Se por um lado os momentos descritos e fotografados nos recordam o auge da nossa saudosa juventude, ou seja a parte boa da questão, por outro lado é muito difícil para mim reviver tempos e situações que a todos nós nos afectaram.

É um querer e não querer. Mas enfim, é a vida.

Aproveito para enviar algumas fotografias da nossa “estância de
férias” em Luatize, onde é nítida a presença de várias viaturas
minadas.
As ervilhas com chouriço acompanhadas de vinho verde gatão e
ingeridas em cima das caixas do bacalhau, que serviam de mesa de
jantar naquela fatídica noite de S. João, ainda hoje se encontram
atravessadas na minha garganta.

Espero colaborar com outros textos e fotografias.

Do camarada Paulo






domingo, 5 de julho de 2009

Os "toques" da tropa...

No Blog da ONZIMA (CCaç 3411) encontrei esta curiosidade, que é nada menos que uma colecção dos toques de clarim que regiam a vida nos quarteis. Ficam aqui como passatempo (não sei se funciona em todos os computadores...) A propósito, julgo que o instrumento musical em que eram executados era, na Infantaria, a corneta, mas a Cavalaria tinha de ser diferente, usava o clarim ...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Numa Boa " ... em Lione !



(do album do F. Santa)


Heli no Lione...

(do album do F. Santa)



Refere o Fernando Santa que se trata da primeira evacuação aérea do Lione, motivada por um acidente com G3 durante a limpeza da mesma.
Ora aqui está uma boa história para alguém contar ...




quinta-feira, 2 de julho de 2009

Madrinhas de guerra

(Enviado pelo Fernando Santa)


Camaradas:



A nossa vida militar, além de nos trazer alguns dissabores também nos deu algo de bom
.
Hoje vou falar das madrinhas de guerra e contar-vos uma história mas daquelas histórias verdadeiras que foi mais o menos assim: Estava eu em Castelo Branco, quando através da revista Plateia arranjei a minha madrinha de guerra. A partir daqui começou a troca de correspondência até sair a minha mobilização para o Ultramar, depois parto para Estremoz e daqui para Cav.7 onde vos encontrei a todos. Foi aqui que pus o meu plano em prática, ir a Faro (pois ela era de lá) conhecê-la pessoalmente. Foi num fim de semana em que não estive de serviço. A minha intenção era somente ela ser a minha madrinha de guerra pois na altura já estava noivo da minha mulher que é hoje. Entretanto partimos para o ultramar e continuou a nossa troca de correspondência até ao ponto de ela me tratar por irmão.

Quando regressei, disse-lhe que ia casar, convidei-a para ser madrinha do casamento o que ela viu com agrado mas na altura não lhe era possível estar presente nessa altura. Não desligámos um do outro antes pelo contrário, passámos a ser tratados por ela, como os manos de Coimbra. Entretanto conheceu a minha mulher o tempo foi passando até que conhecemos o resto da família, tanto de um lado como do outro. Depois nasceu a minha filha convidei-a para ser madrinha o que ela aceitou vindo a Coimbra pela primeira vez. Entretanto a minha filha cresceu casou e ela foi madrinha de casamento, daqui tornámo-nos numa família até hoje. Agora neste momento recordo-a com saudade pois ela ( Maria das Dores ) faleceu em Fevereiro deste ano, foi como se tivesse perdido uma irmã de sangue, aqui lhe deixo uma homenagem por aquilo que ela foi para mim quando estive no Ultramar e principalmente aquando da minha estadia no hospital.

Vejam como por vezes também no seio da guerra nos acontecem coisas boas, arranjei mais uma família para juntar a outra família que sois todos vós camaradas.

Não podemos só relembrar o que foi mau, relembremos também o que foi bom, para a angústia não ser maior.

Um abraço para todos do Santa.