quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

RECUANDO NO TEMPO

  (Por   F.Santa)

O dia da partida aproximava-se. O pensamento já só era a despedida de tudo e de todos, havia que minimizar a situação e então melhor forma era na véspera do embarque ir para a noite. E assim aconteceu. Vejam só o estilo da época! Aí estava o Santa no “Ritz Club”bem acompanhado! E vocês cheios de inveja! Esta noite além de me ter ficado cara valeu-me ser dos últimos a chegar  ao cais da Rocha, mas valeu a pena. A segunda foto, bem, esta já tem outra leitura. Chamava-lhe o “ Anjo da Guarda”, e porquê? Tendo eu chegado ao Hospital de L. Marques no meio daquela confusão toda apareceu esta miúda juntamente com algumas senhoras da cruz vermelha o que me chamou atenção, não só pela circunstância mas também pela fisionomia. E sendo assim, houve logo uma aproximação verbal, de tal maneira que ela ficou como uma espécie de “ama”. Trazia-me comer do bom e do melhor poucas vezes comi o comer do Hospital quando já podia sair do hospital ela levava-me a passear, levava-me livros conversava longo tempo comigo, ajudou-me na recuperação e sempre com uma simpatia espectacular. Mas atenção, tudo sempre dentro da normalidade. Isto é só para verem que havia sempre alguém que se prontificava nos hospitais ajudar sem receberem nada em troca senão amizade.

Claro que hoje não sei do seu paradeiro, partiu-se o fio condutor que nos unia, mas mesmo assim eu nunca a esqueci até hoje e hoje onde quer que tu estejas (Fernanda) eu nunca esqueço o que fizeste por mim e te agradeço com toda a gratidão do Mundo.

Caros Camaradas. A guerra também nos oferecia episódios destes para quem deixava o mato para ingressar num hospital e eram pessoas como estas que não nos deixavam entrar na solidão daqueles quartos que mais pareciam prisões. Para todas elas um bem haja.
                            
                               SANTA




1 comentário:

  1. Amigo Santa, depois duma noitada daquelas no Ritz com um "monumento" assim à ilharga, mais parecendo uma despedida de solteiro, ainda tiveste coragem para na manhã seguinte encontrares o caminho para o Cais da Rocha, é caso para dizer: "Vai lá vai que até a barraca abana!!" Somos uns autênticos salvadores da Pátria!
    Quanto à "fada madrinha" que te surgiu do nada e que tanto te ajudou, não podemos esquecer que, na época, os valores eram outros. Até a moral era outra. Daí praticar o bem tornava-se fácil.

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