* * * * Sábado, 20 de Maio ==> Convívio anual da "BRIOSA" 2415 em Montemor-o-Velho * * * *

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Noticias do nosso "MAIOR"

Lembram-se, com certeza, que nas transmissões, o comandante (de qualquer força) era referido como o "maior desta" ou o "maior dessa" . Por exemplo, "o maior desta lembra essa amanhã" queria dizer que o nosso Comandante chegaria ao outro aquartelamento no dia seguinte - esmerem-se no aprumo !
Isto para citar um mail de ontem do nosso comandante que além de incentivar o blogue exprime um louvor ao António Paulo:

(...)  Já recebi um mail do Paulo a quem vou responder.É bom ter assim notícias dos amigos que fizemos naqueles duros tempos passados em África.O Paulo foi, além do mais, de extrema utilidade na parte burocrática após a morte do Carvalhinho. (...) Um grande abraço e desejos de boa saúde (...)

  Fica assim publicado em ORDEM DE SERVIÇO, para os devidos efeitos !



Mensagem

 (Por :  Nuno Vivaldo)

Caríssimos Camaradas da CCAV 2415

Então por onde andam? Será que todos têm o blogue da Companhia? Custa-me acreditar que muito poucos tenham acesso á net. Mesmo que não tenham computador como é o meu caso, há sempre um filho ou um familiar que tem.
Vamos lá fazer esse contacto pois não acredito que os anos que passamos como uma família em África não contem para nada.
Então e a amizade e camaradagem entre nós?
Temos que aparecer mais nos convívios, não só para beber uns copos, mas sim para convivermos. Porém o que queremos é continuar a amizade que lá fizemos.
Estamos ou estivemos filiados ou aderentes a diversos partidos, temos de deixar a lavagem ao cérebro, pois alguns de nós que lá estávamos não para defender a pátria, mas sim alguns cantineiros e oficias superiores que lá iam para receber o “tacho”.
Que se lembra do helicóptero que não podia aterrar por motivos de segurança para levar um nosso camarada ferido quase mortalmente, mas que andava lá no alto acompanhando os combates e vendo as moças?
Aparece caro amigo, visita o blogue, escreve o que sentes, nada te fica mal.

Um forte abraço
Nuno Vivaldo


equipas de futebol em lione
ponte sobre o rio Mululi na estrada Antonio Enes - Moma

As fotos foram enviadas pelo Nuno Vivaldo, a quem saudamos pelo seu reaparecimento no nosso espaço. Quem é que, na última, acompanha o M Magalhães (armado de máquina fotográfica em vez de G3 ...)? Será o Capitão ?




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LICHINGA no século XXI

  A propósito da interessantíssima "passagem de ano" de 1969/1970 do Paulo, ontem publicada, lembrei-me de investigar como seria Vila Cabral, hoje. E saíram as imagens que aqui apresento. (Como é hábito, aconselho a "clicar" para ver melhor)


É interessante constatar que a "rotunda central" ainda parece igual ... Procurei "etiquetar" alguns dos pontos mais conhecidos, mas a coisa não saíu muito legível. Menciono o Palácio do Governo, a Sé Catedral e o Quartel General, destes não tenho dúvidas. Creio que a "aventura" do Paulo terá sido na rua que assinalo como "Flats dos Sargentos", e o Cinema penso que estará também no lugar certo, e também o PAD e o SPM ...
Não me recordo da localização do Planalto, do Hospital, da loja do Camurdine (pai da Farida e irmã...), dos armazens do Garcês e do Salvado, do  restaurante Coelho, do apartamento onde o Comandante ia "lerpando" com o gás do esquentador  ...


Mas, se o "centro" parece quase na mesma, a imagem seguinte mostra bem como a cidade cresceu em palhotas ... 



Para quem quiser explorar as potencialidades do Google Maps, donde extraí estas imagens, aqui fica o "link". Depois é só ampliar e arrastar ... e aproveitar as maravilhas da técnica !
E, já que falamos recursos da internet, quem estiver interessado pode ler aqui um interessante artigo (datado do nosso tempo de África) sobre o controverso Daniel Roxo, que todos nós conhecemos em Vila Cabral

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A PASSAGEM DE ANO EM VILA CABRAL

  (Por:  A. Paulo)


  Era o dia 31 de Dezembro de 1969. O pessoal da C.Cav. 2415 estava em Vila Cabral a aguardar novas ordens de deslocação, depois de ter regressado da intervenção em Luatize. O grosso do pessoal encontrava-se alojado em barracões de lata junto ao campo de aviação e os furriéis e alferes encontravam-se distribuídos em casitas ou “fletes” (não sei se é assim que se escreve), perto do aquartelamento de B.CAÇ. 20.
      Naquele ano o Paulo, o Quintino e o Miranda, tinham adquirido através do OPVDC (não sei bem o significado da sigla) de Vila Cabral, três pistolitas calibre 6,35, mais propriamente, uma FN, uma STAR e uma Pietro Beretta.
      Este “material de guerra” foi o móbil do crime. Porquê?!....
      Aproximavam-se as 24 horas do último dia do ano e como era tradição tínhamos de fazer a despedida do ano velho. Então às primeiras “badaladas” das zero horas,  os militares assinalados saem de arma em punho para a porta da “flete” e foi um ver se te avias. Despejamos todos os carregadores dos nossos brinquedos barulhentos.
      Aqui começou a guerra. O pessoal que estava de reforço no B.CAÇ. 20 achou por bem colaborar no festival, ou em regime de voluntariado ou acagaçado,  despejando num tiroteio infernal, os carregadores das suas G-3 para o ar, ouvindo-se inclusivamente uma metralhadora ligeira a fazer fogo. (parece que estava no PAD-pelotão de apoio directo-, para reparação).
      No dia seguinte vieram as consequências. Os “donos” do B.Caç. 20 brindaram com 20 dias de prisão todos os elementos que naquela noite e àquela hora  tinham feito serviço.
      Embora tardiamente, (porque o crime já está prescrito) peço as minhas desculpas a todos os camaradas presos, pois eu não fiz isto por mal. Tá bem?!...
     Pois a pistola FN ainda a tenho em meu poder e quando regressei de Moçambique, praticamente durante um ano, andei com ela sempre à cintura, inclusivamente no trabalho. Até era conhecido pelo gajo da pistola. Apanhado claro.
     Numa dedicatória ao meu amigo Miranda, junto envio uma foto na qual se vêem os donos e senhores dum famoso jeep, frente ao quartel do B.Caç. 20.

     Um abraço a todo o pessoal do Paulo. 


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MAIS UMA VEZ !

(Por : F. Santa)

  CAMARADAS ,
                                Desta vez não vou directamente falar de guerra porque neste momento outra coisa bate forte no meu pensamento, é o alheamento de alguns camaradas nossos que conhecendo o nosso “Site” não são capazes de colaborarem nele. Não interessa se não sabem escrever, escrevam como sabem, quem não tem computador se tiver vontade pede aos filhos, netos e amigos. Era bom que todos compartilhassem este nosso cantinho, são os últimos anos da nossa vida. Porquê esquecermo-nos uns dos outros quando já fomos uma só família? Quando a guerra nos obrigou a estar-mos juntos, tornámo-nos como uma “corrente” sólida, não vamos agora deixar a ferrugem corroer os “ elos “e ela partir-se! Nós além de tudo isto, somos pedras vivas que através do tempo perpetuamos o esforço feito para afirmação da nossa pátria, não desistimos na altura, não vamos agora desistir. O respeito e a saudade que devemos ter pelos nossos camaradas, menos felizes  que não regressaram aos seus lares por terem perdido a vida dando o seu sangue pela pátria, bem como por aqueles que regressando também já partiram é nosso dever com a saudade devida autenticá-los nos nossos convívios e pela participação no nosso “Site”. Temos que cimentar durante o tempo que nos resta os laços de amizade e solidariedade que nos uniu naquelas terras longínquas de Moçambique.
  Estamos quase no Natal, depressa chega o novo ano e Maio vai estar à porta. Maio? Não se lembram? Vai ser o nosso próximo convívio. Desta vês vai realizar-se em Coimbra no primeiro fim-de-semana do mês, na altura própria irão receber notícias. Espero que todos tenham tempo de se organizarem, que haja mais um sacrifício na vida de cada um e quando for feita a chamada, digam “PRESENTE”.
     Então Vivaldo, adormeceste? Moreira, Miranda, Braga e tantos outros, por onde andam vocês? E Já agora onde está o nosso Capitão? Continuamos na formatura à espera dele para mandar destroçar! O nosso “site” espera-vos.
Camaradas, companheiros e amigos, cá fico à espera que as minhas palavras tenham “ecoado” nas vossas mentes e vos tenham despertado para a realidade dos tempos, a vida só se pode construir com amor e solidariedade mas ela também tem o seu fim e cada um de nós tem que estar preparado para esse acontecimento e nada melhor que estar-mos juntos até ao fim no “palco” da nossa vida e sermos felizes! Termino com uma frase de Amélia Rei Colaço: Eu sou como as árvores velhas mas morrem de pé!!
                                    
                                         Prometo. Não volto mais a tocar neste assunto. Acho que todos já leram e perceberam a minha mensagem, o resto fica ao critério de cada um ficando o desejo de dar um abraço a todos vos no próximo convívio. 


VIVAM OS BRAVOS DA COMP DE CAV: 2415  !!!!!!!!!!!! 

Do Santa, um abraço com amizade para todos.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

AINDA ME LEMBRO (2)

(Por  F.Santa)
 
      Há coisas que o tempo não apaga. Voltando atrás no nosso tempo de guerra, ainda me lembro do cachorrinho quente dentro do pão e da Ucal morna logo de manhã na cantina de Cav.7, que ficava logo ao pé das escadas que davam acesso à parada de instrução. Ainda me lembro das célebres instruções nocturnas ao pé do Moinho de Vento no alto da Ajuda, e da aplicação militar na mata do Monsanto. Aqui foi-me prometida uma despromoção pelo simples motivo de haver muita lama e eu saltar por cima de alguns exercícios, apareceu um senhor de “galões” que me disse: Se volta acontecer o que eu vi é despromovido e atenção, hoje estou bem disposto. Fará se não estivesse! Lembro-me ainda daquela estadia na Serra da Carregueira, onde demos fogo com quase todas as armas, da pequena viagem de Helicóptero, saltando das alturas para o chão. Como éramos felizes! Dos fins-de-semana de serviço sem poder ir a casa e os que podiam, esses trocavam com outros a troco de umas cervejas. Aquele passeio pedestre desde a Costa da Caparica até à Fonte da Telha, as patrulhas pela mata onde as Codornizes saltavam à nossa frente, das emboscadas nocturnas, numa delas estivemos toda a noite emboscados à espera dos “turras” (soldados de C.7 preparados para o efeito) mas nunca apareceram, enganaram-se no percurso, e ainda do treino de fogo com a G3 e os rebentamentos que fizemos com “trotil” na praia da F. da Telha. Quem se lembra da tasca que ficava do lado esquerdo da porta de armas? Lembram-se da miúda que lá estava que era mais feia que uma bota da tropa? E da Leitaria que ficava logo de frente? Aqui sim, a miúda era loira e linda! Foi aqui nesta Leitaria na mesa do fundo onde nasceu, de entre três que fiz, o emblema da nossa companhia. Era aqui onde alguns trocavam a farda pela roupa civil.
    Assim lembrei mais alguns episódios do nosso passado de guerra. Daqui, se alguém se lembrar mais ao pormenor de algum destes episódios pode e deve descrevê-los.

                                                                                     
                F. SANTA


 (Imagem de Google Maps)
Ainda está igual !!! ("clique" para ver melhor...)
 (Creio que agora é ocupado pelo C.I. da PSP)  (Nota de M.Soares)

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

AQUARTELAMENTOS DE MOÇAMBIQUE (Distrito do Niassa)

Este livro tem  como autor Manuel Pedro Dias (amigo pessoal do nosso Comandante), tendo já sido devidamente publicitado aqui no blog pelo M.Magalhães em 18Out. com a etiqueta de "Leituras".
É um interessante livro documental com imensas fotos e textos das forças militares que andaram pelo Niassa entre 1964/1974.  Depois de o ter lido  aconselho vivamente a sua compra, não só porque faz alusão à CCAV2415, mas também porque nos dá uma outra real  imagem do tipo de máquina de guerra que estava montada.
Relativamente ao texto sobre Lione,  indicando que a CCac3571 (ultima a passar naquele local) construiu uma pista com 1000 m. de comprimento por 30 m. de largura (acho que só podia ser para os aviões Fiat!) e ainda uma série de novos edificios, com abastecimento de água e electricidade, deixa-me incrédulo tamanho desenvolvimento!   Não seria antes uma Companhia de Engenharia??
Vejam só se tivessemos lá passado depois desta C.Caçadores?
Deixo aqui  algumas das fotos sobre Lione (indicativas das melhorias de categoria 5 estrelas),  Luatize, T.Valadim e Vila Cabral.











domingo, 8 de novembro de 2009

AEROGRAMA com 41 anos...


Chala, 9/11/68

(...)

  Estou a escrever um pouco à pressa no café "Planalto" em Vila Cabral, onde vim buscar correio e víveres. Como podes ver pela data, desde o dia 4 do corrente que estou em Chala com o meu pelotão, mesmo na fronteira do Malawi (a cerca de 30 metros...), e a perto de 80 km de Lione e quase outro tanto de Vila Cabral-
Por aqui já houve uns ameaços de chuva, o que é uma grande coisa, aparte a chatice que traz por causa das picadas que se tornam quase intransitáveis.
Quanto a turras, a situação continua na mesma.
Por agora termino (escrevi este aero em menos de 5 minutos) porque ainda tenho muitos assuntos a tratar aqui em Vila Cabral e tenho de regressar ainda ao Chala, com um "Unimog" velho e ferrugento que qualquer dia me deixa ficar a meio do caminho...
(...)

A CANTINA DO BELO (Episódio 2)

PALÁCIO DO GOVERNO EM LIONE

O dia chuvoso de hoje leva-me a estar em cima do "blog" e, consequentemente, mais uma ida ao passado e às lembranças.
A propósito da referência do amigo Paulo à Cantina do Belo (estrada do Caracol), lembro-me da minha primeira "aventura" à séria, precisamente uma ida ao Catur e que é assim:
Após a chegada a Lione, poucos dias depois o nosso Capitão enviou  ao nosso Batalhão no Catur algum pessoal  numa "berliet", fazendo eu parte da comitiva. A minha missão era algo "dificil", tipo 007, pois levava, numa pasta preta  bem encostada ao peito, documentos "top secret" para a troca.
A minha cabeça fervilhava ao lembrar todas aquelas "patranhas" com que nos amedrontavam na Trafaria: "Códigos desaparecidos é guerra perdida"!! E, por isso, não deixava de pensar na eventualidade dum confronto com os "turras"  e  estes levarem-me a mim e aos  secretissimos códigos!! 
Para defesa pessoal foi-me distribuída uma FBP (um dia contarei como o cano se dilatou) que mal sabia manejar!
Ao abrigo de sermos "checas", e porque ainda se encontravam a dar as últimas em Lione,  a fim de nos darem protecção, a anterior Companhia  decidiu enviar alguns, muito poucos, "velhinhos" numa viatura mais ligeira, que agora não me lembro qual. Talvez  "unimog"?
E lá fomos nós enfrentar a picada. Os nossos paizinhos "rambos" até à zona do Caracol ainda tiveram a paciência q.b. em nos acompanhar naquela velocidade de caracoleta imposta por quem ainda era "medroso".  Mas, a partir daí piraram-se e deixámos de os ter na mira.
Eis, senão quando, os nossos ouvidos apuradíssimos, apesar do roncar da "berliet" ouvem um tiro e, ainda por cima, com aquela enorme experiencia de quem já tinha 3 ou 4 dias de guerra, alguém entendeu que o estampido escutado por nós todos,  não era nada parecido ao da companheira G3, mais se assemelhando ao da  inimiga "kalashnikov".  Isto é que era experiência, digo eu, agora!!
Meus senhores, aconteceu o pânico. A "berliet" foi direitinha afocinhar na berma da picada. A debandada foi geral, o pessoal espalhou-se, ainda vi alguns a correr (qual rastejar?) por entre o primeiro arvoredo ali mais à mão! E quanto a mim? Perguntam os meus amigos.  Pois é, o "meducho" levou-me a saltar da viatura e esconder-me no pior sítio, precisamente debaixo da viatura, atrás dum pneu, julgando que era o melhor que tinha por perto.
Foi "fogachada" até dizer mais não! Se, por acaso, houvesse inimigos à vista, tinhamos lhes pegado um "cagaço" do caraças!
Entretanto, passado pouco tempo, surgem os "rambos protectores" que a alta velocidade fizeram meia volta, assim que começaram a ouvir, lá ao longe,  tanta guerra duma vez só! E, espantados e curiosos ainda nos encontraram bem "acachapados" no terreno à espera vá-se lá saber de quê!
Eu, ainda bem entrincheirado com o pneu e sem largar o "tesouro" e com a FBP bem agarrada mas que não serviu para coisa alguma!
Lembro-me de me chamarem a atenção de nunca por nunca, em casos idênticos, me esconder debaixo ou próximo duma viatura  pois, normalmente,  o inimigo tinha tendência de mandar "morteirada" ou qualquer coisa pesada contra as ditas. 
Sabem, afinal, a proveniência daquele tiro que originou aquela guerra?  Foi alguém dos "velhinhos" que na viatura mais à frente se lembrou de puxar da "Walter", à cintura, e disparar para o ar demonstrando, assim, a satisfação do regresso à "peluda" e à metrópole.
Foi o meu baptismo e a minha primeira lição de guerra mas a sério.   Na Trafaria ensinavam outras guerras que não aquelas!!
      

A CANTINA DO BELO

      (Por A.Paulo)
 
Tenho aqui uma fotografia em meu poder e penso tratar-se da “CANTINA DO BELO”. Aqui passamos nós inúmeras vezes, em direcção ao Catur, no cumprimento do nosso dever  militar que nos era imposto pela hierarquia governante.


 
     “Alô furriel mecânico Braga”. Estamos a meter-nos com o material que tantas dores de cabeça te deu. Além do mais tu eras um dos elementos que fazia parte da coluna que sofreu a emboscada.
     Se estás O.K., conta-nos coisas que ainda não sabemos ou que já  estão esquecidas. Agora que tens um computador novo é sempre a aviar.

     Um abraço do Paulo. 




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O nosso "monumento"

Como muitas outras unidades militares, também a 2415 deixou a marca da sua passagem. Desconheço outras, mas no Lione, pelo menos, ficou a nossa lembrança.
O nosso (ex-) Comandante fez-me chegar estas fotografias:

(de A.Amado)
Ainda não estava gravado o dia da saída, que também desconheço.


(de A.Amado)
Esta face do monumento tem os nomes dos camaradas que tombaram
durante a permanência no Lione, o Fur. Santos e o sarg. Carvalho.
O local da tragédia, Cantina do Belo, era mais conhecido por Caracol



Entretanto parece-me oportuno colocar a foto da Berliet que, segundo o F. Santa que a enviou, fazia parte da coluna que foi emboscada nesse fatídico 5 de Maio. De facto notam-se pelo menos três perfurações de bala no para-brisas, o que indica que andou muito tempo sem ser substituído. O "atascanço" será na picada do Chala?

(de F. Santa)         


Nota: Para ver os pormenores será conveniente "clicar" nas imagens. Não consegui melhor qualidade nas fotos do monumento (são fotocópias), no entanto são um bom documento, creio.



QUEM SOMOS NÓS, AFINAL?

Já não é de agora que me preocupo com a falta de colaboração do pessoal da 2415 na feitura deste blog.  Falo, concerteza, no interesse  de todos sem excepção.  Honra àqueles que costumo chamar de "meia dúzia"! Passados 7 meses (nasceu em 16.04.09)  é triste reconhecer que continuamos a ser em numero de 6. Eu já aqui levantei a questão  quando disse que respeito mas não aceito, independentemente dos interesses prioritários da vida de cada um,  que haja alguém que tenha medo do passado fugindo dele.
Então é assim (perdoem-me a falta de rigor): À partida eramos 120.  Chegámos só,  infelizmente, 110.   Abatendo, também,  infelizmente, ainda o desaparecimento precoce  (já cá)  de  13 companheiros,  segundo as minhas contas e  consultando a  habitual "Lista dos Almoços Anuais" somos hoje, mais ou menos,  97  bons chefes de familia que há 40 anos atrás tivemos de conhecer, pela primeira vez, um nobre sentimento  chamado solidariedade o qual,  sem ele seria impossivel sobreviver naquelas dificeis condições.
Acho que perceberam que estou a querer dizer que somos,  de certeza absoluta, muitos  mais do que a tal "meia duzia"!  E, que estou  apelar  à tal solidariedade de todos para não deixar-mos o "blog" se extinguir por si próprio. Será o mesmo que deixarmos morrer o nosso passado e isso é imoral. Aquela nostalgia dá-me enorme prazer. E, também, sei que a grande maioria  vibra e sente da mesma forma que eu.  Se, tal vier a acontecer, todos seremos culpados.
Há no nosso blog um contador de visitas chamado "Hoje estiveram connosco" que, além do mais, indica  o local   de quem está "online".  Senão, vejamos:  Neste momento estão  6 pessoas, a saber:  1 de Seia, 1 de Rana/Cascais, 1 de Fátima, 1 do Porto, 1 do Entroncamento e 1 de Oliveira Azemeis.  Quem somos nós, afinal? Porque nos escondemos?  Um  sou  o Castro de Oliveira de Azemeis!!   E os outros 5 quem serão? 
Mas há mais,  tenho reparado, noutros dias, que há pessoal de: Lisboa, Póvoa do Varzim, Álvaro (??), Guarda, Porto, Abrantes, Linda-a-Velha, Alcochete, Vila do Conde, Coimbra, Fátima, Braga, Vila Nova Famalicão, Figueira da Foz, Matosinhos, Carcavelos, Maia.
Ora, isto demonstra cabalmente que há consumidores habituais que aqui vêm sondar e, talvez até,  saciar a fome da tal nostalgia do passado. 
Vamos lá, pessoal, solidariedade precisa-se.   Venham daí as vossas "gandas" histórias!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lembrando 06/11/1969


Sentida Homenagem

ao companheiro

João Vaz dos Santos
(S. Simão Bunheiro - Murtosa)

Que tombou em combate há 40 anos 




(Não tendo qualquer referência sobre o local ou as circunstâncias deste triste acontecimento, muito agradeceria que alguém desse alguma contribuição esclarecedora, quer em comentário ao "post", quer para o meu e-mail (manuelsoares46@gmail.com). Pela data, foi com certeza na zona de Tenente Valadim, quando eu já estava em Cabo Delgado)
Manuel Soares

 



   

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

“AINDA ME LEMBRO”

(Por  F. Santa)  

Ainda me lembro da partida. Meio-dia em ponto. O “Vera Cruz” apitava três vezes ecoando pelo Tejo fora e começava afastar-se do cais da rocha ao mesmo tempo que se fazia ouvir o Hino Nacional. Lenços brancos, chapéus da cabeça, lágrimas e gritos era o cenário dado por aqueles que viam partir os seus filhos, os seus maridos os seus namorados, os seus irmãos e alguns mais pequeninos viam partir os seus pais sem entenderem muito bem toda aquela cena, fazendo ainda parte deste leque de emoções os amigos. Era uma partida com bilhete de ida pois o de volta era uma incerteza. No barco todos empilhados como “sardinha enlatada” lá fomos desbravando o oceano até costas de Moçambique. No “Dek”do navio ainda me lembro das sessões de ginástica para estarmos em forma., da hora do almoço e do jantar que foi talvez  uma das melhores coisas da viagem, e daquela célebre “orquestra” que a gente formava tocando cada um o seu instrumento, que pertenciam ao salão de festas do barco. Seria música o que agente tocava? Cá para mim era música desconhecida de autores desconhecidos! Lembro-me dos peixes voadores brilhantes como prata saindo da proa do barco, dos tubarões no golfo da Guiné fazendo escolta ao nosso barco e ao mesmo tempo aproveitando os restos de comida que eram lançados ao mar, da bela Baía de Luanda e daquele desfile em Lourenço Marques todo ele cheio de aprumo e beleza. Chegados á Beira, lembro-me da visita que eu e mais alguns fizemos ao “Moulin Rouge” (julgo que é assim que se escreve) a um restaurante chinês onde se tinha de comer sentados no chão e com pauzinhos, quem conseguiu não sei, lembro-me ainda da chegada a Nacala e da confusão para a entrada do comboio que nos iria levar até Catur parecendo o “Transiberiano” . Daquela chegada a Lione já noite dentro todos cheios de pó com lenços a tapar a boca, o nosso primeiro “passeio” de Lione para Chala e a minha primeira aventura “ Passeio no desconhecido”, para Matipa. Quem se lembra do casamento em Lione? Da visita do M. da Educação (não sei se era) do Malawi a Chala? Aqui só me lembro da grande bebedeira que alguns apanharam neste dia. E do Norberto? Que foi mais tarde parar à nossa companhia e que em Chala levava a cafeteira do café (cheia) para o posto de vigia do lado do rio, e cantava fados de Coimbra toda a noite para afastar o medo?

   Tudo isto e muito mais dava para uma longa-metragem. Quem se lembrar disto e quiser completar mais alguma coisa está à vontade, pois como eu costumo dizer: Lembrar è viver! Até á próxima.

Um abraço para todos
Santa


As fotos referem-se a : Sala de estar do Vera Cruz;  Destacamento de Matipa; e Casamento do Paulo (cantineiro em Chala) com a filha do Langa. Como sempre, podem ser "clicadas" para ampliar.