sábado, 10 de outubro de 2009

“RETALHOS DE GUERRA”


(Por F. Santa)
A nossa memória já  não é aquilo que era, especialmente a minha que já  tem muitas falhas mas mesmo assim cá me vou lembrando de algumas proezas e acontecimentos.   Lembro-me agora, daquela célebre patrulha feita pelo meu pelotão desde Lione a Chala: Partimos de manhã cedo depois de nos equiparmos com as devidas rações de combate (que era a especialidade da casa) e do armamento de primeira qualidade como por exemplo, levar a “Basuca” que estava avariada  não disparava sequer, mas levava-se para fazer de conta e meter medo aos “Turras”. Lá partimos todos em fila indiana mato fora á procura de umas palhotas que existiriam no percurso e que segundo informações era habitada por terroristas. Á frente ia um batedor africano que mais ò menos nos indicava o caminho. A certa e determinada altura, ele manda parar baixa-se, põe um dos ouvidos no chão e diz: É já ali! Pois é, foi quase um dia para chegar ao local e encontrar ainda mandioca quente e nada mais. Chegámos tarde. Já sem água nos cantis lá continuámos o nosso caminho para Chala. A sede apertava. Eis que aparece um pequeno rio mas para desespero nosso não levava água, foi então que alguém do grupo descobre umas pegadas de elefante no leito do rio em que nelas se depositava alguma água, com as mãos conseguimos beber e soube tão bem como de cerveja se tratasse. Cai a noite e a dificuldade aumenta, a noite está escura (o que não era muito usual) e o trilho era difícil de encontrar, quando demos por ela estava-mos perdidos e segundo cálculos feitos em cima do joelho, já tinha-mos ultrapassado a fronteira para o Malawi. E agora? O milagre aconteceu, o gerador do Chala que não trabalhava todos os dias naquela noite trabalhou e ao longe lá se ouvia o “ta-ta-ta-ta-ta”da nossa salvação sendo a partir daqui a nossa orientação. Estava-mos quase a chegar e eis que o amigo Santa cai dentro de um buraco mas não me aleijei pois o dito buraco estava devidamente forrado por “Feijão Macaco”, suado da caminhada e cansado foi um final de etapa apoteótico. Resultado, tive que apanhar um banho de terra antes do banho de água receita do então administrador do posto de Chala.

Termino aqui o meu primeiro retalho de guerra, outros se seguirão. Fico contente pelo meu amigo Artur ter voltado e cá fico á espera do bendito “Galo”. Mais uma vez deixo o meu apelo para que todos os nossos camaradas entrem em contacto connosco. Onde está o Madureira o Afonso o Braga o Miranda e tantos outros? Apareçam! Estou convencido que as tirinhas de papel que foram dadas no nosso último almoço no Algarve com o nosso endereço, a maior parte perderam-nas e a única possibilidade agora é no envio de cartas para o próximo convívio.

 Por hoje termino enviando um abraço para todos.

                                                                                                       
                                                               Ex. furriel Santa 





2 comentários:

  1. Olá amigo Santa.
    Para teu descanso tu não bebeste água que parecia cerveja. Tu bebeste foi mijo de elefante, pois concerteza para beberes tal elixir tiveste que tapar o nariz. Foi ou não o que aconteceu?... Isso também aconteceu comigo e nem foi preciso deitar comprimidos no cantil, pois a sede era negra.
    Estive sentado na esplanada do Forum a olhar para Coimbra e tentei telefonar-te, mas os números que tenho devem estar desactualizados, pois são duma lista que me mandou o nosso capitão há 14 anos.Um abraço.

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  2. Lendo estas autênticas "obras primas" sobre as aventuras do nosso épico passado, começo a pensar em adquirir os direitos de autor das mesmas. Terei de sondar os seus autores! Quem sabe uma edição? Best-seller garantido!!
    Ao olhar a foto, surgiu-me à ideia o quanto fiquei bastante impressionado, até chocado, quando há uns bons anos atrás,o companheiro
    que se perfila em 1º lugar, de G3 ao ombro, (que me perdoe por já não me lembrar do seu nome), algumas vezes se cruzar comigo na zona da minha residencia, Carcavelos, S.Domingos de Rana, com um aspecto algo desolador, de pedinte, demonstrando não passar bem. Por uma ou duas vezes ainda tentei me aproximar
    dele, dando-me a conhecer. Fiquei sempre com a impressão que ele sabia quem eu era e, talvez, por isso, disfarçadamente se afastava. Lembro-me de contar ao nosso Comandante A.A.A. e tb. ao "empresário" Carvalho (3º pelotão?) estabelecido na zona com um café chamado "Sandokan", mas não ter obtido qlq. informação adicional.
    Por onde andará este companheiro? Alguém sabe?

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