quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E O FILME CONTINUA ...

(Por  F. Santa)
Quem não se lembra do filme: O comboio do Catanga? Pois eu vi esse filme antes de ir para a tropa e nunca pensei reviver quase na prática o mesmo, como todos nós vivemos.

  O célebre comboio que nos transportou até “Catur”, levando no seu interior aquela massa humana apinhados uns em cima dos outros debaixo daquele calor tórrido ficou até hoje na minha memória e com certeza na vossa também. Ainda me lembro do rebenta minas que ia à frente das duas máquinas a vapor que puxavam todo aquele comboio, que mais parecia uma serpente gigante serpenteando pela selva fora. Lembro-me ainda quando aparecia uma subida, lá parava o comboio e lá ia o preto (com o devido respeito) poste acima como um macaco, levando consigo o telefone para informar a estação mais próxima que o comboio tinha que ser fraccionado. E o que acontecia? Lá ia metade do comboio e a outra metade ficava á espera.
  Chegados a “Catur”, já era noite e lá fomos para “Lione”cobertos de pó da picada qual moleiros de farinha amarela! Deixamos o cavalo de ferro a descansar da sua caminhada. Foram vinte e tal dias de barco; cerca de quarenta e oito horas de comboio, e finalmente tinha-mos chegado ao cenário de guerra. Lembro-me ainda de alguns avisos: A partir de agora não há postos; os oficiais podem dormir com soldados, e se possível todos põe bala na câmara! As divisas passarão a ser as camufladas.
  Não me lembro de mais nada neste momento, mas com certeza haverá mais episódios que alguns se hão-de lembrar, e sendo assim continuem o filme.


Que tudo quanto vimos
Que tudo quanto vivemos
Que tudo quanto agredimos
Que tudo quanto sofremos


Se grite bem alto
Aos quatro ventos
Para que o povo acorde
e todos nos libertemos!
      “Capitão Calvinho” 
                                      


      Mais uma vez: Um abraço para todos.
                                                              
                Santa
  

1 comentário:

  1. Ganda Santa, és único, que forma tão agradável de reviver os "lampejos" do passado. Num ápice fechei os olhos e encontrei-me dentro dum velho vagão que em andamento "devagar","devagarzinho","parado", a muito custo, tentava subir mais uma ingreme encosta. À memória vêm-me as imagens, quando dele descia, para ir "mijar", enquanto olhava os muitos "saguins" que empoleirados nas grandes árvores, guinchando até mais, acompanhavam aquele incrivel "transporte de carne pra canhão"! Claro, que após as obrigatórias "sacudidelas" ia mais uns metros à frente retomar a viagem!!
    Será que só eu é que "mijei" durante a viagem? Ó Santa, não me digas que a preguiça era tanta que tu e o resto do "maralhal" "mijavam" da janela"?
    Sabiam que essas mesmas "obras de museu" ainda por lá vão circulando conforme podem?
    Se não acreditam é melhor começarem a pensar como São Tomé!!

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