quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ordem de Serviço

Atenção Companhia!
Firme! Sentido!



O Nosso Comandante

deseja a todos

Boas Festas de Natal

e

Feliz Ano Novo !!!


Descansar!
À vontade!


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

(Por F. Santa)



  Para quem não me conhece, a primeira fotografia é o Santa na sua juventude ao serviço  da Pátria. A segunda mostra um outro lado da minha pessoa: O gostar de animais. Hoje o Santa continua a ser alegre e bem disposto e que ainda gosta de animais. Eu penso que cada um de nós que andamos na guerra e quase todos, devemos cultivar o espírito de criança pela nossa vida fora, parece que não tem importância mas tem, ajuda-nos a ultrapassar certas adversidades do dia a dia. Não devemos fechar-nos em casa, devemos conviver com os amigos, falarmos das peripécias da nossa vida, descontrai e alivia a mente. Faz-nos bem recordar o passado. Quantas histórias da guerra estão guardadas nos nossos “baús”? Porque não vamos abri-los e tirá-las cá para fora? Não será boa ideia? Assim ficaremos todos a conhecer a nossa odisseia por terras Moçambicanas. Enviem fotografias. São antigas e já estão amarelas? Não faz mal. Seria óptimo que todos aqueles que até hoje não contribuíram para o nosso site o fizessem sem qualquer medo ou receio.
         O Santa é chato. Irão dizer alguns. Mas não é. Dirão outros. Se eu sou chato, é porque gostava de ver os meus companheiros compartilharem no nosso site na feitura do «filme» do que foi a nossa guerra. Nos nossos almoços convívio tantas histórias são contadas, porque não fazerem parte do nosso site? Deixo aqui uma dica. Quem não tiver possibilidade de enviar a sua história para o nosso site, escrevam-na e enviem-na para a minha direcção que eu a farei chegar lá. F. Santa, Rua 25 de Abril, nº344, S. M . do Bispo 3045-163 – COIMBRA.
        Estamos no Natal. Aproxima-se o novo ano, vamos todos pensar positivo e fazer um esforço para que o nosso site seja cada vez melhor e passe a ser o nosso orgulho e o da nossa companhia. Acreditem em vocês!
                      
                                        Mais uma vez desejo a todos vós, camaradas e familiares, um Santo Natal e um Ano Novo cheio de saúde e próspero para as vossas vidas. Estes votos são também extensivos a todos aqueles que de fora colaboram connosco.       
           
    Um abraço para todos do
Santa

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O mistério das fotos... e BOAS FESTAS !!!

(Por: Nuno Vivaldo)

História das fotos que eu tenho enviado

Quando do regresso, no porão do navio, debaixo dos beliches tinha a minha bagagem pessoal, na qual trazia uma bolsa de prata fininha que tinha levado da metrópole.
Porém certo dia perante o meu espanto tal bolsa desapareceu, e em seu lugar estavam estas fotos.
Conclusão: não sei quem foi o malandro que trocou isto, mas tal bolsa já não deve existir mas as fotos continuam, para lembrar antigos camaradas.
Continuo sem saber quem foi o fotógrafo e o autor da troca.
Junto mais 3 fotografias, e uma folha de um livro que estou lendo sobre os anos da Guerra Colonial.


















Um forte abraço, e votos de um bom natal e Ano Novo

Nuno Vivaldo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

RECUANDO NO TEMPO

  (Por   F.Santa)

O dia da partida aproximava-se. O pensamento já só era a despedida de tudo e de todos, havia que minimizar a situação e então melhor forma era na véspera do embarque ir para a noite. E assim aconteceu. Vejam só o estilo da época! Aí estava o Santa no “Ritz Club”bem acompanhado! E vocês cheios de inveja! Esta noite além de me ter ficado cara valeu-me ser dos últimos a chegar  ao cais da Rocha, mas valeu a pena. A segunda foto, bem, esta já tem outra leitura. Chamava-lhe o “ Anjo da Guarda”, e porquê? Tendo eu chegado ao Hospital de L. Marques no meio daquela confusão toda apareceu esta miúda juntamente com algumas senhoras da cruz vermelha o que me chamou atenção, não só pela circunstância mas também pela fisionomia. E sendo assim, houve logo uma aproximação verbal, de tal maneira que ela ficou como uma espécie de “ama”. Trazia-me comer do bom e do melhor poucas vezes comi o comer do Hospital quando já podia sair do hospital ela levava-me a passear, levava-me livros conversava longo tempo comigo, ajudou-me na recuperação e sempre com uma simpatia espectacular. Mas atenção, tudo sempre dentro da normalidade. Isto é só para verem que havia sempre alguém que se prontificava nos hospitais ajudar sem receberem nada em troca senão amizade.

Claro que hoje não sei do seu paradeiro, partiu-se o fio condutor que nos unia, mas mesmo assim eu nunca a esqueci até hoje e hoje onde quer que tu estejas (Fernanda) eu nunca esqueço o que fizeste por mim e te agradeço com toda a gratidão do Mundo.

Caros Camaradas. A guerra também nos oferecia episódios destes para quem deixava o mato para ingressar num hospital e eram pessoas como estas que não nos deixavam entrar na solidão daqueles quartos que mais pareciam prisões. Para todas elas um bem haja.
                            
                               SANTA




sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Nosso NATAL no LIONE ...




... foi há 41 anos ! Nesse longínquo Dezembro de 1968 ainda éramos "felizes" ! A vida era passada entre Lione, Chala e Matipa (que seria, entretanto, abandonada... ) em patrulhamentos despreocupados intercalando com "excursões" a Vila Cabral para um bom bife no Coelho (os afortunados que tinham alguns cobres no bolso...) e ao Catur (onde me consta que os bons almoços eram no Caminho de Ferro...). O agoirento mil nove 69 estava prestes a nascer, com o todo o seu cortejo de tragédias, mas nós, checas de 4 meses, nem suspeitávamos que os votos de Bom Ano Novo que então trocávamos haveriam de ser completamente defraudados pelo destino! 
Para testemunho, fica aqui a nossa Árvore de Natal desse ano. E a memória das mensagens de "muitas prosperidades" desse tempo!



A todos os amigos ex-camaradas

e aos nossos Visitantes  

Festas Felizes ! ! !

 Manuel Soares   




quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Boas Festas ... e um Apelo!

(de F. Santa)


    Camaradas. Depois da nossa epopeia por terras africanas, deixando para traz aventuras passadas na selva Moçambicana, tentando apagar a ausência daquilo que não foi a nossa verdadeira juventude, eis que chegámos todos á  classe que eu chamo ternura dos sessenta. Longos anos passaram mas a memória não apaga a história por cada um de nós vivida por aquelas terras. Datas que nos eram queridas como o festejo dos nossos anos, a Páscoa e o Natal datas que eram passadas em família. Como já disse, os anos passaram e hoje com o corpo mais envelhecido e o cabelo mais branco e alguns mais carecas, cá estamos nós os sobreviventes da C. Cav.2415 para passar-mos mais um Natal. O Natal que por excelência é (deveria ser) uma quadra de paz e amor mas os homens assim não entendem. Vamos nós, camaradas da 2415 junto das nossas famílias festejar mais um Natal, desta vez não na guerra mas na paz e no amor familiar. Vamos todos comer o bacalhau e regá-lo com um bom vinho juntando-lhe uma boa pitada de alegria e uma boa sobremesa de saúde acompanhada com a essência da vida e tomando no fim um digestivo de muitos anos de vida.
  Camaradas. Vai aqui também uma palavra para os nossos camaradas que já partiram e que ficaram retidos na nossa memória para sempre com saudade. Para eles, Paz Eterna para as suas famílias que este Natal lhes traga paz interior na lembrança e na saudade que têm por eles, um Santo Natal para todas elas.
Sendo assim deixo aqui um desejo: Que este Santo Natal e o ano novo que se aproxima traga para todos os nossos camaradas e família muita paz e acima de tudo muita saúde. Estes são os votos do camarada SANTA. 

           FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO
                                                                                    
Já agora aproveito para deixar aqui um apelo para quem possa entrar em contacto com o nosso site. Há muito tempo que procuro um camarada que esteve em Estremoz no B. Cav.2850 e que partiu para Moçambique em 1968. O camarada em questão é: Furriel Francisco Fonseca das Neves natural da zona do Porto. Sei que em 18 de Agosto de 1969 este batalhão entrou no sector F com sede em Bene zona de Tete. O último contacto que tive com ele foi em 29-3-1968 ainda em Estremoz. Agradeço que qualquer informação seja dada para este site. 

           Um abraço para todos do Ex. Furriel Santa

Mensagem de Natal do camarada Amândio Baptista

A pedido do nosso amigo Baptista aqui deixo a mensagem que ele dirigiu a todos os elementos da 2415.

sábado, 5 de dezembro de 2009

NATAL E ANO NOVO

(de A. Paulo)
  Chala, 22 de Dezembro de 1968.
     “Queridos pais, como podem ver, eu estou bem graças a Deus. Com beijos e abraços deste vosso filho, desejo-vos um FELIZ NATAL e um ANO NOVO muito próspero”.


Guarda, 5 de Dezembro de 2009.
     O Paulo deseja também, a todos os camaradas da CCAV. 2415 e  seus familiares,  um BOM NATAL  de 2009 e  um  PRÓSPERO ANO NOVO.
     Um abraço para todos.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL E UM BOM ANO

Em meu nome pessoal desejo a todos os  ex-militares da CCav.2415  e suas familias  um Feliz Natal e um Bom Ano cheio de muita saúde.





Foi precisamente há 41 anos, no Natal de 1968, que enviei para a minha familia  que residia  num país,  na época,  chamado  "Metrópole", este artistico postal natalício ! Lindo, não é?
Estas "obras de arte" eram trabalhadas na  Fotocolor em Lourenço Marques, na Rua Salazar, (curioso!!) nº21, com quem  mantinha um intercâmbio comercial imposto pelo meu "hobbie" das fotografias. 
Quero crer que muitos outros, se procurarem bem nos álbuns, lá irão encontrar postais natalicios idênticos.
A pose descontraída foi encenada de modo a disfarçar os efeitos da magreza, para que  não deixasse a  familia mais preocupada,  pois  uma forte crise de paludismo de mãos dadas com uma simpática e sarapintada "rubéola", surgida vá-se lá saber de onde,  me entreteram durante 15  longos dias, e que o Vivaldo se encarregou de ajudar a debelar com doses maciças de Complexo B + Vitamina C!! 
Também me lembro da visita que os técnicos da RTP nos fizeram, ainda em Lione,  para gravarem as famosas  mensagens de Natal que  se transformavam em  autênticos sucessos de audiência.  Eu fui um dos sorteados e quando, depois de um pequeno ensaio, me passaram o microfone para as mãos para dizer a mensagem  simplesmente saiu:  "Vou falar para a Parede e desejo a todos.............. "!!
Pode ser até hilariante, pois é costume dizer-se que quem fala para a parede é maluco mas, realmente, era a mais pura das verdades uma vez que a minha familia morava num local que dá pelo nome de  Parede!
O nosso "Maior", como vizinho,  pode jurar de cruz!


Saudade de ANTÓNIO ENES e da ILHA...



A propósito das "histórias" da permanência em António Enes, em boa hora começadas a contar pelo inexcedível A. Paulo, tomei a liberdade de piratear ( do site "Parrrô Macua" ) dois interessantes trabalhos de multimedia baseados em fotos recentes, um sobre Angoche e o outro sobre a Ilha de Moçambique. Talvez sirvam para um desafio de " descubra as diferenças " ...  ou " quem te viu e quem te vê! " ...


 ANGOCHE - A. ENES







ILHA DE MOÇAMBIQUE





(Para ver: "clicar" na seta em cada uma das imagens)

Pela minha parte, só reconheço algumas imagens da Ilha... mas eu andei por outras paragens, como sabem...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ALGUÉM FALOU DE ANTÓNIO ENES?...

(Por: A. Paulo)

      António Enes deve ser o local por onde passamos que tem mais histórias para contar. Não vou contá-las todas, porque muitas são impróprias para consumo externo. Não vá por aí aparecer algum “olho de passarão” e querer dar a volta ao texto.
      Mas, claro, todos nós nos lembramos do cozinheiro que abandonou o panelão e foi viver para o Inguri, onde fez “um mariage” com uma dita virgem (pagou  a taxa ao pai, claro) e esteve na palhota em lua de mel durante uma ou duas semanas. Teve tratamento VIP, pois fomos lá buscá-lo de jeep. Mas coitado, acarretou com as consequências que mandavam as NEP’s. Tinha que ser, pois o pessoal já se andava a queixar das ementas.
      Também já falei da mulher do médico que deu um tiro na nossa macaca. E agora esta!...:
      Pergunto eu ao cantineiro, que já estava naquele posto há mais de um mês: -“Então você à noite quando sai e fecha a tasca, desliga todas as luzes e as ventoinhas”?....Não meu furriel,  diz o visado, eu nem sei onde são os interruptores.
      E aquele gajo que deitou fogo à serra. Não sabem quem foi?!.....Foi o Paulo.
      Foi assim. Estava um grande monte de lixo em frente da nossa “flat” e o Paulo, que tinha vindo do norte com uma veia incendiária muito activa, lembrou-se de ajudar na limpeza do arruamento e  “pregou” fogo naquela merda. Não demorou muito tempo para  que o fogo se estendesse pela serra fora e também não demorou muito tempo a chegar ali o chefe da polícia local, ao qual lhe forneci as dicas necessárias para descobrir o local do “crime”. Só não lhe disse quem foi o “criminoso”.
      E a nossa equipa de futebol de salão?!... Ganhamos a toda a gente e só  perdemos com a equipa dos “monhés” na final.
      E os camarões?!....Aqui a qualidade era barata.
      Tenho aqui uma fotografia dum “derby” de futebol de salão, mas já não sei se é em Vila Cabral ou em António Enes.
      A outra fotografia mostra a parte do quintal da nossa “flat” em António Enes, que me foi enviada pelo puto que está sentado no muro e onde se vê uma árvore (ou dava mamões ou papaias) que eu transplantei, vinda da serra em frente.


      Até  breve. Um abraço para todos do Paulo.



 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Noticias do nosso "MAIOR"

Lembram-se, com certeza, que nas transmissões, o comandante (de qualquer força) era referido como o "maior desta" ou o "maior dessa" . Por exemplo, "o maior desta lembra essa amanhã" queria dizer que o nosso Comandante chegaria ao outro aquartelamento no dia seguinte - esmerem-se no aprumo !
Isto para citar um mail de ontem do nosso comandante que além de incentivar o blogue exprime um louvor ao António Paulo:

(...)  Já recebi um mail do Paulo a quem vou responder.É bom ter assim notícias dos amigos que fizemos naqueles duros tempos passados em África.O Paulo foi, além do mais, de extrema utilidade na parte burocrática após a morte do Carvalhinho. (...) Um grande abraço e desejos de boa saúde (...)

  Fica assim publicado em ORDEM DE SERVIÇO, para os devidos efeitos !



Mensagem

 (Por :  Nuno Vivaldo)

Caríssimos Camaradas da CCAV 2415

Então por onde andam? Será que todos têm o blogue da Companhia? Custa-me acreditar que muito poucos tenham acesso á net. Mesmo que não tenham computador como é o meu caso, há sempre um filho ou um familiar que tem.
Vamos lá fazer esse contacto pois não acredito que os anos que passamos como uma família em África não contem para nada.
Então e a amizade e camaradagem entre nós?
Temos que aparecer mais nos convívios, não só para beber uns copos, mas sim para convivermos. Porém o que queremos é continuar a amizade que lá fizemos.
Estamos ou estivemos filiados ou aderentes a diversos partidos, temos de deixar a lavagem ao cérebro, pois alguns de nós que lá estávamos não para defender a pátria, mas sim alguns cantineiros e oficias superiores que lá iam para receber o “tacho”.
Que se lembra do helicóptero que não podia aterrar por motivos de segurança para levar um nosso camarada ferido quase mortalmente, mas que andava lá no alto acompanhando os combates e vendo as moças?
Aparece caro amigo, visita o blogue, escreve o que sentes, nada te fica mal.

Um forte abraço
Nuno Vivaldo


equipas de futebol em lione
ponte sobre o rio Mululi na estrada Antonio Enes - Moma

As fotos foram enviadas pelo Nuno Vivaldo, a quem saudamos pelo seu reaparecimento no nosso espaço. Quem é que, na última, acompanha o M Magalhães (armado de máquina fotográfica em vez de G3 ...)? Será o Capitão ?




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LICHINGA no século XXI

  A propósito da interessantíssima "passagem de ano" de 1969/1970 do Paulo, ontem publicada, lembrei-me de investigar como seria Vila Cabral, hoje. E saíram as imagens que aqui apresento. (Como é hábito, aconselho a "clicar" para ver melhor)


É interessante constatar que a "rotunda central" ainda parece igual ... Procurei "etiquetar" alguns dos pontos mais conhecidos, mas a coisa não saíu muito legível. Menciono o Palácio do Governo, a Sé Catedral e o Quartel General, destes não tenho dúvidas. Creio que a "aventura" do Paulo terá sido na rua que assinalo como "Flats dos Sargentos", e o Cinema penso que estará também no lugar certo, e também o PAD e o SPM ...
Não me recordo da localização do Planalto, do Hospital, da loja do Camurdine (pai da Farida e irmã...), dos armazens do Garcês e do Salvado, do  restaurante Coelho, do apartamento onde o Comandante ia "lerpando" com o gás do esquentador  ...


Mas, se o "centro" parece quase na mesma, a imagem seguinte mostra bem como a cidade cresceu em palhotas ... 



Para quem quiser explorar as potencialidades do Google Maps, donde extraí estas imagens, aqui fica o "link". Depois é só ampliar e arrastar ... e aproveitar as maravilhas da técnica !
E, já que falamos recursos da internet, quem estiver interessado pode ler aqui um interessante artigo (datado do nosso tempo de África) sobre o controverso Daniel Roxo, que todos nós conhecemos em Vila Cabral

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A PASSAGEM DE ANO EM VILA CABRAL

  (Por:  A. Paulo)


  Era o dia 31 de Dezembro de 1969. O pessoal da C.Cav. 2415 estava em Vila Cabral a aguardar novas ordens de deslocação, depois de ter regressado da intervenção em Luatize. O grosso do pessoal encontrava-se alojado em barracões de lata junto ao campo de aviação e os furriéis e alferes encontravam-se distribuídos em casitas ou “fletes” (não sei se é assim que se escreve), perto do aquartelamento de B.CAÇ. 20.
      Naquele ano o Paulo, o Quintino e o Miranda, tinham adquirido através do OPVDC (não sei bem o significado da sigla) de Vila Cabral, três pistolitas calibre 6,35, mais propriamente, uma FN, uma STAR e uma Pietro Beretta.
      Este “material de guerra” foi o móbil do crime. Porquê?!....
      Aproximavam-se as 24 horas do último dia do ano e como era tradição tínhamos de fazer a despedida do ano velho. Então às primeiras “badaladas” das zero horas,  os militares assinalados saem de arma em punho para a porta da “flete” e foi um ver se te avias. Despejamos todos os carregadores dos nossos brinquedos barulhentos.
      Aqui começou a guerra. O pessoal que estava de reforço no B.CAÇ. 20 achou por bem colaborar no festival, ou em regime de voluntariado ou acagaçado,  despejando num tiroteio infernal, os carregadores das suas G-3 para o ar, ouvindo-se inclusivamente uma metralhadora ligeira a fazer fogo. (parece que estava no PAD-pelotão de apoio directo-, para reparação).
      No dia seguinte vieram as consequências. Os “donos” do B.Caç. 20 brindaram com 20 dias de prisão todos os elementos que naquela noite e àquela hora  tinham feito serviço.
      Embora tardiamente, (porque o crime já está prescrito) peço as minhas desculpas a todos os camaradas presos, pois eu não fiz isto por mal. Tá bem?!...
     Pois a pistola FN ainda a tenho em meu poder e quando regressei de Moçambique, praticamente durante um ano, andei com ela sempre à cintura, inclusivamente no trabalho. Até era conhecido pelo gajo da pistola. Apanhado claro.
     Numa dedicatória ao meu amigo Miranda, junto envio uma foto na qual se vêem os donos e senhores dum famoso jeep, frente ao quartel do B.Caç. 20.

     Um abraço a todo o pessoal do Paulo. 


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MAIS UMA VEZ !

(Por : F. Santa)

  CAMARADAS ,
                                Desta vez não vou directamente falar de guerra porque neste momento outra coisa bate forte no meu pensamento, é o alheamento de alguns camaradas nossos que conhecendo o nosso “Site” não são capazes de colaborarem nele. Não interessa se não sabem escrever, escrevam como sabem, quem não tem computador se tiver vontade pede aos filhos, netos e amigos. Era bom que todos compartilhassem este nosso cantinho, são os últimos anos da nossa vida. Porquê esquecermo-nos uns dos outros quando já fomos uma só família? Quando a guerra nos obrigou a estar-mos juntos, tornámo-nos como uma “corrente” sólida, não vamos agora deixar a ferrugem corroer os “ elos “e ela partir-se! Nós além de tudo isto, somos pedras vivas que através do tempo perpetuamos o esforço feito para afirmação da nossa pátria, não desistimos na altura, não vamos agora desistir. O respeito e a saudade que devemos ter pelos nossos camaradas, menos felizes  que não regressaram aos seus lares por terem perdido a vida dando o seu sangue pela pátria, bem como por aqueles que regressando também já partiram é nosso dever com a saudade devida autenticá-los nos nossos convívios e pela participação no nosso “Site”. Temos que cimentar durante o tempo que nos resta os laços de amizade e solidariedade que nos uniu naquelas terras longínquas de Moçambique.
  Estamos quase no Natal, depressa chega o novo ano e Maio vai estar à porta. Maio? Não se lembram? Vai ser o nosso próximo convívio. Desta vês vai realizar-se em Coimbra no primeiro fim-de-semana do mês, na altura própria irão receber notícias. Espero que todos tenham tempo de se organizarem, que haja mais um sacrifício na vida de cada um e quando for feita a chamada, digam “PRESENTE”.
     Então Vivaldo, adormeceste? Moreira, Miranda, Braga e tantos outros, por onde andam vocês? E Já agora onde está o nosso Capitão? Continuamos na formatura à espera dele para mandar destroçar! O nosso “site” espera-vos.
Camaradas, companheiros e amigos, cá fico à espera que as minhas palavras tenham “ecoado” nas vossas mentes e vos tenham despertado para a realidade dos tempos, a vida só se pode construir com amor e solidariedade mas ela também tem o seu fim e cada um de nós tem que estar preparado para esse acontecimento e nada melhor que estar-mos juntos até ao fim no “palco” da nossa vida e sermos felizes! Termino com uma frase de Amélia Rei Colaço: Eu sou como as árvores velhas mas morrem de pé!!
                                    
                                         Prometo. Não volto mais a tocar neste assunto. Acho que todos já leram e perceberam a minha mensagem, o resto fica ao critério de cada um ficando o desejo de dar um abraço a todos vos no próximo convívio. 


VIVAM OS BRAVOS DA COMP DE CAV: 2415  !!!!!!!!!!!! 

Do Santa, um abraço com amizade para todos.



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

AINDA ME LEMBRO (2)

(Por  F.Santa)
 
      Há coisas que o tempo não apaga. Voltando atrás no nosso tempo de guerra, ainda me lembro do cachorrinho quente dentro do pão e da Ucal morna logo de manhã na cantina de Cav.7, que ficava logo ao pé das escadas que davam acesso à parada de instrução. Ainda me lembro das célebres instruções nocturnas ao pé do Moinho de Vento no alto da Ajuda, e da aplicação militar na mata do Monsanto. Aqui foi-me prometida uma despromoção pelo simples motivo de haver muita lama e eu saltar por cima de alguns exercícios, apareceu um senhor de “galões” que me disse: Se volta acontecer o que eu vi é despromovido e atenção, hoje estou bem disposto. Fará se não estivesse! Lembro-me ainda daquela estadia na Serra da Carregueira, onde demos fogo com quase todas as armas, da pequena viagem de Helicóptero, saltando das alturas para o chão. Como éramos felizes! Dos fins-de-semana de serviço sem poder ir a casa e os que podiam, esses trocavam com outros a troco de umas cervejas. Aquele passeio pedestre desde a Costa da Caparica até à Fonte da Telha, as patrulhas pela mata onde as Codornizes saltavam à nossa frente, das emboscadas nocturnas, numa delas estivemos toda a noite emboscados à espera dos “turras” (soldados de C.7 preparados para o efeito) mas nunca apareceram, enganaram-se no percurso, e ainda do treino de fogo com a G3 e os rebentamentos que fizemos com “trotil” na praia da F. da Telha. Quem se lembra da tasca que ficava do lado esquerdo da porta de armas? Lembram-se da miúda que lá estava que era mais feia que uma bota da tropa? E da Leitaria que ficava logo de frente? Aqui sim, a miúda era loira e linda! Foi aqui nesta Leitaria na mesa do fundo onde nasceu, de entre três que fiz, o emblema da nossa companhia. Era aqui onde alguns trocavam a farda pela roupa civil.
    Assim lembrei mais alguns episódios do nosso passado de guerra. Daqui, se alguém se lembrar mais ao pormenor de algum destes episódios pode e deve descrevê-los.

                                                                                     
                F. SANTA


 (Imagem de Google Maps)
Ainda está igual !!! ("clique" para ver melhor...)
 (Creio que agora é ocupado pelo C.I. da PSP)  (Nota de M.Soares)

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

AQUARTELAMENTOS DE MOÇAMBIQUE (Distrito do Niassa)

Este livro tem  como autor Manuel Pedro Dias (amigo pessoal do nosso Comandante), tendo já sido devidamente publicitado aqui no blog pelo M.Magalhães em 18Out. com a etiqueta de "Leituras".
É um interessante livro documental com imensas fotos e textos das forças militares que andaram pelo Niassa entre 1964/1974.  Depois de o ter lido  aconselho vivamente a sua compra, não só porque faz alusão à CCAV2415, mas também porque nos dá uma outra real  imagem do tipo de máquina de guerra que estava montada.
Relativamente ao texto sobre Lione,  indicando que a CCac3571 (ultima a passar naquele local) construiu uma pista com 1000 m. de comprimento por 30 m. de largura (acho que só podia ser para os aviões Fiat!) e ainda uma série de novos edificios, com abastecimento de água e electricidade, deixa-me incrédulo tamanho desenvolvimento!   Não seria antes uma Companhia de Engenharia??
Vejam só se tivessemos lá passado depois desta C.Caçadores?
Deixo aqui  algumas das fotos sobre Lione (indicativas das melhorias de categoria 5 estrelas),  Luatize, T.Valadim e Vila Cabral.











domingo, 8 de novembro de 2009

AEROGRAMA com 41 anos...


Chala, 9/11/68

(...)

  Estou a escrever um pouco à pressa no café "Planalto" em Vila Cabral, onde vim buscar correio e víveres. Como podes ver pela data, desde o dia 4 do corrente que estou em Chala com o meu pelotão, mesmo na fronteira do Malawi (a cerca de 30 metros...), e a perto de 80 km de Lione e quase outro tanto de Vila Cabral-
Por aqui já houve uns ameaços de chuva, o que é uma grande coisa, aparte a chatice que traz por causa das picadas que se tornam quase intransitáveis.
Quanto a turras, a situação continua na mesma.
Por agora termino (escrevi este aero em menos de 5 minutos) porque ainda tenho muitos assuntos a tratar aqui em Vila Cabral e tenho de regressar ainda ao Chala, com um "Unimog" velho e ferrugento que qualquer dia me deixa ficar a meio do caminho...
(...)

A CANTINA DO BELO (Episódio 2)

PALÁCIO DO GOVERNO EM LIONE

O dia chuvoso de hoje leva-me a estar em cima do "blog" e, consequentemente, mais uma ida ao passado e às lembranças.
A propósito da referência do amigo Paulo à Cantina do Belo (estrada do Caracol), lembro-me da minha primeira "aventura" à séria, precisamente uma ida ao Catur e que é assim:
Após a chegada a Lione, poucos dias depois o nosso Capitão enviou  ao nosso Batalhão no Catur algum pessoal  numa "berliet", fazendo eu parte da comitiva. A minha missão era algo "dificil", tipo 007, pois levava, numa pasta preta  bem encostada ao peito, documentos "top secret" para a troca.
A minha cabeça fervilhava ao lembrar todas aquelas "patranhas" com que nos amedrontavam na Trafaria: "Códigos desaparecidos é guerra perdida"!! E, por isso, não deixava de pensar na eventualidade dum confronto com os "turras"  e  estes levarem-me a mim e aos  secretissimos códigos!! 
Para defesa pessoal foi-me distribuída uma FBP (um dia contarei como o cano se dilatou) que mal sabia manejar!
Ao abrigo de sermos "checas", e porque ainda se encontravam a dar as últimas em Lione,  a fim de nos darem protecção, a anterior Companhia  decidiu enviar alguns, muito poucos, "velhinhos" numa viatura mais ligeira, que agora não me lembro qual. Talvez  "unimog"?
E lá fomos nós enfrentar a picada. Os nossos paizinhos "rambos" até à zona do Caracol ainda tiveram a paciência q.b. em nos acompanhar naquela velocidade de caracoleta imposta por quem ainda era "medroso".  Mas, a partir daí piraram-se e deixámos de os ter na mira.
Eis, senão quando, os nossos ouvidos apuradíssimos, apesar do roncar da "berliet" ouvem um tiro e, ainda por cima, com aquela enorme experiencia de quem já tinha 3 ou 4 dias de guerra, alguém entendeu que o estampido escutado por nós todos,  não era nada parecido ao da companheira G3, mais se assemelhando ao da  inimiga "kalashnikov".  Isto é que era experiência, digo eu, agora!!
Meus senhores, aconteceu o pânico. A "berliet" foi direitinha afocinhar na berma da picada. A debandada foi geral, o pessoal espalhou-se, ainda vi alguns a correr (qual rastejar?) por entre o primeiro arvoredo ali mais à mão! E quanto a mim? Perguntam os meus amigos.  Pois é, o "meducho" levou-me a saltar da viatura e esconder-me no pior sítio, precisamente debaixo da viatura, atrás dum pneu, julgando que era o melhor que tinha por perto.
Foi "fogachada" até dizer mais não! Se, por acaso, houvesse inimigos à vista, tinhamos lhes pegado um "cagaço" do caraças!
Entretanto, passado pouco tempo, surgem os "rambos protectores" que a alta velocidade fizeram meia volta, assim que começaram a ouvir, lá ao longe,  tanta guerra duma vez só! E, espantados e curiosos ainda nos encontraram bem "acachapados" no terreno à espera vá-se lá saber de quê!
Eu, ainda bem entrincheirado com o pneu e sem largar o "tesouro" e com a FBP bem agarrada mas que não serviu para coisa alguma!
Lembro-me de me chamarem a atenção de nunca por nunca, em casos idênticos, me esconder debaixo ou próximo duma viatura  pois, normalmente,  o inimigo tinha tendência de mandar "morteirada" ou qualquer coisa pesada contra as ditas. 
Sabem, afinal, a proveniência daquele tiro que originou aquela guerra?  Foi alguém dos "velhinhos" que na viatura mais à frente se lembrou de puxar da "Walter", à cintura, e disparar para o ar demonstrando, assim, a satisfação do regresso à "peluda" e à metrópole.
Foi o meu baptismo e a minha primeira lição de guerra mas a sério.   Na Trafaria ensinavam outras guerras que não aquelas!!
      

A CANTINA DO BELO

      (Por A.Paulo)
 
Tenho aqui uma fotografia em meu poder e penso tratar-se da “CANTINA DO BELO”. Aqui passamos nós inúmeras vezes, em direcção ao Catur, no cumprimento do nosso dever  militar que nos era imposto pela hierarquia governante.


 
     “Alô furriel mecânico Braga”. Estamos a meter-nos com o material que tantas dores de cabeça te deu. Além do mais tu eras um dos elementos que fazia parte da coluna que sofreu a emboscada.
     Se estás O.K., conta-nos coisas que ainda não sabemos ou que já  estão esquecidas. Agora que tens um computador novo é sempre a aviar.

     Um abraço do Paulo. 




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O nosso "monumento"

Como muitas outras unidades militares, também a 2415 deixou a marca da sua passagem. Desconheço outras, mas no Lione, pelo menos, ficou a nossa lembrança.
O nosso (ex-) Comandante fez-me chegar estas fotografias:

(de A.Amado)
Ainda não estava gravado o dia da saída, que também desconheço.


(de A.Amado)
Esta face do monumento tem os nomes dos camaradas que tombaram
durante a permanência no Lione, o Fur. Santos e o sarg. Carvalho.
O local da tragédia, Cantina do Belo, era mais conhecido por Caracol



Entretanto parece-me oportuno colocar a foto da Berliet que, segundo o F. Santa que a enviou, fazia parte da coluna que foi emboscada nesse fatídico 5 de Maio. De facto notam-se pelo menos três perfurações de bala no para-brisas, o que indica que andou muito tempo sem ser substituído. O "atascanço" será na picada do Chala?

(de F. Santa)         


Nota: Para ver os pormenores será conveniente "clicar" nas imagens. Não consegui melhor qualidade nas fotos do monumento (são fotocópias), no entanto são um bom documento, creio.



QUEM SOMOS NÓS, AFINAL?

Já não é de agora que me preocupo com a falta de colaboração do pessoal da 2415 na feitura deste blog.  Falo, concerteza, no interesse  de todos sem excepção.  Honra àqueles que costumo chamar de "meia dúzia"! Passados 7 meses (nasceu em 16.04.09)  é triste reconhecer que continuamos a ser em numero de 6. Eu já aqui levantei a questão  quando disse que respeito mas não aceito, independentemente dos interesses prioritários da vida de cada um,  que haja alguém que tenha medo do passado fugindo dele.
Então é assim (perdoem-me a falta de rigor): À partida eramos 120.  Chegámos só,  infelizmente, 110.   Abatendo, também,  infelizmente, ainda o desaparecimento precoce  (já cá)  de  13 companheiros,  segundo as minhas contas e  consultando a  habitual "Lista dos Almoços Anuais" somos hoje, mais ou menos,  97  bons chefes de familia que há 40 anos atrás tivemos de conhecer, pela primeira vez, um nobre sentimento  chamado solidariedade o qual,  sem ele seria impossivel sobreviver naquelas dificeis condições.
Acho que perceberam que estou a querer dizer que somos,  de certeza absoluta, muitos  mais do que a tal "meia duzia"!  E, que estou  apelar  à tal solidariedade de todos para não deixar-mos o "blog" se extinguir por si próprio. Será o mesmo que deixarmos morrer o nosso passado e isso é imoral. Aquela nostalgia dá-me enorme prazer. E, também, sei que a grande maioria  vibra e sente da mesma forma que eu.  Se, tal vier a acontecer, todos seremos culpados.
Há no nosso blog um contador de visitas chamado "Hoje estiveram connosco" que, além do mais, indica  o local   de quem está "online".  Senão, vejamos:  Neste momento estão  6 pessoas, a saber:  1 de Seia, 1 de Rana/Cascais, 1 de Fátima, 1 do Porto, 1 do Entroncamento e 1 de Oliveira Azemeis.  Quem somos nós, afinal? Porque nos escondemos?  Um  sou  o Castro de Oliveira de Azemeis!!   E os outros 5 quem serão? 
Mas há mais,  tenho reparado, noutros dias, que há pessoal de: Lisboa, Póvoa do Varzim, Álvaro (??), Guarda, Porto, Abrantes, Linda-a-Velha, Alcochete, Vila do Conde, Coimbra, Fátima, Braga, Vila Nova Famalicão, Figueira da Foz, Matosinhos, Carcavelos, Maia.
Ora, isto demonstra cabalmente que há consumidores habituais que aqui vêm sondar e, talvez até,  saciar a fome da tal nostalgia do passado. 
Vamos lá, pessoal, solidariedade precisa-se.   Venham daí as vossas "gandas" histórias!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lembrando 06/11/1969


Sentida Homenagem

ao companheiro

João Vaz dos Santos
(S. Simão Bunheiro - Murtosa)

Que tombou em combate há 40 anos 




(Não tendo qualquer referência sobre o local ou as circunstâncias deste triste acontecimento, muito agradeceria que alguém desse alguma contribuição esclarecedora, quer em comentário ao "post", quer para o meu e-mail (manuelsoares46@gmail.com). Pela data, foi com certeza na zona de Tenente Valadim, quando eu já estava em Cabo Delgado)
Manuel Soares

 



   

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

“AINDA ME LEMBRO”

(Por  F. Santa)  

Ainda me lembro da partida. Meio-dia em ponto. O “Vera Cruz” apitava três vezes ecoando pelo Tejo fora e começava afastar-se do cais da rocha ao mesmo tempo que se fazia ouvir o Hino Nacional. Lenços brancos, chapéus da cabeça, lágrimas e gritos era o cenário dado por aqueles que viam partir os seus filhos, os seus maridos os seus namorados, os seus irmãos e alguns mais pequeninos viam partir os seus pais sem entenderem muito bem toda aquela cena, fazendo ainda parte deste leque de emoções os amigos. Era uma partida com bilhete de ida pois o de volta era uma incerteza. No barco todos empilhados como “sardinha enlatada” lá fomos desbravando o oceano até costas de Moçambique. No “Dek”do navio ainda me lembro das sessões de ginástica para estarmos em forma., da hora do almoço e do jantar que foi talvez  uma das melhores coisas da viagem, e daquela célebre “orquestra” que a gente formava tocando cada um o seu instrumento, que pertenciam ao salão de festas do barco. Seria música o que agente tocava? Cá para mim era música desconhecida de autores desconhecidos! Lembro-me dos peixes voadores brilhantes como prata saindo da proa do barco, dos tubarões no golfo da Guiné fazendo escolta ao nosso barco e ao mesmo tempo aproveitando os restos de comida que eram lançados ao mar, da bela Baía de Luanda e daquele desfile em Lourenço Marques todo ele cheio de aprumo e beleza. Chegados á Beira, lembro-me da visita que eu e mais alguns fizemos ao “Moulin Rouge” (julgo que é assim que se escreve) a um restaurante chinês onde se tinha de comer sentados no chão e com pauzinhos, quem conseguiu não sei, lembro-me ainda da chegada a Nacala e da confusão para a entrada do comboio que nos iria levar até Catur parecendo o “Transiberiano” . Daquela chegada a Lione já noite dentro todos cheios de pó com lenços a tapar a boca, o nosso primeiro “passeio” de Lione para Chala e a minha primeira aventura “ Passeio no desconhecido”, para Matipa. Quem se lembra do casamento em Lione? Da visita do M. da Educação (não sei se era) do Malawi a Chala? Aqui só me lembro da grande bebedeira que alguns apanharam neste dia. E do Norberto? Que foi mais tarde parar à nossa companhia e que em Chala levava a cafeteira do café (cheia) para o posto de vigia do lado do rio, e cantava fados de Coimbra toda a noite para afastar o medo?

   Tudo isto e muito mais dava para uma longa-metragem. Quem se lembrar disto e quiser completar mais alguma coisa está à vontade, pois como eu costumo dizer: Lembrar è viver! Até á próxima.

Um abraço para todos
Santa


As fotos referem-se a : Sala de estar do Vera Cruz;  Destacamento de Matipa; e Casamento do Paulo (cantineiro em Chala) com a filha do Langa. Como sempre, podem ser "clicadas" para ampliar.

 

 

sábado, 31 de outubro de 2009

SAUDADE

(por:  F. Santa)

Saudade. Palavra que segundo dizem, foi inventada por nós portugueses e só nós a sabemos interpretar. Saudade, pela parte que me toca é o que sinto quando me vem à memória as nossas aventuras por terras de Moçambique com todos aqueles que compartilharam connosco. Ontem fez anos que os nossos camaradas PENICHE E CORADO ficaram para traz. Uma guerra sem sentido deu-lhes como prémio uma morte cruel e sem piedade levando-os do nosso seio não podendo hoje compartilhar os nossos convívios nem este cantinho onde nós depositamos todas as nossas lembranças. Estamos a entrar em Novembro, mês em que se celebra o dia de todos os santos (fiéis defuntos) eu não queria deixar esquecer todos aqueles camaradas nossos que pareceram dando a vida pela Pátria. Respeitando a crença de cada um eu quero aqui deixar bem expresso a minha saudade por eles e que Deus os tenha em bom lugar. Todos eles foram nossos companheiros, todos eles estiveram nos bons e maus momentos por que passámos, e todos nós fomos impotentes para os manter ao nosso lado, às famílias a nossa eterna saudade.
Eu sei que para alguns isto pode ser pieguice, também sei que para alguns isto não diz nada, mas para mim diz-me muito pois ainda hoje continuo a estar em contacto com a realidade e a realidade ainda hoje incomoda muita gente. Ainda no princípio deste mês um camarada nosso pôs termo à vida .Era aqui próximo de Coimbra. Sabem porquê? Viveu com stress de guerra desde que regressou do Ultramar, só há cinco anos é que foi a uma junta médica dando-lhe uma determinada incapacidade só que passaram cinco anos e não viu um tostão, tendo dificuldades na vida foi a solução que ele arranjou. Agora sei que já estão a dizer que o Santa é um revoltado. Pois neste aspecto sou. Passámos todos as “passas do Algarve” e fomos esquecidos e atirados para o lixo considerados já, impróprios para consumo.
Desculpem, mas este foi mais um desabafo meu. Não podemos esconder a realidade por mais cruel que ela seja e como já disse atrás, faz-nos bem desabafar. Para todos aqueles que pareceram que as suas almas estejam em paz.
Mudando de assunto: Continuamos a ser só meia dúzia que integram (eu chamo-lhe) o nosso cantinho, onde estão os outros? Moreira, Braga, Magalhães, Miranda, Madureira, o J.M. Vieira Rodrigues e outros. Será que não têm tempo? Não acredito! Faço um apelo para que colaborem e passem a mensagem a outros, este nosso espaço não pode morrer. Estive na passada quarta-feira ao telefone com o Vilas Boas, está muito desanimado com os problemas de saúde que tem e quase de certeza que alguns deles são “prendas” dadas pela guerra. Esteve a dizer que praticamente não sai de casa e sendo assim caminha para a solidão. Não vamos deixar, vamos contactar com ele de vez em quando e dar-lhe apoio, deixo aqui o contacto dele: 217601557. É assim que se vê a força da C Cav. 2415: saudade, amizade e solidariedade sempre!
Por hoje acho que já  chega, vamos todos para a água-pé e para as castanhas assadas e sorrir e tentar-mos ser felizes até ao fim das nossas vidas que a vida não está fácil.
                                              
                                Um abraço do tamanho do mundo para todos vocês
                                 deste vosso camarada: SANTA             




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

30 - 10 - 1969 - Homenagem

 Aos nossos companheiros


JOAQUIM FRANCISCO RODRIGUES DA SILVA
(de Fonte Boa, Ajuda, Peniche)

e

AVELINO AUGUSTO CORADO
(de Paço, S.Bartolomeu dos Galegos, Lourinhã) 

no 40º. aniversário do seu falecimento em combate.


" Quando NT picavam a picada até Luatize e a cerca de 25 km de Valadim, rebentou uma mina na última viatura, um Unimog a gasolina, onde morreram os soldados Peniche e Corado e ainda um enfermeiro da CCS do Batalhão. Nessa mina ficaram bastante feridos mais 4 camaradas, entre eles o meu amigo Moreira, radiotelegrafista, que ficou todo queimado." ( Citando as palavras do camarada A. Castro, publicadas neste Blog em 13/5/09)



Bem-vindo , Vivaldo !!!!

O caríssimo   companheiro Nuno VIVALDO oferece-nos estas fotos da nossa actividade operacional.
Todos nos lembramos que, além dos serviços da sua especialidade (as injecções e os célebres comprimidos LM ), dava apoio na secretaria da companhia. Recordo-me da sua memória prodigiosa: sabia de cor os números mecanográficos de TODOS nós. Isto não é exagero: sabia mesmo o número (composto por oito algarismos) de cada um ! E devíamos ser à volta de centena e meia ! (Não sei se esta capacidade lhe foi útil na sua carreira no INE - Instituto Nacional de Estatística...)



Cabe aqui uma nota de louvor pelo seu empenho (com outros companheiros, nomeadamente o Comandante e o Baptista, que são os que me ocorrem de momento) na realização do nosso primeiro encontro, no David da Buraca!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ainda o "Suplemento Especial de Pensão"

(Por  F. Santa)
Amigo e Camarada Castro
Li o teu artigo sobre a choruda quantia que recebeste  dada pelo teu (amigo) Paulo Portas. Como vês já passas a ter uma vida melhor com tanto dinheiro. É  realmente uma vergonha.
  Nós não precisamos de esmola, precisamos sim é de um fim de vida condigno e não desprezados por aqueles que tinham obrigação de nos honrar como filhos de uma Pátria, Pátria que defendemos com a nossa vida e com o nosso sangue. Falaste e bem nos Def. das Forças Armadas. A maior parte deles vivem na miséria com autenticas esmolas dadas por mês, viúvas cuja pensão não dá para viver e grandes deficientes cuja saúde se agravou não conseguem aumento da sua pensão. Camaradas nossos que não sendo deficientes batem-se com o Stress de Guerra, ainda hoje alguns levantam-se de noite e andam aos tiros pela casa, gritam por camaradas que viram morrer sendo as suas mulheres o seu suporte, outros que pela água que se bebia e por aquela que se enxugava no corpo, pela comida e outras coisas mais hoje sofrem no corpo os males causados por uma guerra para à qual fomos sem ter culpa. Somos dos poucos países (se calhar o único) que os seus governantes não souberam honrar os seus combatentes. Ainda ontem
assisti a um programa de televisão onde esteve presente uma irmã de um camarada nosso que esteve na Guiné, morreu lá em combate e por lá ficou enterrado. A sua família chorou estes anos todos sem ter um corpo para velar, foi preciso a irmã tratar de tudo para descobrir o sítio onde ele estava enterrado, com ajuda da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Este veio. E os outros quatro mil?
 É assim amigo Castro. O dinheiro faz falta para o TGV e para o Aeroporto e dar aos senhores dos bancos e aos nossos governantes reformas milionárias aos combatentes da guerra do Ultramar umas quaisquer migalhas chegam pois já estamos na idade de ir desaparecendo do mapa! Não somos trapos velhos, somos homens que quando jovens deixámos para traz família, mulher, noiva, amigos e alguns o emprego e ir obrigados para uma guerra que não era nossa.
Isto que escrevo aqui, é mais um grito de revolta que ecoa pelas linhas que atrás escrevi e que poderia ser muito bem proferido por milhares de deficientes, milhares de viúvas, milhares de órfãos e muitas famílias de muitos outros, os desaparecidos. Reavivar na memória das pessoas os horrores da guerra não é mais que prestar homenagem a todos aqueles que combateram, aos deficientes e aos mortos que pagaram com o seu sangue o preço de uma guerra causada pelo poder do fascismo.
Por hoje, este meu desabafo já me deixou um pouco mais aliviado pois hoje sou um dos revoltados com tudo o que se passou e continua a passar, mas no fundo é bom estes desabafos!
   
          Castro: espero que o galo já não esteja muito rijo! Um grande abraço para todos os camaradas da 2415.
                                              SANTA